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Delphi Tekniği Verilerinin Analizi ve Bulguların Yorumlanması

DÖNEMĐNE GEÇĐŞ VE GÖKÇEADA DA MEYDANA GELEN SOSYAL VE KÜLTÜREL DEĞĐŞĐM

3.4. GÖKÇEADA DA TOPLUMSAL VE KÜLTÜREL KĐMLĐĞĐN SÜRDÜRÜLEBĐLĐRLĐĞĐ

3.5.3. Delphi Tekniği Verilerinin Analizi ve Bulguların Yorumlanması

À primeira vista, por nosso trabalho se concentrar bastante sobre locativos, existenciais, comitativos e possessivos, uma impressão possível é a de que estamos simplesmente seguindo os quatro principais tipos de possessivos da tipologia de Stassen(2009) e que, assim, nosso trabalho é grandemente baseado naquela tipologia. Embora seja indiscutível tal direcionamento, a decisão de tratar dos quatro domínios é, na verdade, resultado da análise de toda a literatura que passou por nosso escrutínio (Cf. Caps. 3 e 4 ), inserindo este trabalho assim na linha da discussão da conhecida literatura sobre a relação de possessivos com locativos e existenciais (Clark, 1978; Freeze, 1992; Kayne, 1993; Langacker, 2003).

Chamamos ainda a atenção para o fato de Heine (1997, p. 45) ter sugerido primeiramente esses quatro domínios como fontes universais para o desenvolvimento de construções de posse predicativa: o que alguém faz (Ação), onde alguém está (Localização), quem é acompanhado (Companhia), e o que ou quem existe (Existência). O diferencial do nosso trabalho é justamente o de trazer para o palco dessas discussões o domínio conceitual do comitativo, tão importante para entender as construções de posse predicativa em línguas bantas, mas ausente nos principais debates sobre possessivos. Não podemos afirmar qualquer originalidade nesse sentido, lembrando que Stolz (2001) já havia atentado para essa questão. Com Lisa Levinson (2011) temos um primeiro trabalho que utiliza o comitativo como contra evidência da influente “Hipótese Localista” dos estudos gerativista (Cf. Cap. 4). O que diferencia nosso objetivo do de Lisa Levinson é tomar um conjunto de línguas que fazem uso marcadamente do comitativo para as construções de posse predicativa como foco de nossa análise e descrição. Com isso, voltamos a afirmar que para um entendimento mais completo sobre as relações entre domínios conceituais de possessivos, esses quatro domínios devem ser considerados em conjunto. Na seção anterior, elegemos a APR como a base conceitual comum desses quatro domínios, torna-se necessário agora apontar quais operações são utilizadas para a diferenciação dos domínios conceituais.

Na figura 5.7, agrupamos em um mesmo espaço os quatro domínios conceituais, de existenciais, locativos, comitativos e possessivos, como forma de fazer uma comparação entre cada um. Tentamos seguir a mesma sequência da Figura 3.3, onde Stassen (2009) sugere o caminho que as línguas trilham para escolher que tipo de possessivo irá utilizar. Dessa forma, o primeiro retângulo, no alto da página, representa a estratégia existencial ou os possessivos de tópico. O próximo retângulo, à esquerda, representa os possessivos locacionais. Ao lado

dele, temos o retângulo que representa os possessivos comitativos. Por fim, o retângulo do fim da página representa as línguas que fazem uso de algum verbo semitransitivo para possessivos. Para as quatro situações, o conceitualizador irá dar proeminência a uma área específica do domínio conceitual, permitindo assim a diferenciação entre os quatro a partir de uma base comum, a da relação de ponto de referência, diagramado em cada retângulo.

Figura 5.7 – Relação entre domínios conceituais de EXIST, LOC, COM e POSS C T D R EX TP C T D R PR C T D R TM C T D R CD PD LC CR POSS LOC COM EXIST

Diversas operações de construal como proeminência e perspectivização contribuem para a delimitação de um domínio conceitual em relação a outro. Atentando para os retângulos que representam o locativo e existencial, vemos que a proeminência é dada ao alvo T, representados pelo segundo círculo dentro do Domínio D. Com isso, conforme já atestado, esses dois domínios são bastante próximos, o que é confirmado por ter o alvo T focalizado. O retângulo que representa o comitativo, à direita, mostra que a proeminência é para os dois participantes, que são perfilados como um conjunto pluralizado, o que é indicado pela reta que une os dois. Por fim, o retângulo de baixo representa os possessivos baseados em verbos de ação ou semitransitivos. Em resumo, os quatro domínios conceituais do nosso estudo são diferenciados na Análise do Ponto de Referência a partir do elemento que é perfilado. Isso mostra a relação de cada construção com seu domínio: “Existência, “Locativo”, “Companhia” e “Posse”. No último retângulo da Figura 5.7, resolvemos não representar os dois círculos de R e T com linhas espessas para darmos ênfase à seta entre os dois, representando assim o caráter mais agentivo ou ativo desses tipos de construção, e que a relação de possessivos tem o processo em si como perfilado pelos conceitualizadores.

Agora que fizemos a distinção de cada domínio a partir da Análise do Ponto de Referência, tentaremos enfatizar na Figura 5.8, a tendência que os três primeiros domínios, de existenciais, locativos e comitativos, têm para serem recrutados pelas línguas para expressar posse predicativa. Deixamos cada domínio, novamente, na disposição que está na Figura 5.7, desta vez, procuramos manter os fatores estruturais apontados por Stassen como responsáveis pela escolha que as línguas fazem para posse predicativa: sequenciamento temporal e predicação não verbal. Assim, no alto da figura indicamos a existência dos dois elementos em uma relação possessiva, o possuidor (PR) e possuído (PD), que irão ser expressos no domínio de existenciais (EXIST), como tópico (TOP) e o elemento que existe (EX); no domínio de locativos (LOC), como locativo (LC) e o elemento locado ou tema (TM); e no domínio de companhia (COM), com os elementos: acompanhado (CD) e companhia (CA). Esses três elementos são conceitualizados como possuidor (PR) e possuído (PD), passando posteriormente por processos de gramaticalização de forma que a estrutura de uma construção intransitiva, nos possessivos de tópico, locacionais e comitativos, passa a ser uma construção transitiva de um possessivo expresso como um verbo do tipo “ter”. A questão que permanece é: como distinguir um TP, um LC e um CD de um PR e um EX, um TM e um CA de um PD?20

20 Os processos de gramaticalização são representados na Figura 3.3 pelas linhas tracejadas. Na Figura 5.8,

Figura 5.8 – Codificação de posse predicativa e domínios conceituais C T D R EX TP C T D R C T D R TM C T D R CD LC CA PD PR CINDIDO + Ǝ(PR) & Ǝ(PD) QUEBRA - ANTERIOR CINDIDO - + ANTERIOR

Para esse tipo de demarcação de domínios conceituais reside o mérito de uma teoria de gramática preocupada com a faceta imagética da linguagem, da forma como faz a Gramática Cognitiva. Acreditamos firmemente que a Análise do Ponto de Referência, pautada na habilidade humana de utilizar pontos de referência em diversos níveis cognitivos, caracteriza bem os quatro domínios conceituais de possessivos. De qualquer forma, ainda falta conseguir caracterizar, conceitualmente, como possessivos são distinguidos de outros domínios. Como já adiantamos por diversas vezes, voltamos a ressaltar que a categoria semântico-gramatical Controle deve exercer parte significativa desse papel, na conceitualização de possessivos. Assunto a ser explorado com mais detalhes no Capítulo 7.

Por agora resta demonstrar com mais cuidado que a base conceitual comum desses quatro domínios na Análise do Ponto de Referência ainda não é suficiente. Pela literatura consultada no Capítulo 4 verificamos que existe um leque bem maior de outras construções relacionadas a possessivos que poderíamos classificar como subdomínios.