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3. TEKSTĠL ENDÜSTRĠSĠ ATIKSULARI

3.3. Tekstil Endüstrisi Atıksularının Özellikleri

Por outro viés, há estudos que tendem a categorizar esse período da vida em um sentido filogenético, ou seja, que se detém a analisar a evolução da espécie. Tais estudos, como os psicológicos e alguns estudos sociológicos, buscam analisar o comportamento de coletividades na essência de suas semelhanças.

Segundo a Psicanálise (URRIBARRI, 2012), por exemplo, à criança de sete a dez anos – idade aproximada, correspondente aos Anos Iniciais do Ensino Fundamental; estaria na fase da latência. Quanto a essa etapa, o autor cita os estudos de Freud, definindo-a como demarcada pela resolução do complexo de Édipo24 e a organização do Superego25; essa fase dura até o início da puberdade (aspecto biológico do desenvolvimento). Esse seria um período de recesso da sexualidade; isso implica profundas transformações no aparelho psíquico que acabam por se refletir nas relações que o sujeito estabelece com seus pares e com as instituições. O autor atenta para o fato de que se tem uma ideia equivocada quanto ao latente, como sendo uma criança harmoniosa, calma, dócil e estudiosa. Urribarri (2012) considera a latência o período em que ocorre uma reorganização intrapsíquica, fruto da resolução edípica e da estruturação do Superego, culturalmente incitada e configurada, que, consequentemente, obriga o Ego a buscar novas formas de canalizar seus impulsos para fins socialmente aceitos. O autor afirma que a

24 Conforme Brenner (1987), o complexo de Édipo está ligado à forma como se dá a relação de objeto durante a fase

fálica da criança. Nesta, a criança nutre desejos inconscientes incestuosos pelo genitor do sexo oposto (sentimento de posse com exclusividade do amor e admiração) e ciúme e raiva direcionados ao genitor e irmãos do mesmo sexo. O complexo de Édipo declina com a constituição do Superego.

25 Para Paín (1996), ―o superego é o conjunto das identificações com as interdições e as licenças dos pais. É tudo o

latência não se processa uniformemente; refere a ocorrência de duas fases: a latência inicial e tardia.

Quanto a latência inicial, Urribarri (2012) coloca que é uma etapa em que o Ego ainda empreende uma luta constante para obter o controle pulsional26, demandando ao latente uma busca rumo ao equilíbrio entre o desejado e o possível, a partir da operatividade do Superego e das demandas socioculturais, visando ao adiamento ou à sublimação das descargas pulsionais, redirecionando-as para, por exemplo, a aprendizagem. Isso se reflete, inicialmente, em uma ambivalência atitudinal entre acatamento e rebeldia (que gera sentimento de culpa) e baixa tolerância às críticas. Posteriormente, leva a uma atitude mais reflexiva, ―incrementando-se paulatinamente o diálogo interiorizado e o fantasiar‖ (URRIBARRI, 2012, p. 100). Dessa forma, nota-se uma crescente ampliação verbal, ampliação da capacidade atencional, de concentração e inserção escolar. O autor reforça que se costuma perceber em crianças dessa fase o estabelecimento de proibições e imposições a seus pares e o sentimento de raiva e revanchismo, o que representaria uma forma de ela elaborar e internalizar críticas externas. Com uma relativa estabilidade do Ego e a sublimação das descargas pulsionais, é que se inicia a latência tardia, por volta dos oito anos.

Caracteriza a organização da latência tardia uma maior fluidez, autonomia, continuidade e equilíbrio de conduta, um sofrimento consciente menor ao temor de um transbordamento e ao surgimento da ansiedade, assim como uma operatividade progressiva do princípio da realidade na determinação da conduta. Incrementa-se o fantasiar; aparece com nitidez o sonho diurno; amplia-se o distanciamento dos pais e o grupo de pares adquire maior importância. (URRIBARRI, 2012, p. 102)

Cerezer e Outeiral (2011) chamam essa fase da vida de terceira infância, correspondendo ao que Piaget denominou como Estádio das Operações Concretas, assim, descrevendo-a:

A criança já possui uma organização mental integrada, pois todos os sistemas de ação reúnem-se integradamente. [...] O indivíduo é capaz de ver a totalidade de diferentes ângulos. A criança conclui e consolida as conservações do número, da substância e do peso. Apesar de ainda trabalhar com objetos, agora representados, a flexibilidade de pensamento permite um sem número de aprendizagens por parte da criança. O conflito básico neste período é o de atividade X inferioridade (7-11 anos) e corresponde ao chamado Período de Latência para Freud [...] (repressão de instintos sexuais pelo temor da castração e com fins sublimatórios e civilizatórios. (p. 82)

26 A pulsão, conforme Brenner (1987) é uma força ou energia de origem instintiva, que gera um estado de excitação

psíquico, impulsionando determinada ação no sujeito, que, por sua vez, causa uma satisfação ou gratificação, levando a cessação da excitação.

Por sua vez, Piaget (1990a) afirma que, por volta dos sete aos oito anos, ocorre uma modificação na relação entre o sujeito e o objeto do conhecimento. Desse modo, ―as ações interiorizadas [...] com que o sujeito deveria até agora contentar-se adquirem a categoria de operações, enquanto transformações reversíveis modificam certas variáveis e conservam outras‖ (p. 28), devido ao aperfeiçoamento da cognição. Essas mudanças qualitativas na natureza das relações envolvem a reversibilidade, a antecipação, a retroação e a coordenação de variáveis (estabelecimento de correlações lógicas); inaugurando o primeiro nível das Operações Concretas. Já o segundo nível, conforme Piaget (1990a), atinge-se por volta de nove a dez anos, período em que a criança alcança um equilíbrio geral das operações27, com o domínio das operações espaciais – ―coordenação dos pontos de vista em relação a um conjunto de objetos‖ (p. 40). Por outro lado, é uma etapa em que já se começam sentir as lacunas do Estágio Operatório Concreto, especialmente no que diz respeito à causalidade, abrindo espaço para se postular ao nível posterior.

Igualmente, Piaget (2002) ressalta que o início da escolarização (por volta de sete anos) coincide com uma ―modificação decisiva no desenvolvimento mental‖ (p. 40) da criança, influenciando tanto no aspecto da inteligência quanto no da vida afetiva e das relações sociais. Quanto ao progresso da conduta social, o autor aponta que, nessa fase, percebe-se um duplo progresso; na escola, quando a criança trabalha sozinha, verifica-se a concentração individual; já, quando está na coletividade, ocorre a colaboração efetiva e a inserção dos jogos de regras. Isso se deve à introdução da capacidade de reflexão, que proporciona pensar antes de agir; à coordenação de suas ações com a dos demais, libertando-a do egocentrismo social e intelectual e ao desenvolvimento da autonomia. Quanto ao progresso do pensamento, Piaget (2002) afirma que surgem novas formas de explicar os fenômenos, em que ―o animismo dá lugar a uma espécie de causalidade, fundada no princípio de identidade‖ (p. 43), a qual está apoiada na razão; assim, o ―todo é explicado pela composição das partes, e esta supõe, então, operações reais de segmentação ou divisão e, inversamente, de reunião ou adição, [...] concentração ou afastamento‖ (p. 45-46), o que revela o princípio da conservação, cuja razão centra-se na capacidade de reversibilidade. Outras conquistas nessa etapa, segundo o autor, são as que se referem ao

27―Uma operação é então, psicologicamente, uma ação qualquer[...], cuja origem é sempre motora, perceptiva ou

intuitiva. Essas ações [...] têm, assim, elas próprias, por raízes, esquemas senso-motores, experiências afetivas ou mentais (intuitivas), constituindo, antes de se tornarem operatórias, matéria mesma da inteligência senso-motora e, depois, da intuição. [...] ações tornam-se operatórias, logo que duas ações do mesmo gênero possam compor uma terceira, [...]desde que [...] possam ser invertidas.‖ (PIAGET, 2002, p. 48)

desenvolvimento da noção de tempo (bem como as relações entre espaço e velocidade) e de causalidade. Quanto às operações racionais, Piaget (2002) expõe que, em torno dos sete anos, as operações do pensamento passam a se processar no nível da intuição, constituindo uma série de sistemas de conjunto que acabam por transformar as intuições em operações de todos os gêneros. Esses sistemas se elaboram em razão da totalidade e da reversibilidade, não existindo nenhuma operação em estado de isolamento, desenvolvendo-se, coordenando-se e ampliando-se mutuamente e continuamente. No que se refere à afetividade, à vontade e aos sentimentos morais, Piaget (2002) afirma que, em razão de os sujeitos já conseguirem coordenar diferentes pontos de vista (aspecto cognitivo), a afetividade passa a se configurar de outra forma, caracterizando-se ―pela aparição de novos sentimentos morais e, sobretudo, por uma organização da vontade, que leva a uma melhor integração do eu e uma regulação da vida afetiva‖ (p. 53). Nesse período, o autor relata que surge um sentimento de respeito mútuo entre as crianças, o que irá influenciar na forma como elas se relacionam no cotidiano e no jogo; um sentimento que leva, também, à internalização de regras, agora entendida como a expressão de uma vontade comum e, por tal razão, mutável. Assim, como consequência, esse sentimento leva à ideia de justiça, a qual permeia todas as relações da criança, fazendo-a conflitar seu ideal de justiça com o que lhe é imposto. Já a vontade, segundo Piaget (2002), deriva da razão e do ―funcionamento dos sentimentos morais autônomos‖ (p. 56), em forma de uma regulação de energia, surgindo da relação entre o desejado e o dever, em que o sentimento mais forte (o desejo) sucumbe à necessidade (dever), fazendo-a triunfar por um ato de vontade; esta também reversível, o que lhe conferiria o caráter de operação, e, por isso, também se desenvolveria concomitantemente às operações intelectuais.

Para Fernández (1991), a fase da Latência coexistiria com o pensamento Operatório Concreto, ou seja, a ―elaboração objetivante vai se articulando com a elaboração subjetivante, a serviço de um maior equilíbrio‖ (p. 76). Assim, uma criança dessa etapa acaba direcionando sua energia sexual para um objeto de conhecimento socialmente aceito. Segundo a autora, essa ―derivação da energia motiva o interesse na investigação‖ (p. 76) intelectual, provendo condições mais sofisticadas de satisfação de desejos e elaboração do prazer, estruturando uma energia, uma Pulsão Epistemofílica28, ―que leva a aprisionar o objeto‖ (p. 77) do conhecimento e, por consequência, propicia as aprendizagens.

Já no que diz respeito a estudos sociológicos, Corsaro (2011) aponta que a infância é constituída por sub-períodos, e, dentre eles, a que corresponde à criança de sete a dez anos, aproximadamente, seria a etapa da pré-adolescência. Segundo o autor, uma das principais características dos pré-adolescentes é que adoram estar reunidos, compartilhando atividades e constituindo uma cultura de pares organizada por laços de amizade, em que se iniciam processos de identificação com os mesmos. Assim, Corsaro (2011) coloca que os grupos de pré- adolescentes ―gerenciam facilmente e mantêm suas atividades de pares, mas produzem coletivamente uma série de grupos estratificados, e assuntos como aceitação, popularidade e solidariedade grupal se tornam muito importantes‖ (p. 215), o que repercute na consciência reflexiva de melhor amigo, na constituição de prática de inclusão e exclusão de grupos (as chamadas panelinhas) e no gerenciamento de conflitos. Nesse período da infância, conforme o autor, ocorre, igualmente, a segregação de gêneros, mas não totalmente, sendo esta raramente completa. Outro aspecto destacado por Corsaro (2011) é que, nessa fase, as rotinas de brincadeiras se modificam, sendo gradualmente substituídas por atividades verbais que envolvem planejamento, regras, avaliação reflexiva e envolvimento coletivo. O autor coloca que pré- adolescentes ―conversam sobre seus jogos e brincadeiras de modo reflexivo e podem apreciar os aspectos simbólicos e sutis das rotinas de jogos tanto durante quanto depois de suas atuações‖ (CORSARO, 2011, p. 225), dada sua maior habilidade linguística e cognitiva. O autor aponta que pré-adolescentes ainda veem adultos como detentores de poder, mas há uma tendência inicial de buscar desafiar a autoridade adulta, especialmente, diante de seus pares. Corsaro (2011) aponta que crianças dessa idade ―tendem a permanecer firmes em sua posição contra as regras adultas.‖ (p. 246), sendo especialmente ―sensíveis ao que entendem como hipocrisia e injustiça dos adultos‖ (p. 246). Por fim, o autor conclui:

A pré-adolescência é um período em que a criança se esforça para ganhar identidades estáveis, e suas culturas de pares proporcionam tanto um senso de autonomia em relação aos adultos quanto um espaço para lidar com as incertezas de um mundo cada vez mais complexo. (CORSARO, 2011, p. 249)