2. LİTERATÜR TARAMASI
2.1. Tedarik Zinciri Yönetimi Performans Değerlendirme Literatür Taraması
Levando-se em consideração a concepção nietzscheana de origem do direito, não há que se falar em uma justiça natural, uma vez que a única justiça possível é aquela decorrente do advento da lei. Neste particular a filosofia nietzscheana aproxima-se da noção de direito enquanto força, tal como exposto por Ihering e em sua abordagem científica do direito.
Contudo Nietzsche afasta a concepção mecanicista de Dühring, segundo a qual a justiça era derivativa da vingança e a pena, do castigo.
Na segunda fase de seu pensamento, quando a pesquisa genealógica ainda era incipiente, Nietzsche nos apresenta uma noção de eqüidade totalmente diversa daquela que nos foi outorgada por Aristóteles e que ainda é aplicada até os dias de hoje:
Origem da justiça – A justiça (eqüidade) tem sua origem entre aqueles que têm potência mais ou menos igual, como Tucídides (no terrível diálogo entre os enviados atenienses e mélios) o concebeu corretamente: onde não há nenhuma supremacia claramente reconhecível e um combate se tornaria um inconseqüente dano mútuo, surge o pensamento de se entender e negociar sobre as pretensões de ambos os lados; o caráter da troca é o caráter inicial da justiça. Cada um contenta com o outro, na medida em que cada um obtém o que estima mais do que o outro. Dá-se a cada um o que ele quer ter, como doravante seu, e se recebe em compensação o que se deseja. Justiça é, portanto, retribuição e intercâmbio, sob a pressuposição
de uma posição mais ou menos igual de potência; assim a vingança pertence originariamente ao domínio da justiça, ela é intercâmbio. Assim também a gratidão. – Justiça remete naturalmente ao ponto de vista de uma autoconservação inteligente, portanto, ao egoísmo daquela reflexão: “Para que haveria eu de danificar-me inutilmente e talvez nem sequer alcançar o meu alvo? – Isso quanto à origem da justiça. Porque os homens, de acordo com seu hábito intelectual, esqueceram o fim originário das assim chamadas ações justas, eqüitativas, e, em especial, porque através de milênios as crianças foram ensinadas a admirar e imitar tais ações, pouco a pouco surgiu a aparência de uma ação justa é uma ação não-egoísta: e sobre essa aparência repousa a alta estima por elas, que além disso, como todas as estimativas, está ainda em constante crescimento: pois algo altamente estimado é perseguido com sacrifício, imitado, multiplicado, e cresce porque o valor do esforço e zelo despendidos por cada indivíduo é ainda acrescentado o valor da coisa estimada. – Que aspecto pouco moral teria o mundo sem o esquecimento! Um poeta poderia dizer que Deus postou o esquecimento como guardião na soleira da dignidade humana.”353
Não pretendemos, aqui, interpretar o aforismo por inteiro. Notamos, de início, que Nietzsche tira o exemplo de equidade de uma passagem da história, e não de uma abstração racional. Não fundamenta, portanto, a noção de eqüidade segundo a tradição pitagórica- aristotélica, enquanto fórmula ou parâmetro racional, oriundo da geometria ou da teoria do meio termo. Para Nietzsche o caráter da justiça, enquanto equidade é a troca, e não uma fórmula racional para se fazer justiça na ausência de uma norma legal.
Assim, a figura abaixo, que representa a noção aristotélica de equidade, base da teoria do meio-termo, estaria completamente em desacordo com a realidade histórica.
a m r .___________________________._________________________.
353 MAI/HHI, II, 92.
A eqüidade não é fruto de um ponto médio entre dois pontos, onde o ponto (a) representa o ofendido, ou o autor da demanda; o ponto (r) representa o ofensor, ou o réu e o ponto (m) representa o ponto de equilíbrio, ou justiça feita pelo equilíbrio da balança.
Conforme a crítica Nietzscheana, tanto a noção pitagórica-aristotélica de eqüidade fundada na geometria ou em um ponto eqüidistante entre dois outros, já revelariam uma enorme abstração conceitual, fruto tardio da capacidade racional do homem.
Segundo o aforismo de Humano, demasiado humano, supra transcrito, aplicando-se a pesquisa genealógica, a origem da justiça enquanto eqüidade está diretamente vinculada a um estágio muito cultural anterior ao da capacidade de abstração, possuindo sua origem em um instinto primitivo de sobrevivência e na capacidade que todo animal possui de medir a própria força perante um possível oponente.
Num segundo momento, notamos também uma certa influência, posteriormente negada em Genealogia da moral, da teoria de John Stuart Mill, segundo a qual, os homens esquecem a origem dos conceitos valorativos. O que nos coube identificar é que por esta perspectiva a justiça enquanto equidade é oriunda de um sentimento de sobrevivência, da capacidade que todo animal possui de medir forças e evitar danos maiores quando possível. Diferente da noção hobbesiana, Nietzsche não chega a mencionar um contrato social para a formação de um Estado, com a abdicação de direitos naturais em troca de garantia de direitos positivos. Trata-se de uma concepção de equidade bem distante da metafísica.
Se nesta segunda fase de seu pensamento, Nietzsche ainda fundamenta a origem da justiça em um instinto de autoconservação, na terceira fase de seu pensamento, a questão é retomada. Assim, é na hipótese de uma desavença entre duas comunidades, onde a perspectiva de um confronto faça surgir incerteza, temor e grandes perdas para ambas as partes, a composição tomará lugar. Nietzsche retoma essa mesma concepção em Para Além
do Bem e do Mal:
"[...] Quando é maior o perigo, maior é a necessidade de entrar em acordo, com rapidez e facilidade, quanto ao que é necessário fazer" 354
354 GB/BM, IX, 269
Com relação a grupos de homens de menor poder, a composição é imposta pela força:
"[...] Nesse primeiro estágio, justiça é a boa vontade, entre homens de poder aproximadamente igual, de acomodar-se entre si, de "entender-se" mediante um compromisso - e, com relação aos de menor poder, forçá-los a um compromisso entre si"355
Se o interesse de preservar o grupo é a meta, um instinto de autoconservação é a base desse interesse de forma que em Aurora, Nietzsche ainda identificava o início da justiça com fenômenos animais, o que revela o caráter imanente, ou "demasiado humano", do surgimento da justiça. 356
Não devemos crer, em conformidade ao método genealógico, que o conceito de justiça tenha permanecido inalterado ao longo do tempo.
Considerando que as leis revelam o que é estranho para uma sociedade,357 e que as leis são dinâmicas, a noção de justiça também sofre alterações na medida em que o direito se altera e na medida em que o Estado surge:
“[...] “justo” e “injusto” existem apenas a partir da instituição da lei ( e não, como quer Dühring, a partir do ato ofensivo). Falar de justo e injusto em si carece de qualquer sentido[...]”.358
Aqui encontramos a ruptura da filosofia do direito de Nietzsche com qualquer noção de justiça natural ou transcendente. A justiça é um fenômeno humano desenvolvido ao longo do nosso processo civilizatório.
355 GM/GM, II, 8
356 M/A, I, 26. 357 FW/GC, I, 43. 358 GM/GM, II, 11.