I. BÖLÜM
2.2. Parçalarüstü Birimler
2.2.2.1. Ton ve Duygu İlişkisi
2003, p. 125), em parte, graças a doações particulares, a minguados fundos de aquisição do Museu e a dispositivos como o Depósito Legal que já era praticado na época.
Esse momento coincidiu com o fato de que "[...] diversas tecnologias convergiram no sentido de acelerar dramaticamente o ritmo de produção de livros e de outros materiais impressos." (BATTLES, 2003, p. 125). Nesse sentido, a mecanização da produção de livros contribuiu para proliferar edições, traduções e outras instanciações da obra. Um catálogo que desse conta de tal diversidade tornou-se indispensável para as bibliotecas.
A escolha de Panizzi não foi por acaso, relata Battles (2003), pois ele organizara a complicada coleção de panfletos da Guerra Civil Inglesa a qual serviu de ‘laboratório’, ainda que não fosse o objetivo inicial. A coleção era composta por panfletos, "[...] que po- diam ser reimpressões de artigos publicados em periódicos, ou excertos de livros, e apa- recer simultaneamente sob diversas formas e selos editoriais” (2003, p. 132). A experiência permitiu que o refugiado italiano criasse regras que reproduziam as relações existentes en- tre os livros dentro do próprio catálogo.
Em 1837, o advogado italiano assumiu o Department of Printed Books. Nesse ínterim, empreendeu viagens pelo interior das Ilhas Britânicas e pela Europa Continental, buscando conhecer catálogos elaborados por outras bibliotecas. A experiência com a organização dos panfletos e as informações obtidas durante as viagens contribuíram para que Panizzi elaborasse regras de catalogação que tivessem o objetivo de “[...] padronizar o formato dos registros bibliográficos e assegurar que detalhes suficientes fossem incluídos para diferenciar os registros entre si” (HUFFORD, 2007, p. 28, tradução nossa).
Após examinar e avaliar códigos de catalogação de várias bibliotecas, Panizzi, auxiliado por uma equipe de bibliotecários, classe que valorizava com firmeza, idealizou o “Rules for the Compilation of the Catalogue”, o qual foi apresentado aos conselheiros do Museu em 1839.
Panizzi apresentou uma proposta de setenta e três regras, as quais foram expandidas pelos conselheiros para noventa e uma. O novo código, ‘Rules for the Compilation of the Catalogue’ foi aprovado em 1839 e publicado no primeiro volume do próprio catálogo em 1841. (BLAKE, 2002, p. 6, tradução nossa).
A intervenção41 dos conselheiros no Museu acabou causando um catálogo distinto daquele previsto originalmente nas 73 Regras. Contudo, não diminuiu a importância
41 “Batalha das Regras” é expressão encontrada em autores como Barbosa (1978) e Dias (1967) para indicar as constantes intervenções e discussões em torno das regras de catalogação da Biblioteca do Museu que, além de bibliotecários e conselheiros do Museu, envolvia o Parlamento Britânico e usuários da Biblioteca.
do trabalho realizado por Panizzi, pois as “91 Regras”, como ficou conhecida a “Rules for the
Compilation of the Catalogue”, apresentam avanço conceitual do processo de catalogação
de livros da Biblioteca do Museu.
Para fins de impressão, a apresentação das “91 Regras” foi disposta em duas colunas: a da esquerda apresentava as Regras em si enquanto a da direita incluía exemplos ilustrativos (CARPENTER, 2002, p. 32).
Contudo, o catálogo impresso limitou-se à letra ‘A’, primeiro e último volume impresso, sendo que as demais letras do catálogo foram continuadas em forma manuscrita (NORRIS, 1939, p. 207). Isso contribuiu para que as pressões da impaciente sociedade britânica, desejosa por resultados mais efetivos, continuassem. Denton (2007) reproduz a declaração de Panizzi por ocasião do ataque do escritor Thomas Carlyle ao catálogo, que o italiano reconheceu ser complicado. Mas Panizzi ponderou, conta Denton (2007, p. 39, tradução nossa):
‘O leitor pode conhecer a obra que quer; mas, não se pode esperar que conheça as particularidades das diferentes edições [...]’ aqui há duas pessoas olhando para o mesmo objeto – o livro – mas vendo coisas dife- rentes. Carlyle viu o livro como um objeto material, entidade separada e alheia a qualquer outro livro na biblioteca e ele não viu porque não está re- presentada no catálogo. Panizzi viu o livro como uma edição de uma obra específica que está intimamente relacionada a outras edições e traduções da obra que a biblioteca pode ter [...].
Tal declaração manifesta a importância que Panizzi atribuía à noção de obra, algo além do livro. Ele explicita de modo claro que ele vê um documento que se relaciona a outros documentos pela noção de obra. Hufford (2007) reproduz um relato de Panizzi, que fizera diante da Comissão Parlamentar, quando defendia os fundamentos de organização que adotara. No relato, publicado originalmente em 1850, Panizzi diz: “[...] quando vou a uma grande biblioteca nacional, onde há edições ou obras de ‘Abelard’, tenho o direito de encontrar as edições e as obras bem diferenciadas entre si para que eu possa escolher a que quero exatamente” (apud42 HUFFORD, 2007, p. 28, tradução nossa).
De forma geral, as “91 Regras” buscavam demonstrar que, no catálogo, todas as obras de um determinado autor devem ser apresentadas ao usuário e que as edições e as traduções devem ser apresentadas como representações de uma determinada obra (FREEDMAN, 1984, p. 323). Ou seja, o livro deve ser indicado como edição de uma obra de determinado autor; as obras do autor devem apresentar entrada sob seu nome, indepen- dente de variações que o nome mostrar; edições e traduções da obra devem apresentar
42 Comunicação do Parlamento Britânico enviada ao Tesouro pelos Conselheiros do Museu Britâncio, com referência ao relatório da Comissão Nomeada para inquirir a Constituição e Gerenciamento do Museu Britâ- nico datado de 1850.
entradas sob seu título original em ordem prescrita para que o usuário busque a melhor edição que lhe sirva à busca, e o catálogo deve apresentar remissivas que auxiliem o usuário a encontrar a obra que busca (FREEDMAN apud FIUZA, 1987, p. 47).
O Catálogo deve ser visto como um todo. O livro procurado por uma pessoa não é realmente, na maioria das vezes, o objeto de seu interesse, mas a obra nele contida; esta obra pode ser encontrada em outras edições, tradu- ções e versões, publicada sob diferentes nomes do autor e diferentes títulos e conseqüentemente [sic], para servir bem ao usuário, o Catálogo deve ser planejado para revelar todas as edições versões, etc. [sic] das obras, bem como outras obras geneticamente relacionadas que existem na biblioteca. (FREEDMAN apud FIUZA, 1987, p. 46)
Lehnus (1972) analisa e comenta as “91 Regras”, comparando-as com a edição de 1967 do AACR. Ele categoriza as “91 Regras” conforme o quadro que se segue:
Quadro 3 – Regras e categorias das “91 Regras” de Panizzi