2. YÜKSEK SICAKLIK KAPLAMALARI VE ÜRETİM METOTLARI
2.1. Yüksek sıcaklık kaplamaları
2.1.3. Termal bariyer kaplamalar (tbk)
A função de um ser é interdependente da sua forma. A dos ginásios é permitir, nas melhores condições higiénicas e didáticas, a prática de ginástica e jogos educativos. Se a forma do ginásio é ideada sem primordial consideração pelo fim essencial a que se destina, este é prejudicado e os objetivos do ensino falseados.
António Leal de Oliveira
Tendo sido reconhecida a importância indispensável da Educação Física no plano curricular liceal, institucionalizada com a reforma de 1905 do então Ministro do Reino Eduardo José Coelho, a prática desta disciplina deveria ser exercida nas condições que os edifícios liceais, na maioria dos casos conventos extintos em 1834, iam permitindo estabelecer. Apesar de apenas constar definitivamente do plano curricular instaurado pelo referido diploma, a preocupação com esta área e com o desenvolvimento do corpo é bastante anterior, podendo referir-se a existência de instituições educativas, nos séculos XVII e XVIII, que promoviam atividades de “esgrima, dança e picaria” (Ferreira, 2004, p. 199), atividades essas mais adequadas ao prestígio dos colégios e dos filhos das famílias nobres.
Os constrangimentos sociais e políticos caraterísticos da primeira metade do século XIX veio tardar a entrada e a dedicação ao estudo e ao planeamento da Educação Física em Portugal. Somente no último quarto de novecentos se verificou “uma vontade política em aumentar as publicações que abordavam a problemática, criando-se ginásios e clubes, crescendo os praticantes e os adeptos” (Ferreira, 2004, p. 199). A Reforma de 1905 constitui assim um marco importantíssimo não só para a história do ensino em geral mas também ao nível da própria arquitetura liceal, exigindo a existência de “amplos locais com importantes requisitos de higiene, destacando-se o espaço do ginásio no conjunto dos espaços do edifício liceu” (Alegre, 2012, p. 210). Mesmo após a institucionalização efetiva da disciplina no plano curricular, a vontade e a obrigatoriedade da mesma não foram suficientes, existindo ainda liceus que não tinham espaços condignos à sua prática. Exemplos disso mesmo são os casos de Aveiro, Chaves, Faro, Portalegre, Santarém, Vila Real, Setúbal e Castelo Branco onde, curiosamente, nestas
duas últimas instituições de ensino as aulas se realizavam “numa varanda do edifício (12 m x 5,60 m)” e numa “sala do liceu contígua ao pátio, cercada de estantes com livros e tendo ao centro um poste de ferro”, respetivamente (Silva, 2002, p. 111).
É importante referir a política levada a cabo pelo governo de João Franco (1906- 1908), inserida numa estratégia de modernização do setor secundário, “objectivamente centrada na edificação dos três liceus de Lisboa – Passos Manuel, Camões e Pedro Nunes – mas também na reparação, ampliação e mudança para edifícios mais adequados de muitos liceus de província” (Silva, 2002, p. 141). Contudo, é essencialmente nos períodos da ditadura militar e, especialmente, do Estado Novo, com a criação da Junta Administrativa do Empréstimo para o Ensino Secundário (JAEES), em 1928, posteriormente substituída pela Junta das Construções para o Ensino Técnico e Secundário (JCETS), que se verifica uma verdadeira vaga de novas construções escolares, de conservação de antigos edifícios e ainda de apetrechamento e fornecimento de mobiliário e de material didático (Alegre, 2012, p. 217-218), tendo tido especial impacto durante as décadas de 30 e de 60 do passado século.
No que às instalações diz respeito, estas mostraram-se desde início cruciais para a prática da Educação Física. A própria Reforma de 1905 veio exigir a conceção de espaços apropriados e destinados a esta disciplina. Por sua vez, estes espaços tinham como principais objetivos estimular a aquisição de conhecimentos dos jovens alunos e ainda controlar os seus comportamentos (Leal de Oliveira, 1946, p. 5). De uma forma geral, distinguem-se duas tipologias de espaços: os ginásios cobertos e os ginásios ao ar livre.
Os primeiros, indispensáveis à realização da atividade física quando as condições meteorológicas são adversas, devem estar situados num piso térreo e de preferência suficientemente afastados das salas de aula “onde são professadas as matérias teóricas”. Devem ainda ter espaço suficiente para acomodar confortavelmente uma turma de 30 a 50 alunos (Leal de Oliveira, 1946, p.8). Quanto ao soalho, preferencialmente em tabuado de carvalho, não deve ser colocado diretamente sobre placas de cimento, para que este não perca a sua elasticidade natural por fim a evitar eventuais quedas perigosas.
As paredes laterais devem conter amplas janelas — não só para facilitar a entrada da luz natural mas também para que o ar consiga circular — e não devem ser providas de largas portas pois dificultam a colocação dos espaldares. Neste tipo de ginásio coberto devem existir ainda alguns espaços anexos que são necessários ao bom funcionamento das aulas de Educação Física, a saber: o vestiário, no qual os alunos se devem equipar e guardar os seus pertences; a arrecadação para aparelhos móveis; um gabinete e vestiário do professor; uma tribuna para a assistência, devendo ser organizada em forma de anfiteatro; e, por fim, as instalações de chuveiro, de modo a definir e incutir uma rotina de higiene pessoal dos alunos (Leal de Oliveira, 1946, pp. 10-11).
Apesar de ser proibida a entrada de sapatos de rua no ginásio coberto, este mesmo espaço, por possível falta de
áreas apropriadas para o efeito, era utilizado para outras finalidades, tais como exposições, conferências e até festas e convívios, tornando-se assim, contra a vontade de alguns, um espaço multiusos que servia variados propósitos.
Ginásio do Liceu Nacional de Angra do Heroísmo
Já os ginásios ao ar livre, preferencialmente montados numa localização ampla, de bom escoamento de águas da chuva e “abrigados dos
ventos dominantes”, devem situar-se relativamente perto do ginásio coberto. É um espaço no qual se vê delimitado no chão os principais campos de jogos — andebol, badminton, basquetebol e voleibol — assinalados por diferentes cores (Mocidade Portuguesa, 1960, pp. 32-43).
Ginásio Cantina da Escola Comercial de Veiga Beirão, Lisboa