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I. BÖLÜM

3.3. Veri Toplama Araçları

3.3.1. Kelime Vurgusu Algılama Testi

Diante da indistinção entre obra e documento em catalogação, observada em parte da literatura, é preciso compreender os caminhos possíveis para que tal distinção se realize no registro bibliográfico. Por isso, nesta seção, buscamos explorar o documento como obra nos aspectos procedimentais da catalogação. Inicialmente exploramos o registro bibliográfico quanto à sua estrutura e, depois, o modo como a obra é tratada em modelos conceituais e em instrumentos normativos da catalogação.

4.5.1 A

OBRA NO REGISTRO BIBLIOGRÁFICO

De acordo com Ríos Hilario, (2003, p. 23, tradução nossa), o termo registro bibliográfico se refere a uma representação documentária com alguma imprecisão termino- lógica, “[...] fruto da incorporação das novas tecnologias das bibliotecas e veio para substituir a outros [termos] como a entrada bibliográfica ou ficha bibliográfica [...]”, por vezes usados como sinônimos. Nesse aspecto, devemos lembrar ainda das variações dos tipos de entra- das e de registros tais como entrada principal, entrada secundária e remissiva, do que de- corre que o registro bibliográfico é herdeiro dos termos derivados de entrada, definidos na Conferência de Paris de 1961.

Ríos Hilário (2003, p. 24-26) apresenta algumas definições propostas por estu- diosos do registro bibliográfico. Em geral, o registro é considerado como conjunto de dados representativos, estruturados logicamente, de modo a individualizar o documento em base de dados documentária. A partir das definições, Ríos Hilario chega à seguinte conclusão: o registro bibliográfico é “um conjunto de elementos informativos, organizados conforme nor- mas, que permitem identificar uma unidade documentária de modo unívoco com vistas à sua

localização e posterior recuperação.” (2003, p. 26, tradução nossa). Podemos notar que essa autora indica a unidade documentária, conforme apresentamos anteriormente (seção 3.3), como unidade de representação.

Para além de variações linguísticas da língua espanhola, apresentadas por Ríos Hilário (2003, p. 24), mantemos o termo ‘registro bibliográfico’ para designar o produto do processo de catalogação que nos permite identificar e indicar os dados formais do docu- mento de modo a individualizá-lo. A propósito, a evolução do termo corresponde direta- mente à evolução do formato do catálogo que, segundo Tillett, “[...] progrediram em catá- logos em fichas manuscritas, catálogos em livros e catálogos em fichas impressas ou datilo- grafadas até chegar ao formato informatizado, COM [computer output microfilm], e catálogos

on-line [...]” (1989, p. 151, tradução nossa).

Duke (1989) reforça tal fato ao concentrar a sua análise na forma em que o registro bibliográfico pode ser enriquecido e alterar a nossa percepção de acesso ao catálogo. Duke discutiu a estrutura de um registro com três camadas com dados documen- tais, como: resumo, sumário, índice e até mesmo o texto completo, os quais seriam incorpo- rados e usados para acessar os registros bibliográficos on-line. Evidentemente, boa parte desses e outros recursos são aplicados em muitas bases de dados nos dias atuais, pois eles são possíveis no ambiente eletrônico.

A partir de Fondin (1998, p. 26) podemos afirmar que o registro é um tipo de documento secundário (ou reescrito) obtido de um tratamento documentário efetuado sobre um documento primário (ou original), que contém uma ideia original, pois os registros “[...] contêm as informações do documento primário que permitem sua recuperação, sua consulta ou sua exploração posterior.” (1998, p. 26, tradução nossa).

No entanto, sem desconsiderar a importância das análises de Ríos Hilario (2003) e de Duke (1989), são Abadal & Codina (2005) que discutem o contexto das características, das coesões e dos métodos de elaboração de base de dados documentária, que analisam o registro bibliográfico de modo conceitual. Para eles, o catálogo é a base de dados da biblio- teca que, como qualquer base de dados, é a “[...] representação de alguma parte da reali- dade [...] realizada por uma pessoa, empresa ou organização com algum propósito determi- nado, em geral, para oferecer serviço a um grupo de usuários ou para dar suporte a deter- minados processos.” (ABADAL; CODINA, 2005, p. 19, tradução nossa).

Os registros, prosseguem Abadal & Codina (2005), são as unidades principais de trabalho em base de dados: “as coisas que representamos em uma base de dados deno- minam-se entidades e suas representações denominam-se registros.” (2005, p. 22, tradução nossa). As entidades podem ser objeto físico ou conceitual, real ou imaginário. Em base de

dados documentária, os registros representam entidades como: documento, autoria, assun- to, título etc., e cada tipo de entidade necessita de um tipo de registro. Quando se elabora a base de dados, precisamos considerar os tipos de entidades bibliográficas relevantes à representação (ABADAL; CODINA, 2005, p. 23).

A análise e o desenvolvimento de base de dados documentária, prosseguem Abadal & Codina (2005, p. 161), são feitos mediante alguma metodologia. Com ela, é possí- vel chegar a um resultado que se planejou de modo a reduzir erros, ensaios e incertezas comuns na improvisação. Para tanto, a metodologia deve contemplar ao menos três apara- tos: conceitual, instrumental e procedimental.

Concentramos a análise nos dois primeiros aspectos, conceitual e instrumental, que são centrais à estruturação do registro bibliográfico. Quanto ao aparato procedimental, é oportuno expor que o mesmo se refere ao estabelecimento das fases e dos procedimentos básicos necessários ao alcance dos objetivos da base de dados documentária, identificando e descrevendo os produtos a serem obtidos em cada fase, ou seja, a fase de execução propriamente dita.

O aparato conceitual se refere às entidades básicas envolvidas no contexto da futura base de dados documentária que deve ser vista como sistema de informação, ou seja, “o ponto de partida consiste em considerar a futura base de dados como um sistema

de informação que mantém registros sobre alguma parte do mundo real.” (ABADAL; CODI-

NA, 2005, p. 163, tradução nossa). Mais adiante, os autores afirma que o sistema de infor- mação deve ser um modelo como um mapa que representa o mundo real (2005, p. 164). Se isso não se efetivar, então, o sistema se torna incongruente.

O modelo precisa ser adequado para atender a dois subsistemas distintos que constituem os segmentos subjacentes ao sistema de informação: 1) sistemas de atividades humanas; e 2) sistemas de entidade registráveis, conjunto de entidades que se deseja representar na base (ABADAL; CODINA, 2005, p. 164). Tais subsistemas correspondem ao que Svenonius (apud Ríos Hilario, 2003, p. 25) sustenta ao declarar que se deve observar o que se representa e para quem se representa. Nessa direção, Silveira (2013, p. 89) menciona as Cinco Leis da Biblioteconomia, em especial as duas primeiras, para rememorar que “é importante destacar que tanto o leitor procura um livro quanto o livro procura o leitor”, subsistemas interligados pelo registro bibliográfico.

Ao analisar o segundo subsistema, Abadal & Codina (2005) chamam a atenção para o fato de que é normal pensar a base de dados como representações de documentos. Todavia tal ponto de vista é inexato porque ela contém representações de outras entidades, como coisas, pessoas e conceitos.

Na representação das entidades atua o aparato instrumental, que se refere à provisão de instrumentos para análise e elaboração de base de dados documentária. Abadal & Codina (2005) citam três instrumentos: o modelo entidade-relacionamento, o dicionário de dados e a norma ISBD. Os três instrumentos apresentam aspectos significativos que, ao serem reunidos, são úteis à estruturação de registros.

O primeiro aparato instrumental citado por Abadal & Codina, modelo entidade- relacionamento fundamentado nos conceitos de entidade, de atributo e de relacionamento, tem trazido contribuições expressivas para a compreensão estrutural do registro bibliográ- fico. No modelo há uma correlação na qual o registro representa entidades e os campos se referem a atributos, que são as propriedades que caracterizam a entidade. Nesse sentido, “[...] um registro é a representação de uma entidade na base de dados e, portanto, cada re- gistro descreve uma entidade [...]” (ABADAL; CODINA, 2005, p. 167-168, tradução nossa). Dito de outra forma, para cada unidade documentária há um registro.

Sobre isso, Ortega (2009b, p. 60) afirma que “o registro de informação é uma estrutura, sendo, portanto, composto por forma (campos) e conteúdo (preenchimento dos campos).” Cada campo se refere a um atributo da entidade, e é composto por etiqueta e por valor. Etiqueta é uma constante nomeada por caracteres que identificam o campo; o valor se refere ao conteúdo concreto variável em diferentes registros e indica um atributo. O conjunto formado pelos valores no campo constitui o domínio do campo que é um conceito lógico.

Além disso, prosseguem Abadal & Codina, há que se distinguir, “[...] entre tipo de entidade e ocorrência de entidade. Um tipo de entidade define um conjunto de entidades constituídas por dados do mesmo tipo, enquanto que uma ocorrência de entidade é uma entidade determinada e concreta.” (2005, p. 167, tradução nossa). Por exemplo, no quadro a seguir, um campo é etiquetado como ‘autor’ apresentando o valor de campo (atributo) ‘James D. Watson’, que pertence ao domínio daqueles que são responsáveis pelo conteúdo intelectual do documento.

ETIQUETA

VALOR

Título

DNA: El secreto de la vida