• Sonuç bulunamadı

1.1.4 Sermaye kontrolleri

1.1.5.2. Potansiyel maliyetler

1.1.5.2.1. Uluslararası sermaye hareketleri kırılganlığı

O texto aprovado em primeiro turno foi colocado em discussão no plenário do Senado em outubro de 2001, e votado na terceira sessão de discussão, em 31/10/2001, sem que houvessem sido submetidos requerimentos de emendas. Na votação de segundo turno, a PEC foi aprovada por unanimidade. Todos os líderes partidários, citados na Tabela 3, encaminharam a votação favoravelmente a suas bancadas. Durante a votação, o senador Ademir Andrade faz uma manifestação, salientando a importância do acordo de lideranças e também o fato de o Governo ter sido favorável. O senador também menciona uma reportagem no programa Fantástico, da Rede Globo (programa de 21/10/2001), que denunciava a ocorrência de trabalho escravo no campo brasileiro. O fato de essas ocorrências serem de amplo conhecimento da população brasileira é apontado como forte estímulo a que os senadores votassem a favor.

Como as definições de trabalho escravo geraram uma série de divergências no futuro da tramitação da PEC, é relevante salientar aqui as características de trabalho escravo apontadas pelo senador Ademir Andrade nessa manifestação, que, conforme o resultado da votação, representavam consenso entre os senadores, naquele momento. Ademir Andrade argumenta:

45 Diário da Câmara dos Deputados /Ano LVI - Nº 142/ Quinta-feira, 18 de Outubro de 2001, pp. 25355 - 25358. 46 A ata registra seis votos favoráveis à emenda n° 1, mas os senadores Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) e

Bernardo Cabral (PFL-AM) fizeram, posteriormente, um pedido de que constasse em ata que se equivocaram e que seus votos deveriam ser contabilizados como ‗Não‘.

Sr. Presidente, falo aqui da situação de milhares de trabalhadores que vivem em áreas de extrema pobreza e são atraídos, em geral, para outras regiões com promessas de salários e condições de trabalho. Quando chegam nas fazendas perdem a liberdade, são submetidos ao trabalho sob pena de tortura e os salários prometidos viram dívidas, já que, quando existem, são insuficientes para custear as despesas com hospedagem, alimentação, instrumentos de trabalho, coisas inclusive que a legislação brasileira não permite47.

A manifestação que o senador registrou deixa claro que as características como ameaça de morte ou tortura, escravidão por dívida e o deslocamento desses trabalhadores de suas regiões de origem constituem um consenso entre os senadores para a definição das práticas que definiriam o trabalho escravo. Em sua manifestação, Ademir Andrade ressalta ainda as dificuldades de fiscalização e repressão à prática. Segundo ele, o Grupo Móvel de Fiscalização, vinculado ao Grupo Executivo de Repressão ao Trabalho Forçado do Ministério do Trabalho e criado em 1995, representou um avanço, já que, antes de sua criação, a fiscalização era feita exclusivamente pelas Delegacias Regionais de Trabalho de forma ineficiente. O senador Andrade menciona ainda as grandes extensões territoriais das regiões com ocorrência de trabalho escravo, que, diante das deficiências no aparelhamento dos agentes fiscalizadores (como a falta de helicópteros) torna esse combate ainda mais desafiador.

A persistência da impunidade é um argumento relevante a favor da PEC 57A/1999. Ainda segundo o documento submetido ao Plenário pelo senador Ademir Andrade, as leis em vigor, tanto do Código Penal quando da CLT, não permitem uma punição efetiva aos infratores. Ele cita o caso de um proprietário condenado no Pará em 1999, mas cuja pena foi revertida em pagamento de cestas básicas. Punições tão brandas facilitariam a reincidência e não constituiriam medidas eficazes de combate ao trabalho escravo. O senador menciona ainda a Lei n° 9.777, que alterou o Código Penal e passou a prever punições mais rígidas para a prática, e a PEC 29/2000, que tornaria competência da Polícia Federal crimes contra os direitos humanos, entre os quais o trabalho escravo48.

Ao final da votação unânime, o senador Ramez Tebet, que presidia a sessão, anuncia com entusiasmo: ―A matéria vai à Câmara dos Deputados‖. Havia uma grande

47 Diário da Câmara dos Deputados /Ano LVI - Nº 152/ Quinta-feira, 1° de Novembro de 2001, p. 26987. 48 A proposta, conhecida como Reforma do Judiciário, foi aprovada pelo Congresso Nacional em 2004, dando

expectativa de que a PEC fosse também aprovada na CD, onde já tramitavam projetos similares49.

No dia 20/11/2001, a Secretaria Geral da Mesa do Senado recebeu o Ofício/PFDC/Nº 236, de 14.11.2001, da Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão (Subprocuradora-Geral da República), Dra. Maria Eliane Menezes de Farias, em apoio à PEC. O ofício foi encaminhado ao então presidente da Câmara dos Deputados, Deputado Aécio Neves (PSDB/MG). Tais mensagens de apoio, como se verá ao longo da tramitação, representam um incentivo, em geral aos presidentes das Casas legislativas, para que a matéria seja colocada em pauta.

Chama a atenção, nesse período, o prazo relativamente curto entre a submissão da proposta e sua aprovação, e o ―papel dos senadores não apenas como revisores, mas também como iniciadores de relevantes proposições legislativas‖ (GOMES, 2013, p. 32; cf. LEMOS, 2008; ARAÚJO, 2009). Outro fator de relevância no período é a presença de seu autor, o então senador Ademir Andrade, durante o processo de tramitação pelo Senado. A presença do autor da proposta durante a tramitação foi apontada por vários entrevistados como um fator de favorecimento às articulações necessárias para a aprovação do projeto. O autor do projeto teria um interesse maior em estabelecer os consensos necessários para a aprovação de um projeto de sua autoria, considerando a repercussão de sua iniciativa. Não se pode ignorar também a influência da mídia na divulgação do tema trabalho escravo, como pôde ser observado nos próprios discursos dos senadores. Como observado na seção 2.2, a mídia tem uma participação importante na formulação da agenda dos formuladores de políticas públicas.

Benzer Belgeler