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Ters Seçim-Ahlaki Tehlike Çevresinde Açıklayan Görüşler

Diversos autores têm criticado o uso indiscriminado do termo comunidade na atualidade: são comunidades virtuais, comunidades carentes, comunidades negras, entre outras. O significado de comunidade vem sofrendo alterações de acordo com o que se quer identificar como sendo um grupo social. O que se acredita como tendência pós- moderna de homogeneização leva à necessidade de contrariar esse fluxo generalizador, fazendo o contraponto com o particular, nesse caso, a tentativa de identificar comunidades (enquanto uma unidade) dentro do meio urbano homogeneizador. De fato, as associações sociais existem, desde grupos esportivos até os grupos religiosos. Porém, dentro das ciências sociais, tratar como comunidade grupos de pessoas que se associam parcialmente em dias e locais específicos, pode nos levar a uma confusão no que diz respeito à profundidade e ao grau de envolvimento dessas pessoas. O termo comunidade tem sido utilizado nas ciências sociais por estudiosos como Weber, Tönnies e Redfield. Embora guardadas as diferenças de abordagem entre autores, podemos construir, com base neles, um conceito comum sobre comunidade e o grau de envolvimento social dentro dela. Contudo, à parte essa discussão sobre a escolha da terminologia mais correta, comunidade ou grupos sociais urbanos, outro aspecto se faz mais importante, que é o fato de que todas essas “comunidades” novas divulgadas pelos jornais, revistas, internet, surgem para suprir a necessidade de associação dos indivíduos (Lopes, 2008).

Hoje, entre o nível amplo da sociedade e o nível particular dos indivíduos dos centros urbanos, temos as relações sociais num nível intermediário, isto é, existem agrupamentos de indivíduos que se relacionam face a face, como numa comunidade, sem, contudo, estarem presos exclusivamente a estes. Esses agrupamentos podem ser chamados de subculturas, subsociedades ou grupos urbanos. A grande diferença das relações desses grupos urbanos de hoje para as comunidades estudadas por Weber, Tönnies e Redfield é que nos grupos urbanos, cada indivíduo pertence a vários grupos,

já numa comunidade os indivíduos são absorvidos de forma total e exclusiva, ou seja, um indivíduo pertence a uma comunidade e somente a ela. Nos grupos urbanos, o sujeito é quase forçado a pertencer a vários grupos, uma vez que sua própria vida está fragmentada em moradia, trabalho/escola, religião, lazer, entre outras atividades. Inserido em vários desses grupos, ele fatalmente estabelece relações sociais. Dentro desse universo de relações, cada um elege quais delas podem ser mais próximas e amistosas. E exatamente dessa escolha, de onde se quer pertencer e de onde se é aceito, que são criados grupos urbanos, nos quais o indivíduo estabelece relações próximas, e de certa forma analogamente semelhantes ao que teríamos em uma comunidade.

Segundo Lopes (2008), os grupos urbanos agregam indivíduos com mesmos interesses, costumes, comportamentos e atitudes e as relações que ocorrem dentro desses grupos são caracterizadas pelo respeito e envolvimento emocional próprio das relações face a face. Contudo, mais do que isso, a organização de pessoas em grupos sociais urbanos é uma reunião em torno de uma identidade coletiva, onde podemos afirmar para o restante da sociedade: “nós somos”.

Para alguns autores, a ideia de uma nova forma de organização social está intimamente relacionada ao contexto social, econômico e político no qual estamos inseridos, ou seja, os grupos sociais urbanos surgem como respostas às mudanças pelas quais o mundo ocidental vem passando há pelo menos quatro décadas. Essas mudanças incluem dois processos distintos (a revolução cultural do individualismo e a crise econômica e de reestruturação dos mercados de trabalho do mundo industrial moderno) que se ajustam resultando nas mudanças radicais nas esferas da ordem: trabalho e comunidade.

Todo esse discurso acerca das comunidades nos leva a questionar se os condomínios podem ser considerados como tal. Em minha opinião, condomínios não são comunidades, se considerarmos o sentido clássico do termo. Sei que essa afirmação vai de encontro ao senso comum de que o condomínio é uma comunidade de pessoas homogêneas, caracterizada por apresentar-se de forma coesa e harmônica. Na verdade, existe coesão no que se refere à demanda por segurança, serviços e lazer e relações sociais estreitas (laços de vizinhança). Entretanto, a procura por esses itens não caracteriza um condomínio residencial como uma comunidade, mas sim como um grupo social urbano. Porque posso afirmar isto de forma tão categórica? Os laços típicos de uma comunidade são gerados a partir do envolvimento de todos os integrantes visando uma unidade maior e é por isso que não podemos esperar que num condomínio as relações sociais aconteçam da mesma forma que numa comunidade.

O condomínio é formado por pessoas diferentes com interesses diversos. O elemento que as une é o fato de estarem partilhando uma mesma área comum, ou seja, o caráter espacial é o mais forte fator de coesão. O condomínio pode, em princípio, ser considerado um grupo social urbano, pois, como já vimos, os grupos urbanos são caracterizados por um agrupamento em torno de um interesse comum, mesmo que seja um interesse momentâneo. Os moradores dos condomínios unem-se em torno de um interesse, pelo menos no momento da deliberação por morar em determinado condomínio. Assim, o condomínio pode ser caracterizado como um grupo social urbano. Além disso, pode abrigar e até mesmo fomentar a existência de grupos sociais em seu interior, com formas diversas de interação social. Um exemplo claro disso é dado pelas crianças e jovens que instituem seus pequenos grupos urbanos, no interior dos condomínios. Nesse caso, o afeto suscitado em decorrência da proximidade física

pode ser perpetuado, uma vez que o vínculo é instituído de forma gratificante para os envolvidos.

O mesmo acontece em outros locais, como no trabalho, escola, grupo religioso: estes são exemplos de espaços que podem abrigar grupos sociais. Contudo o ambiente físico é apenas um elemento que contribui para o contato inicial. A responsabilidade pela continuidade do vínculo é exclusivamente dos indivíduos participantes do grupo. O grupo social não exige exclusividade, mas pede envolvimento, mesmo que num curto espaço de tempo.

Em pleno século XXI, as “comunidades virtuais”, permeiam a internet e nossas vidas de uma forma geral. Pessoas fazem parte de uma “comunidade de interesse”, mesmo sem nunca terem se conhecido. O grupo social é criado em torno de um interesse e enquanto durar o interesse o grupo será mantido. Em nenhum desses grupos sociais urbanos vemos o desenvolvimento de senso de comunidade, não temos contato face a face e isso faz com que seus integrantes não desenvolvam respeito mútuo. Se não há conhecimento e reconhecimento, não pode haver cuidado/preocupação com o outro. Só que mesmo o condomínio não constituindo uma comunidade no sentido das relações sociais, os indivíduos que o compõem estão ligados por meio da partilha do espaço. Consequentemente, não há como comungar de um espaço saudável socialmente se não há apego nem cuidado com o espaço e os seus integrantes.

Um problema cada dia mais frequente a partir do nascimento de novos grupos urbanos é o abandono do espaço público. Uma vez que os integrantes desses grupos preferem que seus encontros ocorram em esferas privadas ou semiprivadas.

As pessoas comumente citam o abandono das áreas públicas como decorrência da criminalidade urbana e do sentimento de insegurança instalado em detrimento desta violência exacerbada. Mas será que esta é realmente a ordem correta dos fatos?

O espaço público pode ser definido como o espaço que, dentro do território urbano tradicional, destina-se ao uso comum e tem posse coletiva, uma vez que a palavra “público” refere-se ao povo, algo que serve para uso de todos. Discutir o papel do espaço público na urbis contemporânea constitui-se, antes de tudo, num desafio, diante de um cenário em que o domínio privado penetra em todas as dimensões da cultura urbana.

Os espaços públicos, que antes eram utilizados para a interação social e lazer, agora são palcos de insegurança, uma vez que os espaços semipúblicos (semiprivados) - públicos por sua significação, mas privados por sua apropriação - como shoppings centers e restaurantes, estão adentrando em todas as extensões da vida urbana e substituindo o domínio público.

E o que pode resultar desse crescente abandono dos espaços públicos? Tendo em vista o descaso do poder público e da população e o crescimento da insegurança, serão os espaços públicos realmente substituídos pelos espaços privatizados? Se isso acontecer, iremos permanecer contemplando a esfera privada se apropriar dos últimos lugares considerados públicos ou iremos à luta para defender nosso direito à função social da cidade?

A revitalização dos espaços públicos de convívio é fundamental para diminuir a violência e suavizar a sensação de insegurança das pessoas. Criar nas praças da cidade uma atmosfera acolhedora e espaço de atividades que atraiam os moradores que habitam as redondezas é crucial.