ġEKĠL 2.1: ĠĢ Tatmini ve YaĢ Arasındaki Bağıntıyı Gösterir Grafik
2.2. ĠĢ Tatminini Etkileyen Örgütsel Faktörler
2.2.2. Terfi Olanakları
Para concluir, eu poderia dizer que o caráter do deslocamento, verificado tanto no romance quanto no filme, inclusive no que diz respeito à crise do sujeito masculino, encontra aspectos recorrentes nas duas obras e que dizem respeito a dimensões diversas do gênero estrada. Talvez seja possível sintetizar uma série de argumentos até então apresentados, tendo em vista uma conclusão, com a sugestão de dois pontos que podem vir a constituir uma chave para toda a discussão empreendida.
Em primeiro lugar, há tanto no texto de Ronaldo Correia de Brito quanto no filme de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes aquilo que poderíamos designar como uma vocação para o real, percebida na maneira como suas obras incorporam dados da realidade dentro da qual as histórias acontecem. Nesse sentido, a dimensão ambígua entre ficção e documentário vale tanto para Galileia quanto para
biográfica do autor em sua obra é um exemplo notável, além das tantas referências relacionadas ao espaço-tempo no qual a narrativa se apresenta ou, nos termos de Davi Arriguci Jr., a observação da paisagem regional, costumes e ambiente, sem traços pitorescos ou regionalistas. Podemos acrescentar a esse dado a disposição do ro- mance para incluir trechos de uma série de outros produtos midiá- ticos não necessariamente marcados pelo ambiente sertanejo (a menção à banda inglesa Radiohead, no final do primeiro capítulo de Galileia, é, entre tantos outros possíveis, um exemplo oportuno a esse propósito).
Já no filme de Aïnouz e Gomes, sua concepção como docu- mentário que chega a se constituir como ficção, que contudo mantém a perspectiva de documentário, é um dado emblemático. Incorporando registros documentais (como vimos, primeiramente produzidos para o curta-metragem Carranca de acrílico azul-pis-
cina), o longa-metragem mantém e amplia uma série de entrevistas,
depoimentos, entre outras estratégias características do documen- tário, as quais, entretanto, são conectadas ao ponto de vista do pro- tagonista, o geólogo, personagem ficcional.
Tal vocação para o real nos leva ao que seria o segundo ponto- -chave observável em uma análise comparada do romance e do filme, a saber, a possibilidade de construção de roteiros imprevistos. E aqui está em questão a perspectiva de Jean-Louis Comolli e sua defesa do documentário, como uma forma de oposição à ideo- logia conservadora em geral reproduzida no cinema de ficção
mainstream, que, sem se deixar impregnar pelo real, define a priori
os seus roteiros, reproduzindo uma lógica ou valores da cultura he- gemônica (Comolli, 2008).
Nessa perspectiva dos roteiros imprevistos, no texto de Ro- naldo Correia de Brito podemos notar vários espaços vazios a serem ocupados pelo leitor, que poderá preenchê-los a partir de sua pró- pria imaginação. Talvez um dos exemplos mais significativos a esse propósito diga respeito à questão do estupro que sofre Davi, um dos três primos principais da trama, fato enigmático que perpassa a
estrutura narrativa e discursiva de Galileia do começo ao fim, en- volvendo, sobretudo, Adonias e Ismael.
Por sua vez, no texto de Aïnouz e Gomes, a ausência da imagem do protagonista, José Renato, de quem só ouviremos a voz durante todo o filme, cria uma estrutura narrativa e discursiva aberta que, portanto, nos convoca a definir sentidos para o percurso que em- preenderemos com esse personagem, o qual, estando invisível, será construído em boa medida por nossa imaginação enquanto espec- tadores ativos.
Em suma, com essa vocação para o real e com os seus roteiros imprevistos, o romance Galileia e o filme Viajo porque preciso,
volto porque te amo nos permitem pensar em formas móveis, dialó-
gicas, híbridos de literatura, cinema e outras mídias, produzindo regimes estéticos coerentes com as possibilidades de uma exis- tência menos conservadora e mais disposta a lidar com as vicissi- tudes de espaços e tempos que se confrontam com rumos diversos para a vida dos sujeitos e das sociedades.
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