THE HISTORICAL DEVELOPMENT OF SLAVERY PROHIBITION
B. TÜRKİYE CUMHURİYETİNDE KÖLELİK YASAĞI İLE İLGİLİ ANAYASAL DÜZENLEMELER
Percebemos ao longo das entrevistas que as agentes constantemente destacavam a necessidade de formação continuada/permanente para que pudessem dar continuidade ao processo de formação. Segundo Coyle (2002), o treinamento dos servidores penitenciários deve ser pensado de modo a atender as especificidades de seu trabalho na prisão, pois, por ser um lugar fechado e isolado tende a deixar os profissionais muito limitados e inflexíveis. Não obstante, assegura o autor que os servidores penitenciários precisam permanecer sensíveis às mudanças na totalidade da sociedade da qual provêm seus presos e à qual eles retornarão. Assim, sugere que os servidores que trabalham com grupos específicos (adolescentes ou jovens infratores privados de liberdade, mulheres, presos com distúrbios mentais e presos de alta segurança) recebam capacitação específica.
Considerando o pouco tempo de formação apontado pelas agentes, a organização curricular do curso e as necessidades das agentes pós-formação inicial, buscamos compreender quais os conhecimentos fundamentais apresentados pelas entrevistadas, para possíveis cursos de formação permanente. Desse modo, as agentes apresentaram uma lista de demandas, como podemos observar no gráfico a seguir, entre as mais destacadas estão conhecimentos sobre: estudo sobre mulheres, psicologia, defesa pessoal, primeiros socorros, gerenciamento de crises, direito, estudo sobre drogas, simulação de casos.
Os conhecimentos menos mencionados, mas que merecem destaque são: revista, criminologia, tiro, abuso de poder/autoridade, uso progressivo e continuado
da força, linguagem corporal, taekwondô, judô70 e parte física para as agentes penitenciárias.
Gráfico 6 – Conhecimentos fundamentais para a prática profissional das agentes. Fonte: Primária
Sobre a necessidade de um curso que contemplasse conhecimento sobre drogas, gostaríamos de destacar a fala da agente 01 que disse: “lidamos com gente
e não tivemos nada ligado a tratamento, recepção, ou seja, como tratar gente e não objetos”. A agente demonstra preocupação em tratar as pessoas presas como seres
humanos, considerando suas especificidades. Logo, cinco agentes (50%) demonstraram desejo em conhecer melhor a realidade prisional feminina, em específico, as necessidades das mulheres presas, ou seja, compreender o universo feminino do qual fazem parte. Esse treinamento específico com enfoque ao tratamento de mulheres encarceradas está explícito na Regra 33 das Regras das Nações Unidas para o tratamento de mulheres presas e medidas não privativas de liberdade para mulheres infratoras (2010), a qual dispõe:
1. Todo funcionário designado para trabalhar com mulheres presas deverá receber treinamento sobre as necessidades específicas das mulheres e os direitos humanos das presas.
2. Deverá ser oferecido treinamento básico aos funcionários das prisões sobre as principais questões relacionadas à saúde da mulher, além de medicina básica e primeiros-socorros.
70 A agente 09 destacou a necessidade de cursos de taekwondô ou judô de modo que elas pudessem
aprender a usar melhor a força, como forma de defesa, já que elas não usam nenhum tipo de armamento.
3. Quando crianças puderem acompanhar suas mães na prisão, os funcionários também serão sensibilizados sobre as necessidades de desenvolvimento das crianças e será oferecido treinamento básico sobre atenção à saúde da criança para que respondam com prontidão a emergências. (ONU, 2010).
Não obstante, entendemos que esses conhecimentos e outros, como psicologia, direito, linguagem corporal, criminologia etc. nesse contexto são importantes, pois,
para tão poucos controlarem tantos, é preciso conhecer as leis do crime, entender o funcionamento da cadeia, a dinâmica e o impacto do encarceramento na mente humana, decifrar personalidades e intenções ocultas, ter anos de experiência e empregar métodos nem sempre ortodoxos. (VARELLA, 2012, p. 40).
Além disso a agente 03 destacou a necessidade de uma melhor preparação para questões de saúde na prisão, pois, segundo ela, no CRFMJM há presas com doenças infectocontagiosas, como tuberculose; além de outros tipos de doenças como a AIDS e por isso precisam saber os meios de prevenção para não se contaminarem, além de garantir uma atenção qualificada às internas acometidas com tais e outras doenças. Sobre isso, as Regras das Nações Unidas para o tratamento de mulheres presas e medidas não privativas de liberdade para mulheres infratoras (2010), Regra 34, dispõe que:
Os programas de capacitação sobre HIV deverão ser incluídos como parte do treinamento regular dos funcionários da prisão. Além da prevenção, tratamento, cuidado e apoio relativos a HIV/AIDS, temas como gênero e [...] direitos humanos, com particular ênfase em sua relação com o HIV, a estigmatização e a discriminação, também deverão fazer parte do currículo. (ONU, 2010).
A Regra 35 também enfatiza que os funcionários da prisão “deverão ser treinados para detectar a necessidade de cuidados com a saúde mental e o risco de lesões auto infligidas e suicídio entre as mulheres presas, além de prestar assistência, apoio e encaminhar tais casos a especialistas”71.
71 Durante as entrevistas as agentes destacaram que recebem muitas mulheres com problemas
mentais, as quais, segundo elas, eram para estarem internas no Hospital Judiciário. Contudo, afirmaram que raramente elas conseguem transferência das internas para o Hospital. Inclusive, conforme destacaram, em 2013 uma interna cometeu suicídio no CRFMJM. Segundo uma agente ela estava acometida por problemas mentais e não estava tendo um tratamento especializado com
Portanto, podemos ver o quanto as demandas de formação permanente apresentadas pelas agentes entrevistadas são anseios pertinentes aos seus afazeres diários que não foram passados no curso de formação, ou mesmo, pelo pouco tempo de formação não contemplaram o entendimento destas. Além do mais, diferentemente do que apontamos em vários momentos da análise, as agentes, nessa questão, dispõem da necessidade de cursos de caráter mais teórico do que propriamente prático. Por isso, a importância de assegurar aos(às) profissionais cursos permanentes de formação, para se qualificarem e quiçá melhorar suas atuações e a própria realidade prisional.
psicólogo e psiquiatra, além do lugar que estava (prisão) e a ausência de medicação específica. Segundo relatos de uma entrevistada, a diretora do CRFMJM tentou fazer a transferência da interna para o Hospital Judiciário várias vezes, mas o pedido sempre foi negado (sic). Na época foi instaurada uma sindicância para apurar denúncias realizadas pela Comissão de Direitos Humanos da Paraíba, as quais davam conta de que essa interna teria falecido devido a situações de maus tratos e tortura que estava vivenciando por parte de profissionais do CRFMJM. Destarte, após sindicância ficou comprovado que a interna cometeu suicídio. Para compreender melhor o caso acessar: <http://pge-pb.jusbrasil.com.br/noticias/100491577/comissao-de-sindicancia-conclui-investigacoes- sobre-denuncias-de-tortura-na-penintenciaria-feminina-julia-maranhao>. Acesso em: 11/06/2014.