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O capeamento tem influência nos resultados dos ensaios de resistência à compressão axial dos corpos-de-prova, sendo que os melhores desempenhos no momento foram obtidos na utilização da pasta de enxofre. Outros materiais estudados apresentaram resultados considerados satisfatórios nos casos estudados por diversos autores, dentre eles incluem-se os preparos por meio da retificação e utilização de neoprene confinado, os resultados obtidos para estes capeamentos diferem em valores inferiores a 10% em relação aos obtidos com o enxofre.

Tanto o neoprene, quanto a retifica são boas alternativas, destacando principalmente o primeiro por possuir um fácil manuseio e não causar danos à saúde dos que o opera, contudo cuidados são necessários, especialmente no tempo de vida útil do material.

Izquerdo (2011) realizou ensaios em prismas de concreto de dois blocos capeados com forro pacote, e acrescenta que a ruptura de modo geral apresentou pelo desenvolvimento de uma fissura vertical ao longo de suas espessuras levando a divisão dos blocos por meio dos septos transversais, essa fissura apresentou mais acentuada e definida, nos prismas com argamassamento parcial. Ainda segundo o autor, os prismas com argamassamento total apresentaram uma fissura vertical mais leve e, além disso, houve o esmagamento dos blocos.

Dentro desses pressupostos, Bezerra (2007) realizou uma avaliação da influência dos vários métodos de regularização da superfície dos corpos-de-prova na resistência à compressão dos mesmos, utilizando duas famílias de concreto, cada uma com 60 corpos de prova, dos quais de 15 espécimes para cada tipo de capeamento. Nesta, o autor define três tipos de métodos de regularização da superfície dos corpos de prova para realização dos ensaios de compressão: o sistema de capeamento colado, sistema de capeamento não colado e sistema de desgaste mecânico.

No sistema de capeamento colado, no qual estão compreendidos os materiais que formam uma camada regular, aderida física ou quimicamente à superfície dos topos do corpo-de- prova. São eles: capeamento com mistura de enxofre, e com pasta ou argamassa de cimento.

89 Para o sistema de capeamento não colado, pode-se citar os materiais utilizados como amortecedores para as bases do corpo-de-prova, estando este material confinado ou não. Os mais usuais são os elastômeros, como o neoprene. Porém, pode-se utilizar a areia confinada. Por último, o sistema de desgaste mecânico (retificação) que consiste na preparação da superfície do topo por meio da retirada de uma fina camada de material, proporciona um alisamento e tornando a superfície livre de ondulações e abaulamentos, garantindo que as camadas inferiores à camada removida estejam estruturalmente íntegras.

O autor conclui que dentre os três tipos e materiais utilizados no capeamento, os que apresentaram melhores resultados foram os capeamentos com enxofre e os capeamentos elastoméricos com almofada de neoprene com espessura de 10 mm e durezas de 68 e 78 shore A, utilizando reforço metálico para confinamento.

Ainda segundo Bezerra (2007) o tipo e o material de capeamento podem influenciar significativamentenos resultados do ensaio de resistência à compressão em concretos. E que, com o aumento da velocidade de aplicação do carregamento, os resultados do ensaio de resistência à compressão de um mesmo concreto tende a aumentar.

De acordo com NBR 5738:2003, o sistema de desgaste mecânico (retifica), consiste na remoção, por meios mecânicos, de uma fina camada de material do topo a ser preparado. Esta operação é normalmente executada em máquinas especialmente adaptadas para essa finalidade, com a utilização de ferramentas abrasivas. A retificação deve ser feita de tal forma que se garanta a integridade estrutural das camadas adjacentes à camada removida, e proporcione uma superfície lisa e livre de ondulações e abaulamentos.

Dentro dos processos de capeamento, Osama & Ameed (2003) realizaram ensaios em blocos de concreto vazados com a mesma resistência, variando a espessuras das paredes dos blocos, e o tipo de capeamento entre a pasta de cimento, madeira compensada, pasta de gesso e para comparação ensaiou os blocos sem capeamento, chegando a algumas relações entre os diferentes tipos de capeamento.

Com base nos ensaios, foram desenvolvidos pelos autores gráficos de correlação linear que possibilitam a conversão de valores de resistência à compressão de blocos vazados de concreto usando a pasta de cimento, gesso ou madeira compensada.

90 A Figura 10 ilustra uma das correlações proposta pelos autores, no caso entre o gesso e a madeira compensada.

Figura 10 - Ilustração da correlação de resistência à compressão entre o gesso e a madeira compensada – (OSAMA & AMEED, 2003)

Os autores concluíram que os blocos de concreto vazados não devem ser testados sem algum tipo de capeamento aprovado, e que a madeira compensada pode ser usada como forma de capeamento. Entretanto, que não existe uma correlação simples para relacionar valores de resistência à compressão usando pasta de gesso e madeira compensada.

Já Mauricio & Silva (2004) estudaram a influência de vários tipos de capeamentos na variação e no valor da resistência à compressão de blocos de concreto para alvenaria estrutural. Para tanto, utilizaram dois grupos de blocos A e B com resistências à compressão distintas. Cada grupo continha uma amostra de 140 blocos, divididos igualmente para 7 tipos de capeamento, dentre os quais estão o enxofre, gesso, forro pacote, pasta de cimento, argamassa, papelão e borracha.

Na Tabela 45 são apresentados os valores de resistência caraterística a compressão dos blocos e os respectivos coeficientes de variação para cada tipo de capeamento.

R e si st ê n ci a a co m p re ssã o d e b lo co s d e c o n cr e to u sa n d o a m ad e ir a co m p e n sa d a co m o m at e ri al d e ca p e am e n to

91 Tabela 45 - Valores de resistência dependendo do tipo de capeamento, segundo Maurício, Silva (2004)

Capeamento Resistência à compressão (MPa) Coeficiente de variação Gesso 8,93 10,00 Argamassa 6,68 10,00 Forro Pacote 7,81 12,00 Borracha 5,00 9,00 Enxofre 8,90 11,00 Pasta de Cimento 6,79 11,00 Papelão 6,96 12,00

Segundo os autores, é suposto que pequenas imperfeições advindas do capeamento conduzam às concentrações de tensões em alguns pontos do bloco no momento do ensaio e, assim, conduzam a resultados distintos do esperado.

Neste estudo os autores concluíram que:

 Para a borracha, no momento de ruptura, o bloco apresentou uma fissuração mais intensa e fora dos padrões, alcançando ruptura com cargas inferiores à média dos outros blocos capeados, diferindo assim dos outros blocos que obtiveram formas de ruptura semelhante na maioria dos tipos de capeamento. Este também apresentou a maior variação de resistência e com o estado de fissuração precoce dos blocos, dificilmente retrata a qualidade real da unidade.

 Para a pasta de cimento, os resultados apresentaram grande variabilidade e, além do mais, exige certo tempo de emprego na regularização; sendo assim, este material não se mostra indicado para capeamentos em blocos de concreto, independente da resistência do bloco.

 Para o forro pacote, apesar dos resultados obtidos serem inferiores aos de gesso e enxofre, se trata de um material de fácil utilização e baixa variação de valores. Com essas características, indica-se para lotes de blocos onde se requer obter uma estimativa rápida das resistências.

 O gesso e o enxofre são os materiais para capeamento mais indicados para estudos experimentais de resistência à compressão axial de blocos de concreto para alvenaria estrutural.

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