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7.1 Características clínicas e epidemiológicas dos pacientes avaliados

Entre março de 2009 e setembro de 2012 foram avaliados, no Ambulatório de PCM do CTR-DIP-UFMG, 26 pacientes que se adequavam aos critérios para inserção no estudo. A idade dos pacientes avaliados no momento da suspensão do tratamento variava de 20 a 78 anos, com média ± desvio padrão de 49,5 ± 16,5 anos. A distribuição dos pacientes por faixa etária está representada na Tabela 1.

Tabela 1 - Distribuição por faixa etária dos pacientes sob controle de cura para paracoccidioidomicose avaliados.

Dos 26 pacientes avaliados oito nasceram em áreas rurais do estado de Minas Gerais, marcadamente na região do Vale do Rio Doce; 16 em áreas urbanas de Minas Gerais, localizadas principalmente nas regiões metropolitana, central e sul do estado; e dois em áreas urbanas de outros estados, sendo um na Bahia e um no Rio de Janeiro (Tabela 2). Os pacientes procedentes de áreas rurais continuam, até os dias atuais, residindo nestas áreas, assim como os oriundos de áreas urbanas que nelas

Faixa etária N (%) De 20 a 29 anos 4 (15,39) De 30 a 39 anos 2 (7,69) De 40 a 49 anos 7 (26,92) De 50 a 59 anos 7 (26,92) De 60 a 69 anos 3 (11,54) Acima de 70 anos 3 (11,54) Total 26 (100)

permaneceram. Os pacientes nascidos em outros estados residem há pelo menos 15 anos no estado de Minas Gerais.

Tabela 2 - Procedência dos pacientes sob controle de cura para paracoccidioidomicose avaliados.

Dentre os 26 pacientes avaliados oito eram trabalhadores agrícolas, que lidavam principalmente com lavouras de café, milho e feijão; um era trabalhador da construção civil, exercendo atividade de pedreiro; três eram trabalhadores de serviços domésticos; dois eram estudantes e 12 apresentavam outras ocupações como; eletricista, porteiro, balconista, mecânico, sucateiro, costureira, motorista, metalúrgico e lanterneiro, durante a doença ativa e o período do estudo (Tabela 3).

Tabela 3 - Ocupação dos pacientes sob controle de cura para paracoccidioidomicose avaliados.

Ocupação N (%)

Trabalhador agrícola 8 (30,77)

Trabalhador da construção civil 1 (3,85) Trabalhador de serviços domésticos 3 (11,54)

Estudante 2 (7,69)

Outra 12 (46,15)

Total 26 (100)

Procedência N (%)

Minas Gerais - área rural 8 (30,77) Minas Gerais - área urbana 16 (61,54)

Outros estados 2 (7,69)

A Tabela 4 apresenta os locais das lesões de PCM desenvolvidas pelos pacientes avaliados quando a doença estava ativa. As lesões crônicas unifocais foram mais prevalentes na pele, linfonodos, laringe e mucosa oral, respectivamente. As lesões crônicas multifocais foram mais prevalentes na pele, cérebro e pulmões; pele, mucosa oral e linfonodos; pulmões e cérebro; pele e pulmões; mucosa oral e pulmões; e pele e mucosa oral respectivamente. Os pacientes com a forma aguda da doença apresentaram lesões estritamente linfonodais (Tabela 4).

Tabela 4 - Localização das lesões de paracoccidioidomicose apresentadas pelos pacientes sob controle de cura quando a doença estava ativa.

7.2 Análise estatística associando dados epidemiológicos e sorológicos

Como citado no tópico “Análise estatística”, neste estudo foi realizada uma análise de regressão para avaliar dados longitudinais com medidas repetidas. Os valores séricos obtidos nas dosagens de IgG utilizando Mexo ou rPb27 como antígenos, sTNF- RI, sTNF-RII, CCL3, CCL11 e CCL24 foram correlacionados com seis parâmetros:

Local das Lesões N (%)

Laringe 4 (15,38)

Linfonodos 5 (19,23)

Mucosa oral 4 (15,38)

Mucosa oral e pulmões 3 (11,53)

Pele 1 (3,85)

Pele e mucosa oral 4 (15,38)

Pele e pulmões 1 (3,85)

Pele, cérebro e pulmões 1 (3,85) Pele, mucosa oral e linfonodos 1 (3,85)

Pulmões 1 (3,85)

Pulmões e cérebro 1 (3,85)

tempo de avaliação após o tratamento; gênero; tipo de tratamento; forma clínica; idade e área de procedência dos pacientes.

Na análise de IgG utilizando rPb27 como antígeno, foi verificada correlação estatística entre seus níveis séricos, o tipo de tratamento e a área de procedência dos pacientes. Observou-se que os pacientes tratados com sulfametoxazol-trimetoprim e os procedentes de áreas urbanas apresentavam valores séricos mais elevados de IgG utilizando rPb27 como antígeno, quando comparados com os demais. Para IgG utilizando Mexo como antígeno foi encontrada correlação entre seus valores séricos e o tempo de avaliação após tratamento, o tipo de tratamento, a idade e a área de procedência dos pacientes. Verificou-se para este marcador que com o passar dos meses, seus níveis séricos diminuíam sutilmente; que o paciente tratado com sulfametoxazol-trimetoprim associado com anfotericina B apresentava valor mais elevado de IgG quando comparado com os demais; e que os pacientes mais velhos apresentavam níveis ligeiramente mais elevados de IgG, assim como os pacientes procedentes de áreas urbanas.

Para sTNF-RI foi identificada correlação entre seus valores séricos; o tempo de avaliação após tratamento e o tipo de tratamento dos pacientes. Foi verificado que os valores séricos desse marcador diminuíam com o passar dos meses de avaliação, e que o paciente tratado com sulfametoxazol-trimetoprim associado com anfotericina B apresentava nível sérico de sTNF-RI elevado quando comparado com os demais. A análise de sTNF-RII revelou correlação entre seus valores séricos e o tempo de avaliação após tratamento, o tipo de tratamento e a forma clínica dos pacientes. Observou-se que com o passar dos meses os valores séricos desse marcador diminuíam; que o paciente tratado com sulfametoxazol-trimetoprim associado com anfotericina B

apresentava valor sérico mais elevado de sTNF-RII quando comparado com os demais, assim como os pacientes com a forma unifocal da PCM.

A análise de CXCL9 revelou correlação entre seus valores séricos, o tempo de avaliação após tratamento e o gênero dos pacientes. Foi observado que os valores séricos de CXCL9 se elevavam com o passar dos meses de avaliação, e que os pacientes do sexo masculino apresentavam níveis séricos dessa quimiocina ligeiramente mais altos.

CCL3 apresentou correlação entre suas concentrações séricas e o tempo de avaliação após tratamento. Verificou-se que com o passar dos meses os pacientes apresentaram concentrações séricas dessa quimiocina mais baixas.

Na análise de CCL11 observou-se correlação entre seus valores séricos e o tempo de avaliação após tratamento, o gênero, o tipo de tratamento e a área de procedência dos pacientes. Verificou-se que com o passar dos meses de avaliação os pacientes apresentavam concentrações séricas de CCL11 ligeiramente mais elevadas; que os pacientes do sexo masculino assim como os tratados com itraconazol apresentavam concentrações séricas mais baixas; e que os pacientes procedentes de áreas urbanas apresentavam valores séricos mais elevados dessa quimiocina.

Para CCL24 foi verificada correlação entre seus valores séricos e o tempo de avaliação após tratamento, o tipo de tratamento, a idade e a área de procedência. Verificou-se que com o passar dos meses do estudo os valores séricos de CCL24 decresceram ligeiramente; que o paciente tratado com sulfametoxazol-trimetoprim associado com anfotericina B, assim como os mais velhos e os procedentes de áreas urbanas apresentavam valores mais elevados dessa quimiocina. Os resultados dos dados avaliados encontram-se no APÊNDICE C.