T. annulata parva
1.2. Theileria annulata’nın Yaşam Çemberi
De acordo com relatório da United Nations Environment Program (2003), com relação ao conhecimento, inovações e práticas indígenas e comunidades locais, a população da Costa Rica está estimada em 4.023.000. Destes, 94% são brancos, incluindo “mestiços” (mestizos)75, 3% são negros, 1% são ameríndios, 1% chineses e outros!% são classificados como “outros”.
O referido relatório esclarece que, na América Central, o conceito conhecimento tradicional está relacionado tanto aos indígenas que povoaram a região antes da chegada dos Europeus, como aos Afro-Americanos, os quais desenvolveram cultura própria. A região, segundo informações do relatório, tem sido placo de intensos movimentos por parte de organizações de grupos nativos exigindo direitos com relação à terra ocupada, direito à defesa contra invasão por parte de colonizadores, companhias madeireiras entre outros.
O relatório faz ainda uma interessante ligação entre o conhecimento tradicional e o idioma, concluindo que quanto mais se aprende o idioma dos colonizadores, no caso o Espanhol, mais se perde do conhecimento tradicional. No caso da Costa Rica, uma das tribos locais, a Boruca, foi considerada como estando
74 Genetic resources, with and without information, can be differentiated (negotiation of access to the resource and to the information on that resource) and cannot be dealt with in the same manner. 75 A mistura entre Ameríndios e Europeus.
próxima a extinção de sua língua. Com ela certamente se perderão importantes conhecimentos que talvez nunca serão acessados.
Os povos indígenas da Costa Rica estão distribuídos por 24 territórios indígenas reconhecidos legalmente. Estão divididos em 8 grupos e formam uma população aproximada de 63.000 habitantes, representando cerca de 1.7% do total da população do país, de acordo com o censo da população realizado em 2000 (CASTRO, 2002). O reconhecimento dos direitos desses povos foi tardia conforme assinalamRojas e Silva (2001): “por muitos anos não se reconheceu a existência e o direito dos Povos Indígenas, como tampouco a existência de outras culturas, que no decorrer dos anos foram estabelecidos e conformados como parte da nação, hoje chamada Costa Rica”76. (Tradução nossa).
É de se causar estranheza o fato de que, nos documentos e literatura consultada para a elaboração deste trabalho, pouco se fala da participação desses povos no processo de bioprospecção e conservação, acesso e repartição de benefícios desenvolvido na Costa Rica. Na realização do inventário e da bioprospecção esses saberes, tanto indígenas como de comunidades tradicionais, aparentemente, não são considerados.
Legalmente falando, para se ter acesso a recursos genéticos e bioquímicos na Costa Rica é necessária uma autorização expedida pelo Escritório Técnico da CONAGEBIO que verificará, entre outras coisas, a existência de conhecimento tradicional associado. Esse processo é bem parecido ao vigente no Brasil, no qual a Comissão de Gestão do Patrimônio Genético (CEGEN) é o órgão ligado ao Ministério do Meio ambiente responsável por autorizações dessa natureza.
76 por muchos anos no se reconoció la existencia de otras culturas, que em el transcurrir de los anõs se han estabelecido y conformado como parte de la nación, hoy llamada Costa Rica”.
O artigo 82 da Lei de Biodiversidade denomina de direitos intelectuais comunitários sui generis “os conhecimentos as práticas e inovações dos povos indígenas e comunidades locais relacionadas com o emprego dos elementos da biodiversidade e o conhecimento associado”. Porém, não definiu a forma como se dará processo participativo dessas populações, que determinará aspectos fundamentais como a titularidade e os beneficiários de tais direitos e eventuais ganhos financeiros. Isto depende de um processo de execução de uma espécie de inventário desses titulares, ainda não concluído (UMAÑA, 2000, p.7).
Mesmo sendo bem intencionada, a proteção desses direitos se mostra um tanto ineficiente na prática. Ocorre que a regularização desse processo dependerá muito mais dos povos de que de uma vontade política de regularização, já que o reconhecimento dos direitos depende de um registro, solicitado pelos interessados junto ao Escritório Técnico da CONAGEBIO. Umaña (2000, p. 8) esclarece que “a existência de tal reconhecimento no Registro obrigará a Oficina Técnica a contestar negativamente qualquer consulta relativa para reconhecer direitos intelectuais sobre o mesmo elemento ou conhecimento77”. Por outro lado, “tal negociação, sempre que for devidamente fundamentada, poderá ser feita ainda quando o direito sui generis não esteja inscrito oficialmente78”. (Tradução nossa)
No entanto, a regularização desse processo dependerá muito mais dos povos de que de uma vontade política de regularização.
O Ministério del Ambiente y Energia, conforme publicação “Estratégia nacional de conservación y uso sostenible de la biodiversidad”, de 2000 (p. 33),
77
La existencia de tal reconocimiento en el Registro obligará a la Oficina Técnica a contestar negativamente cualquier consulta relativa a reconocer derechos intelectuales sobre el mismo elemento o conocimiento.
78
Tal negación, siempre que sea debidamente fundada, podrá hacerse aún cuando el derecho sui generis no esté inscrito oficialmente.
considera o conhecimento relacionado ao acesso dos recursos genéticos, propriedade intelectual e biossegurança e biotecnologia “escasso” [...]
Sittenfeld e Gámez (1994) expressam a incerteza existente entre o governo da Costa Rica e o que eles chamam de populações indígenas costa-riquenhas, “uma pequena porção da população total” e suas terras. Essa situação incerta levou o INBio a não considerar a prospecção nessas áreas, esperando que governo consiga conciliar uma solução ao impasse, esclarecendo quais são os direitos desses povos. Dessa forma essas comunidades poderão se engajar em ações dessa natureza por conta própria ou, se for o caso, com a ajuda do INBio.
Gámez (2003) acrescenta que o contrato INBio/MINAE não prevê a repartição de benefícios monetários populações locais. A razão, segundo o autor, é que, diferente do que ocorre em outros países, as áreas protegidas na Costa Rica não têm presença humana, como agricultores locais ou comunidades tradicionais ou indígenas.
De acordo com Gámez (2003, p. 7):
É importante entender que no caso da Costa Rica, a maioria da população local indígena (cerca de 1% do total da população do país) vive em reservas que abrangem aproximadamente 6% do território nacional, as quais possuem suas próprias regras e regulamentações. Tem sido política do INBio não realizar buscar o acesso a recursos bióticos em reservas indígenas ou em seus conhecimentos tradicionais79. (Tradução nossa). Esta situação foi explicitada também no relatório da United Nations Development Program (2003, p. 25), no qual consta que
O programa de Bioprospecção do INBio utiliza a informação gerada pelo inventário nacional da biodiversidade para realizar a pesquisa que agrega valor e o conhecimento aos recursos existentes. Mas mesmo sendo um dos objetivos preliminares do INBio aumentar o valor intelectual da biodiversidade, não há planos para uma abordagem específica a respeito
79 It is important to understand that in the case of Costa Rica, the majority of the local Indian
population (around 15 pf the total) live in reserves which comprise nearly 6% of the national territory, and posses their own rules and regulations. It has been INBio’s policy not to seek the access to their biotic resources in Indian reserves or their traditional knowledge.
dos conhecimentos tradicionais relacionados à biodiversidade80 (Tradução nossa).
Ainda que Medaglia (2002) afirme a importância da necessária atenção para que esses atores, possuidores de importantes conhecimentos e inovações sejam escutados e levados em conta, essa prática ainda parece obscura na Costa Rica e lamentavelmente nos outros países megadiversos.
Portanto, antes de ser considerada como um modelo, a experiência da Costa Rica deve ser avaliada com cautela, pois como em tudo, possui seus aspectos positivos e negativos.
Conforme foi evidenciado a repartição de benefícios ainda não representa ganhos diretos às ações de conservação, embora se tenha logrado em outros importantes aspectos que contribuem para este fim. Neste aspecto que surgem controvérsias com relação à gestão de um patrimônio público por uma entidade privada, pois os lucros óbitos não são administrados pelo Estado e por conformação legal, os contratos, como vimos, não têm necessariamente que ter anuência estatal.
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INBio’s Bioprospecting Program uses the information generated by national biodiversity inventory to carry out research that adds value and knowledge to existing resources. But even if one of the primary objectives of INBio’s Biodiversity Information Outreach Program is to increase the intellectual value of biodiversity, there are no plans for specific approaches to traditional biodiversity-related knowledge.
6. O PÚBLICO E O PRIVADO: CONVERGÊNCIAS E DIVERGÊNCIAS NO