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Treatment-Resistant Case of Idiopatic Chylothora

A coleta de dados, realizada por meio de questionário fechado para a amostra deste estudo, retornou 213 formulários completos. Destes, segue abaixo na Tabela 1, a seguinte composição quanto ao gênero dos indivíduos:

Tabela 1 - Composição de indivíduos por gênero

Frequência Porcentagem Porcentagem Acumulativa

Feminino 104 48,8 48,8

Masculino 109 51,2 100,0

Total 213 100,0

Observa-se portanto nesta pesquisa um número balanceado de respondentes tanto do sexo masculino quanto feminino. Como o questionário foi aplicado para profissionais da área de gestão de projetos organizacionais, de diferentes países, segue abaixo a seguinte composição quanto à nacionalidade dos respondentes da pesquisa, na Tabela 2:

Tabela 2 - Composição de indivíduos por nacionalidade

Frequência Porcentagem Porcentagem Aumulativa Brasileiro 84 39,4 39,4 Americano 44 20,7 60,1 Indiano 27 12,7 72,8 Mexicano 22 10,3 83,1 Eslovaco 34 16,0 99,1 Outros 2 0,9 100,0 Total 213 100,0

Analisando-se os 213 questionários respondidos, embora haja uma predominância de brasileiros e americanos na pesquisa, nota-se uma abrangência satisfatória no que se refere à profissionais de diferentes nacionalidades, sendo obtido essencialmente por meio do critério de “bola de neve”. As duas observações na Tabela 2, que não possuem nacionalidade indicada, referem-se aos profissionais provenientes de países diferentes dos que se encontravam explicitados no questionário (argentino e canadense), sendo portanto informados no campo “outros” desta questão (Tabela 3):

Tabela 3 – Composição de indivíduos por nacionalidade (outros)

Frequência Porcentagem Porcentagem Acumulativa

Argentino 1 50,0 50,0

Canadense 1 50,0 100,0

Total 2 100,0

Com relação à escolaridade dos participantes, a Tabela 4 nos mostra a seguinte distribuição:

Tabela 4 – Composição de indivíduos por escolaridade

Frequência Porcentagem Porcentagem Acumulativa

Ensino Médio completo 3 1,4 1,4

Ensino Superior completo 64 30,0 31,4

Pós-Graduação Lato Sensu 115 54,0 85,4

Mestrado 26 12,2 97,6

Doutorado 5 2,4 100,0

Total 213 100,0

A pesquisa indica a hegemonia de indivíduos com Pós-Graduação Lato Sensu, sendo seguido pelo Ensino Superior completo. De fato, o mercado mundial em Gestão de Projetos prioriza os profissionais que possuam pelo menos o Ensino Superior completo, porém preferencialmente que tenham uma pós-graduação Lato Sensu em seu currículo. Soma-se a isto as diferentes certificações disponíveis nesta área, além é claro de sua experiência profissional.

A Tabela 5 a seguir informa a experiência profissional dos participantes da amostra:

Tabela 5 – Composição de indivíduos por faixa de experiência profissional

Anos Frequência Porcentagem

Acumulativa 1 – 10 79 37,1 11 - 20 83 39,0 21 – 30 43 20,1 31 – 40 8 3,8 Total 213 100,0

De modo geral, de acordo com os dados acima, cerca de 63% dos respondentes possuem mais de 10 anos de experiência. Além disto, as características organizacionais reveladas na pesquisa indicam a atuação majoritária destes profissionais em empresas multinacionais e de grande porte, no setor de Informática/TI/Engenharia de Computação (ver Tabelas 1, 2 e 3 do Anexo A, p. 68).

Para o primeiro problema cognitivo de ordenação, referente à heurística de disponibilidade, foi atribuído que os itens “acidentes com veículos a motor” e “armas de fogo”, quando colocados como o primeiro item da ordem de ocorrências, representam a caracterização do viés cognitivo (valor “1”). Sendo assim, a Tabela 6 mostra a porcentagem de respondentes que colocaram o item “acidentes com veículos a motor” como o mais frequente:

Tabela 6 – Respostas dos indivíduos para o problema 1 (seleção: “acidentes com veículos a motor”)

Frequência Porcentagem Porcentagem Acumulativa

0 129 60,6 60,6

1 84 39,4 100,0

Total 213 100,0

Deste modo, entende-se que 129 indivíduos não priorizaram este item como o mais frequente na ordem de ocorrências, ao passo que 84 deles classificaram erroneamente. A Tabela 7 a seguir informa a porcentagem de respondentes que colocaram o item “armas de fogo” como o mais frequente:

Tabela 7 – Respostas dos indivíduos para o problema 1 (seleção: “armas de fogo”)

Frequência Porcentagem Porcentagem Acumulativa

0 122 57,3 57,3

1 91 42,7 100,0

Total 213 100,0

Neste quesito, 122 indivíduos não priorizaram este item como o mais frequente na ordem de ocorrências, ao passo que 91 deles classificaram de modo contrário.

Os resultados do problema 2, ainda pertencentes à heurística de disponibilidade, são apresentados na Tabela 8 abaixo:

Tabela 8 – Respostas dos indivíduos para o problema 2

Frequência Porcentagem Porcentagem

Acumulativa

0 110 51,6 51,6

1 103 48,4 100,0

Total 213 100,0

Neste caso, 110 indivíduos responderam o problema corretamente (de modo racional e lógico), enquanto que 103 pessoas apresentaram o viés cognitivo contido na heurística de disponibilidade.

Para o problema 3, referente à heurística de representatividade, foram obtidos os seguintes dados, apresentados na Tabela 9:

Tabela 9 – Respostas dos indivíduos para o problema 3

Frequência Porcentagem Porcentagem

Acumulativa

0 109 51,2 51,2

1 104 48,8 100,0

Total 213 100,0

Seguinda a mesma linha de análise, 109 indivíduos responderam o problema corretamente (de modo racional e lógico), enquanto que 104 pessoas apresentaram o viés cognitivo contido na heurística de representatividade.

Os resultados do problema 4, ainda pertencente à heurística de representatividade, são apresentados na Tabela 10 abaixo:

Tabela 10 – Respostas dos indivíduos para o problema 4

Frequência Porcentagem Porcentagem Acumulativa

0 151 70,9 70,9

1 62 29,1 100,0

Total 213 100,0

Nesta questão, 151 indivíduos responderam o problema corretamente (de modo racional e lógico), enquanto que 62 pessoas apresentaram o viés cognitivo contido na heurística de representatividade.

O problema 5 está contido na heurística de ancoragem e ajustamento, e seus resultados são demonstrados na Tabela 11:

Tabela 11 – Respostas dos indivíduos para o problema 5

Frequência Porcentagem Porcentagem

Acumulativa

0 132 62,0 62,0

1 81 38,0 100,0

Total 213 100,0

Neste problema, 132 indivíduos responderam o problema corretamente (de modo racional e lógico), enquanto que 81 pessoas apresentaram o viés cognitivo contido na heurística de ancoragem e ajustamento.

Finalmente para o problema 6, ainda pertencente à heurística de ancoragem e ajustamento, temos os seguintes dados apresentados na Tabela 12:

Tabela 12 – Respostas dos indivíduos para o problema 6

Frequência Porcentagem Porcentagem

Acumulativa

0 134 62,9 62,9

1 79 37,1 100,0

Total 213 100,0

Neste caso, 134 indivíduos responderam o problema corretamente (de modo racional e lógico), ao passo que 79 pessoas apresentaram o viés cognitivo contido na heurística de ancoragem e ajustamento.

Além da análise de cada problema teórico de forma individualizada, é preciso verificar o comportamento cognitivo dos indivíduos de forma agregada, isto é, considerando todos os problemas propostos concomitantemente. Deste modo, a Tabela 13 nos traz a seguinte informação:

Tabela 13 – Composição de indivíduos de acordo com cada erro de resposta

Frequência Porcentagem Porcentagem

Acumulativa 0 38 17,8 17,8 1 17 8,0 25,8 2 37 17,4 43,2 3 47 22,1 65,3 4 32 15,0 80,3 5 16 7,5 87,8 6 18 8,5 96,2 7 8 3,8 100,0 Total 213 100,0

Isto é, de todos os 213 respondentes da pesquisa, 38 indivíduos responderam todos o problemas propostos corretamente, enquanto que 8 indivíduos erraram todas as respostas. Além destes oito, ao se considerar o número de pessoas na amostra que responderam a maioria dos problemas com algum viés cognitivo (valor acima de 3 na Tabela 13 acima), poderia-se concluir que 34,7% dos profissionais de diferentes países, que atuam na área de projetos, de fato não exercem a tomada de decisão lógica e racional na maioria das situações em suas vidas cotidianas.

De acordo com as conclusões citadas no parágrafo anterior, responde-se a problemática proposta inicialmente no estudo, não se rejeitando a hipótese 1 de que apesar dos treinamentos e práticas em gestão de projetos condicionarem os profissionais para tomada de decisões lógicas e racionais em âmbito organizacional, eles não estão isentos de vieses cognitivos na maior parte das situações de suas vidas cotidianas.

Ao verificar-se o primeiro objetivo intermediário deste estudo, qual seja, identificar o comportamento destes vieses em cada país estudado, podemos analisar por cada uma das três heurísticas. Na Tabela 14 abaixo, apresenta-se a heurística da disponibilidade e a proporção por país para cada viés cognitivo:

Freq. Porcent. Freq. Porcent. Freq. Porcent. Brasileiro 24 28,6 29 34,5 9 10,7 Americano 9 20,5 14 31,8 7 15,9 Indiano 11 40,7 2 7,4 5 18,5 Mexicano 7 31,8 2 9,1 6 27,3 Eslovaco 5 14,7 11 32,4 7 20,6 Outros 1 50,0 0 0,0 1 50,0 1

Tabela 14 - Proporção por país dos vieses cognitivos da heurística da disponibilidade

Legenda: Freq. = Frequência; Porcent. = Porcentagem

2 3

Considerando-se as porcentagens apresentadas na Tabela 14 acima, é possível observar que, dada a amostra de todos os profissionais estudados (excluindo-se a categoria “Outros” desta análise, dada a quantidade muito pequena de observações), os profissionais brasileiros são os que menos apresentaram vieses cognitivos relacionados à heurística da disponibilidade (10,7%), dado que o valor “3” significa erros de resposta em todos os problemas desta heurística. Por outro lado, os profissionais mexicanos são os que mais apresentaram os vieses da heurística da disponibilidade (27,3%).

Na Tabela 15, apresenta-se a heurística da representatividade e a proporção por país para cada viés cognitivo:

Freq. Porcent. Freq. Porcent.

Brasileiro 35 41,7 12 14,3 Americano 13 29,5 13 29,5 Indiano 7 25,9 4 14,8 Mexicano 8 36,4 6 27,3 Eslovaco 9 26,5 11 32,4 Outros 0 0,0 1 50,0 1 2

Legenda: Freq. = Frequência; Porcent. = Porcentagem

Tabela 15 - Proporção por país dos vieses cognitivos da heurística da representatividade

Novamente é possível observar que os profissionais brasileiros são os que menos apresentaram vieses cognitivos relacionados à heurística da representatividade (14,3%), sendo seguidos de perto pelos indianos (não havendo uma diferença estatisticamente relevante). Por outro lado, os profissionais eslovacos são os que mais apresentaram os vieses da heurística da representatividade (32,4%).

Na Tabela 16 abaixo, apresenta-se a heurística da ancoragem e ajustamento e a proporção por país para cada viés cognitivo:

Freq. Porcent. Freq. Porcent.

Brasileiro 26 31,0 17 20,2 Americano 12 27,3 16 36,4 Indiano 2 7,4 6 22,2 Mexicano 6 27,3 4 18,2 Eslovaco 5 14,7 10 29,4 Outros 1 50,0 1 50,0

Legenda: Freq. = Frequência; Porcent. = Porcentagem

1 2

Tabela 16 - Proporção por país dos vieses cognitivos da heurística da ancoragem e ajustamento

Na heurística de ancoragem e ajustamento, observa-se que os profissionais mexicanos são os que menos apresentaram vieses cognitivos relacionados à heurística da ancoragem e ajustamento (18,2%), sendo seguidos de perto pelos brasileiros. Por outro lado, os profissionais americanos são os que mais apresentaram os vieses da heurística de ancoragem e ajustamento (36,4%).

Por meio da análise estatística de Regressão Logística, utilizando variáveis binárias dependentes, é possível demonstrar informações relevantes adicionais sobre o comportamento destes vieses cognitivos, de acordo com as diferentes variáveis de nossa pesquisa. Para que portanto fosse possível rodar o modelo de Regressão Logística em nosso estudo, convencionou-se as seguintes variáveis binárias de acordo com cada grupo de heurística (disponibilidade, representatividade e ancoragem e ajustamento):

• Binária valor “1”: se em pelo menos um dos grupos o indivíduo errou todos os problemas.

As Tabelas 17 e 18 abaixo apresentam estes dados:

Tabela 17 – Teste de Hosmer & Lemeshow

Step Chi-square df Sig.

1 11,883 8 ,157

Tabela 18 – Variáveis na equação de Regressão Logística

B Significância Exp(B) Brasileiro -,943 ,038 ,389 Americano -,227 ,627 ,797 Indiano -,612 ,261 ,542 Mexicano -,330 ,559 ,719 Sexo ,249 ,417 1,283 Experiencia_anos -,026 ,174 ,974 Pos_Grad ,699 ,047 2,011 Ms_Dout -,110 ,839 ,896 Setor_TI -1,032 ,035 ,356 Constant 1,006 ,152 2,734

Na Tabela 18 acima, os profissionais eslovacos foram retirados do modelo, afim de permitir a comparação por meio da Regressão Logística. Além disso, todas as três heurísticas estão sendo consideradas neste modelo apresentado.

O coeficiente B negativo representa uma redução da probabilidade de surgirem vieses cognitivos para cada variável no quadro. O Exp(B) (exponencial deste coeficiente B) permite quantificar a chance destes vieses ocorrerem, de acordo com a seguinte fórmula:

100 * [Exp(B) – 1] (1)

De acordo com o modelo, as seguintes variáveis foram significantes a 5%:

• Brasileiro: estes possuem uma menor probabilidade de cometerem vieses cognitivos (B = -0,943; Significância = 0,038), em relação aos eslovacos. Dentro deste contexto, as chances diminuem em cerca de 61%3. As demais nacionalidades presentes no modelo não foram significantes em relação aos eslovacos (fora do

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modelo), porém como possuem o número absoluto do coeficiente B menor que o do brasileiro, pode-se concluir que os brasileiros também possuem uma menor probabilidade de cometerem vieses cognitivos em relação às demais nacionalidades;

• Setor_TI (setor de Informática/TI/Engenharia da Computação): a Regressão Logística nos permite afirmar que os profissionais que atuam neste setor têm uma menor probabilidade de cometerem vieses cognitivos (B = -1,032; Significância = 0,035). Dentro deste contexto, as chances diminuem em cerca de 64%4;

• Pos_Grad (Pós-Graduação): o modelo curiosamente nos apresenta que os indivíduos que possuem pós-graduação possuem um maior probabilidade de cometerem vieses cognitivos (B = 0,699; Significância = 0,047).

Deste modo, dada a análise estatística apresentada para a amostra, a hipótese 2 apresentada inicialmente neste estudo é rejeitada, pois analisando-se individualmente as três heurísticas, os brasileiros tiveram uma menor ocorrência de erros em duas delas (estando na heurística restante na segunda posição, seguindo de perto o primeiro lugar). Além disso, por meio da Regressão Logística que analisou as três heurísticas de forma agrupada, novamente os brasileiros são os que apresentam a menor probabilidade de ocorrência de vieses cognitivos.

O segundo objetivo intermediário deste estudo visa identificar se o tempo de experiência profissional dos sujeitos contribui para a diminuição da ocorrência dos vieses cognitivos em seu cotidiano pessoal. Ao se analisar novamente a Tabela 18 de Regressão Logística, observa- se que o tempo de experiência profissional (variável “Experiencia_anos” no modelo), embora apresente um coeficiente B negativo (B = - 0,026), não é significante a 5% (Significância = 0,174), o que indica que a experiência não seria determinante para a redução da probabilidade de vieses cognitivos no cotidiano dos indivíduos.

Em adição à análise do tempo de experiência profissional, considerando as três heurísticas de forma agrupada na Regressão Logística, realizaram-se também análises estatísticas One- Way ANOVA (comparação de médias de populações) em cada heurística individualmente neste estudo, que serão detalhadas a seguir.

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No Gráfico 1, apresenta-se um gráfico Boxplot relacionando os vieses cognitivos da heurística da disponibilidade e o tempo de experiência profissional dos indivíduos:

Este Gráfico mostra a média da população de profissionais que responderam cada problema relacionado à heurística de disponibilidade, de acordo com o critério de que as respostas corretas foram classificadas com o valor “0”, enquanto que em cada resposta errada soma-se um valor “1” (indivíduos que foram classificados com o valor “3” significa portanto que erraram as três respostas dos problemas de disponibilidade). A Tabela 19 abaixo revela a estatística descritiva desta população, sendo uma representação numérica do gráfico Boxplot anterior:

Tabela 19 – A heurística da disponibilidade e tempo de experiência profissional

95% Confidence Interval for Mean

N Mean Std.

Deviation

Std.

Error Lower Bound Upper Bound

0 63 15,40 8,395 1,058 13,28 17,51

1 57 14,79 8,944 1,185 12,42 17,16

2 58 13,71 8,325 1,093 11,52 15,90

3 35 14,26 8,840 1,494 11,22 17,29

Total 213 14,59 8,564 ,587 13,43 15,74

A análise descritiva traz algumas percepções sobre os resultados, antes mesmo de realizar- se o teste estatístico. Note que a média de experiência profissional dos indivíduos não difere substancialmente em cada valor, portanto pode-se esperar que o teste F da ANOVA não rejeite esta hipótese inicial, ou seja, neste caso não haveria diferença entre as médias.

A Tabela 20 abaixo apresenta primeiramente o teste de homogeneidade de variâncias:

Tabela 20 – Teste de homogeneidade de variâncias

Levene

Statistic df1 df2 Sig.

,434 3 209 ,729

Neste caso, não se rejeita a homogeneidade de variâncias, visto que o valor-p é igual a 0,729 (maior que o nível de significância do teste = 0,05). Portanto, o pressuposto de homocesdasticidade foi testado e cumprido, o que permite analisar o teste F.

Conforme esperado, já que verificamos na análise descritiva uma média de experiência profissional próxima entre os valores, através do teste F da ANOVA não se rejeita esta hipótese inicial (igualdade entre as médias), já que o valor-p é igual a 0,741 (maior que o nível de significância do teste = 0,05). Veja a Tabela 21 abaixo:

Tabela 21 – Teste F (One-Way ANOVA)

Sum of

Squares df Mean Square F Sig.

Between Groups 92,387 3 30,796 ,416 ,741

Within Groups 15455,256 209 73,949

Total 15547,643 212

Portanto, considerando-se o contexto da heurística de disponibilidade, poderia-se afirmar que o tempo de experiência profissional não contribui para a diminuição da ocorrência dos

vieses cognitivos desta heurística no cotidiano pessoal, visto que não há uma diferenciação na média de experiência dos indivíduos para cada valor de resposta.

De modo análogo, no Gráfico 2, apresenta-se um gráfico Boxplot relacionando os vieses cognitivos da heurística de representatividade e o tempo de experiência profissional dos indivíduos:

Este gráfico mostra a média da população de profissionais que responderam cada problema relacionado à heurística de representatividade, de acordo com o critério de que as respostas corretas foram classificadas com o valor “0”, enquanto que em cada resposta errada soma-se um valor “1” (indivíduos que foram classificados com o valor “2” significa portanto que erraram as duas respostas dos problemas de representatividade). A Tabela 22 revela a estatística descritiva desta população, sendo uma representação numérica do gráfico Boxplot anterior:

Tabela 22 – A heurística de representatividade e tempo de experiência profissional

95% Confidence Interval for Mean

N Mean Std.

Deviation

Std.

Error Lower Bound Upper Bound

0 94 14,91 7,686 ,793 13,34 16,49

1 72 16,00 9,656 1,138 13,73 18,27

2 47 11,77 7,949 1,159 9,43 14,10

Total 213 14,59 8,564 ,587 13,43 15,74

Nesta análise descritiva, é possível que haja alguma diferença entre as médias. Note que a média de experiência profissional dos indivíduos que erraram todas as respostas de representatividade é menor que as outras duas, portanto pode-se esperar que o teste F da ANOVA rejeite a hipótese inicial de igualdade entre as médias (pelo menos uma das médias é diferente).

A Tabela 23 apresenta primeiramente o teste de homogeneidade de variâncias:

Tabela 23 – Teste de homogeneidade de variâncias

Levene

Statistic df1 df2 Sig.

3,684 2 210 ,027

Neste caso, a um nível de significância do teste = 0,05, rejeita-se a homogeneidade de variâncias, visto que o valor-p é igual a 0,027. Portanto, o pressuposto de homocesdasticidade foi não foi cumprido, o que não permite analisar o teste F.

Portanto, considerando-se o contexto da heurística de representatividade, não é possível afirmar com mais propriedade sobre o tempo de experiência profissional e sua contribuição para a diminuição da ocorrência dos vieses cognitivos desta heurística, visto que o teste de homogeneidade de variâncias não foi cumprido.

Por último, no Gráfico 3, apresenta-se um gráfico Boxplot relacionando os vieses cognitivos da heurística de ancoragem e ajustamento e o tempo de experiência profissional dos indivíduos:

Este gráfico mostra a média da população de profissionais que responderam cada problema relacionado à heurística de ancoragem e ajustamento, de acordo com o critério de que as respostas corretas foram classificadas com o valor “0”, enquanto que em cada resposta errada soma-se um valor “1” (indivíduos que foram classificados com o valor “2” significa portanto que erraram as duas respostas dos problemas de ancoragem e ajustamento). A Tabela 24 abaixo revela a estatística descritiva desta população, sendo uma representação numérica do gráfico Boxplot anterior:

Tabela 24 – A heurística de ancoragem e ajustamento e tempo de experiência profissional

95% Confidence Interval for Mean

N Mean Std.

Deviation

Std.

Error Lower Bound Upper Bound

0 107 14,55 7,815 ,756 13,05 16,05

1 52 15,15 9,991 1,385 12,37 17,94

2 54 14,11 8,637 1,175 11,75 16,47

Total 213 14,59 8,564 ,587 13,43 15,74

Mais uma vez, a análise descritiva traz algumas percepções sobre os resultados, antes mesmo de realizar-se o teste estatístico. Note que a média de experiência profissional dos indivíduos não difere substancialmente em cada valor, portanto pode-se esperar que o teste F da ANOVA não rejeite esta hipótese inicial, ou seja, neste caso não haveria diferença entre as médias.

A Tabela 25 apresenta primeiramente o teste de homogeneidade de variâncias:

Tabela 25 – Teste de homogeneidade de variâncias

Levene

Statistic df1 df2 Sig.

2,997 2 210 ,052

Neste caso, não se rejeita a homogeneidade de variâncias, visto que o valor-p é igual a 0,052 (maior que o nível de significância do teste = 0,05). Portanto, o pressuposto de homocesdasticidade foi testado e cumprido, o que permite analisar o teste F.

Conforme esperado, já que verificamos na análise descritiva uma média de experiência profissional próxima entre os valores, através do teste F da ANOVA não se rejeita esta hipótese inicial (igualdade entre as médias), já que o valor-p é igual a 0,822 (maior que o nível de significância do teste = 0,05). Veja a Tabela 26:

Tabela 26 – Teste F (One-Way ANOVA)

Sum of

Squares df Mean Square F Sig.

Between Groups 29,073 2 14,537 ,197 ,822

Within Groups 15518,570 210 73,898

De fato, considerando-se o contexto da heurística de ancoragem e ajustamento, poderia-se afirmar que o tempo de experiência profissional não contribui para a diminuição da ocorrência dos vieses cognitivos desta heurística, visto que não há uma diferenciação na média de experiência dos indivíduos para cada valor de resposta.

Portanto, a hipótese 3 apresentada inicialmente neste estudo é rejeitada, pois analisando-se as heurísticas de forma agrupada por meio da Regressão Logística, o tempo de experiência profissional dos indivíduos não é significante para a redução dos vieses cognitivos em seu cotidiano pessoal. Ao verificar-se as três heurísticas individualmente, mais uma vez a experiência não se mostrou relevante em duas delas, não sendo possível fazer a mesma afirmação para a terceira (pois o pressuposto de homocedasticidade não foi atendido).