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1.2. Toplu Pazarlık ve Sendikalar

1.2.1. Toplu Pazarlıkta Ücretin Belirlenmesi

A Canção dos Nibelungos é uma obra fantástica, responsável pelos primeiros passos do germanismo e de sua cultura, os mitos desenvolvidos nesta obra revelam a influência dos ideais neoplatônicos e a sobreposição da honra e da coragem quanto aos demais temas morais. A obra funda e fundamenta o pensamento estético germânico. Trata-se de uma literatura pagã que somente séculos depois será atropelada pelo cristianismo, porém não se rende por completo e os ideais do medievalismo pagão estiverem presentes na rebeldia romântica.

Deste modo, o pensamento alemão não surgiu apenas com Goethe ou Kant, pois a soma e a influencia de vários autores e filósofos, tantos alemães quanto não alemães, construíram parte considerável do pensamento germânico, por isso, afirmamos que tal cosmovisão proporcionou o desenvolvimento do pensamento estético germânico.

A fundamentação deste modo de vida, desta cosmovisão, somada à reorganização do espaço germânico permitiu o desenvolvimento e a ampliação de ideais e normas de valores que contribuíram para a fundação do estado germânico.

É indissociável o fortalecimento e a fundação do estado germânico com os valores propagados durante a Idade Média referente ao povo germânico que exaltava a virtude, a coragem, a honra e a união dos povos consangüíneos, bem como o fortalecimento destes ideais nos séculos XVIII e XIX e que, por sua vez, resultaram no romantismo.

A organização política, econômica e territorial da Europa pós-Império Romano teve como centralizadora a Igreja Católica; assim, a Igreja converteu os líderes bárbaros em reis. A Igreja titulou-os como monarcas e os mesmos abandonaram suas práticas culturais em parte para incorporarem novas práticas e novos valores. A Igreja se fortaleceu ao “doar” poderes aos bárbaros e converte-los numa espécie de “mini-papa”, com poderes ilimitados dentro de seus territórios, subordinados, sem terem pleno conhecimento disto, apenas ao papa (NOGUEIRA, 1995).

“A relação entre cristianismo e os povos bárbaros, em especial os germanos, é uma relação bastante típica: a nova fé reveste, sempre que possível, as antigas tradições” (NOGUEIRA, 1995, p. 47).

O romantismo retoma os valores medievais aureolados pela cristandade,

todavia os valores do paganismo atrelados ao neoplatonismo fizeram ecos na elaboração de um roteiro estético para o romantismo. No período medieval a cristianização dos povos bárbaros não apagou séculos de tradições, apenas houve a substituição de valores; assim, ainda segundo Nogueira (1995, p. 48):

Este processo entretanto, não aboliu as crenças anteriores, que, miscigenadas ou não a um imaginário cristão, irrompem aqui e ali, e que permanecem em um fundo folclórico camponês, ao menos até o final do século XIX. É neste fundo que folcloristas e historiadores, ao compasso do Romantismo, passam a buscar as raízes medievais das nacionalidades, terminando alguns por colocarem uma questão que pontua até hoje entre os historiadores da Cultura: a questão da efetiva cristianização da Europa medieval e a conseqüente sobrevivência do Paganismo.

O romantismo, grosso modo, permitiu a sobrevivência do paganismo, não antagonicamente aos projetos da cristandade, todavia os valores exaltados correspondiam à necessidade de sublinhar o sujeito e permitir que o mesmo tivesse o desenvolvimento de suas aptidões e habilidades, em outras palavras, o sujeito retoma na História o seu papel, já que as questões territoriais, ou melhor, as constituições nacionais faziam-se presentes no cotidiano de toda a Europa, somado ao retorno do neoplatonismo e a ascensão do pensamento de Kant e de Hegel.

Os mitos escandinavos e germânicos formaram o imaginário deste povo, deste modo, o romantismo retomou alguns mitos como justificativa para a formação do Estado-Nação; assim, as paisagens mitológicas foram incorporadas no cotidiano pelo imaginário do povo reforçados pelo desenvolvimento da estética germânica romântica. Daí, a importância da obra “A Canção dos Nibelungos”, com a qual os românticos retomam as temáticas e reinventam os mitos no enaltecimento dos indivíduos, segundo Nogueira (1995, p. 51):

“Crenças e divindades que sobrevivem nas florestas e principalmente nas próprias casas camponesas, apesar dos esforços da ortodoxia em combatê-las... Ideias instigantes que remetem às atuais investigações sobre o imaginário popular na Cristandade Medieval”.

A cosmovisão germânica romântica tem como centralidade o sujeito, todavia não se trata de um indivíduo, mas de um sujeito referendado socialmente, o qual fita o mundo a partir de paixões e valores construídos historicamente.

Diante disso, reafirmamos a importância da obra “A Canção dos Nibelungos”, uma vez que a mesma solidifica mitos e inaugura o pensamento estético literário germânico referente aos valores que foram herdados pelos românticos, tal como a obra pré-

lembrarmos a importância dos Irmãos Grimm na construção do imaginário germânico ao adaptar lendas camponesas ao cotidiano de sua geração.

As relações entre a mitologia, o pensamento neoplatônico e as transformações sociais, políticas, econômicas e tecnológicas fizeram com que as gerações dos séculos XVIII e XIX tivessem outra cosmovisão, isto é, a herança do pensamento Greco- romano somado à exaltação dos mitos escandinavos e germânicos proporcionaram outras vontades, as quais ligavam-se à superação dos problemas deste mundo e a busca pela “refundação” da Germânia.

Deste modo, o Nationalgeist foi construído e seus valores, culturas e morais foram desenvolvidos em vários momentos históricos, bem como os diferentes agentes sociais contribuíram para a constituição e evolução deste Espírito Nacional.

A partir de Safranski (2010) afirmamos que as lendas, os mitos, as poesias, as pinturas, a cultura popular, as experiências dos diversos agentes sociais, resultaram num Espírito Nacional, numa cosmovisão comprometida com o território germânico e com o espírito germânico. As lendas e mitos, significantemente, proliferaram mais ideais do que muitas obras filosóficos, todavia tais obras filosóficas e artísticas foram propagadas na elite econômica e social, portanto, as massas tinham as lendas e as elites a filosofia, ambas no mesmo sentido, na mesma direção: Nationalgeist.

O Espírito Nacional, ou melhor, o Espírito Germânico foi exaltado em diversas obras artísticas e filosóficas, bem como as lendas que eram contadas pelos camponeses; assim, a coragem, a lealdade, a honra, a harmonia, eram pontos fulcrais deste espírito, ser germânico significava, antes de tudo, pertencer ao código de honra dos princípios mais sublimes, elevados e nobres.

A consciência espiritual germânica distinguida filosoficamente foi pensada por F. Shlegel e W. Shlegel. A distinção entre ser ou não ser germânico foi o ponto decisivo dos românticos, já que os mesmos retomaram os valores e os códigos medievais imbricados à consciência quanto ao pertencimento territorial, neste caso, poderíamos, de forma ilustrativa, afirmar que se tratava de pertencimento de lócus – o lugar categorial geográfico.

O Espírito Germânico não era apenas o resultado da influência filosófica, mitológica ou material, era dinamismo que atingia os sujeitos dialeticamente, os quais repensavam suas condições e o papel de seu povo no mundo.

Segundo Safranski (2010) a mitologia germânica proporcionava aos germânicos descontentamento com valores antagônicos a honra, a verdade e a lealdade; conseqüentemente, a mitologia não fazia-os esperar dos deuses ou das deidades da floresta, estimulava-os a enfrentarem o cotidiano e a serem verdadeiros guerreiros. Entendemos, portanto, que o Espírito Germânico provocou sentimentos e sentidos existenciais que confrontavam-se com a realidade; assim, os revolucionários franceses beberam deste espírito e ao mesmo tempo reafirmaram a necessidade do papel revolucionário, “empolgados” os alemães renasceram com o Romantismo.

A coragem, a valentia, a ousadia, são conseqüências dos mitos medievais da cavalaria, dos heróis como Siegfried de “A Canção dos Nibelungos”; assim, a estética germânica romântica é, essencialmente, tal espírito. A coragem e a proteção aos mais fracos constituem pontos chaves no Espírito Germânico o qual foi recuperado pelos românticos. De forma ilustrativa, a obra “Cavaleiros frente a cabana de um carvoeiro” do ano de 1816 pintada por Carl Philipp Fohr (1795-1818) representa o Espírito Germânico no século XVIII e XIX. (conferir abaixo).

Fig. 02. “Cavaleiros frente a cabana de um carvoeiro” (1816) pintada por Carl Philipp Fohr. O Espírito Germânico Romântico produziu uma estética entrelaçada pelo místico, pelo passado glorioso, pelo nacionalismo, pelo código de honra dos cavaleiros; assim, Carl Philipp Fohr representou nesta obra todo o Espírito, complementado pela dama no cavalo branco que simbolizava a pureza, a virgem sacro-santa, protegida por destemidos alemães que contemplavam a cabana na qual dormia o trabalhador e sua família. Essa paisagem não é apenas uma obra de arte, é a representação fidedigna do Espírito Germânico, isto é, o caminho da contemplação à finalidade discursiva do ato criador estético na feição

transversal do ser no pro-jeto59, ou em outras, palavras Fohr pintou o Espírito Germânico e sua Finalidade. A mitologia apresentada nesta obra destaca elementos fundadores do pensamento germânico romântico e o atrelamento do mesmo ao cotidiano das pessoas, as quais, obviamente, não andavam em trajes de guerra, mas dispunham do espírito bélico.60 É fundamental compreendermos que o espírito germânico não existe por si e que o mesmo foi fruto de um processo de idealização, com e pelo qual a fortificação da cosmovisão germânica foi possível.

Os “cavaleiros” de Fohr apoiados no Espírito Germânico e no aparato de guerra, vagavam pela floresta durante noite de lua cheia protegendo uma mulher, que se destaca pelas vestes alvas e pelo cavalo branco, ao fundo a casa do carvoeiro que mantém acesa uma vela. Os cavaleiros mantêm o curso na estrada aberta entre árvores, no meio da floresta, e dirigem seus olhares para frente e para a mulher, como se Fohr nos informasse detalhadamente referente ao Espírito Germânico Romântico. Essa paisagem pictórica é o relato fiel da paisagem construída pela imaginação e propagada por meio das lendas, dos mitos, das filosofias, das canções e das obras artísticas em geral para o povo germânico, cuja finalidade do referido movimento espiritual é a liberdade. A natureza, para os românticos, ainda merecia cuidado, pois a floresta era o desconhecido, todavia a natureza também era a harmonia, bastava ao homem senti-la e se impressionar com seus elementos. Alguém poderá dizer: como pode afirmar isso? E responderemos: “Qual razão de não afirmar? Já que os elementos pictóricos explicitam o Espírito Germânico”.

É imprescindível o caminho que tomamos para compreender o romantismo e a Geografia, pois uma ciência não é fundada em si e por si, ela percorre caminhos historicamente construídos. O Espírito Germânico promoveu o desdobramento da Geografia a

59 Pro-jeto grafado para dar idéia de movimento, de sentido, de projeção do sujeito para com o mundo.

partir de outras ciências humanas, por meio do desenvolvimento do pensamento categorial paisagístico e sua fundamental importância na compreensão da relação sujeito-mundo e como os sujeitos se comportam nesta relação.

A mitologia somada à filosofia germânica, com suas influências neoplatônicas, elevaram o sentimento e a necessidade dos povos germânicos em promoverem a liberdade, neste sentido, Safranski (2010, p. 143) afirma que:

As mitologias podem ser diferenciadas de acordo com o fato de terem surgido a partir do sentimento da liberdade ou o contrário; se elas, portanto, entendem o universo como um mecanismo cego ou como organismo vivo, no qual a atividade do indivíduo e do todo estão relacionados de maneira sensata, mesmo que nem sempre harmônica. Para Schleiermacher, a única mitologia que está à altura do verdadeiro segredo do universo criativo é aquela que surge da experiência da liberdade e que leva de volta a ela. [...] toda mitologia é livre quando anima o homem, estimula suas forças criativas; quando não o prende a suas origens, mas o liberta para novos planos e transformações que destroem o feitiço do sempre igual; em suma, quando inspira o indivíduo para um universo criativo, do qual ele faz parte como um organismo que também cria.

A Unidade foi resultado das ideias filosóficas neoplatônicas e da mitologia, portanto, a obra cosmográfica de Humboldt deve ser analisada a partir da relação dialética entre sujeito e mundo, sendo ambos responsáveis pelas transformações um no outro. A natureza não é uma coisa, não é meramente objeto de estudo, a Natureza é a Unidade para e com o Sujeito, desta forma, Humboldt promove o distanciamento do despotismo racionalista, afirmando que:

A investigação constante desta verdade é o fim de toda descrição que tem por objetivo a natureza. É preciso manter incessantemente essa tendência ou para se compenetrar melhor nos fenômenos, ou para escolher, ao pintá-los, a expressão característica. O meio mais apropriado de realizar esse fim consiste em que o observador, aquele que sentiu pessoalmente a impressão, a conte singelamente, e circunscreva e particularize o lugar ou as circunstâncias a que se liga a narração (1964, p. 260).

Narrar, para os românticos e para Humboldt, ultrapassa a descrição, já que o mundo é vivo e esse “pulsar” precisa aparecer nas narrativas, daí a importância do sentimento,

da impressão do sujeito, já que o sentir é o ato criador, princípio-mor da criação e, posteriormente, do desenvolvimento para a liberdade. O desejo de liberdade partia dos jovens burgueses, o povo também desejava liberdade, almejava melhores condições materiais para sobreviverem, o resultado disto é o aprofundamento dos ideais românticos e as inúmeras revoltas em vários países da Europa.

Este desejo por liberdade, esta luta constante por liberdade, fez o povo germânico, por meio de suas mitologias e romances, se enxergarem como fortes. Os isolamentos dos povos germânicos contribuíram, significantemente, para as particularizações culturais, pois no período feudal os imperadores alemães do Sacro Império Romano-Germano optaram pela liderança e aliança com a Igreja, desta maneira, fez com que o Império ficasse isolado, posteriormente, a opção pela teologia de Lutero fez com que a Alemanha mais uma vez ficasse isolada.

Esse “isolamento” fez com que os mitos se tornassem mais convincentes, mais impressionantes para a população em geral, ao mesmo tempo em que as ideias filosóficas e estéticas tivessem uma força incomensurável para a formação do Espírito Germânico, principalmente para a nobreza, o clero e a elite em geral.

Assim, as terras germânicas e seus elementos naturais eram, no entendimento do povo e dos pensadores, o lócus divino na terra, a morada dos deuses, em qual reinava a harmonia, a beleza e a verdade.

Diante disso, nos apoiamos em Carpeaux (1962), e entendemos que o romantismo foi o movimento artístico e filosófico que se popularizou na Alemanha ao mesmo tempo em que fortaleceu seu Espírito, sua cosmovisão; assim, os românticos constituíram um conjunto de valores propagado por toda a Europa, todavia tais valores não se resumem à cosmovisão germânica, são valores resultados do movimento dialético das transformações

Tais valores têm suas origens na mescla da filosofia com a cultura popular, pois o isolamento da Alemanha em alguns momentos da história fez com que a mesma tivesse a sobrevalorização de seus ideais e conjuntos de costumes e valores morais, estéticos e sociais. Os mitos, as mitologias, as fábulas, as lendas populares tiveram peso significativo na construção destes valores, na interpretação do mundo, na constituição subjetiva da paisagem germânica.

A partir de Neme (2008) entendemos que a cultura popular teve papel fundamental na construção do Espírito Germânico, pois a mesma possibilitou a ampliação destes valores a partir de uma linguagem mais tranqüila para o povo em geral. Também Neme (2008) aponta a importância das escolas iluministas e românticas para o fortalecimento deste Espírito Germânico que culminou na criação do Estado Alemão.

Neme (2008) destaca ainda a importância dos irmãos Grimm, de Goethe e de W. Humboldt para a criação do Estado Alemão a partir da fundação e da participação dos mesmos na “Sociedade para o Conhecimento da História Alemã Antiga” fundada em 1819 pelo ministro alemão Freiherr von Stein; assim, a fundação da Sociedade tinha como objetivo compreender e fundamentar o Estado Alemão, neste sentido:

“[...] a língua e as origens históricas partilhadas é que indicariam o lugar e o tempo da nação, por isso, haveria que prescutá-la, buscá-la, encontrá-la em meio as tradições populares e indicar seu caminho político”. (NEME, 2008, p. 62)

A compreensão das origens dos povos germânicos e a fundamentação comum no Espírito o qual agregava valores eram o ponto central da justificativa para a construção da nação alemã. É importante frisarmos que os ideais revolucionários ingleses e franceses motivaram a organização dos filósofos e até de populares; assim, pensar a nação alemã a partir do idioma e dos pontos convergentes entre os povos germânicos foi decisivo para constituição definitiva do que hoje é a Alemanha.

Os românticos desempenharam papel solidificante para estas verdades espirituais com as quais a nação alemã foi constituída, pois os mesmos formaram um curso comum para a História Alemã.

O romantismo alemão formatou um conceito coletivo de História que incorporava elementos ditos primitivos. As criações espontâneas das comunidades, mesmo com sua inequívoca dimensão inconsistente na ação, adquiriram um enorme valor em relação às criações conscientes dos indivíduos. Neste sentido, a literatura e as tradições medievais, ao contrário de expressarem “trevas”, também foram vistas como expressão anônima e positiva da alma do povo. [...] Nos temas comuns da época medieval, os irmãos Grimm encontraram o fantástico, o maravilhoso e o mítico que consideravam conteúdos fundantes das tradições germânicas. Era preciso encontrar na documentação a territorialidade sugerida pelo interesse político, assim como as formas lingüísticas que permitiram confirmar a origem nacional. (NEME, 2008, p. 64)

A investigação no século XIX pela fundamentação da nacionalidade alemã foi necessária, pois neste período inúmeras revoluções e conflitos ocorreram em toda a Europa, a afirmação da legitimidade do Estado Alemão foi fundamental para a preservação do mesmo, já que não se tratava apenas de perigos externos, sobretudo, foi importantíssimo o convencimento dos próprios alemães quanto ao seu Estado ser legítimo, bem como a questão referente a ser alemão, uma vez que as lendas, os mitos e os pensadores afirmavam que era privilégio de poucos.

A construção da nação e do Espírito Germânico teve a legitimação a partir das lendas populares e das sociedades historiográficas; assim, o espírito partiu do povo e foi estudado pelos pesquisadores e os mesmos garantiram o território alemão.

Diante disso, informamos que no presente ponto do capítulo partiremos das ideias estéticas inauguradas pelo romantismo germânico até alcançarmos a categoria paisagem; assim, o presente capítulo estrutura-se em duas partes:

2 – A Paisagem, na qual apontaremos as origens da edificação desta categorias, que somente a partir de Humboldt, se tornou geográfica.

O romantismo proporcionou um novo impulso intelectual – motivado por suas oscilações típicas dos séculos XVIII, XIX e XX (ideais conservadores e revolucionários). Assim, as transformações sócio-econômicas e tecnológicas provocaram a ascensão da necessidade intelectual e cultural em superar o status quo, isto é, alguns pensadores entendiam que a volta ao medievalismo significava o retorno ao paraíso terrestre (retorno à perfeição, retorno ao ideal estético); enquanto outros almejavam a distância do passado e também do presente, conseqüentemente, projetaram uma visão revolucionária da construção de um novo mundo possível (FALBEL, 1978).

As ideias estéticas românticas tratavam não apenas de padrões culturais, econômicos e políticos, também refletiam o ser – enquanto indivíduo – que contribuía na criação e na valorização das ideias de beleza e perfeição; bem como estruturou o pensamento cosmopolita e estimulou também o retorno aos valores bucólicos e a ideia de um mundo orgânico – durante os séculos XVIII, XIX e início do XX.

É importante entendermos a construção histórica do movimento romântico germânico, uma vez que o mesmo não é uma simples retomada dos valores medievais, pois naquele momento os valores medievais são afunilados pelos ideais filosóficos, artísticos, culturais e científicos do iluminismo germânico.

Neste sentido, o estudo do romantismo germânico leva-nos a investigar a origem real da Geografia Científica, inicialmente por meio da Cosmografia de Humboldt.

Os primórdios da Geografia Científica tiveram influências da estética romântica. O romantismo não abandonou os ideais clássicos de beleza e perfeição platônica. Isso significou para a Geografia o surgimento da sistematização dos universais kantianos, com

isso, a Geografia (enquanto Cosmografia e Antropogeografia) procurou no século XIX sistematizar a relação homem-natureza dentro de um padrão estético romântico-classicista, o que significou a racionalidade dentro de uma perspectiva estética a partir do “eu” fichteano. Conseqüentemente, essa Geografia decimonónica fez com que a racionalidade não fugisse da perspectiva subjetiva, daí a construção do discurso romântico em Humboldt tendo como princípio categórico norteador a paisagem.