• Sonuç bulunamadı

3.4. Turizm Destek ve Teşvik Uygulamaları

3.4.9. Turizm Sektörü Acil Eylem Planı Destekleri

A história do incêndio data dos primórdios do desenvolvimento das sociedades e de seus espaços construídos. Sua evolução caminha ao lado do crescimento do poder econômico e a cada descoberta tecnológica está vinculado um fato histórico envolvendo o incêndio.

No processo contínuo de desenvolvimento tecnológico e urbano, as cidades se tornam campos de experimentações de novas tecnologias e de formas de apropriação dos espaços. Historicamente, sabe-se que todo desenvolvimento acompanhou mudanças políticas, econômicas, sociais e religiosas, que culminou em diferentes maneiras de interação com esses espaços.

O fogo começa a fazer parte da história mundial, de uma maneira mais significativa, a partir da Idade Média, onde os conceitos de urbanização e habitação se tornam mais

intensos (Figura 2.1). Embora se tenha conhecimento de grandes desastres com o fogo em períodos anteriores, como em Roma, em 64 d.C., atribuída a causa à Nero, os acontecimentos que levaram a fomentar o estudo de segurança contra incêndio podem ser relatados a partir do séc. XVII.

Nesse período, as formas de habitar e apropriar o espaço se apresentavam como um fenômeno em mutação, formando os grandes e adensados centros urbanos, capazes de conter uma organização espacial fundada na vida social, religiosa, política e econômica da época. A arquitetura das edificações relatava a importância da sua função na cidade, onde as residências apresentavam um menor grau nesta hierarquia. Quanto ao sistema construtivo, predominava a madeira e coberturas de palha. A maioria das chaminés era constituída de simples troncos ocos de madeira, localizados no interior das edificações, onde a fumaça e fagulhas liberadas pelas chamas eram carregadas por simples convecção até as aberturas no teto. O afastamento entre as edificações vizinhas ainda não existia e as ruas, muito estreitas e tortuosas, acompanhavam a topografia natural do terreno (Figura 2.1). Todo esse contexto, aliado às formas de apropriação rudimentares do espaço e despreocupação com a segurança, tornou as cidades desse período um meio fácil de produção e propagação de incêndios, que assim permaneceram por muito tempo.

FIGURA 2.1 - Cidade medieval de Ferrara, Itália. Espaço urbano conturbado e edificações de elevado risco em situações de incêndio.

Torna-se compreensível, assim, que a cidade de Londres, no ano de 1666, tenha sucumbido em chamas num período de três dias, destruindo 75% de sua área. Esse foi o incêndio mais significativo da história da Inglaterra, denominado The Great Fire, considerado o marco na história da segurança contra incêndio e dos incêndios urbanos. A partir dele, criaram-se medidas de proteção da cidade em relação aos grandes incêndios, tendo como ponto de partida a proibição de construções de madeira, que veio culminar com a formação de inúmeras outras medidas. Tais providências formaram uma regulamentação precursora das regulamentações modernas de segurança contra incêndio (ONO, 1997).

Já no limiar da Revolução Industrial, têm-se relatos de incêndios fulminantes, pelo fato de as cidades se tornarem cada vez mais adensadas e as construções um reflexo da produção de novas tecnologias. Conjuntamente, crescia a utilização de novos materiais decorrentes da industrialização e sua aplicação desenfreada, sem o conhecimento adequado do comportamento de cada material frente ao fogo e sua combinação com a arquitetura a que estava submetido.

Aliado à Europa, os Estados Unidos contribuíram em grande parte para o desenvolvimento da segurança contra incêndio, notadamente a partir do final do século XVIII e início do século XIX, onde o desenvolvimento arquitetônico tornou-se acelerado pelo processo construtivo metálico, já contando com sistemas, técnicas e materiais de proteção contra incêndio. Todo o processo de elaboração de medidas desse âmbito favorecia a proteção passiva e ativa contra incêndio, numa visão notadamente mais preventiva.

Nesse cenário, eclodem os grandes incêndios em Chicago, datados de 1871 e 1874, já numa fase em que a cidade se encontrava num processo de urbanização mais avançado. Embora as edificações já fossem em estrutura metálica e houvesse preocupação com a segurança contra incêndio, pouco se sabia sobre o comportamento desses novos elementos submetidos a altas temperaturas. Além disso, a incorporação de novos materiais de acabamento e subsistemas também favoreceu ao desenvolvimento das chamas e fumaça no incêndio. O resultado desses desastres foi o aumento contínuo da

preocupação com a segurança patrimonial, voltada aos grandes edifícios que representavam o desenvolvimento capitalista e industrial da época, sem o interesse nas edificações residenciais, ainda obsoletas quanto às técnicas construtivas e de proteção. No Brasil, a história dos incêndios é menos densa que na Europa e nos Estados Unidos, em função de possuir uma ocupação e desenvolvimento urbano mais recentes, além de não possuir um registro histórico detalhado. Contudo, a maioria das informações que se possui sobre incêndio no país se deve aos registros do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo (CBPMESP), criado em 1880. Nesse contexto, ONO (2007) expõe a importância da criação de bancos de dados relativos à segurança contra incêndio, assim como sua contribuição para o desenvolvimento de sistemas de avaliação de desempenho das edificações dentro dessa mesma abordagem.

Os mais significativos casos de incêndio, responsáveis por diversas normas técnicas no Brasil, são do edifício Andraus, em 1972, e do edifício Joelma, em 1974, como mostrado na Tabela 2.1. Sob as influências arquitetônicas e construtivas européias e norte americanas, a verticalização intensa ocorreu sem o reconhecimento das medidas de segurança nelas embutidas. Muitas das normas e leis criadas a partir destes incidentes perduram ainda hoje, seguidas de diversas outras que visam evitar a deflagração e o surgimento do incêndio, assim como salvaguardar vidas e bens (ONO, 1997).

Inevitavelmente, pode-se falar que todo o ciclo de desastres que envolveram o incêndio gerou ferramentas para a evolução da segurança contra incêndio como uma necessidade intrínseca aos espaços construídos. Haja vista as normas estabelecidas no Brasil, como as normas brasileiras ABNT NBR 9077:1993, ABNT NBR 14323:1999 e ABNT NBR 14432:2001. Ainda assim, se percebe um maior desenvolvimento nas tecnologias de engenharia que na arquitetura, tornando o projeto arquitetônico uma ferramenta ainda insipiente na produção de espaços que garantam, por si só, a segurança contra o fogo.

Nota-se a necessidade iminente de fazer a fusão entre medidas normativas e a concepção do projeto arquitetônico, de maneira a potencializar o fator segurança nas edificações no que tange à proteção estrutural, de bens e na salvaguarda de vidas, aliados aos aspectos de habitabilidade. Dessa forma, concebe-se a arquitetura de

segurança contra incêndio, atuando como medida passiva de controle deste e garantindo a incolumidade das pessoas, a segurança dos bens e a possibilidade de recuperação da edificação.

TABELA 2.1 - Principais incêndios em edifícios altos na cidade de São Paulo.

Data do incêndio Edifício Número de

pavimentos Andares atingidos Vítimas fatais 13/01/1969 Grande Avenida 23 5º ao 18º 0 24/02/1972 Andraus 31 1º ao 29º 16 01/02/1974 Joelma 25 12º ao 25º 179 04/09/1978 Conjunto Nacional 26 1º ao 9º 0 09/04/1980 Secretaria da Fazenda 22 13º ao 14º 0 14/02/1981 Grande Avenida 23 1º ao 19º 17 03/06/1983 Scarpa 17 12º ao 13º 0

21/05/1987 Torres da CESP 21 e 17 todos 2

FONTE: ONO, 2007