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Kuzey Atlantik Antlaşması Örgütü(NATO)

C. ULUSLARARASI ÖRGÜTLERDE TERÖR KONUSUNUN ELE ALINIŞI

3. Kuzey Atlantik Antlaşması Örgütü(NATO)

Em novembro de 1966, o diplomata Mário Gibson Barboza foi retirado de seu cargo na Embaixada de Viena, sendo designado para chefiar a Embaixada de Assunção, ou seja, trocou “o Rio Danúbio pelo Rio Paraguai” (BARBOZA, 2004, p. 65). O embaixador temia ser “alvo” de alguma “perseguição” ou “vingança”, pois fora chefe de gabinete de San Tiago Dantas, um dos idealizadores da Política Externa Independente, e profundamente identificado com o governo João Goulart (BARBOZA, 1992, p. 85).

O posto de embaixador brasileiro no Paraguai era de alto risco, em virtude dos problemas a serem enfrentados e do ambiente cheio de animosidade e de hostilidade em relação aos brasileiros (BARBOZA, 2004, p. 69-70). Aliás, a substituição de Jaime de Souza Gomes por Gibson Barboza atendeu a uma

solicitação das autoridades paraguaias, muito insatisfeitas com a atuação Souza Gomes (BARBOZA, 2004, p. 69).

Gibson Barboza, antes de seguir para o “front paraguaio”, estudou as múltiplas faces do problema de Sete Quedas. Reuniu-se, diversas vezes, com Guimarães Rosa, chefe da Divisão de Fronteira do Itamaraty, e encontrou-se também com Marcondes Ferraz, então presidente da Eletrobrás, entre fins de 1965 e meados de 1966209, quando tomou ciência dos detalhes do projeto hidroelétrico. Gibson Barboza menciona ter percebido ali a possibilidade de “submergir” o território em litígio, e, assim, pôr termo ao desacordo fronteiriço com o Paraguai.

A ideia de Itaipu, o aproveitamento do Rio Paraná, veio depois. Primeiramente havia a necessidade urgente de resolver o litígio de fronteira. A verdade é que eu fora convidado a chefiar nossa Embaixada no Paraguai a fim de encontrar uma solução diplomática para o diferendo de fronteira. Mas intuí, desde o princípio, que a solução tinha de passar pelo aproveitamento conjunto, entre os dois países, do imenso potencial hidroelétrico do Paraná.

(BARBOZA, 1992, p. 89)

Ao assumir seu posto no Paraguai, Gibson Barboza encontrou-se com Sapena Pastor, que fez uma breve explanação sobre o problema e a posição paraguaia e teceu, a seguir, uma longa lista de reclamações sobre a atitude da diplomacia brasileira, de não cumprir as determinações da Ata das Cataratas e de protelar a solução do problema de fronteiras, em detrimento dos interesses do Paraguai (BARBOZA, 1992, p. 92).

Após escutar em silêncio, Gibson Barboza redarguiu às queixas paraguaias, deixou claro que não trataria da questão das fronteiras e reafirmou a posição brasileira sobre Sete Quedas, o que deixou Sapena Pastor irritadíssimo. No entanto, sugeriu uma solução para o problema: a construção de uma usina hidroelétrica binacional.

Sapena Pastor estava quase apoplético. Queria falar, interromper-me, mas eu continuei dizendo que, por outro lado, compreendia que o Paraguai não podia voltar atrás, não podia o seu governo vir a público e reconhecer que o Brasil estava com a razão, que se enganara.

Visivelmente aliviado, perguntou-me então qual seria a solução que eu sugeria para o impasse. Respondi-lhe que o problema só poderia ser resolvido se criássemos, de comum acordo, uma forte e mutuamente proveitosa teia de interesses entre os dois países. Bastava isso para que o

209 Existe uma divergência sobre a data do encontro. Gibson Barboza (2004, p. 69) afirma que a reunião ocorreu em 1966. Já Marcondes Ferraz (1993, p. 301) relata que o encontro aconteceu em fins de 1965.

problema desaparecesse, se possível submergido nas águas do Rio Paraná: “Por que não unimos nossas forças, em vez de levar uma disputa estéril, e fazemos um grande empreendimento conjunto no Rio Paraná, com enorme benefício para os dois países e que nós unirá para sempre?” Sapena refletiu um pouco, em silêncio, e disse-me que iria pensar sobre o assunto, dando por encerrada a conversa.

(BARBOZA, 1992, p. 92-94)

Gibson Barboza propôs também a criação de uma comissão mista brasileiro- paraguaia para tratar desse projeto conjunto, além da contratação de um consórcio internacional para realizar um estudo de viabilidade da obra (BARBOZA, 2004, p. 71).

No dia conseguinte, o embaixador brasileiro encontrou-se com o Presidente Stroessner logo cedo, e expôs sua proposta de solução do litígio de Sete Quedas. Barboza afirmou que o Estado guarani nada teria a perder, pois:

[...] E se por infelicidade nossas negociações sobre a construção dessa gigantesca hidroelétrica não chegarem a bom termo, o Paraguai poderá ressuscitar o problema de fronteira. Como vê, o senhor nada tem a perder.

(BARBOZA, 1992, p. 94)

Ao “rememorar” o fato, Gibson Barboza afirma que atuou de forma “heterodoxa” e oficiosa e que correu um grande risco, pois extrapolou suas instruções oficiais, ao sugerir tal comissão (BARBOZA, 1992, p. 94; BARBOZA, 2004, p. 68).

O mais arriscado para mim, em tudo isso, era que eu estava, na verdade, agindo sem instruções, embora minha proposta não se afastasse do espírito da Ata das Cataratas. Telefonei então ao ministro Juracy Magalhães, que se surpreendeu com a minha iniciativa. Ponderei-lhe: “Mas o senhor não acha que é uma boa ideia?” Ele pensou um pouco e disse: “É, a ideia é boa...”. Acabou por concordar e recomendou-me que lhe enviasse a minuta da nota para estudo. A partir desse momento, passei a pisar em terreno firme, respaldado pelo ministro. Daí em diante, tratava-se de uma ortodoxa negociação diplomática, com seus costumeiros vais e vens.

(BARBOZA, 1992. p. 94-95)

Após a anuência do ministro, a ideia da usina hidroelétrica ganhou força no bojo da corporação diplomática. Não obstante, enfrentava forte oposição de membros dos setores militares, como o general Silvio Frota, e de nomes do segmento energético, como o engenheiro Marcondes Ferraz (BARBOZA, 2004,

p.75). Gibson Barboza ironizava essa situação de estar “sob fogo cruzado, entre tupis do Brasil e os guaranis do Paraguai” (BARBOZA, 1992, p. 99).

A posição de Gibson Barboza saiu vencedora no debate político interno no centro das decisões do Estado brasileiro, graças às intervenções de outras autoridades brasileiras, como o general Lyra Tavares e o ministro dos Transportes, Mário Andreazza, os quais fortaleceram a imagem do embaixador e ajudaram a estreitar os laços brasileiro-paraguaios, com obras na rodovia Campo Grande- Assunção (BARBOZA, 1992, p. 102) e a construção da rodovia entre Assunção e Puerto Stroessner (AMARAL e SILVA, 2006, p.77).

Wasmosy (2008, p. 59) aponta que a proposta brasileira, feita por Gibson Barboza, seguia a mesma linha da oferta realizada pelo chanceler Juracy Magalhães, durante as negociações da Ata das Cataratas (1966). Mais do que uma simples coincidência, isso aparentava ser uma diretriz política do Ministério das Relações Exteriores.

O embaixador Manuel Pio Corrêa, secretário geral do Itamaraty na época, compartilha dessa perspectiva e contesta, em suas memórias, a versão apresentada na biografia de Gibson Barboza:

Foi-me dito que um autor mal informado, ao traçar a biografia do embaixador Gibson Barbosa, biografia aliás rica em eminentes serviços, escreveu que foi dele a ideia do aproveitamento da prodigiosa força do Paraná para transformar um pomo da discórdia em suculenta maçã; ideia por ele concebida, espontaneamente sugerida ao governo paraguaio, e por este pressurosamente acolhida. Se isso foi de fato assim escrito, semelhante afirmação terá sido uma ofensa tanto à verdade histórica quanto à alta capacidade profissional de Mário Gibson: pois só um embaixador irresponsável faria semelhante proposta a outro governo sem conhecer a intenção do seu próprio governo e sem estar autorizado e coberto por instruções formais deste último.

(PIO CORRÊA, 1996, p. 90)

Ainda de acordo com Pio Corrêa (1996, p. 909), a atuação de Mário Gibson foi muito relevante para a superação dos inúmeros empecilhos políticos; entretanto, esse papel foi menor do que lhe é comumente atribuído.

Isto dito, o desempenho habilíssimo de Mário Gibson em Assunção foi altamente instrumental na remoção de todos os obstáculos para o congraçamento entre os dois países, nas etapas que levaram à assinatura da Ata das Cataratas, e subsequentemente à realização da obra monumental de Itaipu – que, ao mesmo tempo que criava a mais poderosa

fonte de energia hidroelétrica do mundo, afogaria as águas de sua represa, as Sete Quedas do Paraná, e com elas o objeto do litígio.

(PIO CORRÊA, 1996, p. 910)

Cabe recordar que existe uma divergência na bibliografia sobre a origem da “paternidade” da construção da usina hidroelétrica. Juracy Magalhães, em sua entrevista ao Jornal do Brasil210, assume a autoria da sugestão de “submergir” o litígio fronteiriço. Já Boettner (2004, p. 89) atribui a responsabilidade do projeto de Itaipu ao chanceler paraguaio Sapena Pastor. Apesar dessas discussões sobre a autoria da ideia de “submergir” o litígio fronteiriço, a mesma só ganhou força na gestão de Gibson Barboza à frente da Embaixada do Brasil em Assunção, da Secretaria Geral do Itamaraty, e, posteriormente, do Ministério das Relações Exteriores, quando ocorreram as principais negociações em torno de Sete Quedas. IV. 2 A Comissão Mista (1967) e as negociações em torno do Tratado de Itaipu (1973)

Em 12 de fevereiro de 1967 os governos do Brasil e do Paraguai trocaram notas reversais, cujo escopo era a criação da comissão mista técnica brasileiro- paraguaia para “realizar el estudio y evalución de las posibilidades econômicas, en

particular del Rio Paraná, desde e inclusive el Salto Grande de las Siete Caídas o Salto del Guairá hasta la boca del Rio Yguazú” (PARAGUAI, 1967, p. 14)211.

A comissão iniciou seus trabalhos no Rio de Janeiro em 8 de maio de 1967. A delegação paraguaia era capitaneada pelo engenheiro Enzo Debernardi, então presidente da estatal energética ANDE (Adiministración Nacional de Eletricidad). A chefia da missão brasileira ficou a cargo do general Amyr Borges Fortes, que era respeitado pelos técnicos do setor energético e mantinha uma boa relação com Stroessner (WASMOSY, 2008, p. 61-62; DEBERNARDI, 1996, p. 90).

Em 7 de agosto de 1967, os delegados brasileiros e paraguaios aprovaram um plano de ação detalhado para a definição e o levantamento de informações técnicas, como estudos hidrológicos, topográficos, geológicos, entre outros,

210 FERRAZ, Sílvio. Artífice do acordo lembra que obra coroa diplomacia. Jornal do Brasil de 15 de outubro de 1978, Economia, p. 26. Centro de Memória da Eletricidade. Pasta John Cotrim.

211 PARAGUAI. Itaipu Binacional. Acuerdo entre la República del Paraguay y la República Federativa del Brasil, por intercambio de notas diplomáticas, para la creación de la Comisión Mixta Técnica Paraguayo-Brasileña, Assunción, 12 de febrero de 1967. In: Itaipu Binacional, Documentos Oficiales de Itaipu. Asunción, Paraguay, 1989.

necessários para subsidiar os respectivos governos na decisão da construção da hidroelétrica. Delimitaram também as responsabilidades entre as partes.

A continuidade dos trabalhos foi viabilizada com a assinatura de um convênio de cooperação em 10 de abril de 1970, entre a ANDE, a Eletrobrás e a comissão mista. Por esse convênio, a ANDE e a Eletrobrás ficaram responsáveis pela realização e financiamento dos estudos da barragem na região, ou seja, pela concretização das decisões da Comissão Mista.

Clausula Primera – Objeto del Convenio

El objeto principal del Convenio, consiste en la obtención de datos y elaboración de estudios técnicos y económicos del aprovechamiento de la energía hidráulica de los desniveles del río Paraná, desde e inclusíce Siete Caídas hasta la boca del río Yguazú, que permitan establecer, además de la estimativa de los respectivos potenciales energéticos, un plan racional para su aprovechamiento, incluyendo las alternativas de anteproyectos más económicos y recomendables técnicamente, asi como de la energía por los mismos producida. Esos estudios deberán incluir, además, una apreciación general de los usos múltiples del agua, tales como consumo humano e industrial, irrigación, navegación, y otros beneficios derivados.

(PARAGUAI, 1970, p. 21)212

A Eletrobrás e a ANDE, pela cláusula quarta, eram responsáveis por prover os recursos necessários para o bom prosseguimento dos estudos. Em caso de uma das partes não poder honrar suas obrigações financeiras, o artigo 5º previu que a outra parte quitaria as despesas. O acerto entre os sócios se daria da seguinte forma:

Clausula Quinta – Financiamento de los Trabajos

5 - La deuda arriba mencionada, será liquidada por abastecimiento, de un país al otro, de energía genereda en las fuentes que se instalaren como consecuencia de los estudios objeto de este Convenio, en la cantidad y al justo precio, que serán oportunamente fijados por especialistas de los dos países.

(PARAGUAI, 1970, p. 26) 213

212 PARAGUAI. Convenio de Cooperación entre la la Comisión Mixta Técnica Paraguayo-Brasileña por una parte y por la otra, la Administración Nacional de Eletricidad (ANDE) y Centrais Elétricas Brasileiras S. A, (ELETROBRAS) del Brasil, para el estudio conjunto del trecho del río Paraná desde e inclusive el Salto del Guairá o Salto Grande de Sete Quedas hasta la boca del río Yguazú, Assunción 10 de abril de 1970. In: Itaipu Binacional, Documentos Oficiales de Itaipu. Asunción, Paraguay, 1989.

213 PARAGUAI. Convenio de Cooperación entre la la Comisión Mixta Técnica Paraguayo-Brasileña por una parte y por la otra, la Administración Nacional de Eletricidad (ANDE) y Centrais Elétricas Brasileiras S. A, (ELETROBRAS) del Brasil, para el estudio conjunto del trecho del río Paraná desde e inclusive el Salto del Guairá o Salto Grande de Sete Quedas hasta la boca del río Yguazú, Assunción 10 de abril de 1970. In: Itaipu Binacional, Documentos Oficiales de Itaipu. Asunción, Paraguay, 1989.

Nota-se que é anterior ao Tratado de Itaipu a proposta da Eletrobrás, de emprestar os recursos necessários para o projeto Sete Quedas e receber, posteriormente à conclusão das obras, o pagamento do financiamento pela ANDE em energia.

A cláusula 6ª estipulou a necessidade da realização de estudos econômicos minuciosos sobre os custos de geração e distribuição da energia produzida em Sete Quedas até os mercados consumidores potenciais, bem como a análise da competitividade de Sete Quedas em relação a outros projetos (PARAGUAI, 1970, p. 26) 214.

De acordo com Debernardi (1996, p.121-122), os dados obtidos a partir dessa cláusula proporcionaram ao Paraguai um retrato fidedigno do mercado elétrico brasileiro, com seus projetos, seus custos e suas projeções de demanda futura. Assim, a diplomacia paraguaia teve à sua disposição um importante instrumental para fundamentar suas posições, estabelecer os limites das suas demandas e perceber sua real margem de manobra durante as negociações em torno do Tratado de Itaipu.

Diante das especificidades do projeto e das exigências paraguaias, a comissão mista decidiu realizar a contratação, via concorrência internacional, de um consórcio de empresas de engenharia para executar os trabalhos previstos no Convênio: “Sendo um trecho binacional, o projeto caberia naturalmente a empresas neutras, isto é, de terceiros países. A escolha recaiu sobre um consórcio entre a IECO e a Eletroconsult” (BHERING, 2004, p. 160). Essa opção demonstra a falta de confiança entre os técnicos dos dois países.

Apesar das ostensivas demonstrações de interesse de Moscou em financiar e participar da construção de Sete Quedas, e com isso estreitar os laços políticos com os países da América do Sul (OESP, 21 de julho de 1971, s/p; Jornal do Brasil, 21 de julho de 1971, s/p; Folha de São Paulo, 02 de outubro de 1971, s/p), nenhuma empresa do bloco soviético foi convidada a participar dessa licitação, aparentemente devido ao veto de Alfredo Stroessner, o que implicou no fim do projeto de

214 PARAGUAI. Convenio de Cooperación entre la la Comisión Mixta Técnica Paraguayo-Brasileña por una parte y por la otra, la Administración Nacional de Eletricidad (ANDE) y Centrais Elétricas Brasileiras S. A, (ELETROBRAS) del Brasil, para el estudio conjunto del trecho del río Paraná desde e inclusive el Salto del Guairá o Salto Grande de Sete Quedas hasta la boca del río Yguazú, Assunción 10 de abril de 1970. In: Itaipu Binacional, Documentos Oficiales de Itaipu. Asunción, Paraguay, 1989.

“assuanização” de Sete Quedas: “[...] o Presidente Alfredo Stroessner é contrário ao

dialogo com Moscou. O Paraguai, tradicionalmente, não mantém relações diplomáticas com nenhum país do bloco soviético” (Folha de São Paulo, 27 de julho de 1971, s/p).

A divulgação do resultado da concorrência ocorreu em 1º de fevereiro de 1971. O consórcio vencedor era formado pela norte-americana IECO (International Engineering Company Inc.) e pela italiana ELC (Eletroconsult Spa) (MONTEIRO, 2000, p. 46). O grupo IECO-ELC realizou um intenso trabalho durante 21 meses,

quese pode dividir em 4 grandes etapas:

Quadro 1: etapas dos trabalhos do consórcio IECO-ELC

1ª Etapa Coleta, organização e análise das informações e dados existentes nos dois países, inclusive estudos de aproveitamento do potencial hidráulico anteriormente realizados. 2ª Etapa Estudo e inventário das possibilidades de aproveitamento do trecho já mencionado do

Rio Paraná, concluindo com uma recomendação sobre o programa mais conveniente, do ponto de vista técnico-econômico, para integral aproveitamento daquele trecho do rio. 3ª Etapa Apresentação do Relatório das 1ª e 2ª etapas aos governos de ambos os países, aos

quais caberá a decisão sobre as recomendações submetidas aos mesmos pela Comissão Mista Técnica.

4ª Etapa Estudos de viabilidade técnico-econômica dos anteprojetos que forem indicados pelos dois Governos. Tal estudo será elaborado com a extensão e os detalhes normalmente exigidos pelas instituições internacionais de crédito com relação a projetos de tal natureza.

Fonte: Quadro elaborado pelo autor, com base nas informações do Relatório da Comissão Mista Técnica Brasileiro-paraguaia (BRASIL, 1973, p. 2) 215.

Em 1972, o consórcio IECO - ELC apresentou oito projetos aos membros da comissão mista, sendo que dois se destacavam: o primeiro considerava a construção de uma imensa barragem única no local conhecido como Itaipu; o segundo previa duas usinas, uma em Santa Maria, a montante de Sete Quedas, e outra em Itaipu.

Optou-se pela construção de uma única barragem alta por ser a mais econômica, possibilitar a menor tarifa final, concentrar em um só projeto todos os esforços, minimizar o impacto da mudança de governo na condução das obras e permitir aos sócios o domínio da tecnologia da construção de grandes barragens e o desenvolvimento de uma indústria pesada de materiais e equipamentos elétricos.

215 BRASIL. Comissão Mista Técnica Brasileiro-Paraguaia. Telegrama do representante brasileiro da Comissão Mista Técnico Brasileira, Amyr Fortes Borges, para o Ministério das Relações Exteriores, 12 de janeiro de 1973. CM-DB-087/73. Rio de Janeiro, Centro de Memória da Eletricidade, Coleção Itaipu. Pasta John Cotrim. Caixa 0126.

(BHERING, 2004, p. 1965-66; MONTEIRO, 2000, p. 30-32; DEBERNADI, 1996, p.103).

Segundo o relatório da comissão mista técnica brasileiro-paraguaia (BRASIL, 1973, p. 5) 216, a construção de uma barragem alta em Itaipu teria um custo 20% menor do que a opção de duas usinas. O orçamento total, com todas as obras e os juros incluídos, era estimado em US$ 2,033 bilhões de dólares. Já o custo da energia gerada era calculado em US$ 190 kW/hora (BRASIL, 1973, p. 5) 217. Por fim, o relatório concluiu que:

Pelos motivos acima expostos esta Comissão Mista é de parecer que a alternativa consistindo na barragem alta em Itaipu é a mais vantajosa tanto do ponto de vista técnico como econômico.

A alternativa em duas barragens, uma em Santa Maria e outra baixa em Itaipu, na opinião da Comissão Mista Técnica, somente deverá ser reexaminada na fase dos estudos de viabilidade, no caso de se verificar [...] a impossibilidade técnica da execução da barragem alta em Itaipu.

(BRASIL, 1973, p. 9-10)218

Decidiu-se, também, alterar o nome do projeto de Sete Quedas para Itaipu, cujo significado em guarani, muito similar ao tupi, é “a água que canta na pedra”. Evitava-se assim melindrar os sentimentos nacionais de ambas as partes (BARBOZA, 2002, p.107).

Itaipu, na perspectiva paraguaia, aparecia como a solução dos problemas do país, pois seria, ao mesmo tempo, um gigantesco dínamo de desenvolvimento econômico, induziria o investimento privado no seu território, garantiria o suprimento de energia ao mercado interno por décadas a fio, projetaria a imagem paraguaia no exterior pela magnitude da obra, diversificaria a pauta de exportações e reduziria a influência argentina ao criar fortíssimos vínculos políticos, econômicos e sociais entre brasileiros e paraguaios (WASMOSY, 2008; DEBERNARDI, 1996).

216 BRASIL. Comissão Mista Técnica Brasileiro-Paraguaia. Telegrama do representante brasileiro da Comissão Mista Técnico Brasileira, Amyr Fortes Borges, para o Ministério das Relações Exteriores, 12 de janeiro de 1973. CM-DB-087/73. Rio de Janeiro, Centro de Memória da Eletricidade, Coleção Itaipu. Pasta John Cotrim. Caixa 0126.

217 BRASIL. Comissão Mista Técnica Brasileiro-Paraguaia, Telegrama do representante brasileiro da Comissão Mista Técnico Brasileira, Amyr Fortes Borges, para o Ministério das Relações Exteriores, 12 de janeiro de 1973. CM-DB-087/73. Rio de Janeiro, Centro de Memória da Eletricidade, Coleção Itaipu. Pasta John Cotrim. Caixa 0126.

218 BRASIL. Comissão Mista Técnica Brasileiro-Paraguaia. Telegrama do representante brasileiro da Comissão Mista Técnico Brasileira, Amyr Fortes Borges, para o Ministério das Relações Exteriores, 12 de janeiro de 1973. CM-DB-087/73. Rio de Janeiro, Centro de Memória da Eletricidade, Coleção Itaipu. Pasta John Cotrim. Caixa 0126.

Já no Brasil, a ideia da construção de Itaipu não era consenso. Altas autoridades governamentais, em especial do setor elétrico e militar, e parte da opinião pública brasileira relutavam em ter o Paraguai, um país historicamente instável e sem tradição na área de engenharia, como sócio de um projeto dessa