É nesta fase do desenvolvimento da soja que há uso intensivo de agrotóxicos, no caso herbicidas, fungicidas e inseticidas diante da necessidade no controle de ervas daninhas, pragas e doenças. Conforme a EMBRAPA (2004), o controle de plantas daninhas é uma importante prática para a obtenção de altos rendimentos em qualquer exploração agrícola. Para a cultura da soja, essas plantas constituem grande problema e, consequentemente, a necessidade de controlá-las, caso contrário, as perdas serão significativas. A invasora, de acordo com a densidade e distribuição afeta a cultura, pelo fato de competir pela luz do sol, água e demais nutrientes do solo, e também pode prejudicar o processo de colheita da soja, comprometendo inclusive, a qualidade do grão. Um dos meios utilizados para o controle dessas plantas invasoras é o controle químico, isto é, o uso de herbicidas.
O controle de pragas da cultura, de acordo com o CISOJA (2004), objetiva controlar o aumento da população ao ponto de causar danos econômicos, ou seja, ao ponto em que o ataque da praga começa a causar prejuízos econômicos ao produtor. O uso de determinada técnica de manejo deve ser indicado por um agrônomo credenciado e depois do correto diagnóstico da praga que ataca a cultura, uma vez que avaliação imprecisa pode
nitrogenada não são satisfatórios, haja vista que a obtenção desse nutriente é por meio da fixação biológica, por rizobactérias44; assim, para melhorar a absorção de nitrogênio, é necessária a inoculação das sementes com essas
bactérias.
45 A dose indicada é de, no mínimo, 4 gramas de grafite por quilo de sementes. Em termos práticos, é uma colher
resultar em controle ineficaz e com isso causar prejuízos ao agricultor. As pragas mais comuns, de acordo com esse órgão, que atacam a soja na fase do seu desenvolvimento são lagartas e percevejos. As lagartas atacam as folhas e podem causar 100% de desfolha se não forem controladas a tempo. Os tipos de lagartas são: Lagarta-da-soja46, a qual é a mais comum; possui coloração verde escura e em condições de stress coloração escura. O outro tipo é a Lagarta-mede-palmo47 de coloração verde-clara, desloca-se pelas folhas como se estivesse “medindo palmo”, daí a sua denominação. Alimenta-se de folhas, mas não das nervuras, conferindo-lhes aspecto rendilhado.
Os percevejos sugam a seiva dos ramos e das vagens das plantas. Nesse processo, injetam toxinas na planta que causam distúrbios fisiológicos, chamados retenção foliar ou soja louca. Com isso as folhas não caem, o que afeta colheita, além de as vagens ficarem chochas.
Os tipos que atacam a soja são: o Percevejo-verde48 que é um inseto que possui
denominações populares como maria-fedida e fede-fede. Outro tipo é o Percevejo-pequeno49.
É também conhecido como percevejo-verde-pequeno e provoca danos semelhantes aos do
percevejo-verde. Além desses, há tambem o Percevejo-marrom50 que provoca danos
semelhantes aos demais. O adulto tem coloração marrom-escura.
No que se refere às doenças que atacam a soja, o CISOJA (2004) cita que existem cerca de 40 doenças, no entanto uma doença, a Ferrugem asiática, considerada mais recente, pois foi diagnosticada a primeira vez em 2001 e tem sido destaque por conta dos danos de até 70%, devido à desfolha precoce que impede a formação do grão.
Tendo em vista tais ocorrências, nas visitas feitas, verificou-se que os tratos culturais iniciam-se em média 30 dias após o plantio com a aplicação de herbicidas para as ervas daninhas e, se necessário também para as pragas (lagartas e percevejos). A necessidade de aplicação para todos os casos, é identificada através de constantes visitas dos agricultores às lavouras. Não usam técnicas específicas, agem com base na experiência que possuem para decidirem quanto de aplicar ou não produtos para o controle, após esse procedimento, procuram as revendas para aquisição de produtos e orientações técnicas pertinentes. Há casos em que os agricultores usam mais de um produto num mesmo tanque de calda para a pulverização.
46 Anticarsia gemmatalis. Disponível em: <http://www.cisoja.com.br/index.php?p=pragas_doencas>.
47
Pseudoplusia includens, (loc. cit).
48
Nezara viridula. Disponível em: <http://www.cisoja.com.br/index.php?p=pragas_doencas>.
49 Piezodorus guildinii (loc. cit). 50 Euschistus heros (loc. cit)
Aproximadamente 50 dias após o plantio é aplicado fungicida para o tratamento da ferrugem da soja, a intensidade de aplicação varia conforme o local, no entanto, o mais usual é que se façam duas aplicações. Houve áreas nas propriedades visitadas nas quais foram realizadas três e até quatro aplicações para o controle da doença. Todas as aplicações são efetuadas com um pulverizador de barras que, uma vez estendidas, medem de uma ponta a outra 18 metros. O equipamento para a pulverização é similar em todas as propriedades, o qual é acoplado a um trator e possui capacidade para 2.000 mil litros de calda (Fig. 8).
Para a aplicação de agrotóxicos na lavoura, há uma seqüência de ações que são realizadas pelos agricultores desde o preparo até o término das aplicações. Para cada um dos locais estudados registrou-se esse encadeamento desses atos, os quais podem ser observadas nos Apêndice E, F e G.
Para o bom funcionamento do pulverizador é necessário fazer regulagem, sob pena da calda não atingir o alvo, assim desperdiçando o produto. Essa regulagem, em uma das propriedades foi orientada por engenheiro agrônomo de uma revenda de insumos local; nas demais os próprios agricultores fazem.
Figura 8: Equipamento utilizado para pulverização agrícola na cultura da soja no Assentamento Guapirama em Campo Novo do Parecis-MT, em novembro de 2008.
Outro detalhe observado é o fato de que os agricultores alternam os ingredientes ativos nas diversas aplicações que fazem, pois entendem que isso traz melhor resultado, evitando que a doença ou praga crie resistência.