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ULUSLARARASI BELGELERDEKİ TEMELLER

THE HISTORICAL DEVELOPMENT OF SLAVERY PROHIBITION

A. ULUSLARARASI BELGELERDEKİ TEMELLER

Para melhor compreendermos a relação da teoria e da prática sobre a formação de Direitos Humanos explicitados pelas agentes anteriormente, questionamos as mesmas se os Direitos Humanos estão presentes em suas práticas profissionais, ou melhor, se os princípios de Direitos Humanos norteiam seus afazeres diários. Contudo, observamos que essa questão foi uma das que mais fez as agentes pensarem e, em alguns casos, diante de várias tentativas estratégicas obtivemos respostas evasivas, ou seja, o foco da questão foi desviado. Das agentes

que responderam a questão podemos ver que algumas, como as agentes 01, 03 e 04, fazem referência aos Direitos Humanos como grupos de defesas dos mesmos. Nota-se que elas sentem faltam dessas “pessoas” na instituição para trabalhar junto a elas, pois sempre referenciam tais pessoas em uma perspectiva negativa, uma vez que estes sempre aparecem, segundo a visão das agentes, do “lado de lá”, ou melhor, contra elas e a favor das pessoas encarceradas.

Não obstante, vimos que Ferreira (2001) dispõe sobre as características de um(a) Agente Penitenciário ético e comprometido com os Direitos Humanos. Desse modo, as agentes 01, 03, 07 e 08 destacam questões que podem identificá-las como agentes comprometidas, de algum modo, com os Direitos Humanos, apesar de, pelas falas destas ao longo do trabalho, parecer algo tão distante de suas realidades. Assim, agentes 01 e 07 apontam um elemento em comum em suas práticas cotidianas: o diálogo. Conforme a agente 01 a “voz” tem muito mais força do que qualquer arma ou forma de coação, por isso, destaca que consegue controlar a prisão só com a “voz”. Outrossim, a agente 07 verbaliza que a realidade do presídio feminino no qual trabalha é bem diferente do masculino, isso porque consegue manter o diálogo com as internas. Além do mais, enfatiza que trabalha com uma realidade que não condiz com muitas unidades no Brasil, pois além de ter o diálogo como um instrumento de trabalho, não faz uso de armas na instituição e mantém contato direto com as apenadas. Para Freire (1985), o diálogo possibilita os sujeitos aprenderem e crescerem na diferença, bem como a humanizarem-se. Destarte, “ser dialógico nesse sentido é transformar a realidade com o outro e não invadir o mundo do outro” (PIMENTA, et al., 2013, p. 46). Portanto,

O diálogo é este encontro dos homens mediatizados pelo mundo, para pronunciá-lo, não se esgotando, portanto, na relação eu-tu [...] se é dizendo a palavra com que “pronunciando” o mundo, os homens o transformam, o diálogo se impõe como caminho pelo qual os homens ganham significação enquanto homens. Por isso, o diálogo é uma exigência existencial. (FREIRE, 1985, p. 93).

No contexto prisional, o diálogo pode favorecer a humanização e o reconhecimento da dignidade entre agentes e internas, uma vez que, através dele ambas conseguem se comunicar com vistas à resolução de problemas/conflitos existentes. Contudo, devemos ter cuidado ao analisar quando a entrevistada 01 afirma que consegue “controlar” a prisão só com sua “voz”, pois, há uma ambiguidade de sentido nesse termo, uma vez que pode ser uma voz “passiva”, no

sentido do diálogo crítico e libertador exposto por Freire (1985.) ou mesmo uma voz que expresse a relação de poder (FOUCAULT, 1982), como, por exemplo, o grito, o modo ríspido de se expressar e querer controlar determinadas situações repressivamente.

Quanto a outras questões de Direitos Humanos no CRFMJM, as agentes 03 e 08 verbalizam situações de efetivação dos direitos das mulheres em situação de encarceramento na instituição como: “oportunidades de lazer, de esporte, de atendimentos de saúde, de assistência social, de psicólogos; grupos de coral, música [...].” (Agente 03). Além desses, a agente 04 enfatizou que no presídio há investimento na ressocialização dando oportunidade paras as internas na fábrica de fardamentos, no ateliê de bonecas e com eventos culturais, no entanto, conforme Sarmento (2011), as oportunidades de ressocialização não abrangem todas as mulheres encarceradas no CRFMJM.

Contudo, a agente 01, a qual tem formação em Direitos Humanos e se mostrou, durante a entrevista e todo o processo de coleta de dados no CRFMJM, comprometida com os Direitos Humanos chama atenção para o princípio de igualdade no Sistema Penitenciário, o qual, para ela, foi um grande “choque” na sua vivência prática na prisão, pois, segundo ela, esse princípio não existe e nunca vai existir já que como ressaltava seu professor de Processo Penal, “na prisão existe apenas os PPP: preto, pobre e puta” (sic). De fato, como vimos no Capítulo I, o Sistema Penitenciário concentra grande parcela das pessoas pobres, negras, com baixa ou nenhuma formação acadêmica. No entanto, chamamos atenção ao uso dos termos, em específico, do “puta” enfatizado pelo docente, pois, apesar da criminalidade feminina estar associada, em suas origens, segundo Soares; Ilgenfritz (2002), à sexualidade, ou melhor, à prostituição, hoje, diferentemente observamos conforme Sarmento (op. cit) a inserção da mulher na criminalidade por diversos fatores, sobretudo pelo tráfico de drogas. Desse modo, repudiamos o termo utilizado pelo docente, por ser pejorativo e por compreendermos que pelo fato de estarem privadas de liberdade não quer dizer que perderam sua dignidade de seres humanos, por isso merecem ser respeitadas como tal, assim como as pessoas negras e pobres. Por fim, partimos do entendimento de Balestreri (1998, p. 23) quando aduz: “Não se ensina a respeitar desrespeitando”.

Na tabela, a seguir, podemos visualizar melhor os relatos apresentados pelas agentes quanto à categoria discutida.

Subcategoria Fala das entrevistadas Evocadoras

Diálogo

Aqui o que você utiliza não digo nem Direitos Humanos, você utiliza aqui muito a sua voz, o seu posicionamento aqui tem muito mais força do que qualquer arma, qualquer forma de coação [...] a gente controla isso daqui com a voz. [...] a gente sente falta deles aqui e a cada ataque lá fora desmotiva, eu já vi muita colega no pique, de trabalhar bem, direito, até dentro, sem saber, mas o que é espero dos Direitos Humanos e a cada ataque desmotiva, desmotiva muito. (Agente 01)

Veja aqui a gente, aqui no feminino, especificamente, é uma realidade bem diferente do que o masculino, porque a gente conversa, aí eu vejo que é outro tipo de realidade. Aqui a gente realmente trabalha dentro de uma realidade que não condiz com o Brasil, na minha concepção. A gente não trabalha armada, então não tem aquela ideia de coação por estar com armamento [...] se você for lá embaixo e ver a gente trabalhando você vai ver que a gente, realmente, trabalha diretamente, então aqui tem isso, muitos no feminino, as mulheres, querendo ou não existe uma certa vulnerabilidade, então o trato é realmente diferente [...] então a gente tem, realmente, essa parte humana aqui é bem trabalhada, elas aqui, realmente, não podem sair dizendo que sofreu qualquer tipo de maus tratos porque não condiz com a realidade, né, isso ai eu tenho, realmente, autoridade pra falar isso... (Agente 07) 02 Direitos Humanos a partir de determinadas pessoas

A gente vê os direitos humanos, mas a cada pessoa que faz parte, aí as vezes a gente julga um, mas não quer dizer que seja os direitos humanos, as vezes ele age de maneira errada e aí a gente mete o pau nos direitos humanos, mas não quer dizer que seja culpa, é culpa daquela pessoa que se diz direitos humanos, né, mais ou menos isso. (Agente 04)

03

Efetivação dos Direitos Humanos no

CRMJM

Eu não vejo, eu não vejo OS Direitos Humanos presentes, mas na prática, pelo menos minha e das minhas colegas há uma prática de DH. Da, partindo da diretoria também existe um prática de DH, é tanto que existe várias atividades para elas [...] oportunidades de lazer, de esporte, de atendimentos de saúde, de assistência social, de psicólogos; existem grupos de coral, musica [...]. (Agente 03)

Aqui no Julia Maranhão eu vejo isso, estou sendo realista, existe investimento na ressocialização porque temos hoje um coral, fábrica de fardamentos, aí tem um ateliê de bonecas, tem eventos culturais, eventos da igreja, da faculdade, aqui está aberto pra isso. [...] não se houve falar em tortura (Agente 08)

Princípio de igualdade

O principal é aquele que foi o maior choque quando eu entrei aqui, o principal eu já sabia quando você vê a coisa é o da igualdade, agora não existe em lugar nenhum. Porque aqui só tem os três P que o professor de processo penal fala, né só tem os três P. [...] penal usa muito e isso me marcou: “preto, pobre e puta”. [...] você quer saber como é a cadeia só tem isso aqui dentro. Acho que só passou por aqui duas classes média, média! Então, essa igualdade de que? Nunca existiu e nem vai existir. (Agente 01)

01

Quadro 15 – Percepção das Agentes Penitenciárias acerca dos Direitos Humanos no CRFMJM. Fonte: Primária

Não obstante, podemos observar, a partir das falas das agentes, que há certa rejeição destas com o tema dos Direitos Humanos, até porque elas “não se sentem contempladas ou defendidas pelos discursos e políticas de Direitos Humanos” (MORAES, 2013, p. 134). Nota-se que a abordagem de Direitos Humanos na formação parece cumprir apenas uma exigência curricular como preconiza a Matriz Curricular Nacional para Educação em Serviços Penais (2006a) e o PNEDH (2006). Afinal, percebemos, a partir de suas falas, que o curso de formação não deu suporte necessário para que elas pudessem entender ao menos o real significado dos Direitos Humanos. Além do mais, devemos considerar que as agentes estão submetidas a uma realidade tão “desumana” no que diz respeito ao funcionamento do Sistema Prisional que uma abordagem de “Direitos Humanos”, nesse contexto, parece utópica. Na verdade, do próprio ponto de vista histórico, segundo Pimenta et

al. (2013, p. 47), os Direitos Humanos carregam e traduzem na realidade uma

utopia.

Nesse sentido, se convertem numa plataforma emancipatória em reação e em repúdio às formas de exclusão, desigualdade, opressão, subalternização e injustiça. A Educação em Direitos Humanos combina sempre o exercício da capacidade de indignação com o direito à esperança e admiração da/pela vida, a partir do exercício da equidade que nasce da articulação dos princípios de igualdade e diferença.

Destarte, esperamos, assim, que haja ao menos essa utopia, pois é sinal que se desejam mudanças, quiçá, mesmo que seja em longo prazo, veremos resultados positivos.