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AraĢtırmada Kullanılan Ölçeklere Ait Tanımlayıcı Ġstatistikler

ĠTĠCĠ VE ÇEKĠCĠ FAKTÖRLER ĠLE TURĠST TATMĠNĠ VE SADAKATĠ ARASINDAKĠ ĠLĠġKĠ ÜZERĠNE BĠR ARAġTIRMA

4.5. Verilerin Analizi ve AraĢtırmanın Bulguları

4.5.2. AraĢtırmada Kullanılan Ölçeklere Ait Tanımlayıcı Ġstatistikler

O conhecimento transmitido pela família inclui elementos que passam a fazer parte da própria subjetividade do indivíduo, principalmente o capital cultural na forma incorporada. Segundo os estudos de Bourdieu esta forma do capital cultural é constituída por elementos da considerada “cultura geral” como, por exemplo, as preferências literárias, artísticas entre outras.

“(...) cada família transmite a seus filhos, mais por vias indiretas que diretas, um certo tipo de capital cultural e um certo ethos, sistema de valores implícitos e profundamente interiorizados, que contribui para definir, entre outras coisas, as atitudes face ao capital cultural e à instituição escolar. A herança cultural, que difere, sob os dois aspectos, segundo as classes sociais, é a responsável pela diferença inicial das crianças diante da experiência escolar e, conseqüentemente, pelas taxas de êxito. (BOURDIEU, 1998a, p. 41)

Para o entendimento da origem familiar dos alunos destacamos, a partir dos dados obtidos pelos questionários, que: com relação ao número de irmãos 1% declarou não ter irmão, 1% possui 1 irmão, 3% possuem 2 irmãos, 6% possuem 3 irmãos, 11% possuem 4 irmãos, 13% possuem 5 irmãos, 14% possuem 6 irmãos e 51% dos alunos declararam ter 7 ou mais irmãos. Com isso observamos que a grande maioria dos alunos provém de famílias numerosas.

A escolarização dos filhos em uma mesma família pode apresentar alguns aspectos diferentes quando analisada em relação aos filhos mais velhos e aos filhos mais novos. O depoimento abaixo pode ilustrar essa diferenciação:

- Os mais velhos não estudaram, mas os mais novos já foram, porque as leis foram mudando, mudando e aí pelo menos aprende lê e escreve

aprendero, mais foi pouco também viu? Não deram continuação. (Ademir, 38 anos, trabalhador rural)

No quadro abaixo destacamos a porcentagem dos familiares dos alunos que tiveram acesso a escola.

Quadro 3: Escolaridade dos familiares

Parentesco Porcentagem dos que

frequentaram a escola

Irmãos 57%

Mãe 28%

Pai 25%

Fonte: Pesquisa de campo 2009 (Questionário).

A partir dos dados apresentados pode-se perceber que os alunos são provenientes de famílias com baixa escolarização. Dos alunos investigados 65% revelaram que seus pais não sabiam ler e escrever. Nesse sentido, em relação ao capital cultural, incorporado por meio da inculcação e da assimilação das disposições duráveis, podemos concluir que esses alunos possuem uma escassa herança cultural.

Os alunos, em sua maioria, são provenientes de áreas rurais, possuem famílias com baixo capital cultural e que apresentavam uma relação distante com a escola. Desse modo, as famílias não incentivavam a escolarização dos filhos o que acabou contribuindo ainda mais para aumentar a distância entre o grupo estudado e a escola.

Os depoimentos dos alunos Alexandre (26 anos) e Rita (23 anos) revelam a importância da figura da mãe na escolarização dos filhos. Esses alunos abandonaram os estudos após a morte de suas mães. Eles declaram ainda, que seus pais não os incentivaram a continuar estudando. O depoimento a seguir ilustra este fato:

(...) - eu perdi minha mãe... Aí eu falei pro meu pai que eu ia parar de estudar, aí ele falou pra eu ir trabalhar (Alexandre, 26 anos, garçom)

Segundo Bourdieu (2005b) a família em sua definição é um privilégio instituído como norma universal. Esse privilégio é uma das principais condições de acumulação e transmissão de privilégios culturais, econômicos e simbólicos. Para o

autor, a família desempenha um papel determinante na manutenção e reprodução das relações sociais. Nas palavras de Bourdieu a família é:

“(...) um dos lugares por excelência de acumulação de capital sob seus diferentes tipos e de sua transmissão entre as gerações: ela resguarda sua unidade pela transmissão e para a transmissão, para poder transmitir e porque ela pode transmitir.” (BOURDIEU, 2005b, p. 131)

Podemos identificar, a partir dos depoimentos, que os alunos são originários das camadas populares, possuindo uma exígua herança cultural e econômica. Muitos dos depoimentos revelam que o baixo capital econômico de suas famílias foi um dos condicionantes da exclusão escolar. Os depoimentos revelam uma entrada precoce dos alunos no mercado de trabalho devido à necessidade de auxiliar a família economicamente e também ao fato de não dispor de recursos para comprar materiais escolares, entre outros, o que favoreceu o distanciamento dos alunos com a escola.

Como o estudo foi realizado com alunos adultos, muitos já constituíram sua própria família e com isso observamos que com relação ao número de filhos 20% declararam não possuir filhos, 7% possuem apenas um filho, 20% possuem 2 filhos, 22% possuem 3 filhos, 12% possuem 4 filhos, 9% possuem 5 filhos, 3% possuem 6 filhos e 7% declararam possuir 7 ou mais filhos. Dos alunos 93% declaram que os filhos são alfabetizados e 22% declararam que os filhos estão cursando ou já cursaram o ensino superior, mas devemos considerar que nem todos estão em idade escolar.

Esses dados revelam que ocorreu uma diminuição na taxa de natalidade nas famílias dos alunos, uma vez que as novas famílias formadas apresentam uma redução no número de filhos. Esse fato está relacionado aos condicionantes sociais do grupo e pode revelar, também, a estratégia dos sujeitos - ainda que de forma inconsciente - de limitar o número de filhos, diminuindo os gastos e aumentando as chances de escolarização dos filhos. Outra observação interessante é a do aumento da escolaridade dos filhos desses alunos, pois 93% afirmam que seus filhos são alfabetizados e 22% revelam que seus filhos cursam ou já cursaram o ensino superior.

De acordo com Bourdieu (1998d), as estratégias nem sempre são baseadas em uma intenção racional. As estratégias decorrem do habitus e podem

ser manifestadas pelas estratégias de fecundidade (limitação da fecundidade), educativas, econômicas, de investimento social, entre outras.

Observa-se na maioria dos depoimentos dos alunos que o retorno à escolarização na idade adulta é apoiado e incentivado pela família. Verificamos, também, que em alguns casos a família apresenta certa desconfiança na escolarização tardia de seus familiares. Essa relação entre a família e o estudo pode ser verificada no seguinte depoimento:

- Sabe o que eles falam pra mim? Que eu vou na escola só pra comer sopa... Mais eu falo que não tem sopa onde eu vou... É só pra encher o saco mesmo... Falam que eu vou na escola já faz uns 50 anos e não aprendo... Mas eu falo que um dia eu vou aprender (...) Eles acham engraçado eu ir pra escola hoje! (Nair, 66 anos, pensionista/diarista)

O capital social desses alunos é constituído, principalmente, por meio das relações familiares ou de pessoas do mesmo grupo social, como vizinhos e colegas de trabalho. As relações sociais podem favorecer ou não o retorno e a permanência escolar dos alunos. Nesse sentido, o apoio e o incentivo da família no retorno à escolarização constituem um dos fatores centrais que mais anunciam contribuir para o prolongamento da escolarização desses jovens e adultos.