• Sonuç bulunamadı

SEYAHAT, SEYAHAT MOTĠVASYONU VE SEYAHAT MOTĠVASYONU TEORĠLERĠ

2.5. Seyahat Motivasyonu Teorileri

2.5.1. Ġtici ve Çekici Faktörler Teorisi

Observa-se, atualmente, nas séries finais do ensino fundamental e no ensino médio da Educação de Jovens e Adultos, um rejuvenescimento do público atendido, devido ao aumento do interesse dos jovens em completar os estudos. Esse fato que não se verifica no âmbito da alfabetização, pois de acordo com os dados da pesquisa realizada por Haddad e Abbonísio (2007) no Mova do Município de São Paulo a presença de jovens com até 24 anos é pouco significativa, pois muitos jovens estão concluindo os seus estudos no sistema formal de ensino. Esse evento é explicado devido ao Movimento atender a um público que frequentou pouco a escola ou que nunca a frequentou. Deste modo o Movimento abrange as pessoas com mais idade, proveniente de regiões mais pobres e de difícil acesso à escola devido a pouca oferta da mesma.

No caso de Araraquara o gráfico abaixo apresenta a faixa etária dos alunos matriculados no Proeaja no ano de 2009. Podemos perceber que, assim como no Mova da cidade de São Paulo, o índice de jovens com até 19 anos é baixo. Observa-se uma maior concentração na faixa entre 30 e 59 anos de idade, com ênfase na faixa de 40 e 49 anos.

Gráfico 2

Fonte: dados da secretária municipal de educação de Araraquara de 2009.

De acordo com o levantamento, realizado por meio das fichas de matrículas dos alunos do Projeto no ano de 2009, verificamos que 44% dos alunos possuem mais de 50 anos de idade e apenas 10% são jovens entre 14 e 29 anos, confirmando a característica do Mova no baixo atendimento ao jovem e ao alto número de pessoas com mais idade.

Deve-se ressaltar que a maior concentração dos alunos de até 39 anos está localizada na zona rural, a faixa de 40 a 59 anos concentra-se em maior número na periferia e a faixa de 60 anos ou mais se localiza em maior número na região central da cidade.

Segundo a pesquisa PNAD/IBGE (2009) divulgada em setembro de 2010, a maior parte dos analfabetos (92, 6%) concentra-se no grupo de adultos com 25 anos ou mais. O nordeste apresenta as maiores taxas de analfabetismo em todas as faixas de idade, no grupo com 50 anos ou mais a taxa é de 40, 1% e a menor taxa desse grupo etário é a de 12,2% na região sul do país. De acordo com a pesquisa (IBGE 2009) as matrículas nas salas de alfabetização aumentaram 3,7% entre os anos de 2008 e 2009, principalmente entre a faixa de idade de 40 a 59 anos.

Segundo o levantamento por meio das fichas dos alunos pode-se observar no Proeaja um número elevado de mulheres sendo atendidas em relação aos homens: 40% 60%

Gráfico 3

HOMENS MULHERES

Fonte: dados da secretária municipal de educação de Araraquara de 2009.

Estabelecendo uma relação entre o sexo e a localização do atendimento verifica-se que na região central da cidade 80% dos atendidos são mulheres e 20% são homens, na periferia 55% são mulheres e 45% homens e na zona rural 60% são mulheres e 40% são homens. Esse evento pode, também, representar o fato de que a população brasileira é majoritariamente feminina.

Estudos realizados recentemente no Brasil estão apresentando um considerável aumento da taxa de escolarização da mulher brasileira. Os números observados no gráfico acima representam o aumento da procura da mulher pela alfabetização fato que ocorre principalmente pela inserção da mulher no mercado de

trabalho. Embora essa inserção ainda não esteja ocorrendo de forma igualitária, uma vez que a remuneração da mulher ainda é inferior à do homem quando executa um mesmo cargo, sendo ainda mais baixa quando a mulher é negra.

De acordo com o Relatório de Monitoramento de educação para todos da Unesco (2008), diferente de Bangladesh, Egito, Índia, Indonésia e Paquistão, em que o analfabetismo dos adultos é consideravelmente maior entre as mulheres, no Brasil a situação é pouco mais favorável às mulheres, tendência esta, que segundo o Relatório deve crescer como em muitos outros países, especialmente na população mais jovem.

Ainda segundo o Relatório da UNESCO (2008) no ano de 2005 o país apresentava 15 milhões de analfabetos absolutos. Isto corresponde a 11,1% da população. De acordo com os dados o analfabetismo é mais elevado nas pessoas de mais de 60 anos (taxa de 31,1%), na região Nordeste (21,9%), na zona rural (25%) e na população negra e parda (15,4%).

Atualmente o atendimento ao Ensino Fundamental regular está mais universalizado, principalmente nas regiões urbanas, mas existem regiões que ainda não possuem esse acesso. O fato acaba por delegar o analfabetismo absoluto para determinadas regiões e setores mais idosos da sociedade que por alguns motivos como pela necessidade de trabalhar, dificuldade de aprender, falta de escolas, entre outros, não puderam ainda frequentar ou concluir seus estudos.

Com relação aos 419 alunos do Projeto que declaram a cor na ficha de matrícula 4 se declararam amarelos, 192 brancos, 3 índios, 68 negros e 152 se declararam pardos. Portanto, constata-se um maior número de pessoas brancas e pardas sendo atendidas.

Segundo a pesquisa divulgada pelo IBGE (2009), com relação a cor da pele dos analfabetos absolutos com 15 anos ou mais, 58,8% são pardos, 32% são brancos e 10,2% são negros.

Na relação entre a cor e localização constata-se que: no Centro (60% brancos), (11% negros), (29% pardos); Periferia (43% brancos), (16% negros), (39% pardos); Zona Rural (44% brancos), (26% negros), (28% pardos). Observa-se uma concentração maior de aluno da cor branca matriculados na zona central, da cor parda na periferia e de negros na zona rural.

De acordo com o levantamento sobre o estado de origem dos alunos observa-se que a maioria dos alunos são provenientes do estado de São Paulo com

(172), seguidos de Pernambuco (77), Bahia (51), Minas Gerais (35), Paraná (31) e Alagoas (26)14. Portanto, os dados apresentam uma alta incidência de pessoas

provenientes da região sudeste e nordeste do país. De acordo com os dados da pesquisa nota-se que a maioria dos alunos naturais do estado de São Paulo está matriculada na região central da cidade e dos alunos provenientes do estado de Pernambuco o maior número de matrículas se localiza na periferia da cidade.

O que podemos observar com base nos estudos realizados nesse capítulo é que a educação de jovens e adultos, aqui tradada no âmbito da alfabetização, apresenta uma forte relação entre o público e o privado. Com relação ao papel do Estado, verificamos que este tem se retirado de uma boa parte dos setores da vida social que antes eram de sua responsabilidade. Observa-se, entretanto, o desinteresse estatal pelas questões públicas e a partir disso o Estado contribui para com a produção e reprodução da realidade social.

A partir do levantamento realizado podemos conhecer o perfil dos alunos, uma vez que foi identificada a cor, naturalidade e faixa etária dos sujeitos da pesquisa. Deparamos-nos inicialmente com um quadro que apresenta o número de evadidos do Projeto, uma característica marcante da educação de adultos em nosso país. Nesse sentido, uma vez que esses jovens e adultos não tiveram acesso à escola em idade própria ou dela foram excluídos precocemente deparamo-nos novamente com um quadro de exclusão em que se pode concluir que a escola mais uma vez está contribuindo para a conservação social.

Verifica-se, também, que 70% dos jovens e adultos atendidos estão localizados na região periférica da cidade e grande parte destes é proveniente da região nordeste do país. Esses dados demonstram que existe uma relação muito próxima entre a origem social e o sucesso escolar, além de mecanismos que contribuem para a manutenção dessa relação.

Deve-se considerar, também, que embora a região sudeste apresente índices educacionais mais favoráveis, assim como um melhor desenvolvimento econômico com relação a outras regiões, o Projeto apresenta um grande percentual de alunos do Estado de São Paulo e Minas Gerais. Desta maneira, percebe-se que o acesso a escolarização e o desenvolvimento do espaço não garantem a aprendizagem e a permanência dos alunos nas instituições escolares. A

14

permanência na escola e o sucesso escolar do indivíduo podem, em alguns casos, ir além das condições de acesso, uma vez que a herança cultural transmitida pela família é um dos principais fatores que contribui para a escolarização dos sujeitos. No próximo capítulo, pretendemos aprofundar o entendimento dos sujeitos investigados nesse trabalho a partir das informações adquiridas por meio de questionários e entrevistas. Para realização da análise dos dados utilizaremos como principal referencial teórico as contribuições do autor Pierre Bourdieu, assim como as contribuições de importantes autores brasileiros como, por exemplo, Maria Alice Nogueira, Cláudio M. Martins Nogueira e Nadir Zago que colaboram para o entendimento dos determinantes que contribuem para a exclusão escolar dos alunos em idade própria de escolarização, para a compreensão das trajetórias pessoais dos indivíduos inseridos num contexto de analfabetismo e das expectativas futuras com relação à escolarização.