Hart-Fuller Tartışması, Neden Anlaşamıyorlar?*
B. The Morality of Law’a Hart’ın Eleştirileri
Embora o uso inadequado possa ser considerado a principal causa imediata dos problemas decorrentes da utilização dos agrotóxicos, na verdade, ele é conseqüência de diversos outros fatores, como a forma de introdução dos agrotóxicos e o modelo de produção adotados pelo setor rural, a instabilidade da política agrícola e da estrutura agrária, a grande disponibilidade de produtos, o difícil acesso à informação técnica, as características ambientais, as condições sociais e econômicas da população rural e as condições e relações de trabalho no meio rural, entre outros.
Assim sendo, intervir nesta realidade na busca de uma real modificação da relação entre o usuário e o produto não pode centrar-se somente sobre o aspecto de "ensinar" ao usuário como lidar com o produto, porque estando esse indivíduo sujeito a esse contexto mais amplo, seu treinamento buscando o uso correto dos agrotóxicos é apenas uma das variáveis que deve ser trabalhada, e nunca isoladamente. Além disso, pelos princípios da segurança e higiene do
"puxar'' mangueiras de pulverização: manter as mangueiras esticadas e evitar que elas se enrasquem onde não devem.
trabalho, as ações de controle de riscos não devem ser prioritariamente exercidas sobre os sujeitos expostos a esse riscos, mas sim sobre o ambiente e as condições de trabalho, incluindo, quando necessário, a intervenção sobre o próprio processo de produção.
No caso de exposição a substâncias químicas as medidas de controle de riscos no trabalho dependem da natureza da substância, de seus efeitos nocivos, e de suas rotas de entrada e absorção pelo corpo humano. O principio básico é controlar a exposição dos trabalhadores, eliminando-a. se possível, ou mantendo-a abaixo de limites aceitáveis. Os métodos de controle podem ser implantados por medidas de engenharia, medidas administrativas e, também, por medidas de controle individual. A escolha dos métodos adequados de controle requer um amplo entendimento sobre as circunstâncias que compõem o problema a ser enfrentado.47, ,05
As medidas de engenharia buscam a implantação de sistemas de controle nos ambientes de trabalho através de especificações e adequações dos ambientes e postos de trabalho, mudanças no processo produtivo, substituição de agentes danosos à saúde, isolamento ou enclausuramento das fontes de
emissão de contaminantes, ventilação adequada, segurança de máquinas e equipamentos e outras medidas. Medidas administrativas são, por exemplo, o controle do acesso e permanência de pessoas em áreas contaminadas, a sinalização dos ambientes de trabalho, o controle dos caminhos disponíveis para deslocamentos de pessoal pelos ambientes de trabalho, o controle das jornadas e escalonamentos de trabalho, entre outros. As medidas individuais de controle incluem as práticas de trabalho (comportamento individual no trabalho) e o uso de equipamentos de proteção individual pelos trabalhadores. ' 5
A exposição a agentes químicos deve ser controlada, prioritariamente. pelas medidas de engenharia, que são suplementadas, quando necessário, por
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medidas administrativas c medidas individuais de controle: medidas de proteção incorporadas diretamente ao processo de produção são preferíveis a métodos que dependam de contínua implementação ou intervenção humana '.
Piantanida & Walker " afirmam: "Dos métodos de controle disponíveis, as
medidas de engenharia propiciam o melhor controle porque elas geralmente minimizam a necessidade de intervenções humanas, usos de procedimentos especiais, treinamentos e outras medidas que necessitam ser implementadas e monitoradas para serem aceitas e obedecidas ".
Na aplicação das medidas de controle, incluindo o caso de exposição a agentes químicos, três níveis de intervenção são propostos para minimizar as exposições ": na fonte de emissão do contaminante: na trajetória do agente entre a fonte e o trabalhador; e no indivíduo sujeito ao risco. Levando-se em consideração a priorização das medidas coletivas sobre as individuais, as ações sobre esses três níveis de intervenção sugeridos devem dar-se, principalmente, sobre a fonte e a trajetória do contaminante. Quando estas medidas forem insuficientes ou temporariamente não factíveis para controlar a exposição, as medidas de controle individual devem ser consideradas, sempre na perspectiva de complementar, e não de substituir, as medidas coletivas. O que vem ocorrendo no setor agrícola é justamente o oposto. A segurança do trabalho na agricultura, e em especial nas atividades relacionadas à utilização de agrotóxicos, tem sido considerada basicamente apenas como proposição de medidas individuais de proteção, baseadas principalmente no comportamento do trabalhador e no uso de equipamentos de proteção individual.
É necessário que se faça aqui uma rápida discussão sobre as características e o ambiente do trabalho rural para analisar os prováveis motivos que levam a esta situação. O principal aspecto que chama a atenção é quanto ao ambiente de trabalho. Dentro de uma unidade de produção fabril o controle do ambiente de trabalho pode ser exercido através do controle da
ventilação, temperatura, umidade, iluminação, adequação arquitetônica. condições ergonômicas dos postos de trabalho e outras medidas. No ambiente de produção rural, com exceção de algumas atividades específicas que são desenvolvidas em ambientes fechados, as atividades de trabalho se dão principalmente cm ambientes abertos, não inseridas dentro de construções, o que não permite o controle do ambiente de trabalho, que é o próprio meio ambiente onde se pratica a agricultura. Esta condição, evidentemente, limita e dificulta a proposição de medidas de engenharia como proposta de controle direto sobre o ambiente de trabalho, mas não é suficiente para justificar ações de controle unicamente de caráter individual, uma vez que medidas de engenharia não se limitam àquelas que agem sobre o controle do meio ambiente propriamente dito.
No caso da aplicação de agrotóxicos. há ainda uma particularidade que é muito importante: é provavelmente a única atividade onde a
contaminação do ambiente de trabalho é intencional, e mais do que isso, é o propósito da atividade. Provavelmente, não há nenhuma outra atividade
produtiva onde isto ocorra. Normalmente, as contaminações de ambientes de trabalho são indesejáveis e devem ser controladas, mas como proceder
quando a contaminação é a finalidade da atividade? É claro que sob estas
condições (impossibilidade de exercer controle direto sobre o ambiente de trabalho e contaminação proposital desse mesmo ambiente) as medidas individuais de proteção, como as práticas de trabalho e o uso de equipamentos de proteção individual, ganham particular importância. Porém, justamente pelas dificuldades que a aplicação dessas medidas encerram, as medidas coletivas de controle não podem ser colocadas em segundo plano, ou serem desconsideradas, como vem ocorrendo na atividade agrícola, cujas características sociais, culturais e de relações e organização do trabalho favorecem ainda menos a implantação das medidas individuais: os mesmos
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princípios e métodos da segurança c higiene do trabalho que justificam prioritariamente a aplicação de medidas de caráter coletivo devem ser considerados para o meio rural. Além disso, neste contexto, c fundamental discutir medidas que extrapolam o âmbito do usuário, incluindo a regulamentação e o controle da disponibilidade das substâncias mais tóxicas.
Essa é a discussão que procuraremos fazer aqui, analisando as medidas normalmente propostas e as que podem ser estudadas para controlar a exposição dos trabalhadores rurais envolvidos em processos de trabalho que utilizam os agrotóxicos. Iniciaremos pelas medidas individuais de controle, evidenciando as dificuldades para sua efetiva implantação nas condições predominantes do trabalho rural.
3.3.2. O CONTROLE DE RISCOS POR MEDIDAS CENTRADAS NO