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2. KAVRAMSAL ÇERÇEVE

2.7. Turizm Sektöründe Đş-Aile Çatışması

  1- Apresentar uma revisão discutindo a posição taxonômica, a biologia e a ecologia de

L. whitmani;

2- Padronizar a técnica de Cromatografia Gasosa para análise de hidrocarbonetos cuticulares para flebotomíneos, utilizando as espécies L. longipalpis s.l. e L. whitmani provenientes de diferentes regiões do Brasil;

3- Testar a armadilha BG-Sentinela® para a captura de flebotomíneos e observar as respostas da espécie L. longipalpis s.l.;

4- Desenvolver uma armadilha para a captura de flebotomíneos, com ênfase nas espécies L. longipalpis s.l. e L. whitmani. 

Capítulo I

Lutzomyia (Nyssomyia) whitmani (Antunes & Coutinho, 1939) (Diptera: Psychodidae:

Phlebotominae), o mais importante vetor de Leishmaniose Cutânea no Brasil: um complexo de espécies crípticas?

Resumo

ANDRADE, Andrey José de. Lutzomyia (Nyssomyia) whitmani (Antunes & Coutinho, 1939) (Diptera: Psychodidae: Phlebotominae), o mais importante vetor de Leishmaniose Cutânea no Brasil: um complexo de espécies crípticas?

O objetivo do presente artigo é apresentar uma revisão de alguns aspectos relevantes sobre a ecologia, biologia e epidemiologia de Lutzomyia (Nyssomyia) whitmani, o mais importante transmissor de leishmaniose tegumentar americana no Brasil. Por possuir comportamento distinto nas diversas regiões geográficas e por se associar à transmissão de duas espécies leishmânias dermotrópicas, Leishmania (Viannia) braziliensis e Leishmania (V.) shawi, L.

whitmani, tem sua identidade taxonômica discutida, com base na hipótese, anteriormente

levantada, de que seria um complexo de espécies crípticas. Nesta revisão, esta hipótese é colocada, considerando não apenas as evidências na literatura que sugerem a existência de três diferentes linhagens geográficas, mas também análises morfológicas, morfométricas e moleculares das diferentes populações. Alguns dados que contestam a hipótese do complexo, admitindo que a espécie seja dotada de competência para se adaptar ao ambiente drasticamente modificado, inclusive potencializando sua competência vetorial, são discutidos.

  44 1. Introdução

A espécie Lutzomyia (Nyssomyia) whitmani foi descrita a partir de exemplares procedentes de Ilhéus, Estado da Bahia, Brasil como Flebotomus whitmani (Antunes & Coutinho, 1939) e sua biologia foi estudada pela primeira vez por BARRETTO (1941). Esta espécie apresenta ampla distribuição na América do Sul, especialmente no Brasil (MARTINS

et al. 1978; YOUNG & DUNCAN, 1994; RANGEL & LAINSON, 2003).

Uma recente revisão sobre a distribuição geográfica da espécie no Brasil mostrou que

L. whitmani tem sido registrada desde a região Amazônica até os Estados da Região Sul

(COSTA et al., 2007) estando presente em diferentes coberturas vegetais, passando pela Floresta Amazônica, Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica, em ambientes rurais, periferia das cidades e intradomicílios. A espécie desenvolveu hábito antropofílico, além de estar associada a abrigos de animais domésticos de algumas áreas do Nordeste e Sudeste (VEXENAT et al., 1986a; AZEVEDO et al., 1990; BRANDÃO-FILHO et al., 1994).Na Região Centro-Oeste, a antropofilia tem sido notada, mas essa prática ainda é exofílica(GALATI et al., 1996), e no Sul tem sido associada a ambientes peridomésticos e silvestres (TEODORO et al., 1998). Na Região Norte, principalmente na Amazônia, foi referida como L. whitmani s.l., pois ainda conserva o hábito silvestre e é incriminada na transmissão de Leishmania (Viannia) shawi Lainson, Braga, Souza, Póvoa, Ishikawa & Silveira, 1989. Em outras regiões do Brasil, a espécie é incriminada como vetor de L.(V.) braziliensis Vianna, 1912(RANGEL et al., 1996) onde já se encontra adaptada a áreas degradadas e pode ser prevalente e altamente antropofílica (RANGEL & LAINSON, 2003).

As diferenças na biologia da espécie, sua capacidade vetorial e as variações climáticas e ambientais às quais está associada, têm sugerido L. whitmani como um complexo de espécies crípticas (LAINSON, 1988; RANGEL et al., 1996). Para alguns autores, entretanto,

L. whitmani é uma espécie com uma grande capacidade de se adaptar a mudanças ambientais

e, consequentemente, a novos nichos ecológicos (PETERSON & SHAW, 2003).

O presente trabalho apresenta evidências que discutem a posição taxonômica da espécie L. whitmani, bem como outros estudos que a incriminam como a principal espécie de flebotomíneo associada à transmissão de duas espécies de Leishmania, responsáveis por casos humanos de Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA) no Brasil. Dados sobre a espécie são apresentados de forma a promover uma reflexão sobre os fatores associados à sua biologia em todo o território brasileiro.

2. Lutzomyia (Nyssomyia) whitmani (Antunes & Coutinho, 1939)

Em 1934, exemplares de flebotomíneos foram coletados no Estado da Bahia pelo Dr. P.C.A. Coutinho, enquanto trabalhava no Serviço de Febre Amarela, mantido pelo Governo brasileiro em colaboração com a Divisão Sanitária Internacional da Fundação Rockefeller. Posteriormente, em 1939, ele e Dr. J.O. Coutinho, em homenagem ao Dr. Loring Whitman, até então membro daquela fundação, descreveram a espécie Flebotomus whitmani, a partir de diversos exemplares machos e fêmeas coletados em Ilhéus (Bahia), sua localidade tipo. Ainda, neste trabalho de descrição, os autores chamaram a atenção para a importância da “armadura bucal” (cibário) na sistemática dos flebotomíneos (ANTUNES & COUTINHO, 1939).

Passados dois anos de sua descrição, algumas observações foram feitas sobre seu ciclo evolutivo. Ressalta-se que já naquela época, a espécie apresentava grande incidência em zonas de alta endemicidade de LTA no Estado de São Paulo, sendo muito antropofílica, sugerida como a possível transmissora onde a doença era registrada (BARRETTO, 1941). As primeiras evidências sobre a biologia desse flebotomíneo em campo foram publicadas ainda na década de 40 (PESSÔA & BARRETTO, 1944) onde foi relatada a sua abundância e antropofilia, além de ter sido encontrada com infecção por flagelados, possivelmente L.

braziliensis. Sua presença era coincidente com casos de LTA, sendo considerada a principal

espécie vetora no Estado de São Paulo.

Hoje esse cenário não é muito diferente. Segundo COSTAet al. (2007), L. whitmani

está amplamente distribuída no Brasil, não sendo registrada somente no Estado de Santa Catarina e essa distribuição seria coincidente com casos de LTA no país. Na América Latina, também ocorre na Guiana Francesa, Peru, Paraguai, Argentina e Suriname (MARTINS et al., 1978; YOUNG & DUNCAN, 1994; RANGEL & LAINSON, 2003).

Estudos realizados no Brasil têm mostrado a distinta ecologia dessa espécie. Aliados à sua capacidade vetorial, sua presença nos mais diversos ambientes, sujeita a interferência de fatores abióticos, sua biologia tem se apresentado distinta de acordo com as condições ambientais (PETERSON & SHAW, 2003; RANGEL & LAINSON 2003; COSTA et al., 2007).

Seus registros são frequentes em áreas silvestres e/ou domiciliares, adaptando-se a todas as modificações ambientais impostas pelo homem (PETERSON & SHAW, 2003). A

  46 plasticidade alimentar a caracterizou como uma espécie oportunista, ainda que de origem silvestre (LAINSON et al., 1979; GALATI et al., 1996).

3. Lutzomyia (Nyssomyia) whitmani: aspectos da biologia e da competência vetorial em

Benzer Belgeler