2.2. Çalışma Koşulları
2.2.1. Turizmde Çalışma Koşulları
...retrospectivamente, poderemos sempre, encontrar em nosso passado o prenúncio do que nos tornamos (MERLEAU-PONTY, 1980, p.123).
A memória pode se confundir com a identidade humana de tal forma encontra-se imbricada na subjetividade. A noção de eu, em grande parte, deve-se a uma percepção de constância em nosso comportamento e de sequência em nossa vida, proporcionadas pelo fio condutor da memória que liga nosso passado ao presente, permitindo aos sujeitos consultarem a si mesmos em diferentes momentos e situações de suas vidas e reconhecerem-se como uma identidade indivisível ao longo de sua história. Entretanto, quando há uma quebra ou ruptura nessa percepção de identidade causada por um evento traumático, então a noção de si mesmo sofre danos, surge a perplexidade, a confusão mental e ocorrem alterações emocionais. Grande parte das alterações geradas pelo trauma deve-se a mudanças na memória e na atenção dirigida aos estímulos ambientais. Assim, percorreremos o trajeto histórico do estudo da memória, seus modelos e autores na intenção de compreender qual o impacto do trauma sobre essa importante função cognitiva.
O estudo da memória, originalmente objeto de estudo da filosofia e fonte de discussão entre empiristas e inatistas, baseava-se em métodos não-experimentais como a introspecção, a análise lógica e a argumentação. Esses métodos não geraram resultados consensuais e, considerado o contexto positivista ao fundo do cenário histórico no último quarto do século XIX, o estudo da memória passou ao campo dos estudos empíricos da mente impulsionado
pelas influências da química, da física e, principalmente da fisiologia - essa última com forte influência sobre uma novíssima disciplina denominada psicologia. Entre os autores que contribuíram no século XIX para a compreensão básica e estudaram a ligação entre os processos mentais e fisiológicos mais gerais, como a condução do impulso nervoso, a percepção e a sua ligação com a sensação, deve-se destacar respectivamente as contribuições de Hermann Von Helmholtz (1821-1894), Ernst Weber (1795-1878), Gustav Theodor Fechner (1801-1887) 9, com destaque para a fundação da psicologia, sendo que o seu marco histórico, considerado por historiadores como Schultz & Schultz, foi o trabalho sistematizado de Wilhelm Wundt (1832-1920) na Alemanha (Leipzig):
Na qualidade de primeiro psicólogo, Wundt fundou o primeiro laboratório, editou a primeira revista e deu início à psicologia experimental como ciência. As áreas que ele investigou – incluindo a sensação e a percepção, a atenção, o sentimento, a reação e a associação – se tornaram capítulos básicos em manuais que ainda não haviam sido escritos. (SCHULTZ & SCHULTZ, 2002, P.72)
Especificamente, foi Hermann Ebbinghaus (1850-1909) - um psicólogo alemão - o pioneiro no estudo do aprendizado e da memória em laboratório. Conforme Squire e Kandel (2003), o trabalho de Ebbinghaus (década de 1880) consistia em buscar formas objetivas e quantitativas de avaliar a memória. Para isso criou o seguinte método: inventou cerca de 2.300 sílabas em que uma vogal estava entre duas consoantes (como BIK, LEF, YAF ou REN), a chamada Sílaba sem Sentido (muito usadas em vários experimentos posteriores de aprendizagem). Escreveu cada uma em um pedaço de papel, aleatoriamente, sorteou-as e construiu listas de sílabas. Tomando a si mesmo como sujeito experimental começou a decorar tais listas e a avaliar a sua capacidade de recordação. Também mediu o número de repetições e o tempo necessário para aprender novamente cada uma das listas. A partir de suas medições descobriu dois princípios-chave sobre o armazenamento da memória: as memórias têm períodos de
duração mais longos ou mais curtos e a prática faz com que as memórias durem mais tempo (Squire & Kandel, 2003).
É suficientemente sabido que a memorização de uma série de idéias que está a ser reproduzido em um momento posterior é mais difícil, quanto maior seja a série. Ou seja, a memorização, não só requer mais tempo porque cada repetição é mais longa, mas também exige mais tempo relativamente, porque um número maior de repetições se torna necessária. A aprendizagem de seis versos de um poema exige não apenas três vezes tanto tempo quanto dois, mas consideravelmente mais do que isso, embora Eu tenha investigado especialmente esta relação de dependência [...]. (Ebbinghaus, 1885)10.
A utilização das sílabas sem sentido foi considerada por vários autores, entre eles o fundador do Estruturalismo - Titchener, como o primeiro avanço significativo na área desde Aristóteles (Schultz e Schultz 2002, p.90). O objetivo do uso das sílabas sem sentido era evitar que associações e significados prévios armazenados na memória interferissem na aprendizagem e na memorização de novos estímulos verbais. Conforme Schultz & Schultz (2002), Gundlach (1986) - um estudioso da obra de Ebbinghaus - descobriu um dos cadernos de experimento do autor onde esse relatava detalhadamente seus procedimentos e algumas das listas de sílabas; também avaliou as notas de rodapé em seus livros e comparou as diferentes traduções dos mesmos, desse modo, descobriu que as sílabas não eram necessariamente sem sentido e nem sempre tinham apenas três letras, algumas tinham quatro, cinco ou seis letras. E, o que pareceu mais importante: não eram só a sílabas que não deviam ter sentido enquanto unidades, mas em cada lista toda a série de sílabas foi construída para não facilitar
10 It is sufficiently well known that the memorization of a series of ideas that is to be reproduced at a later time is more difficult, the longer the series is. That is, the memorization not only requires more time taken by itself, because each repetition lasts longer, but it also requires more time relatively because an increased number of repetitions becomes necessary. Six verses of a poem require for learning not only three times as much time as two as but considerably more than that. syllables, but incidentally I obtained a few numerical values for it which are worth putting down, although they do not show particularly interesting relations. (EBBINGHAUS, 1885).
interconexões entre as unidades. Também deriva dos meticulosos estudos quantitativos de Ebbinghaus a comparação entre a velocidade de aprendizagem e o tamanho das listas, o número de repetições necessárias para o aprendizado de material com sentido em comparação ao número de repetições necessárias para o aprendizado de itens sem sentido ou desprovidos de associações – conclui que o material com sentido necessita de um décimo do número de repetições para ser aprendido (Schultz & Schultz, 2002; Squire & Kandel, 2003; Ebbinghaus, 1885).
Tendo em mente que cada estrofe contém 80 sílabas (cada sílaba, no entanto, consistindo na média, em menos de três letras) e, se o número de repetições aqui encontrados são comparados com os resultados apresentados acima, foi obtida uma aproximada expressão numérica para a extraordinária vantagem de se combinar significado, ritmo, rima, o que a linguagem comum dá ao material a ser memorizado. Se a curva acima é projetada na imaginação ainda mais longe que o seu curso atual, então se deve supor que eu teria que realizar de 70 a 80 repetições para a memorização de uma série de 80-90 sílabas sem sentido. Quando as sílabas são objetiva e subjetivamente unidas pelos laços que acabamos de mencionar, este requisito foi no meu caso, reduzido a cerca de um décimo desse montante.11 EBBINGHAUS (1885).
Mais tarde, William James (1892/1924) estabeleceu, a partir desses achados de Ebbinghauss, uma diferenciação entre memórias: considerando uma memória primária ou imediata e uma memória secundária, que seria "o conhecimento de um antigo estado psíquico reaparecendo na consciência depois de desvanecer-se dela" (p.375). Além disso, James faz considerações sobre a fidedignidade na relação entre a memória do fato e o fato em si:
11 If it is born in mind that each stanza contains 80 syllables (each syllable, however, consisting on the average of less than three letters) and if the number of repetitions here found is compared with the results presented above, there is obtained an approximate numerical expression for the extraordinary advantage which the combined ties of meaning, rhythm, rhyme, And a common language gives to material to be memorized. If the above curve is projected in imagination still further along its present course, then it must be supposed that I would have required 70 to 80 repetitions for the memorization of a series of 80 to 90 nonsense syllables. When the syllables were objectively and subjectively united by the ties just mentioned this requirement was in my case reduced to about one-tenth of that amount.
O primeiro elemento que tal conhecimento implica parece ser o renascimento na mente de uma imagem ou uma cópia do evento original. E isso é uma suposição feita por muitos escritores que o renascimento de uma imagem é tudo o que é necessário para constituir a memória do acontecimento original. Mas como um renascimento não é, obviamente, uma memória, tudo aquilo que pode ser, é simplesmente uma cópia, um segundo evento, com absolutamente nenhuma conexão com o primeiro evento, exceto que ele que a ele se assemelha. JAMES (1890, p. 649)12
O pragmatismo presente no pensamento de William James é representado pelo texto abaixo onde considera a retenção de uma memória como um fato físico, dependente de caminhos no cérebro e a recuperação como um fenômeno psicofísico envolvendo a mente e o corpo.
Um esquema simples mostrará agora como se causa uma memória simples. Seja n um evento passado, é o "cenário" (concomitantes, a data, o eu presente, o calor e intimidade, etc, etc, conforme já estabelecido), e m algum pensamento presente ou fato que pode vir a ser adequadamente por ocasião da sua recolha. Deixe os centros nervosos, que operam no pensamento de M, N e O, ser representado por M, N e O, respectivamente, em seguida, a existência de caminhos MN e NO será o fato indicado pela frase "a retenção de n evento na memória, e da excitação do cérebro ao longo destes caminhos será a condição de recordar o atual n evento. Pode-se observar a retenção de N, não é misterioso armazenar até uma "idéia" em um estado inconsciente. Não é um fato da ordem mental. É um fenômeno puramente físico, uma característica morfológica, a presença desses "caminhos", na melhor das reentrâncias dos tecidos do cérebro.
12 The first element which such knowledge involves would seem to be the revival in the mind of an image or copy
of the original event. And it is an assumption made by many writers that the revival of an image is all that is needed to constitute the memory of the original occurrence. But such a revival is obviously not a memory, whatever else it may be; it is simply a duplicate, a second event, having absolutely no connection with the first event except that it happens to resemble it. JAMES (1890, p. 649)
A recordação ou lembrança, por outro lado, é um fenômeno psicofísico, com tanto corporal e um lado mental. O lado do corpo é a excitação funcional das vias e caminhos em questão, o lado mental é a visão consciente da ocorrência, no passado, ea crença de que vivemos antes. JAMES (1890, p. 649)
No caminho histórico do estudo das memórias deve ser citado o neuropsiquiatra russo Sergei Korsakoff (1854-1900) por seus estudos e publicação da primeira descrição de um caso de perda de memória. Mais tarde o transtorno da memória por ele descrito foi batizado com o seu nome, a síndrome de Korsakoff, que, hoje se sabe, deve-se à falta de tiamina no cérebro.
No início do século XX, o paradigma dominante para explicar o funcionamento mental e o comportamento humano era o behaviorismo. Apesar do enfoque da maioria de seus autores destacarem o estudo do comportamento observável, algumas vozes dissidentes dedicaram-se ao estudo dos processos mentais humanos. Entre esses autores, Frederic C. Bartlett (1886- 1969), um psicólogo britânico precursor da Psicologia Cognitiva, adotou um modelo de estudo da memória em contextos naturais, usando fotos e histórias como estímulos para aprendizagem. Os seus estudos apontaram a inexatidão da evocação da memória, a sua suscetibilidade à distorção. Em 1932, conforme Eysenck e Keane (2007), Bartlett constatou que o entendimento e a evocação de eventos eram significativamente influenciados e moldados pelas expectativas dos sujeitos. Através de estudos empíricos, Bartlett sugeriu que estas expectativas tinham alguma forma esquemática de representação mental (EYSENCK & KEANE, 1994, p. 245), afetando a forma como as pessoas compreendiam os eventos. Suas conclusões apontaram que a recordação: [...] é uma reconstrução imaginativa, ou construção, elaborada a partir de nossa atitude frente a uma massa única e ativa de reações ou experiências passadas organizadas [...] comumente, na forma de imagem ou linguagem.
Bartlett (1932) utilizou o conceito de esquema, que Sir Henry Head (renomado neurologista britânico) usara para denominar um padrão organizado de posturas e movimentos corporais e
empregou essa noção de esquema no estudo dos processos de recordação. Dessa forma, Bartlett acentuou o caráter reconstrutivo da memória: o esquema se refere a uma organização ativa de reações anteriores ou de experiências anteriores (p. 202).
A história do estudo da memória deve muito aos brilhantes estudos realizados durante 30 anos por Brenda Milner (renomada neuropsicóloga do Montreal Neurological Institute - MNI) sobre o paciente HM (um caso grave de epilepsia que levou à ressecção bilateral dos lobos temporais mediais). Seus resultados mostraram a possibilidade de independência entre a memória de curto prazo e a de longo prazo, uma vez que HM perdeu a capacidade de converter uma em outra. Milner também demonstrou que os diferentes sistemas de memória correspondiam a diferentes substratos anatômicos e, ainda estabeleceu como os diferentes hemisférios do cérebro interagem nos processos da memória. Seus trabalhos tiveram grande repercussão sobre o estudo da cognição humana. Brenda Milner começou a sua formação com o professor Donald Hebb. Mais tarde, já no MNI, foi designada para avaliar com testes rigorosos os pacientes do renomado neurocirurgião Wilder Penfield, ajudando-o a definir as áreas funcionais do cérebro. Para Kandel, Brenda Milner foi a pioneira de uma nova disciplina científica – a neurociência cognitiva.
Com o surgimento de novas técnicas na segunda metade do século XX, principalmente as modernas técnicas de neuroimagens, a pesquisa sobre a memória foi impulsionada e ampliado o estudo das ligações entre o funcionamento da mente humana e as áreas do cérebro, promovendo a síntese entre o papel da experiência e o substrato biológico encefálico. A esse respeito escreveram Larry SQUIRE e Eric KANDEL (2003, p.15) em uma consideração amplamente compreensiva:
A convergência da psicologia e da biologia levou a uma nova síntese do conhecimento sobre o aprendizado e a memória. Sabemos atualmente que há diversas formas de memória, que diferentes estruturas encefálicas desempenham papéis específicos e que a
memória é codificada em células nervosas individuais, assim como depende de alterações na intensidade de suas interconexões. Também sabemos que essas alterações são estabilizadas pela ação de determinados genes nas células nervosas e conhecemos algo a respeito do modo pelo qual as moléculas dentro das células nervosas mudam a intensidade das conexões entre tais células. A memória promete ser a primeira das faculdades mentais a ser compreensível em uma linguagem que estabelece uma ponte entre as moléculas e a mente, ou seja, das moléculas às células, e, daí, aos sistemas encefálicos e ao comportamento.
Outra importante cientista foi Muriel Lezak (1995, p. 27) que, em seu importante livro Neuropsychological Assessment diz acerca da memória: Central a todas as funções cognitivas e, provavelmente, a tudo o que é caracteristicamente humano no comportamento de uma pessoa é a capacidade de memória e aprendizado.13 Sua contribuição é inestimável
na sistematização dos procedimentos e testes de avaliação neuropsicológica da memória e de outras funções cognitivas.
O estudo da memória revela uma complexa interação entre diferentes estágios e sistemas cognitivos. Para explicá-la vários autores contemporâneos criaram seus modelos científicos. Eysenck e Keane (2007) estabeleceram que a formação de uma memória ocorreria em estágios e, para que o primeiro estágio e seus subseqüentes ocorram seria necessário que a atenção seja despertada e esteja adequada à captação de informações, com um sujeito vigilante. Os estágios postulados pelos autores são descritos abaixo:
a. codificação - transformação de um estímulo físico em uma representação neural ou informação. A codificação é feita de forma físico-química dependente de ligações interneuronais;
b. armazenamento - criação e registro da informação considerando que o arquivamento é frágil, porém é fortalecido se a informação for utilizada e reconstituída repetidas vezes;
13 Central to all cognitive functions and probably to all that is characteristically human in a person’s behavior is
c. evocação ou recuperação (possibilidade de se recobrar a informação quando isso for desejado). A recuperação é dependente de associações com eventos relacionados com a recordação, e para isso são necessários indicadores de recuperação.
Ao longo do tempo vários modelos de memória foram sendo estabelecidos por psicólogos cognitivistas e outros cientistas. Segundo Sternberg (2000), Atkinson e Shiffrin (1968), no final da década de 60 do séc. XX propuseram um construto hipotético para explicar um sistema de armazenamento de informações, dividido em três tipos de armazenamento ou estruturas de retenção:
a. Armazenamento sensorial: quantidade de informações limitada, pouco ou nenhum acesso consciente e retenção por curto período de tempo. A memória sensorial seria gerada com base em sensações fornecidas através dos órgãos de sentido, que gerariam traços sensoriais de alta capacidade, mas que decairiam muito rapidamente.
b. Armazenamento de curto prazo: quantidade de informações limitada, acesso consciente e retenção por período curto de tempo.
c. Armazenamento de longo prazo: capacidade praticamente infinita e retenção quase ilimitada.
A crítica a esse modelo deve-se à demonstração de independência entre a memória de curta duração e a de longa duração, ou seja, não haveria necessariamente uma continuidade entre elas. Para solucionar esse impasse foi desenvolvido o conceito de memória de trabalho (working memory). Historicamente o conceito de memória de trabalho foi formulado por Baddeley e Hitch (1974) e Baddeley (1986) em substituição ao conceito de armazenamento de curto prazo. A memória de trabalho envolve a capacidade de armazenamento de entradas sensoriais codificadas por um período curto de tempo, associada à capacidade de se efetuar operações com o conteúdo armazenado, pois essa pode ser retida pelo tempo suficiente para a
sua utilização ou para ser evocada da memória de longo prazo. Em 2001, Baddeley propôs que a Memória de Trabalho teria quatro componentes:
a. Uma alça fonológica: que reteria a informação na forma fonológica (fala);
b. Uma alça vísio-espacial: que codificaria informações espaciais e visuais;
c. Uma central executiva que realizaria as seguintes funções:
i. mudança nos planos de resgate, evitando respostas estereotipadas;
ii. distribuição da atenção entre duas tarefas simultâneas;
iii. atenção seletiva a alguns estímulos enquanto outros são ignorados;
iv. ativação temporária da memória de longo prazo.
d. Um buffer episódico: segundo Baddeley e Wilson (2002, citados por EYSENCK & KEANE, 2007) o buffer episódico é:
... um sistema episódico de capacidade limitada no sentido de ser capaz de integrar informações de uma série de fontes em uma única estrutura ou episódio complexo. É um buffer no sentido de atuar como um intermediário entre os subsistemas (alça fonológica e esboço vísuoespacial) que usam códigos diferentes, combinando-os em uma representação multidimensional unitária. Supõe-se que esse processo de união ativa exige muito do sistema atencional de capacidade limitada que constitui o executivo central.
A finalidade do acréscimo do sistema de Buffer episódico por Baddeley, 25 anos após a formulação de seu modelo, deveu-se ao seguinte problema: o sistema executivo central teria a capacidade de relacionar as informações específicas das outras alças, mas não a capacidade de armazenamento, estando assim mais próximo de um sistema executivo atencional. Como há a necessidade de um subsistema de memória com capacidade de armazenamento e associação de diferentes categorias de informação (visual, auditiva, etc.) em unidades coesas, surgiu a
formulação do construto Buffer Episódico com a função de armazenar as informações associadas das alças fonológicas e vísio-espacial, suprindo a falta dessa capacidade na alça executiva. Nesse modelo cada subsistema tem uma localização neuroanatômica diferente, de tal forma que podem ser danificados seletivamente, como por ex., uma lesão na área 40 de Brodmann (giro supramarginal esquerdo) pode levar a um déficit na memória de trabalho fonológica ou, uma lesão parieto-occiptal prejudicaria a memória vísioespacial, sem afetar os