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TURĠST, TURĠST TATMĠNĠ VE SADAKATĠ

3.2. Turistlerin Sınıflandırılması ve Turist Tipleri

O habitus é determinado pela posição social do indivíduo que lhe permite pensar e agir, nas mais diversas situações, sendo uma espécie de memória social, ou seja, um conjunto de influências sociais que foram sedimentando e orientando a existência do indivíduo. De acordo com o conceito formulado pelo autor, os gostos pessoais, as preferências, as posturas corporais, o modo de se vestir, as aspirações de futuro, entre outros, seriam socialmente produzidos a partir da trajetória dos indivíduos, por meio da internalização das influências sociais sofridas ao longo da existência pessoal.

Bourdieu utiliza o termo “histeresis” para designar a tendência de o

habitus permanecer no sujeito ao longo do tempo, mesmo quando as condições

objetivas que o produziram tenham se modificado. Isso pode acontecer a partir de uma mudança repentina dos mecanismos de reprodução das posições sociais. Dessa forma o habitus é um sistema de posição durável, mas não imutável.

De acordo com Wacquant (2007) o habitus é uma noção filosófica originária no pensamento de Aristóteles e na escolástica medieval. Esta noção foi, a partir da década de 1960, retrabalhada por Bourdieu. As raízes do conceito encontram-se fundamentadas na noção aristotélica de hexis significando “um estado

adquirido firmemente estabelecido do caráter moral que orienta nossos sentimentos e desejos em uma situação e, como tal, a nossa conduta.” (WACQUANT, p. 65)

Segundo Bourdieu (1994) o habitus é um sistema de disposições duráveis, uma estrutura estruturada, sendo uma internalização das estruturas do mundo social. Como esse processo de internalização é iniciado na infância, o

habitus é um produto das condições materiais e simbólicas moldadas pela família,

pelos grupos ou classes, ou seja, pelas estruturas maiores da sociedade. O habitus é também uma estrutura estruturante, uma vez que o habitus de um indivíduo pode gerar percepções, práticas e atitudes. O habitus é o guia que conduz à interpretação de cada pessoa sobre o mundo social, organiza as percepções e o mecanismo regulador das ações dos indivíduos, fazendo com que novas práticas sejam produzidas.

O habitus pode se apresentar como individual ou social, referindo-se a um elemento individual ou a um grupo ou classe. Nesse sentido, o autor ressalta que “é preciso lembrar que o coletivo está dentro de cada indivíduo sob a forma de

disposições duráveis, como as estruturas mentais” (BOURDIEU, 1983, p. 24).

No espaço de posições sociais cada classe de posição corresponde a uma classe de habitus, produzidos em maior quantidade pelos condicionantes sociais. O sistema de posições sociais define as diferentes posições ocupadas no espaço social. Nesse sentido Bourdieu explana que:

Os habitus são princípios geradores de práticas distintas e distintivas – o que o operário come, e sobretudo sua maneira de comer, o esporte que pratica e sua maneira de praticá-lo, suas opiniões políticas e sua maneira de expressá-las diferem sistematicamente do consumo ou das atividades correspondentes do empresário industrial; mas são também esquemas classificatórios, princípios de classificação, princípios de visão e divisão e gostos diferentes. (BOURDIEU, 2005b, p. 22)

Um dos fatores centrais da teoria de Bourdieu é a tentativa de superação das distorções do subjetivismo e do objetivismo a partir de uma teoria da prática situada no conceito de habitus, compreendendo a ordem social de uma maneira inovadora, afastando-se das perspectivas subjetivas e objetivas. A partir do conceito de habitus é possível compreender a maneira como internalizamos a exterioridade social e como exteriorizamos nossas interioridades. Nesse sentido, o conceito proporciona o entendimento de que as diferentes condições econômicas e culturais de existência imprimem aos indivíduos, pertencentes aos diferentes grupos sociais, um conjunto de representações e práticas recorrentes.

Bourdieu realiza uma análise dos conflitos entre as classes sociais que supera os fatores econômicos, uma vez que passa a refletir também sobre os fatores simbólicos, não materiais. Portanto, o conceito de habitus vai além das

condições materiais de existência. Pode-se observar, entretanto, que os estudos de Bourdieu consideram o conceito de materialismo histórico de Marx, mas os estudos do autor superam a interpretação desse conceito uma vez que também consideram outros fatores como determinantes na formação do indivíduo.

Por atribuir uma forte influência das dimensões simbólica e cultural para a reprodução das estruturas sociais o autor rompe com a tendência de analisar a estrutura social e a posição dos indivíduos no interior dela apenas baseada na dimensão econômica.

O autor denomina de habitus primário as disposições adquiridas na família e de habitus secundário as disposições adquiridas por meio, por exemplo, da escolarização, uma vez que o habitus não é estático e pode se reestruturar constantemente. A partir desse entendimento o autor apresenta que a ação pedagógica implica o trabalho pedagógico como um trabalho de inculcação que seja capaz de produzir uma formação durável, ou seja, “um habitus como produto da interiorização dos princípios de um arbitrário cultural capaz de perpetuar-se após a cessação da ação pedagógica e por isso de perpetuar nas práticas os princípios do arbitrário interiorizado.” (BOURDIEU, 1975, p.44).

Procurando compreender se o retorno à escolarização tem contribuído para a reestruturação do habitus dos sujeitos, verificamos, por meio das considerações dos alunos, as principais mudanças ocorridas na vida de cada indivíduo a partir do retorno à escola. Os depoimentos a seguir ilustram algumas considerações sobre essas mudanças:

- Então... Eu mexo no computador e na internet...eu mexo bem viu... na verdade eu converso com meu irmão no MSN... Puxo papo com ele pra fica digitando lá no computador e assim já aprendi alguma coisa. Tem pouca palavra que eu erro e depois eu leio e corrijo (Raul, 44 anos, auxiliar de limpeza)

- Ah, mesma coisa ainda... Porque faz pouco tempo (Carla, 20 anos, do lar)

- Já ficou mais melhor, porque a gente já passou a ter mais um conhecimento, pro serviço, pra bastante coisa. Por exemplo, assim, quando ia trabalhar de pedreiro e tinha que fazer uma metragem, por exemplo, de um azulejo, quantos metros dá? O cliente quer saber, quantas metragem vai, porque sem saber soma nada não sabia quanto ia gastá nem quanto ia ganhá. Acontecia muito disso e hoje já não, ficou muito mais fácil (Ademir, 38 anos, trabalhador rural/pedreiro)

- O que mudou na minha vida hoje?... Eu to me sentindo mais confiante, entendeu? Mais confiante em falar com as pessoas... E chegando em algum lugar, tá escrito é proibido entrar sem camisa, então eu to vendo lá que é proibido entrar sem camisa, então eu não vou entrar... Por quê? Porque eu to lendo lá que é proibido entrar sem camisa... Porque quando eu não tava estudando, eu não conseguia lê direito, então eu não tinha confiança em mim... E agora eu já tenho confiança (Alexandre, 26 anos, garçom)

A forma e o conteúdo do que se é falado ou do que pode ser falado depende, de acordo com Bourdieu, da relação entre o habitus linguístico que é constituído na relação com um campo e de um determinado nível de aceitabilidade. Desse modo, a língua além de ser um instrumento de comunicação e conhecimento, é também um instrumento de poder. Além da compreensão sobre a fala as pessoas procuram ser também respeitadas, reconhecidas e aceitas.

Os indivíduos tendem a mudar o registro linguístico de acordo com a sua posição objetiva e a de seu interlocutor na estrutura de distribuição do capital linguístico e dos demais tipos de capitais (BOURDIEU, 1994). Uma pessoa tem maior facilidade em realizar essas mudanças de acordo com o domínio que possui dos recursos linguísticos. Com isso, compreende-se que a maneira e a forma de falar dependem diretamente da estrutura da relação objetiva entre as posições do emissor e do receptor, assim como do acúmulo de capitais (linguístico, cultural, econômico, social, etc.) de cada indivíduo. A relação com a linguagem pode ser exemplificada no seguinte depoimento:

- Ah, é muito importante [o conhecimento adquirido na escola]... Porque mesmo que você aprendesse com uma outra pessoa... Mas se você não vai na escola não é certo... Você aprende muita coisa, aprende a tratar uma pessoa, a conversar com uma pessoa... Porque quem aprende a escrever tem que saber falar, conversar também. (...) Eu falo muito com engenheiro, professor... Eles falam uma língua certa... E a gente fala errado (Sebastião, 60 anos, pedreiro)

No depoimento apresentado pode-se observar que a origem de classe comanda a relação de linguagem. Observa-se também o valor atribuído à cultura dominante no trecho em que o aluno evidencia o capital linguístico do engenheiro e do professor, nesta fala fica explicita a interpretação de que a norma culta da língua se origina nas camadas dominantes da sociedade. Esse fato comprova que a trajetória de vida desses alunos passa também pela exclusão social por meio das

disposições linguísticas. Segundo Bourdieu a diferenciação pela linguagem se constitui por:

(...) um sistema de signos congruentes de diferenciação, ou melhor, de distinção, que encontram seu princípio nos modos de aquisição socialmente distintos e distintivos. (...) é uma dimensão de habitus de classe, isto é, o habitus lingüístico é uma expressão da posição (sincrônica e diacronicamente definida) na estrutura social. O sentido do valor de seus próprios produtos lingüísticos (experimentado, por exemplo, sob a forma de uma relação infeliz com um sotaque desvalorizado) é uma das dimensões fundamentais do sentido da posição de classe. (BOURDIEU, 1994, p. 177- 178)

As diferenças que separam as classes sociais por meio da linguagem podem ser representadas também pela desvalorização de um sotaque que identifica um determinado grupo social. As características da linguagem podem influenciar o sucesso escolar e profissional e, também, a maneira de o emissor se relacionar com o receptor. Pode-se concluir que as disposições linguísticas são uma forma de violência simbólica, pois atuam legitimando as estruturas de classe em um sistema de desigualdades, de maneira que um grupo ou classe controla o poder simbólico ditando as regras do jogo para os demais grupos. A essência do conceito de violência simbólica é a de que uma pessoa ou um grupo controla o poder simbólico sobre os outros, sendo esse poder reconhecido como perfeitamente legítimo e natural. O depoimento abaixo ilustra essa situação de desvalorização e preconceito:

- (...) Eu falo muito errado... Pessoas que convivem comigo, que eu tenho amizade ficam me zuando, mesmo na igreja que frequento, mesmo que seja uma igreja, as pessoas nunca deixam de tirar sarro dos outros. Na igreja tem oportunidade de cantar, eu gosto de cantar, mas não vou na frente da igreja nunca... Teve uma vez que eu fui e uma moça lá tirou sarro de mim porque eu falei uma palavra errada, por causa também do sotaque. Foi a primeira vez que fui na igreja e a gente fazia uma apresentação para falar da onde que vinha e foi nisso que a pessoa ficou dando risada... isso me deixa triste, porque vira e mexe alguém tira um sarrinho. As pessoas acham que eu levo na brincadeira, mas eu fico chateada, sabe? (Rita, 23 anos, empregada doméstica)

Bourdieu faz uso da noção de violência simbólica para compreender o mecanismo que faz com que os indivíduos entendam como “naturais” as ideias sociais dominantes. Dessa forma, Nogueira e Nogueira (2006) explanam que a violência simbólica se configura como “a imposição da cultura (arbitrário cultural) de

2006, p.38). Bourdieu considera que a produção simbólica possui certo grau de arbitrariedade, uma vez que legitima as forças dominantes e, expressa por meio delas, os gostos de classe e os estilos de vida, que originam as distinções sociais. As produções simbólicas participam das reproduções das estruturas de dominação social, sendo realizadas de forma indireta, até mesmo imperceptível.

Bourdieu desenvolve também o conceito de campo. De acordo com o autor o campo é o espaço social de conflito e dominação. Cada campo possui regras próprias de organização e uma hierarquia. O autor apresenta o conceito como um espaço social estruturado em que ocorre uma disputa de força, entre dominante e dominado, estabelecida por condições desiguais. Essa disputa é orientada pela intenção de conservar ou de transformar as posições de poder e força inseridas no campo, posições essas que são orientadas não só pela disputa do poder econômico, mas também por fatores simbólicos.

Segundo a perspectiva do autor, as hierarquias culturais reforçam, reproduzem e legitimam as hierarquias sociais da sociedade, sendo essas as divisões entre grupos, classes, entre outros. Segundo Bourdieu a transfiguração das hierarquias sociais em simbólicas legitimaria as diferenças e hierarquias sociais. Dessa maneira, o sistema simbólico seria a base na qual se exerce o poder na sociedade.