• Sonuç bulunamadı

I. BÖLÜM

5.1. Sonuçlar

termos do AACR2, “entrada secundária que consiste no nome de uma pessoa ou entidade acrescido do título do item.” (JOINT STEERING COMMITTEE FOR REVISION OF AACR, 2004, apend. D, p. 5). A RDA adota esse modo como padrão para a representação das obras no registro.

Temos, então, um cabeçalho com duas partes: nome e título. Mas há problemas nas duas partes: na primeira, a entrada principal comporta somente uma autoria, que deve ser a mais proeminente, excluindo as demais, mesmo nos casos em que os autores tenham contribuído igualmente; na segunda parte, constatam Weihs & Howarth (2008, p. 370, tradu- ção nossa), “[...] bibliotecas que criam citações de nome-título [...] usariam o cabeçalho prin- cipal e o título principal combinados, refletindo, assim, uma dependência do item à mão, em vez da obra em si.” Isso está claramente posto no AACR2: “quando necessário, acrescente a indicação de edição, a data etc., ao cabeçalho da entrada secundária de nome-título.” (JOINT STEERING COMMITTEE FOR REVISION OF AACR, 2004, regra 21.30G).

Os termos de ponto de acesso por título uniforme e por nome-título no AACR2 são usados para criar entrada analítica, que o Código define do seguinte modo: “entrada para parte de um item, já registrado sob uma entrada abrangente.” (JOINT STEERING COMMITTEE FOR REVISION OF AACR, 2004, Apend. D, p. 5). A entrada analítica é um ponto de acesso que permite vincular uma obra parte de outra obra maior em relacionamen- to todo-parte. Nessa direção, o ponto de acesso analítico nesse código apresenta os mes- mos problemas do título uniforme e das entradas por nome-título.

Para além das questões orientadas pelo AACR2 nos pontos de acesso, há ainda que se considerar outra instrução que abrange o estabelecimento de novos registros a partir da determinação de novas obras. Considere o seguinte caso: quando a obra muda de nome, cria-se uma nova obra? O AACR2 dá a seguinte orientação: havendo grandes mudanças no título da publicação periódica, cria-se novo registro. Todavia, se for recurso integrado, como páginas Web, não se cria nova obra (JOINT STEERING COMMITTEE FOR REVISION OF AACR, 2004, cap. 21, p. 8-9).

Nesse sentido, há problemas fundamentais, pois situações semelhantes são tratadas de modo distinto. Nos termos do AACR2, a determinação de novo registro é regida por uma nova obra ou por outra instanciação documental que a materializa? A questão teórica é, segundo Yee (1995, p. 17): por que em certas situações a mudança de título cria nova obra e em outras se considera apenas uma variação de título? A resposta possível é que se pode criar uma nova identidade radical ou não.

Se questão de identidade, ela deve ser analisada de acordo com a intenção por detrás da mudança do título da obra, em especial, na intenção dos autores. Retomamos, en-

tão, a análise empreendia por Doerr, Riva & Žumer (2012) sobre identidade e identificação, quando afirmam que a identidade de uma coisa está fundamentada na continuidade da mes- ma, em termos parecidos com o navio de Teseu. Nesse sentido, se a intenção por detrás da mudança do título é interromper a continuidade da obra, então o novo título é uma nova obra. De outro modo, há continuidade da obra, portanto, continua sendo a mesma obra.

Nesses termos, respondemos uma das perguntas feitas na parte introdutória: Qualquer alteração póstuma no conteúdo pode implicar em outra obra? A resposta será negativa enquanto houver continuidade da obra, nos termos estabelecidos pelo autor, apesar de revisões, ampliações, traduções ou outros processos que denotem continuidade. Nesses processos, se ocorrer mudança de título numa nova edição de uma obra, então a aplicação do título uniforme orientada à noção de obra é bem-vinda porque não houve mudança de obra. No entanto, verificamos que o AACR2 não prevê a aplicação de título uniforme em registro bibliográfico de uma nova edição de uma obra que apresenta mudança de título.

Essas e outras incongruências parecem ser tratadas de forma mais consistente na norma RDA, mas há que se comprovar. A RDA é herdeira do AACR2 e foi elaborada sob fundamentos dos Modelos FRBR, FRAD e FRSAD. De acordo com Oliver, a norma RDA apresenta instruções práticas que, além de descrever recursos bibliográficos representados em produtos documentários tradicionais, foi projetada para abranger a catalogação em bases de dados on-line e, sendo uma norma de conteúdos, a responder o que se deve representar e como representar (2011).

A implementação da RDA tem suscitado algumas questões que ainda estão sem repostas claras, indica Copeland (2010, p. 14): como vamos usá-la? Como será implemen- tada em base de dados documentária? Os fornecedores de sistemas eletrônicos de gerenciamento de base de dados estão aptos a fornecer programas que considerem a RDA? Essas e outras questões serão respondidas na medida em que a referida norma se efetivar nas bases de dados documentárias.

Infelizmente, parece que a RDA mantém uma característica peculiar constatada antes mesmo da primeira edição do AACR. A existência de códigos marcados por minucio- sidades, por detalhismo e por preciosismo, que tornam os catálogos enigmáticos e distantes dos usuários (LINARES apud FRÍAS MONTOYA, 1995, p. 303). Linares pensou que a “Declaração dos Princípios da Catalogação”, da Conferência de Paris de 1961, seria suficiente para acabar com os códigos e normas de catalogação com tais características, mas o AACR2, por exemplo, apresenta algumas dessas qualidades.

rada à do AACR2, porém, há algumas similaridades, inclusive na redação das regras. Alguns conceitos foram redefinidos ou apenas alterados terminologicamente. Por exemplo: de ‘cabeçalho’ para ‘ponto de acesso autorizado’; de ‘título uniforme’ para ‘título preferido’; de ‘descrição física’ para ‘descrição do suporte’; ‘DGM’ para ‘tipo de mídia, de suporte ou de conteúdo’; dentre outros. Isso é feito para que as terminologias e a estrutura lógica da RDA alinhem-se com o Modelo FRAD.

O termo ‘título preferido’ é adotado pela RDA, mas ele está ausente dos FRBR, embora seja mencionado no FRAD, contexto no qual o termo se justifica na identificação de entidades. Em português, parece-nos impróprio prescindir do termo ‘título uniforme’ em favor de ‘título preferido’ porque aquele apresenta sentido mais próximo à catalogação. O termo preferido designa o que foi escolhido, o mais querido, favorito, predileto, e o verbo preferir denota escolha de uma pessoa ou coisa entre outras. Por outro lado, uniforme se refere ao que não se varia na forma, que é sempre o mesmo, que tem partes idênticas ou muito assemelhadas entre si (HOUAISS, 2009), análogo ao uniforme que crianças vestem para identificá-los como pertencente a um grupo escolar específico. Nesse aspecto, em cataloga- ção, o título uniforme pode ser elaborado de acordo com algum princípio e, nesse aspecto, o título é determinado fora de escolhas.

4.5.3.2 A obra na ordenação de documentos: notação de autor

De acordo com Mann, o objetivo de se adotar um sistema de localização de livros em bibliotecas é tornar o serviço mais eficiente, acessando rapidamente não somente a um livro, mas também a grupos de livros. Esse agrupamento deve facilitar o acesso a livros por vários tipos de leitores, desde que estes tenham livre acesso às estantes: “teremos, assim, livros que atendem ao pedido do leitor comum e do especialista.” (MANN, 1962, p. 52).

O sistema de ordenação pode fazer uso de um código de localização do docu- mento ou não. Um dos códigos criados e largamente empregado é o número de chamada, o qual é formado basicamente pelo número de classificação e pelo número do livro (BARDEN, 1962, p. 5; MANN, 1962, p. 118).

O número de classificação ou marca de classe é definido como um ou mais caracteres que indicam a classe documental que o livro pertence, mostrando a sua localiza- ção. A marca de classe pode ser determinada por sistemas de classificação bibliográfica, cujas classes se baseiam em assunto, tipos de documento, etc.

Por sua parte, o número de livro consiste de um ou mais caracteres emprega- dos para distinguir um documento de outros com a mesma marca de classe. Tais caracteres

podem ser determinados por tabelas para a codificação dos sobrenomes dos autores ou por algum meio peculiar, como a menção nominal, que utiliza as três primeiras letras do sobre- nome do autor.

De acordo com Wynar (1976, p. 278), Miksa (1974, p. 604-605) e Lehnus (1978, p. 9-10), Jacob Schwartz apresentou um sistema para tradução de nomes de autores em algarismos em 1871, mas foi Cutter que desenvolveu o método ao usar dois dígitos com valores decimais em tabela elaborada em 1880. Posteriormente, em 1899, Kate F. Sanborn expandiu-a para três dígitos com a permissão dele, mas ela não usou a tabela de dois dígitos de Cutter como base. Por isso ele, dececionado com o resultado, expandiu a sua própria tabela para três dígitos em 1902. Essas três variações das tabelas são mencionadas desta forma: 1) a tabela de dois dígitos de Cutter; 2) a tabela de três dígitos de Cutter- Sanborn67 (CUTTER; SANBORN, 1976); e 3) a tabela de três dígitos de Cutter.

No contexto brasileiro, Heloisa A. Prado (1976) desenvolveu uma tabela à Cutter-Sanborn mais adequada a nomes em português, mas não alcançou notoriedade me- recida. Por isso, a nossa análise concentra-se na segunda variação que citamos acima, a “Cutter-Sanborn Three-Figure Author Table” (1976), que é a tabela mais empregada no Brasil.

A combinação de marca de classe e número do livro serve para distinguir docu- mentos no intuito de agrupá-los e de ordená-los. Há outros elementos que podem ser incor- porados ao número de chamada para que o documento seja individualizado em uma cole- ção, todavia, concentramos a análise no número do livro no qual a noção de obra é consi- derada. É oportuno ressalvar que autores como Wynar (1976, p. 277) usam de modo indis- tinto os seguintes termos: ‘número de chamada’ equivalente ao ‘número do livro’, assim co- mo ‘número de cutter’ equivalente ao ‘número de autor’.

No Brasil, o termo ‘notação de autor’ parece ser a forma mais empregada na literatura, talvez pela influência da publicação referência do tema escrita por Lehnus (1978). Preferimos manter esse termo, embora nem sempre represente o autor, podendo denotar tradutor, título da obra ou da coleção em alguns casos.

De qualquer modo, a notação de autor como método de ordenação de documen- tos está associada ao método desenvolvido por Charles A. Cutter (daí ser mais conhecida como ‘Tabela de Cutter’ no Brasil), em que se lista uma sequência de palavras que repre- sentam, de modo parcial ou completo, o sobrenome do autor ou da primeira palavra de um

67 A tabela de três dígitos de Cutter-Sanborn (1976) é amplamente empregada no Brasil, onde é conhecida como a “tabela de Cutter”. Vale lembrar, todavia, que ela não deve ser confundida com a Classificação de Cutter, que é um sistema de classificação bibliográfica expansiva elaborado por ele.

título, seguidos por uma série de códigos alfanuméricos como segue.

Sco

421 Seym

521

Scog

422 Seyt

522

Scor

423 Sfo

523

Scot

424 Sha

524

Scott

425 Shaf

525

Scott, G.

426 Shai

526

Scott, J.

427 Shak

527

Scott, M.

428 Shal

528

Scott, S.

429 Shap

529

Figura 26 – Extrato da Tabela de Cutter-Sanborn Fonte: Cutter & Sanborn (1976).

A notação de autor pelo método de Cutter-Sanborn é composta por duas partes: a primeira parte é a notação que representa o autor propriamente dito, inscrito no ponto de acesso principal determinado na catalogação, mas há exceções pontuais, como na Bíblia e em documentos com críticas a um escritor; e a segunda parte refere-se à marca da obra nos termos apresentados a seguir.

Onde:

Título original: O Que é leitura