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Uluslararası Terörizmin Yeni Boyutları

C. TERÖRİZM VE MEDYA İLİŞKİSİ

D. 11 EYLÜL VE ULUSLARARASI TERÖRİZMİN YENİ YÜZÜ

2. Uluslararası Terörizmin Yeni Boyutları

O projeto brasileiro de 1962, para a construção de uma usina hidroelétrica nas cataratas de Sete Quedas, ou Salto de Guairá, reacendeu as divergências sobre as fronteiras entre Brasil e Paraguai; diferenças que, aparentemente, estavam solucionadas desde 1872.

Segundo Cotrim (1999, p. 121), existem registros sobre o interesse das autoridades brasileiras em explorar o potencial hidroelétrico de Sete Quedas desde 1908. No entanto, dos diversos projetos feitos, apenas a pequena Usina de Guairá,

conhecida como “capelinha”, foi concluída, e supria de energia a região (COTRIM, 1999, p. 25).

O plano de construir uma grande barragem ganhou força no início da década de 1960, quando Jânio Quadros (1961) solicitou ao ministro de Minas e Energia da época, João Agripino, uma obra de grande impacto no setor hidroelétrico. O projeto eleito foi Sete Quedas, pelo seu potencial hidráulico, apesar de todas as ressalvas técnicas, como a não equação entre produção e demanda da energia produzida e a ausência de estudos técnicos mais detalhados sobre a região (Ibidem, p. 26-29).

Já o Presidente Jânio Quadros desejava marcar o seu governo com um projeto hidroelétrico de impacto, de grande envergadura, que suplantasse as usinas de Furnas e Três Marias iniciadas no governo do seu antecessor, Juscelino Kubitschek, e que não pudesse ser superado por nenhum outro. Informado de que o maior potencial hidroelétrico brasileiro era Sete Quedas, anunciou a decisão de iniciar imediatamente seu aproveitamento. A notícia criou grande alvoroço e perplexidade, tanto na opinião pública como dentro do setor de energia, em particular, pois, sabidamente, não havia nenhum estudo em profundidade e, além do mais, como exposto, o suprimento de energia elétrica à região, a que se destinaria a energia de Sete Quedas, já estava equacionado para muitos anos adiante.

(COTRIM, 1999, p. 26-27)

O ministro João Agripino e a sua assessoria técnica viajaram a Foz de Iguaçu para coletar alguns dados preliminares sobre o potencial energético da região em julho de 1961 (THIBAU, 2004, p.107). Contudo, a renúncia de Jânio Quadros (1961) e as incertezas políticas acabaram atrasando os estudos por alguns meses.

Posteriormente, na administração João Goulart (1961-1964), Gabriel Passos, nomeado para o Ministério de Minas e Energia e convicto da necessidade de se aprofundar os estudos sobre Sete Quedas, contratou, em março de 1962, para a realização de um estudo preliminar da utilização de Sete Quedas, o escritório O. M. F., do famoso engenheiro Oscar Marcondes Ferraz.

Depois de 120 dias, Marcondes Ferraz apresentou o estudo e um anteprojeto de construção de uma usina hidroelétrica, cujos resultados excediam as expectativas dos mais otimistas, entusiasmando os membros da administração federal (FERRAZ, 1993, p.165-6). De acordo com Cotrim:

Tratava-se de um projeto portentoso, já que sua potência representava

no Brasil [...] De maneira que, tal como acontecera quando Jânio Quadros

deflagrou o processo em 1961, tão logo divulgado, causou grande sensação, despertando inusitado interesse nos meios industriais, empresariais, financeiros e políticos do Brasil.

(Grifo nosso) (COTRIM, 1999, p.36)

Esse anteprojeto previa desvio para o interior do território brasileiro do Rio Paraná, que divide o Brasil do Paraguai, para o aproveitamento hidroelétrico. Depois se efetuaria o retorno das águas do Paraná ao seu leito original, algumas dezenas de quilômetros abaixo (FERRAZ, 1993; THIBAU, 2004). Partia-se do pressuposto, como nos projetos anteriores, de que Sete Quedas situava-se exclusivamente em terras brasileiras (COTRIM, 1999, p. 39).

Pouco tempo após a divulgação do estudo e do anteprojeto de Marcondes Ferraz em 1962, as autoridades paraguaias interpelaram os representantes brasileiros sobre esse estudo e reabriram as discussões sobre as fronteiras brasileiro-paraguaias, com base em uma “reinterpretação” do tratado de 1872.

Marcondes Ferraz defendeu a construção da barragem de Sete Quedas em território exclusivamente brasileiro por razões técnicas. No entanto, o engenheiro defendia que o Paraguai deveria ter uma parcela da energia produzida, por ser o Rio Paraná um rio internacional.

[...] O fato de a usina ter sido projetada exclusivamente em território brasileiro deveu-se apenas a uma questão técnica; achei que seria a melhor solução, porque assim a usina se livrava da inundação da cachoeira na época das cheias, adquiria uma potência bastante grande e era de fácil execução. Certa vez, em um congresso de engenharia, um representante paraguaio perguntou-me se o projeto eliminava os direitos do seu país, ao que respondi: “Sou um técnico, fui chamado para resolver um problema técnico. A melhor solução, a meu ver, foi a que dei. Os direitos do

Paraguai são uma questão política a ser resolvida entre os dois governos. Estou certo de que o governo brasileiro respeitará os direitos do Paraguai, que é senhor da metade das águas do rio” [...]

(Grifo nosso) (FERRAZ, 1993, p. 166)

Não obstante, Marcondes Ferraz não defendia a divisão equânime da energia elétrica do projeto Sete Quedas, pois: “nós tínhamos todos os trunfos: tínhamos o know-how, o dinheiro, a capacidade de obter mais dinheiro para fazer a usina e, o que era mais importante, o mercado” (FERRAZ, 1993, p. 168). As resistências ao Projeto Marcondes Ferraz encontraram eco dentro do setor de energia, como demonstram as críticas do engenheiro Paulo Richer:

[...] Engenheiro competente, o Dr. Marcondes Ferraz fez um trabalho de qualidade, que no entanto acabou virando um problema. Em seu projeto, propunha pura e simplesmente o seguinte: “Vamos esquecer o Paraguai e fazer um dique - passar a água para o nosso lado. A usina é nossa e que se dane o Paraguai”. Como iríamos resolver a questão sem brigar com o Paraguai? Seria impossível!

(RICHER, 1995, p. 111)

No momento do endurecimento da posição paraguaia, a primazia política sobre os destinos do projeto Sete Quedas passou das mãos do Ministério de Minas e Energia para a responsabilidade do Ministério das Relações Exteriores, que deu um novo encaminhamento à questão.