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Tek Parti Dönemi ve Toplumsal Muhalefetin Birikim Süreci

2.1. Parti-Devlet Bütünleşmesi ve Muhalefet

2.1.2. Tek Parti Dönemi ve Toplumsal Muhalefetin Birikim Süreci

O diálogo na narrativa permite a troca de ideias apresentando a comunicação de forma mais direta. Na biografia analisada, não há uso da marca formal tradicional, o travessão. O texto é citado entre aspas, indicando a alternância dos sujeitos, seguido de breves indicações por parte do narrador quanto a quem fala que, talvez, fossem dispensáveis, no entanto constituem um meio de indicar uma interpretação da situação. Este recurso marca a ficcionalização da história, visto que o evento, o ato dos trabalhadores sobre a fórmula Perón- Perón para a Presidência, poderia ter sido narrado de modo objetivo, entretanto o narrador revela-se um criador de enredos que disponibiliza aos personagens de sua narrativa um momento de fala direta.

A narrativa refere-se ao dia 22 de agosto de 1951, ocasião em que o Partido Justicialista apresentaria seus candidatos para concorrer à eleição presidencial em um ato público, o “Cabildo Abierto del Justicialismo”, para o qual o governo havia direcionado toda sua infraestrutura: “Los trenes y los ómnibus desde todos los puntos del país fueron gratuitos. A los manifestantes llegados de todas las partes se los alojó, se les proveyó de viandas y se les agasajó con asados, bailes, funciones de cine y teatro” (EJSV, p. 264).242 Uma grande

multidão reuniu-se no local, na interseção entre as avenidas 9 de Julio e Belgrano, em frente ao Ministério de Obras Públicas: “Habían venido de todos lados. Eran famílias enteras que pugnaban por ver a Evita” (EJSV, p. 265).243

O historiador narra de modo a antecipar os acontecimentos, um recurso que prende a atenção dos leitores, declarando a decepção que o povo irá sofrer, visto que se reuniu com um

242 Tradução nossa: “Os trens e os ônibus de todos os pontos do país foram gratuitos. Os manifestantes chegados de todas as partes foram alojados, providos de alimentos e obsequiados com churrascos, bailes, sessões de

cinema e teatro.”

propósito, mas sairá desconcertado com o resultado do ato (EJSV, p. 265). Enquanto discursam o líder da CGT, José Espejo, seguido de Perón, o povo grita em coro o nome de Evita: “Sólo hubo silencio cuando Evita subió al palco y se acercó al micrófono...” (EJSV, p. 266). 244 Em sua fala, a líder diz que o povo está de pé contra a oligarquia, e o povo grita: “Con Evita, con Evita, con Evita...”, 245enquanto ela faz um balanço da obra do governo e

tenta dissuadir a multidão que esperava que ela fosse candidata junto a Perón.

O povo não aceita e começa o diálogo que mais se parece uma discussão de Evita com a multidão:

Y allí se escuchó claramente la palabra que nadie quería escuchar: “Compañeros. Compañeros…, compañeros. Compañeros: yo no renuncio a mi puesto de lucha, yo

renuncio a los honores…” y agregó: “Yo haré, finalmente, lo que decida el pueblo. ¿Ustedes creen que si el puesto de vicepresidenta fuera un cargo y si yo hubiera sido

una solución no habría contestado que sí?” Pero la gente no quería más evasivas y gritaba: “Contestación, contestación”. Y Evita respondió: “Compañeros: por el

cariño que nos une, les pido por favor no me hagan hacer lo que no quiero hacer. Se

lo pido a ustedes como amiga, como compañera. Les pido que se desconcentren”.

Nada parecía calmar la multitud y Evita probó: “Compañeros: ¿Cuándo Evita los ha defraudado? ¿Cuándo Evita no ha hecho lo que ustedes desean? Yo les pido una

cosa: esperen a mañana”. José Espejo no tuvo una muy buena idea cuando dijo por el micrófono: “Compañeros: La compañera Evita nos pide dos horas de espera. Nos vamos a quedar aquí. No nos moveremos hasta que nos dé la respuesta favorable”.

Se ganó una mirada fulminante de Perón que empezó a repetir insistentemente:

“Levanten este acto, ¡basta ya!”. (EJSV, p. 267)246

O narrador cria um enredo no qual apresenta o breve e intenso diálogo sem mencionar diretamente os documentos nos quais se baseia. Pelo uso das palavras “se escutou”, “gritava”, “ganhou um olhar fulminante”, é possível afirmar que talvez tenha se apoiado em documentários ou vídeos de noticiários da época que lhe forneceram a imagem que descreve em sua narrativa. Conclui a história da candidatura frustrada contando que o Partido Peronista Feminino e integrantes do secretariado da CGT proclamaram oficialmente, no dia 28 de agosto de 1951, a candidatura de Eva Perón sem que ela tivesse confirmado. Três dias depois,

244Tradução nossa: “Só houve silêncio quando Evita subiu ao palco e se aproximou do microfone…”. 245Tradução nossa: “Com Evita, com Evita, com Evita…”.

246 Tradução nossa: “E ali se escutou claramente a palabra que ninguém queria escutar: ‘Companheiros,

Companheiros... companheiros. Companheiros: eu não renuncio ao meu posto de luta, eu renuncio às honras...” e acrescentou: “Eu farei, finalmente, o que o povo decidir. Vocês crêem que se o posto de vicepresidente fosse um cargo e se eu tivesse sido uma solução não teria respondido que sim?’ Mas as pessoas não queriam mais evasivas e gritavam: “Contestação, contestação”. E Evita respondeu: ‘Companheiros: pelo carinho que nos une, peço-lhes

por favor não me façam fazer o que não quero fazer. Peço a vocês como amiga, como companheira. Peço-lhes

que se desconcentrem’. Nada parecia acalmar a multidão e Evita experimentou: ‘Companheiros: Quando Evita

os defraudou? Quando Evita não fez o que vocês desejam? Eu lhes peço uma coisa: esperem amanhã’. José

Espejo não teve uma ideia muito boa quando disse pelo microfone: ‘Companheiros: A companheira Evita nos

pede duas horas de espera. Vamos esperar aqui. Não nos moveremos até que nos dê a resposta favorável’.

finalmente, Evita anuncia pela cadeia de rádio sua decisão, que passou à história peronista como o “Día del Renunciamiento” (EJSV, p. 269).247

Pigna retoma a objetividade ao discutir várias interpretações para a renúncia, que se voltam sobre as razões de sua pré-candidatura e o apoio que teria recebido ou não por parte de Perón (EJSV, p. 269). Para os antiperonistas, Perón havia sido pressionado pelos militares e pela Igreja a pedir que não se candidatasse. Esta versão também é defendida por Borroni e Vacca, biógrafos citados pelo historiador. Já outra biógrafa, Marysa Navarro, segundo o autor, relaciona outras questões à oposição militar e da Igreja: a saúde de Evita e a posição adotada por Perón (EJSV, p. 270). Segundo alguns peronistas, Evita não queria ocupar esse cargo e esse teria sido um modo de impedir as eleições internas pela vice-presidência no partido. Para sustentar essa versão e revelando sua concordância, Pigna cita o ex deputado Rodolfo Decker e o jornalista Dardo Cabo:

La idea de promover la fórmula Perón-Eva Perón, sabiendo que no llegaría a feliz término, le servía a Perón para obturar el segundo término del binomio, un lugar conflictivo que parecía ocupado indiscutiblemente por su mujer y que le permitiría,

tras el “renunciamiento”, presentar el hecho consumado de la postulación del

veterano e inofensivo Hortencio Quijano. La candidatura del viejo radical antipersonalista y vicepresidente decorativo en ejercicio desmentía, a quien quisiera verlo, la versión de que Evita no sería candidata por razones de salud, ya que don Hortencio padecía un cáncer tan fulminante que no lo dejaría asumir su cargo. Murió el 3 de abril de 1952, dos meses antes de que Perón asumiera, por segunda vez y sin vice, la presidencia. (EJSV, 272)248

O modo de narrar essa versão dos fatos constitui a consumação do enredo criado que, junto ao diálogo e à subjetividade, ficcionaliza a história, deixando transparecer a construção da narratividade.

Desta forma, observei a relação entre a história e a ficção na representação política de Eva Perón, em EJSV, uma biografia histórica, que apresenta elementos textuais e paratextual, criadores do efeito de historicidade, por um lado, como a cronologização, a contextualização, a conceitualização, a discussão das fontes (textuais) e a autoria do historiador (paratextual); e que, por outro lado, revelam a ficcionalização da história, tais como subjetividade, enredo e diálogo.

247Tradução nossa: “Dia do Renunciamento”.

248Tradução nossa: “A ideia de promover a fórmula Perón-Eva Perón, sabendo que não chegaria a feliz término, servia a Perón para obturar o segundo termo do binômio, um lugar conflitivo que parecia ocupado

indiscutivelmente por sua mulher e que lhe permitiria, depois do ‘renunciamento’, apresentar o fato consumado

da postulação do veterano e inofensivo Hortencio Quijano. A candidatura do velho radical antipersonalista e vice presidente decorativo em exercício desmentia, a quem quisesse vê-lo, a versão de que Evita não seria candidata por razões de saúde, já que don Hortencio padecia um câncer tão fulminante que não o deixaria assumir seu cargo. Morreu em 3 de abril de 1952, dois meses antes de que Perón assumisse, pela segunda vez e sem vice, a