Considerando a análise de dados apresentada, observa-se que os indivíduos de diferentes países que trabalham em gestão de projetos, naturalmente condicionados a tomar decisões racionais e lógicas em seu dia a dia profissional, não apresentam o mesmo comportamento cognitivo eficiente na maioria das situações de seu cotidiano pessoal. Ressalta-se aqui um possível indício de que a instrumentalização da forma de pensar nas organizações “aprisiona cognitivamente” os indivíduos, não permitindo que eles demonstrem a mesma capacidade racional e lógica em suas vidas.
Ainda que se possa assumir a presença dos vieses cognitivos no cotidiano pessoal destes sujeitos, percebe-se que os brasileiros são menos propensos a apresentar os vieses cognitivos decorrentes de cada heurística de pensamento, em comparação com as demais nacionalidades apresentadas neste estudo. Talvez porque os brasileiros sejam mais flexíveis em suas formas de pensamento e trabalho intra e extra-organizacional, ou porque as demais nacionalidades estudadas apresentam um índice de tecnicismo (instrumentalização) superior nas organizações, o que eleva sua capacidade lógica e racional no contexto profissional mas não necessariamente da mesma forma em seus contextos pessoais.
O setor de Informática/TI/Engenharia da Computação foi registrado como o que mais contribui para a redução da probabilidade de ocorrência dos vieses cognitivos, no cotidiano pessoal dos profissionais em que nele trabalham. Talvez porque estes indivíduos, condicionados a decisões racionais e lógicas de modo peculiar por meio de algoritmos e processos bem definidos de trabalho, consigam de alguma maneira transpor com mais facilidade esta maneira de pensar para as suas vidas.
Um fato curioso, revelado pela pesquisa, foi o de que indivíduos que possuem Pós- Graduação (excetuando-se Mestrado e Doutorado, controlados por outras variáveis) estão mais propensos a vieses cognitivos em seu cotidiano pessoal. O viés da superconfiança na avaliação de situações cotidianas talvez contribua para a explicação deste fenômeno.
Por fim, não se observou uma relação direta do tempo de experiência profissional dos indivíduos com a redução da probabilidade de ocorrência de vieses cognitivos, visto que a variável não foi significante para o modelo de Regressão Logística (inclusive não houve diferenciação relevante nas médias de experiência profissional para as respostas aos problemas, por meio da análise One-Way ANOVA). Poderia-se correlacionar esta observação com a primeira conclusão deste estudo, que afirma que os indivíduos não conseguem, na
maioria das vezes, extrapolar a habilidade de decisões racionais e lógicas adquiridas no âmbito profissional para suas vidas pessoais.
Por fim, dado que este estudo analisou o processo de tomada de decisão no cotidiano pessoal, baseado em profissionais que trabalham em gestão de projetos (área altamente técnica e dependente de decisões eficientes) sugere-se para pesquisas futuras a investigação desta mesma problemática, porém abrangendo-se outras áreas organizacionais cuja tomada de decisão racional e lógica seja a tônica para um bom desempenho profissional.
Indica-se também a necessidade de se realizar pesquisas que incluam variáveis culturais para cada nacionalidade pesquisada, a fim de que se possa concluir com mais propriedade a ocorrência dos vieses cognitivos dentro de cada heurística de pensamento.
Este estudo, em sua pretensão de discutir o processo de tomada de decisão dentro e fora das organizações, procurou trazer à tona o alerta de que não podemos ser instrumentalizados de modo a meramente replicar decisões eficientes nas empresas em que se trabalha, mas sim seres humanos capazes de exercer plenamente sua capacidade cognitiva adquirida ao longo do tempo, seja no contexto profissional ou pessoal.
REFERÊNCIAS
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VERGARA, S. C. Projetos e Relatórios de Pesquisa em Administração. 12. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
ANEXOS
ANEXO A – Tabelas de perfil organizacional
Tabela 1 – Setor de atuação da organização
Frequência Porcentagem Porcentagem Acumulativa
Administrativo 1 0,5 ,5
Comércio Exterior / Trade / Importação / Exportação
2 0,9 1,4
Engenharia Civil / Construção Civil 2 0,9 2,3 Engenharia de Alimentos 1 0,5 2,8 Engenharia de Produção / Industrial 1 0,5 3,3 Farmácia 1 0,5 3,8 Financeiro 1 0,5 4,3 Informática / TI / Engenharia da Computação 186 87,3 91,6 Jornalismo 1 0,5 92,1 Marketing 3 1,4 93,5 Qualidade 1 0,5 94,0
Química / Engenharia Química 1 0,5 94,5
Telecomunicações / Engenharia de Telecomunicações 2 0,9 95,4 Técnico-Comercial 1 0,5 95,9 Outros 9 4,1 100,0 Total 213 100,0
Tabela 2 – Origem do capital da organização
Frequência Porcentagem Porcentagem Acumulativa
Nacional 56 26,3 26,3
Estrangeiro 139 65,3 91,6
Misto 18 8,4 100,0
Total 213 100,0
Tabela 3 – Quantidade de funcionários na organização
Frequência Porcentagem Porcentagem Acumulativa Até 50 2 0,9 0,9 Entre 101 e 500 7 3,3 4,2 Entre 501 e 1000 6 2,8 7,0 Acima de 1000 198 93,0 100,0 Total 213 100,0
ANEXO B – Tabelas de resposta aos problemas de pesquisa
Tabela 1 – Respostas dos indivíduos para o problema 1 (maior ocorrência: “Tabaco”)
Frequência Porcentagem Porcentagem
Acumulativa
Tabaco 80 37,6 37,6
Dieta pobre e inatividade física
46 21,6 59,2
Acidentes com veículos a motor
51 23,9 83,1
Armas de fogo 33 15,5 98,6
Uso ilícito de drogas 3 1,4 100,0
Total 213 100,0
Tabela 2 – Respostas dos indivíduos para o problema 1 (maior ocorrência: “Dieta pobre e inatividade física”)
Frequência Porcentagem Porcentagem
Acumulativa
Tabaco 20 9,4 9,4
Dieta pobre e inatividade física
72 33,8 43,2
Acidentes com veículos a motor
42 19,7 62,9
Armas de fogo 49 23,0 85,9
Uso ilícito de drogas 30 14,1 100,0
Tabela 3 – Respostas dos indivíduos para o problema 1 (maior ocorrência: “Acidentes com veículos a motor”)
Frequência Porcentagem Porcentagem
Acumulativa
Tabaco 20 9,4 9,4
Dieta pobre e inatividade física
10 4,7 14,1
Acidentes com veículos a motor
100 46,9 61,0
Armas de fogo 29 13,6 74,6
Uso ilícito de drogas 54 25,4 100,0
Total 213 100,0
Tabela 4 – Respostas dos indivíduos para o problema 1 (maior ocorrência: “Armas de fogo”)
Frequência Porcentagem Porcentagem
Acumulativa
Tabaco 37 17,4 17,4
Dieta pobre e inatividade física
51 23,9 41,3
Acidentes com veículos a motor
7 3,3 44,6
Armas de fogo 81 38,0 82,6
Uso ilícito de drogas 37 17,4 100,0
Total 213 100,0
Tabela 5 – Respostas dos indivíduos para o problema 1 (maior ocorrência: “Uso ilícito de drogas”
Frequência Porcentagem Porcentagem
Acumulativa
Tabaco 56 26,3 26,3
Dieta pobre e inatividade física
34 16,0 42,3
Acidentes com veículos a motor
13 6,1 48,4
Armas de fogo 21 9,8 58,2
Uso ilícito de drogas 89 41,8 100,0
Tabela 6 – Respostas dos indivíduos para o problema 2
Frequência Porcentagem Porcentagem Acumulativa Há mais palavras em inglês que
começam com a letra “a”, do que palavras em inglês que possuem a letra “a” como sua terceira letra
103 48,4 48,4
Há mais palavras em inglês que possuem a letra “a” como sua terceira letra, do que palavras em inglês que começam com a letra “a”
110 51,6 100,0
Total 213 100,0
Tabela 7 – Respostas dos indivíduos para o problema 3
Frequência Porcentagem Porcentagem
Acumulativa
O hospital maior 43 20,2 20,2
O hospital menor 109 51,2 71,4
Praticamente o mesmo 61 28,6 100,0
Tabela 8 – Respostas dos indivíduos para o problema 4
Frequência Porcentagem Porcentagem Acumulativa 6,25 por cento (1 em 16), pois as
chances de ter quatro meninas em sequência é de 1 em 16.
41 19,2 19,2
50 por cento (1 em 2), pois há aproximadamente a mesma chance de ter qualquer um dos dois sexos.
151 70,9 90,1
Uma porcentagem que fica entre essas duas estimativas (6,25 – 50 por cento).
21 9,9 100,0
Total 213 100,0
Tabela 9 – Respostas dos indivíduos para o problema 5
Frequência Porcentagem Porcentagem
Acumulativa 1911 17 8,0 8,0 1648 132 62,0 70,0 1298 22 10,3 80,3 1812 30 14,1 94,4 1854 12 5,6 100,0 Total 213 100,0
Tabela 10 – Respostas dos indivíduos para o problema 6
Frequência Porcentagem Porcentagem Acumulativa Correlação zero: o desempenho é
totalmente imprevisível, no sentido de que saber como um jogador acerta em um ano não o ajuda a prever como ele atuará no ano seguinte.
26 12,2 12,2
Correlação fraca: o desempenho entre uma temporada e a seguinte é moderadamente previsível, mas também existem muitas influências aleatórias, imprevisíveis, sobre como determinado jogador atuará em uma temporada em particular.
134 62,9 75,1
Correlação forte: o desempenho é muito previsível de uma temporada para outra, mas ainda há um pequeno componente aleatório no modo como um jogador atua.
36 16,9 92,0
Correlação perfeita: o desempenho é estável de um ano para o seguinte. O jogador com a média de pênaltis convertidos em gols mais alta em uma temporada sempre tem a média mais alta na temporada seguinte.
17 8,0 100,0