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I. BÖLÜM

2.2. Parçalarüstü Birimler

2.2.1. Vurgu

2.2.1.1. Türkçede Vurgu

2.2.1.1.1. Doğal Vurgu

1 parte ⇔ unidades documentárias

Exemplificamos do seguinte modo em (a): um livro pode equivaler a uma uni- dade documentária, como é o caso de livro em um volume; um ou mais livros podem equiva- ler a uma unidade documentária como é o caso de coleções e séries; ou um livro pode equi- valer a várias unidades documentárias, como os capítulos que contém.

Em (b), consideremos os capítulos de um livro: o capítulo pode equivaler a uma unidade documentária; vários capítulos podem constituir uma unidade documentária, no ca- so do próprio livro ou de um agrupamento dentro do livro; e um capítulo pode equivaler a duas ou mais unidades documentárias, como as seções em que se divide, por exemplo.

Pressupondo que subconjuntos estão encerrados em um conjunto documental, deve haver em catalogação um equilíbrio entre duas variáveis que não podem ser ignora- das: 1) unidade e subunidade física documental; 2) unidade documentária em subconjuntos, em conjuntos e em sobreconjuntos.

A primeira variável é de ordem material, nos termos da mensagem documentada que abordamos anteriormente (seção 3.2.1). Refere-se aos modos em que o criador ou o publicador configura o documento de modo a divulgá-lo conforme seus interesses, ou seja, a prefiguração do documento imposta ao público. Todavia, esses modos nem sempre são de interesse para o usuário, porque ele, por vezes, precisa acessar uma subunidade física documental, que é inseparável da unidade física documental. Nesse sentido, os sistemas de informação documentária atuam dentro da segunda variável, unidade documentária, pro- vendo configurações alternativas aos usuários de informação nos termos da mensagem documentária que abordamos anteriormente (seção 3.2.2).

de dados documentárias que considera (sub)unidades físicas documentais determinam o processo de catalogação coerente. Se admitirmos isso, então, a unidade documentária é o ponto de partida para a representação documentária. A propósito, a unidade documentária parece ser um conceito consistente a ser observado no contexto de representação docu- mentária que considere a noção de obra no conjunto, no extrato ou no sobreconjunto, inde- pendentemente do documento. A noção de unidade documentária será retomada na seção 4.5.1, que discute o registro bibliográfico.

4 A NOÇÃO DE OBRA EM BIBLIOTECONOMIA

Inicialmente, tratamos da noção de obra e os modos de sua criação, de sua instanciação documental e de sua recepção. Posteriormente, exploramos a noção de docu- mento como obra com atenção especial às variáveis que desequilibram a forma – unidade e subunidades documentais –, e o conteúdo – unidade documentária de interesse do usuário.

Nesta seção buscamos explorar marcos referenciais significativos em que as ins- tanciações documentais da obra foram consideradas nos processos de catalogação e de or- denação documentais, a saber: Catálogos da Biblioteca Bodleiana, “91 Regras” elaboradas por Antonio Panizzi, Regras de Cutter e os estudos de Lubetzky e de Eva Verona. Posterior- mente, analisaremos a obra em registro bibliográfico, elaborado conforme orientações de modelos conceituais e de instrumentos documentários.

4.1 A OBRA NOS CATÁLOGOS DA BIBLIOTECA BODLEIANA

O primeiro marco que discutiremos ocorreu no século XVII, na Biblioteca da Universidade de Oxford (Inglaterra), onde foi registrada a primeira tentativa de agrupar as instanciações documentais da obra de um mesmo autor, segundo Fiuza (1980, p. 17).

Em 1549, relata Norris (1939, p. 142), a Biblioteca da Universidade de Oxford foi destruída por um incêndio que a consumiu por inteiro.Sir Thomas Bodley, diplomata caído

em desgraça que sabia manipular com arte os argumentos da lisonja e da vaidade, escreveu uma carta para o Vice-Reitor da Universidade de Oxford se oferecendo para a reconstrução e para a reposição das estantes da biblioteca com livros e manuscritos. A ofer- ta de Bodley foi aceita e, por isso, ele se tornou um tipo de diretor da Biblioteca, sendo Thomas James designado como bibliotecário-chefe. A dedicação de Bodley foi reconhecida a ponto de seu nome ser imortalizado na biblioteca, que passou a ser conhecida como Bi- blioteca Bodleiana (OLIVEIRA, 1987, p. 283; BÁEZ, 2006, p.174). Ela foi reaberta em 1602, mas o primeiro catálogo só foi publicado em 1605.

Naquela época, conforme Pettee (1985, p. 76), o catálogo não era visto como instrumento bibliográfico, pois sua função primordial era inventariar. Além disso, a política de aquisições das bibliotecas dos séculos XVII e XVIII indicava que as “[...] edições diferentes de uma mesma obra foram geralmente consideradas como duplicatas, e eram descartadas.” (LEDOS apud VERONA, 1985, p. 164, tradução nossa). Tal prática explica, em parte, porque a distinção entre obra e documento era dificultada e, talvez, desnecessária. Kayser completa a declaração expressando que tais práticas perduraram até o fim do século XVIII,

vem ser mantidas na biblioteca, além disso, ele recomenda que determina- das obras de um dado autor devem ser descartadas se houver suas obras completas na biblioteca. (apud VERONA, 1985, p. 164, tradução nossa). Na Biblioteca Bodleiana, havia alguma discordância entre Bodley e James quan- to ao método de elaboração do catálogo. James preferia catálogo alfabético; Bodley, catá- logo classificado. A posição de Bodley prevaleceu, pois James, na condição de subordina- ção, não devia executar quaisquer instruções sem o consentimento de Bodley, inclusive em detalhes minuciosos da catalogação (STROUT, 1956, p. 265; NORRIS, 1939, p. 142). Numa das intervenções de Bodley, Norris (1939) relata,

Em 23 de junho de 1602, Bodley, aborrecido com as omissões em seu catá- logo, escreveu a James sugerindo que ele fizesse um novo catálogo e lis- tasse cada livro tal como estava na estante, de modo que ele não pudesse perder nenhum. (1939, p. 143, tradução nossa).

O catálogo deveria, então, ser um espelho da ordenação dos livros e dos manus- critos nas estantes, conforme relata Frost: “o Catálogo de 1605 foi essencialmente uma lista de estantes [correspondente a um catálogo topográfico] na qual podemos ver o esquema geral de organização da biblioteca [...]” (1976, p. 261, tradução nossa).

As entradas38 foram divididas primeiramente pelo assunto que, em termos atu- ais, refere-se às disciplinas: Teologia, Medicina, Legislação e Artes. Posteriormente, consi- derava-se o formato: in folio39, que eram presos nas escrivaninhas acessíveis a leitores, e in quarto e in octavo, que eram mantidos em armários trancados. Em terceiro lugar, por ordem

alfabética do sobrenome do autor, quando a autoria fosse conhecida, ou por palavra-chave do título, em obras anônimas ou com pseudônimos, que, nesses casos, poderia ser o pri- meiro substantivo, o sujeito a que a obra se referia ou qualquer palavra que servisse de refe- rência ao título. O catálogo era complementado por índice de autor (NORRIS, 1939, p. 144; RANZ, 1964 apud FROST, 1976, p. 249).

O critério escolhido por Bodley se aproxima da atitude do usuário ante o catá- logo, considera Strout (1956): “[...] as práticas que Bodley instituiu são interessantes não só porque foram avançadas, mas também porque Bodley conduziu-as como usuário de catálo- go com a finalidade de adoção em programa de aquisições.” (STROUT, 1956, p. 265, tradu- ção nossa).

38 Os exemplos apresentados por Frost (1976) e por Norris (1939), frente à definição de Cutter (1876; 1904), permite-nos afirmar que, neste contexto, o termo ‘entrada’ é empregado para referir-se ao registro que representa o livro. “Entrada, o registro de um livro no catálogo com o título e a imprenta.” (CUTTER, 1876, p. 14, tradução nossa). Nos catálogos em fichas, a entrada se refere a cada uma das fichas de que o catálogo é composto, as quais incorporam informação necessária à identificação de um documento.

39 Os termos in folio, in quarto, in octavo etc designam o número de páginas obtidas com a dobradura de folha de papel. É uma forma de apresentação do documento (OTLET, 1934, p. 52-53): in folio (1 dobradura com 4 páginas); in quarto (2 dobraduras com 8 páginas) e in octavo (3 dobraduras com 16 páginas).

Além disso, ao considerar o nome do autor, o terceiro critério reúne parcialmente as obras do autor. Isso ficou ainda mais evidente no segundo catálogo da Biblioteca Bodleiana, publicado em 1620 sob direção de James (Bodley faleceu em 1613), o qual for- neceu “[...] a inovação mais significativa da tradição Bodleiana: o arranjo de um catálogo da biblioteca por ordem alfabética dos sobrenomes dos autores e não por assunto.” (FROST, 1976, p. 249, tradução nossa).

O arranjo por disciplina e por tamanho foi abandonado porque alguns livros não eram classificados corretamente. Além disso, esses arranjos dispersam as obras de um autor e havia naquele momento a ideia de que “[...] as obras de um autor não devem ser separadas.” (NORRIS, 1939, p. 147, tradução nossa). Ademais, a necessidade de espaço para armazenar livros levou a situações em que as obras eram localizadas em disciplinas às quais não se referiam, conforme mostra o extrato a seguir.

Figura 12 – Dados de localização em extrato do Catálogo Bodleiano de 1738 Fonte: Frost (1976, p. 262).

Nota: Jur. = Legislação

A influência que o Catálogo da Biblioteca Bodleiana de 1620 exerceu sobre as bibliotecas das faculdades daquela época é uma evidência do reconhecimento e do valor que alcançou. Esse Catálogo também introduziu o uso de referências cruzadas40 (NORRIS, 1939, p. 148-149).

Além dos catálogos de 1605 e 1620, mais três catálogos foram publicados até 1843: o terceiro em 1674, que ampliou o emprego de referência cruzada e nota adscritiva, usadas respectivamente para remeter o usuário de um ponto a outro no catálogo e para acrescentar algum esclarecimento a respeito da entrada; o quarto em 1738, que refinou os aspectos adotados na versão anterior e no qual “Thomas Hearne, que era antiquário, depois de ser nomeado como assistente em 1701, comparou cada livro com a sua entrada no catá- logo de 1674, corrigindo muitos dos erros e acrescentando numerosas referências cruza-

40 Referência cruzada, ou remissiva, é um dispositivo usado para remeter o usuário de um ponto a outro ponto no catálogo.

CATALOGUS.

Cat. Librorum in Bibliotheca Bodleiana per Tho. James ... 1615 ... Jur.