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6. ġEKER PANCARI KÜSPESĠ HAKKINDA BĠLGĠ

6.4. ġeker Pancarı Küspesinin Değerlendirilmesi Üzerine Yapılan Bazı

A Oficina Minimetragens foi gestada dentro da perspectiva de proporcionar espaços e tempos para a ressignificação dos objetos de aprendizagem escolares que mobilizam esta pesquisa. Contudo, suas origens são anteriores à constituição do projeto de pesquisa, apresentado no ano de 2014. A Oficina Minimetragens foi pensada como uma alternativa para o trabalho com textos narrativos, mediante uma demanda histórica dos Anos Iniciais do Colégio de Aplicação: melhorar a escrita de textos das crianças.

Ao final do ano de 2013, foi realizada a Oficina ―Qual é o som?‖ e percebeu-se que uma demanda daquela etapa (terceiro ano do Ensino Fundamental) era trabalhar no nível da palavra, especialmente no que dizia respeito à interlocução entre a palavra escrita e a palavra dita. Da mesma forma, observou-se que, quando a relação da criança com a palavra já estava mais organizada, fazia-se necessário dar sentido à produção textual, especialmente para algumas crianças. Daí surgiu o questionamento: seria possível ―dar vida‖ ao texto? Esse questionamento foi o embrião da Oficina Minimetragens. Quando da constituição do projeto de pesquisa, já estava claro que essa se daria nos moldes da pesquisa-ação (THIOLENT, 2009) e que a ação no âmbito escolar se daria a partir desse elemento questionador. Ao mesmo tempo em que a pesquisa ia criando forma, a ação também surgia.

Entretanto, o momento no qual surgiu a ideia de organizar uma Oficina sobre Minimetragens aconteceu de forma inusitada: buscava vídeos de desenhos animados com minha filha na internet, quando ela pediu que eu abrisse uma animação em que os personagens eram bonecas comuns. Nesse vídeo, as cenas contavam uma história vivenciada por esses bonecos de forma muito simples, utilizando elementos que as crianças poderiam encontrar entre seus brinquedos. Esse era o mote para ―dar vida ao texto‖. Pensei em algo que poderia ser uma brincadeira, mas incrementada com planejamento de teor pedagógico. Pesquisei que gênero seria aquele: vídeos muito curtos, com até três ou quatro minutos. Primeiro, imaginei que seria um curta-metragem, mas indo mais a fundo, descobri que um curta-metragem duraria de 10 a 30 minutos e teria, por característica, que ser muito mais elaborado. Foi quando conheci um minimetragem, caracterizado por vídeos curtos de 30 segundos a 5 minutos, mais simples, mas que buscavam passar uma mensagem completa, ou seja, uma pequena narrativa apresentada sob a forma de um produto audiovisual.

A proposta então foi apresentada para parte da equipe de professores dos Anos Iniciais do Colégio de Aplicação em meados do mês de outubro de 2014 e, de maneira formal, no dia 01/12/2014, ocasião em que foi apresentada a proposta de projeto de pesquisa e de ação no meio educativo, já denominada Oficina Minimetragens. A proposta seria trabalhar elementos pedagógicos relacionados à consciência textual,36 sob o viés da ludicidade, com um olhar e um cuidado psicopedagógico sobre as aprendizagens a serem constituídas (dado o público alvo). Tomou-se o cuidado de reforçar com o grupo que os objetivos da oficina não seriam terapêuticos, mas pedagógicos.

Desta forma, em conjunto com a equipe de professores dos Anos Iniciais do Colégio de Aplicação, definiu-se que a etapa que mais necessitaria dessa modalidade de trabalho seria a dos alunos que estavam concluindo o terceiro ano do Ensino Fundamental e que ingressariam no quarto ano em 2015. As professoras que estavam acompanhando essas crianças no ano de 2014 se prontificaram a averiguar possíveis candidatos para participarem da oficina no primeiro semestre de 2015. Ao final de 2014, havia um total de 14 possíveis candidatos, que seriam reavaliados no início do ano letivo de 2015. Em abril de 2015, restavam 12 possíveis candidatos. Assim, foram selecionadas, em conjunto com as professoras polivalentes, 10 crianças, partindo-se do princípio de que eram as que mais demandariam um trabalho específico, especialmente, por terem grandes defasagens na escrita e/ou uma vinculação atrapalhada com o objeto de aprendizagem ―textos escritos‖. Cabe ressaltar que inicialmente pretendia-se atender de seis a oito crianças, mas foram ampliadas as vagas, dada a quantidade de ministrantes que fariam parte do projeto (cinco ministrantes mais a pesquisadora) e da quantidade de crianças com as necessidades apontadas.

Negociou-se, também, o dia da semana e o horário da atividade com as professoras polivalentes das turmas de quarto ano de 2015. Tendo em vista que as ministrantes só poderiam estar presentes nas sextas-feiras, encontrou-se na grade de horários apenas um período nesse dia em que seria possível a participação das duas turmas – o quarto período. Sabe-se essa configuração de horário não é a ideal, mas foi o tempo possível concedido para realização do

36 Conforme Pereira (2010) a consciência textual estuda a análise das relações entre os elementos linguísticos que

compõem um texto e sua relação com o contexto, focando em elementos relacionados à estrutura, à coesão e à coerência do texto, tais como: o gênero textual adequado, as características necessárias à estrutura do texto, os tópicos de desenvolvimento do tema, os elementos de coesão lexical, os elementos de coesão gramatical e a organização do texto (partes, tópicos).

trabalho. Tendo em vista tal contingência, foram negociados de antemão outros horários, caso fossem necessários momentos extras para a realização de filmagens ou conclusão de tarefas.

Todo o planejamento da oficina foi realizado de forma coletiva. Assim, todas as sextas- feiras, antes da oficina, todos os ministrantes se reuniam para discutir as tarefas daquele encontro e realizar o planejamento das atividades, e, após a realização da oficina, era realizada uma rodada de discussões sobre as impressões suscitadas e um registro em forma de relato. A fonoaudióloga da escola (identificada como ―fono‖ nos relatos), quatro estagiárias de Fonoaudiologia (identificadas pelas siglas M1, M2, M3 e M4) e a pesquisadora ministraram a oficina. Além das ministrantes, contou-se com um bolsista dos Anos Iniciais para etapa de pós-produção (o qual não foi citado nos relatos).

O objetivo prático da Oficina Minimetragens foi o da elaboração de um vídeo de curta duração para cada grupo de crianças; elas seriam responsáveis por todas as etapas necessárias à elaboração do vídeo: compreensão dos elementos constituintes de um vídeo desse gênero, planejamento temático, elaboração do roteiro, triagem dos personagens, confecção dos cenários, planejamento das animações e planejamento dos efeitos sonoros e visuais. Dado o tempo escasso, decidiu-se que a pós-produção (edição e inclusão de efeitos digitais) seria realizada pela equipe de apoio em momento alternativo ao da oficina. Para isso foi feito, inicialmente, um convite às crianças para participarem da oficina (dia 24/04/2015).

Já o objetivo pedagógico da Oficina Minimetragens foi o de trabalhar a ampliação dos textos e a consciência textual, ou seja, a superestrutura, a coerência e a coesão (PEREIRA, 2014). Segundo a autora, a ―superestrutura envolve os traços que definem o texto como um determinado gênero, contribuindo para situação comunicativa [...] e o modo de organização‖ (p. 04) do mesmo. A coerência refere-se ao conteúdo do texto e às ―suas relações internas e com o entorno‖ (p. 04), tais como o eixo temático, o desenvolvimento do tema, a ausência de contradições temáticas ou linguísticas e as relações com o mundo. Já a ―coesão consiste nos liames linguísticos do texto que contribuem para sua amarração e, assim, para construção de sentidos‖ (p. 04), sendo utilizadas para isso a coesão lexical (relação entre os vocábulos lexicais) e a coesão gramatical (relação entre os vocábulos gramaticais – regras gramaticais).

Por fim, o objetivo psicopedagógico da Oficina Minimetragens foi reelaborar a aproximação das crianças participantes ao objeto de aprendizagem ―texto‖ e reposicioná-las diante de seus pares. Isso se fez por meio do caráter lúdico da oficina, que segue os princípios

propostos por Macedo, Petty e Passos (2005) e o caráter supervalorizado que as oficinas têm no contexto dos Anos Iniciais do Colégio de Aplicação; isso foi comprovado claramente no dia do convite, quando Máximo e Braian fizeram a dancinha da vitória.

A Oficina Minimetragens buscou seguir uma sequência de trabalho similar à das demais oficinas já oferecidas nessa modalidade (Oficina de Aprendizagem). Sua maior diferença foi a da formalização da oficina, com o recolhimento do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido

(TCLE), assinado pelos responsáveis das crianças. Assim, inicialmente, fez-se um convite às

crianças para participarem da Oficina, explicando-lhes brevemente do que se trataria a oficina em seu objetivo prático. Na sequência, foi recolhido o TCLE de cada uma e a oficina teve início.

No primeiro encontro, realizou-se uma espécie de contrato de trabalho com as crianças e foi dito o que se esperava delas quanto à produção: elaboração de uma minimetragem por grupo, na qual se utilizariam bonecos como personagens e objetos como cenário, no transcorrer de oito encontros; colocou-se que eles seriam responsáveis por todo o processo, mas que sempre teriam um adulto para auxiliá-los; explicitou-se que dado o curto espaço de tempo disponível, o foco deveria ser mantido no trabalho. Como não houve desistências, passou-se para a análise de uma minimetragem que estava disponível na internet e conversou-se sobre as partes que compunham a história (Introdução, Desenvolvimento e Conclusão) e sua função no enredo daquele roteiro. Foi feita a rescrita do roteiro do vídeo, em papel pardo, pela pesquisadora, a partir da recapitulação das crianças sobre o que elas haviam visto. Por fim, após nova reprodução do vídeo, conversou- se sobre outros elementos que o compunham (como os diálogos, os personagens principais e secundários, os fatos principais e secundários, o cenário, os efeitos sonoros e os efeitos visuais) e sobre como poderiam ter sido feitos se eles os produzissem. Combinou-se que seriam realizados trabalhos em duplas, as quais seriam reveladas no encontro seguinte, e que, ao final da oficina, seria realizada uma Première para as turmas de quarto ano, em que seriam oferecidas premiações aos vídeos.

A partir do segundo encontro, o trabalho foi direcionado para as duplas, as quais foram sempre acompanhadas por pelo menos um adulto, preferencialmente o mesmo durante todo o processo. As duplas e as razões dos arranjos formados foram os seguintes:

Lívia e Bárbara - Já estavam se articulando espontaneamente. A Bárbara é bastante impositiva, e a Lívia é um tanto

tímida; ali é importante aprenderem a dosar as intervenções.

Braian e Bruno - Também já estavam se articulando, mas precisarão de apoio constante para não perder o foco. São

duas crianças resistentes ao trabalho com a escrita e a aceitar parcerias.

tempo. Deverá haver mediação para que os dois entrem em diálogo (acredito que será saudável). Seguramente, no início, precisarão de um escriba para dar-lhes apoio.

Cláudio e Cecília - Os dois precisam aprender a lidar com o tempo (tempo de trabalhar e de brincar) e a focar no

trabalho escolar. Precisarão de intervenções constantes quanto a isso. Ainda, o Cláudio é bastante criativo, já a Cecília precisa melhorar nesse aspecto; assim, um pode ajudar o outro.

Máximo e Flor - O Máximo precisa ser mais polido, e a Flor é toda delicadinha. Tenho certeza de que o Máximo

vai respeitar a Flor e aprender com isso; já para a Flor ―não tem tempo ruim‖, e ela vai se sair super bem. Além disso, os dois estavam mega empolgados com a oficina, e podem formar uma dupla muito proveitosa em termos de cooperação. Ambos têm suas dificuldades na escrita e situações familiares que tiveram/tem reflexo na escolarização.

O cronograma das atividades realizadas sofreu alterações, dadas as contingências do grupo e fatos relacionados à estrutura escolar (como paralisação e greve), tal como descrito na tabela abaixo.

Cronograma inicial

– De 16/03/2015 a 14/04/2015: sondagem sobre possíveis candidatos a participar da oficina, organização da temática, planejamento das atividades iniciais e proposta e captação de recursos humanos a serem utilizados.

– 24/04/2015: convite às crianças, entrega dos TCLE, análise da primeira leva de textos para averiguar a situação inicial das crianças com relação à produção textual.

– De 27/04/2015 a 04/05/2015: recolhimento dos TCLE.

– De 08/05/2015 a 26/06/2015: desenvolvimento da Oficina e organização dos relatos.

– 03/07/2015: mostra dos vídeos produzidos para turmas de 4º ano do Ensino Fundamental.

Cronograma final

– De 16/03/2015 a 14/04/2015: sondagem sobre possíveis candidatos a participar da oficina, organização da temática, planejamento das atividades iniciais e proposta e captação de recursos humanos a serem utilizados.

– 24/04/2015: convite às crianças, entrega dos TCLE, análise da primeira leva de textos para averiguar a situação inicial das crianças com relação à produção textual.

– De 27/04/2015 a 08/05/2015: recolhimento dos TCLE. – 08/05/2015: 1º encontro – 02/05/2015: 2 º encontro – 22/05/2015: 3 º encontro – 29/05/2015: paralisação de servidores da escola; não houve oficina nesse dia.

– 05/06/2015: ponte do feriado de Corpus Christi – 12/06/2015: 4 º encontro

– 19/06/2015: 5 º encontro – 26/06/2015: 6 º encontro

– 29/06/2015: filmagens remanescentes – 01/07/2015: filmagens remanescentes

– 03/07/2015: Première – I Mostra da Oficina Minimetragens

Tabela 1: Quadro comparativo do cronograma da Oficina Minimetragens

Os dias 29/06/2015 e 01/07/2015 foram utilizados em razão de a escola estar entrando em greve na semana seguinte ao dia 03/07/2015. Assim, abriu-se mão de fazer a avaliação da oficina pelas crianças, como planejado inicialmente, em detrimento da realização da Première. Cabe

destacar que cada uma das duplas conseguiu elaborar seu vídeo, conforme combinado, elencam- se na sequência os títulos de cada uma das produções desenvolvidas pelos participantes da oficina.

Dupla Nome do vídeo produzido

Lívia e Bárbara Perdidos no Zoológico

Braian e Bruno A fera do espaço

Sílvio e Sávio A viagem do macaco e do astronauta pelo espaço

Cláudio e Cecília Five nights de terror