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KORUNMASI VE SÜRDÜRÜLEBĐLĐRLĐĞĐ

2.1. ARAŞTIRMANIN YÖNTEMĐ

2.1.1.3. Tekniğin Sınırlılıkları

Heine (1997, p. 218) tece algumas críticas à abordagem de Freeze (1992) que em publicação posterior (Freeze, 2001) cita o trabalho do africanista apenas como uma tentativa de explicar possessivos sob um viés funcionalista, deixando assim a sugestão de que possessivos devem e só podem ser explicados apenas em uma teoria formalista da linguagem. Talvez Blaszczak (2009) seja quem apresente algumas das críticas mais contundentes, dentro da própria abordagem formalista, para a operação sintática base do Paradigma Localista, o processo de incorporação, partindo de dados fundamentados empiricamente, sem deixar, no entanto, de fora questionamentos internos às teorias empregadas. Dentre alguns pontos problemáticos apontados por Blaszcsak (2009) para a abordagem unitarista, temos:

a) nenhuma diferença é feita entre os tipos de cópula (de sentenças de predicado nominal e de sentenças locativo/existenciais, conforme distinção feita por Stassen, para línguas compartilhantes e cindidas.) (Cf. capítulo 3) com a qual as adposições podem incorporar para resultar um verbo do tipo “have” do inglês;

b) nenhuma distinção é feita para o tipo de categoria possível de incorporar com a cópula, além do problema de que em tal abordagem, o possuidor (PR) em uma sentença possessiva seria assinalado caso duplamente, antes e depois de P incorporar em COP.

Esses são apenas alguns dos problemas mencionados por Blaszczak (2009) e que também são apontados de forma direta ou indireta por outros estudiosos como Payne (2009), Lisa Levinson (2011) e Salzmann (2011). Das observações de Blaszczak, aquelas retiradas de dados de línguas eslavas talvez sejam as mais desafiadoras para uma análise unitarista. Vejamos o seguinte caso: de acordo com Freeze (1992), verbos do tipo be e have não são lexicais, mas categorias funcionais. O primeiro coocorre com PPs, enquanto o segundo, decorrente da operação de incorporação, não poderia coocorrer com PPs, da seguinte forma:

(10) Blaszczak (2009, p 10)

a. NP-TER-NP incorporação P => COP b. PP-COP-NP/NP-COP-NP sem incorporação P=COP c. *PP-TER-NP

Blaszczak encontra algumas contraevidências para (8) em algumas línguas eslavas, nas quais PP coocorre com ter em construções existenciais/possessivas:

(11) Polonês (Blaszczak, 2009, p. 10)

a. Samochód ma silnik. NP-TER-NP

carro.NOM ter motor.ACC

‘O/um carro tem um motor’

b. W samochodzie jest silnik. PP-COP-NP

Em carro.LOC ser motor

‘Tem um motor no carro.’

c. W sachomodzie nie ma silnik. PP-TER-NP

Em carro.LOC NEG ter motor

‘Não tem motor no carro.’ (12) Croata (Blaszczak, 2009, p. 10-11)

a. Petar ima sir (sira). NP-TER-NP

Pedro.NOM tem queijo.ACC queijo.GEN ‘Pedro tem (algum) queijo.’

b. Na stolu je bilo sira. PP-COP-NP Em mesa.LOC AUX COP.PASS queijo.GEN

‘Tinha (algum) queijo na mesa.’

c. Na stolu ima sira. PP-TER-NP

Em mesa.LOC ter queijo.GEN

‘Tinha (algum) queijo na mesa.’ (13) Búlgaro (Blaszczak, 2009, p. 11)

a. Petur ima/imashe kola. NP-TER-NP

Pedro ter/ter.PASS carro ‘Pedro tem/tinha um carro.’

b. Na masata ima/imashe sirene. PP-TER-NP

em mesa-ART ter/ter.PASS queijo ‘Tem/tinha queijo na mesa.’

c. Na masata njama/njamashe sirene. PP-TER-NP Em mesa NEG-ter/NEG-ter.PASS queijo

Os exemplos em (9c), (10c) e (11b.-c.) mostram que aparentemente não haveria nenhuma restrição ao processo de incorporação, podendo ou não ocorrer, o que reforça os argumentos de Blaszczak de que as línguas têm à sua disposição os dois tipos de verbos, ser e

ter, e dependeria de cada língua a necessidade ou não de recorrer ao processo de

incorporação. Essa última afirmação é mais ou menos seguida por Jung (2011) que, adotando a versão minimalista de gramática gerativa, ao pautar-se na análise sobre construções possessivas e sua evolução para as expressões auxiliares e modais em russo, considera ser uma questão de parâmetros as línguas expressarem possessivos por meio de verbos do tipo

ser/ter. Jung (2011) acredita que os dados daquelas três línguas eslavas nos exemplos (11)-

(13) não são grande problema para o Paradigma Localista, por observar que a provável violação das regras elaboradas por Freeze (1992) para a não ocorrência de PP-TER-NP, seria motivada sob certas circunstâncias, a depender de dois fatores: o tempo presente e negação (NEG), isso para o caso das línguas eslavas (Jung, 2011, p. 50).

A solução encontrada por Jung (2011) parece bastante atraente, mas por adentrar em uma discussão mais técnica referente às teorias sobre Caso e foco e concentrar-se basicamente em línguas eslavas, podemos dizer que, para a autora, o mecanismo de incorporação não deve ser necessariamente obrigatório, sendo muito mais uma manifestação do Parâmetro be/have, nas línguas do mundo. O que diferenciaria línguas que fazem uso de cópula para a expressão de possessivos e línguas que fazem uso de verbos do tipo ter seria a necessidade de atribuição de Caso em DP, neste ponto, a autora segue na linha proposta por Kayne (2000 [1993]). Para a autora, línguas do tipo ser seriam desprovidas de traços para Caso, recorrendo a outros mecanismos para a atribuição de caso, por exemplo, a partir de PP ou DP. Já línguas do tipo

ter possuem os traços de atribuição de Caso (Jung, 2011, p. 95).

Para não sairmos tanto dos limites de nosso trabalho, mencionamos o trabalho de Lisa Levinson (2011) como outro exemplo de crítica ao modelo formalista. Levinson faz uso de dados do islandês para mostrar que o fenômeno de incorporação tem certas restrições à categoria que pode incorporar e que as construções de posse predicativa em islandês não tem uma base locativa, como defendido por Freeze (1992). Levinson inicia atestando a existência de verbos como hafa e eiga, utilizados restritamente para tempo e propriedade legal em islandês, enquanto que vera með é utilizado para as demais expressões possessivas, como para coisas portáveis, partes do corpo, doenças e acessórios. Abaixo dois exemplos de vera með:

(14) Islandês (Levinson, L., 2011, p. 360)

a. Hún er með bækumar fimm.

ela.NOM estar com livros-ART.ACC cinco ‘Ela tem cinco livros.’

b. Jón er með kvef.

João.NOM estar com resfriado.ACC ‘João está com/tem gripe’.

Para o português brasileiro (PB), Avelar (2009a) segue algumas indicações de Freeze (2001) e apresenta as construções com “estar com” como prova da base comitativa e copular do verbo “ter”. O autor demonstra o paralelismo entre construções com “estar com” e “ter” afirmando que a diferença entre as duas construções se dá em termos aspectuais. Enquanto as construções com “ter” teria um valor mais permanente, “estar com” seria usado para aspectos temporários de posse, como nos exemplos:

(15) Português (Avelar, 2009a, p. 141) a. O Pedro está com dinheiro. b. O Pedro tem dinheiro.

Não é possível fazer uma comparação entre o islandês e o português, pois as duas línguas diferem consideravelmente no uso da estratégia comitativa para possessivos. Em português o uso de “estar com” é bem mais restrito que “vera með” do islandês, fazendo com que autores considerem o uso de “estar com” como idiomático (Stolz, 2001).