• Sonuç bulunamadı

2.2. Nazım Şekilleri Ve Türleri

3.1.6. İbadet Ve İlgili Mefhumlar

3.1.6.7. Tesbih

O homem, finito e razoável por sua vez não pode não buscar o infinito,

o fundamento último, a totalidade da realidade. (WEIL, 1982, p. 64)

Na atitude o homem se tem no mundo de uma determinada forma que, por sua vez, é temporal e não um bloco estável, ou seja, não só as atitudes são múltiplas, elas também mudam. O homem, em cada atitude, busca se compreender, mas também não só isso, ele busca compreender o que há ao seu redor, seu mundo e busca justificar seu discurso não só a si mesmo, ele busca a coerência na expressão discursiva para a atitude, ele busca uma justificação do seu discurso. A categoria é a expressão dessa busca tando de expressar a compreensão, quanto de justificá-la. A categoria é a forma dessa busca tanto de expressar, quanto de justificar. A categoria é o momento em que o essencial do mundo, aquilo que é sagrado para o filósofo, já

que lhe permite se orientar – pensar e agir – é tomada numa linguagem, num discurso. Assim,

a categoria é inserida no quadro mais amplo do pensamento de Weil como expressão discursiva do sagrado, do essencial.

Ora, a categoria é um avanço da tomada de consciência do modo de ser no mundo para uma expressão em discurso coerente. Avanço que ocorre numa decisão livre que busca compreender. O pensamento de Weil é “[...] compreendido como uma conquista progressiva da existência efetivamente razoável.” (GUIBAL, 2011, p. 11). A conquista é decidida a cada passo, resultado da escolha da razão. Assim, cada passo da constituição do discurso filosófico é sempre um passo livre em busca de uma razão que busca compreender.

Essa conquista do real, ou a compreensão do essencial, do sagrado, não se dá no vácuo ou numa pureza abstrata. Weil insiste por diversas vezes não só que a filosofia é o resultado de

uma escolha – poderia ser outra opção, como a violência – e como escolha se situa num

determinado contexto, sob determinadas condições.

Aristóteles foi o primeiro a usar o termo categoria em sentido técnico, significando

“predicação” ou “atribuição”.92 O termo entra no vocabulário filosófico primordialmente nesse

sentido, mas Weil faz uma distinção fundamental: categorias metafísicas ou filosóficas.

92Segundo Mora (2001, p. 416): “Com grande frequência, ατηγορία contrapunha-se ao vocábulo άπο ογία,

“defesa” ou “louvar”. Aristóteles foi o primeiro a usar ατηγορία em sentido técnico. Às vezes, pode-se traduzir por denominação. Já conforme Bittar (2003, p. 197): “a teoria das categorias em Aristóteles é a síntese do sistema predicacional no plano do discurso e a base para a projeção estrutural da distinção, que posteriormente será aperfeiçoado, entre o que ‘é por si’ e o que ‘é em função de algo’ (per accidens). As categorias são formas gerais de diversas relações que se podem estabelecer entre os seres ou as ideias.

4.3.1 Categorias: metafísicas e/ou filosóficas

Só à primeira vista não há distinção entre os termos, mas a separação é central para o entendimento do campo de discussão de Weil e dos problemas que ele toma.

Weil faz a distinção entre as categorias ao discutir a de Objeto. A questão subjacente é a metafísica como ciência primeira, como também da separação do campo metafísico, que trata da ciência, do da filosofia.

Já dissemos por que a lógica não se interessa diretamente por esse trabalho da

metafísica e que a elaboração dos diferentes sistemas de categorias metafísicas lhes interessa apenas quanto à diferença das intenções – que não são metafísicas – isto é, onde outras categorias filosóficas estão presentes. Causa e efeito, substância e acidente, o um e o outro, a ideia, a comunhão de gêneros supremos ou as ideias – números, a forma e a matéria, a potência e o ato, o tempo, o espaço, todas as categorias metafísicas que tornam possível a visão da unidade na multiplicidade, que desenham as direções das perguntas que visam ao permanente no fenômeno, que devem permitir a filtragem do devir para separar o não ser do ser – todas essas categorias pertencem à ciência, não à filosofia, à metafísica, que, muito importante, sempre se interpretou como a ciência primeira, não à lógica da filosofia. (LF, 2012, p. 212-213).

As categorias da Lógica da Filosofia são filosóficas, querendo dizer com isso que são dinstintas das categorias metafísicas. Essa distinção é de importância para a compreensão do papel da Lógica, ou seja, o projeto de Weil não é uma ontologia, mas um discurso que elabora e articula discursos filosóficos. As categorias metafísicas, as da ontologia, são aquelas desenvolvidas pela metafísica para o uso das ciências particulares. Essa é a compreensão que se tem quando se fala de categorias em Platão, Aristóteles, Kant e Hegel, por exemplo. Elas são metafísicas no sentido de terem sido elaboradas pela ciência primeira, mas são científicas em seu emprego (CANIVEZ, 1998, p. 50). A ciência, dito de grosso modo, busca explicar o que é recorrente através dos centros organizadores do discurso, que são categorias.

Categorias metafísicas servem para organizar o discurso científico, visando o que é permanente em meio aos fenômenos. As diversas classificações sobre as categorias metafísicas tratam de abordagens possíveis para a apreensão do real.

As categorias filosóficas não lidam com a ciência da mesma forma. Elas lidam com a ciência na medida em que essa é um discurso humano. Ora, categorias filosóficas, ou mais simplesmente categorias, buscam organizar o discurso que expressa compreensivamente e justifica uma atitude pura, isto é, irredutível. “Uma categoria é um conceito central ao redor do qual se organiza uma forma de coerência discursiva.” (CANIVEZ, 2014, p. 11).

A categoria metafísica trata da classificação própria das ciências, ela objetiva o real. As

categorias filosóficas tratam dos discursos. Esse tratamento com a linguagem é “[...] a fonte

primeva do filosofar weiliano.” (VALDÉRIO, 2014, p. 161).93

É a linguagem que a Lógica da Filosofia busca articular. Há de se observar, no entanto, que a linguagem aqui não diz respeito a refugiar-se numa análise de desrealização, esvaziando o impacto do conteúdo na realidade do homem, uma perda progressiva da referência ao real, mas, pelo contrário, a linguagem ou o discurso para o qual volta-se a Lógica é um fenômeno histórico-cultural, ou seja, diz respeito ao discurso dotado de conteúdo e que impõe-se à experiência do indivíduo ora constituindo a compreensão de sua atitude, ora justificando sua atitude numa expressão coerente, a categoria. Qual a questão essencial que a linguagem estabelece? A emergência do sentido. Ora, a mesma linguagem pode servir de suporte a formas Lógica da Filosofia extremamente diferentes de expressividade, a modalidades múltiplas de fazer sentido.

Weil trata da articulação da linguagem. Segundo L. M. Bernardo (2003, p. 15), as características desse tratamento são:

i) “A Lógica da Filosofia é uma lógica do logos, no sentido mais redundante de

uma lógica do discurso.

ii) A Lógica da Filosofia não é uma lógica do ser ou do ente, não se trata de uma

metafísica, ou de um acesso ao real, que se fizesse à margem da linguagem e do discurso. Trata-se de um discurso sobre a discursividade e a pluralidade de formas discursivas.

iii) A Lógica da Filosofia é uma análise filosófica da linguagem, mas recusa a fazer

uma interpretação linguística da obra.”94

As três caracteríticas dizem respeito à Lógica do logos, ou do discurso, e que essa Lógica não é metafísica, já que não diz o real, mas a linguagem.

A categoria na filosofia de Weil não é metafísica ou ontológica, mas é categoria da linguagem, ela trata do discurso, mas não é, ao mesmo tempo uma questão linguística. Ora, a

93 A temática da linguagem e suas interfaces seja com a filosofia da linguagem contemporânea, seja com a

hermenêutica, é longamente e magistralmente desenvolvida por Bernardo (2003).

questão da linguagem é central uma vez que ela capta o problema da realidade, ela capta, nos termos que temos seguido, o que é essencial numa determinada atitude, capta o que é sagrado, seja para a compreensão e justificativa da realidade, seja para agir e se orientar. A linguagem

trata das questões radicais da filosofia – a teoria, a ética e o sentido da existência - dito de forma

breve, ela revela ao filósofo o que é o real.

4.3.2 Categoria: o núcleo organizador

A atitude irredutível se expressa. O fato é que a atitude comum nem sempre se expressa de forma adequada. Qual é a forma adequada? Weil utiliza a expressão “se a palavra “adequada” for empregada para designar o discurso elaborado de modo coerente em torno do que é essencial para o homem nessa atitude.” (LF, 2012, p. 112). A formulação adequada se dá porque expressa o que é essencial, o que permite ao homem que deseja compreender, distinguir os elementos que permitem a ele compreender e dar sentido ao seu mundo. Ela, assim, expressa a constituição de um mundo ordenado. A categoria assim se põe uma vez que repousa sobre um postulado básico da razão, há sentido e, mesmo a negação desse, sendo uma contradição performática, repousa sobre sua existência.

O sagrado que a categoria expressa, aquilo que dá sentido à atitude e a retira do mundo silencioso, integrando-a à realidade que se pode compreender é o núcleo, juntamente com a retomada, da Lógica da Filosofia. A realidade recebe um sentido no discurso que busca apreender o que lhe é sagrado. Isso porque o que é essencial é recorrente. Ora,

Ele protestará contra as condições que encontra no interior desse mundo, ele ainda não protesta contra esse mundo e seu discurso, e só depois de um longo e duro labor ele apreenderá mundo e discurso e os abandonará, assim, no momento em que os apreende, ou se contentará com esse mundo e esse discurso, tendo submetido tudo ao que acabou por compreender como o essencial do discurso e do mundo. (LF, 2012, p. 114, grifo do autor).

A questão do essencial – termo intercambiável com o sagrado – continua nesse texto

que trata do filósofo e da linguagem do mundo histórico. A expressão desse mundo se dá a partir da compreensão desse essencial, formulado na categoria.

O traço específico, mais íntimo do pensamento weiliano é a busca de compreensão dos discursos elaborados na história, as categorias, que organizam a situação. Em outras palavras, a situação em que o homem se encontra no mundo se expressa num discurso, numa linguagem sobre essa experiência em que o indivíduo se encontra. O discurso da categoria é nuclear porque é a expressão dessa situação e a Lógica articula a compreensão dos discursos e suas retomadas.

Enfim, a Lógica, expressa a atitude, a categoria e a retomada. Assim, continua Weil: Nesse ínterim, durante todo o tempo desse labor, até que o essencial desse mundo tenha sido capaz de se expressar num discurso coerente, no que se chama tradicionalmente sistema (que não é necessariamente um sistema filosófico no sentido ocidental da palavra e não será o mesmo habitualmente), o discurso histórico subsiste, incoerente aos olhos do crítico, suficientemente coerente, porém, para permitir aos homens desse mundo orientarem-se nas situações que são as situações desse discurso e desse mundo, dessa tradição. (Id., Ibid., p. 114)

A categoria é assim o discurso organizador do que é essencial, a expressão que consiste construir o mundo coerente, uma vez que confere sentido ao que é, confere sentido à vida do próprio homem e ao seu mundo. O discurso apreende, edifica e expressa ao mesmo tempo a si mesmo e o seu mundo.

O sagrado que a categoria expressa, aquilo que dá sentido à atitude, é o núcleo da hermenêutica weiliana, juntamente com a retomada, cujo quadro geral de referência se dá na Lógica da Filosofia. A realidade recebe um sentido no discurso que busca apreender o que lhe

é sagrado/essencial ou, nas palavras de Canivez (2014, p. 11), “[...] toda a realidade recebe uma

significação no contexto deste discurso, que distingue o essencial do inessencial, o significante do insignificante, o real do irreal, etc.”. A significação dada ao real, o discurso sobre a situação é tomado em sua essencialidade pela categoria filosófica, pela relação que estabelece com a atitude, ou situação e a sua linguagem se desenvolve na dinâmica situação-linguagem- retomada. A expressão que utilizamos, dinâmica, quer expressar a mobilidade que há, o movimento em busca de expressar o que é tomado como essencial para a categoria. Essa expressão busca traduzir a ideia weiliada de que a relação atitude-categoria ou situação-

linguagem seria o “motor da filosofia” (LF, 2012, p. 610). Assim, aquele que busca o sentido

da realidade, busca compreende o ‘motor’ da filosofia, a dinâmica da expressão do sentido para ele.

Ora, a categoria é o conceito que permite construir um mundo coerente e que confere um sentido ao que é e à vida do próprio homem que, nesse discurso, apreende e edifica ao mesmo tempo a si mesmo e ao seu mundo.

A questão do termo essencial ser recorrente é importante porque confirma nossa hipótese de que os termos essencial é sinônimo do que apresentamos como sagrado, é importante também porque confirma que a pretensão de Weil é ir ao núcleo de cada discurso, de cada categoria ao expressar o centro organizador de um mundo, uma situação na qual o homem se encontra.

Por fim, a repetição do termo não é um descuido ou uma inaptidão, mas a manifestação ou sinalização no texto de que estamos no mais central e definidor da busca pela sentido.

Ora, o que busca o sentido senão o essencial de cada categoria? Esse essencial, por fim, será a marca de que o homem em sua busca por dar e compreender o sentido na realidade não o faz sem um certo esforço. Na expressão de Weil, o homem que busca o sentido

[...] protestará contra as condições que encontra no interior desse mundo, ele ainda não protesta contra esse mundo e seu discurso, e só depois de um longo e duro labor ele apreenderá mundo e discurso e os abandonará, assim, no momento em que os apreende, ou se contentará com esse mundo e esse discurso, tendo submetido tudo ao que acabou por compreender como o essencial do discurso e do mundo. (LF, 2012, p. 114).

E continua afirmando que

[...] durante todo o tempo desse labor, até o essencial desse mundo tenha sido capaz de se expressar num discurso coerente, no que se chama tradicionalmente sistema (que não é necessariamente um sistema filosófico no sentido ocidental da palavra e não o será nem mesmo habitualmente), o discurso histórico subsiste, incoerente aos olhos do crítico, suficientemente coerente, porém, para permitir aos homens desse mundo orientarem-se nas situações que são as situações desse discurso e desse mundo, dessa tradição. (Id., Ibid., p. 114)

Há nesse texto uma ênfase no termo essencial, já que está destacado, embora não se trate apenas da grafia aqui, e sim da significação que assume como o resultado de um processo dinâmico (motor da filosofia), processo de labor em busca de compreender o centro organizador do discurso, o essencial então é aquilo que faz com a categoria expresse sua situação, faz com que ela seja o que é, expressão de um mundo. Mas, esse essencial não está distante do que abordamos como sagrado no que toca à ação seja ela política, seja moral.

Aquilo que no âmbito da práxis compreendemos no texto weiliano como sagrado, aqui se apresenta, no âmbito teórico, como essencial.

Ora, “[...] o discurso [...] visa à [...] essência do homem e do mundo.” (LF, 2012, p. 115).