3. Araştırmanın Metodu ve Kaynakları
1.3. Türkler Arasında Kıraat İlmi ve Eğitimi
2.3.2. Diğer İlimlerdeki Hocaları
2.3.2.3. Aksay Öncel
2.6.1.1.1. Tecvid İlmine Dair Eserleri
Transpressão foi um termo cunhado originalmente por Harland (1971), aplicando-se à deformação de uma zona planar submetida simultaneamente a compressão e transcorrência. Transtensão foi o termo logicamente simétrico criado a seguir, indicando extensão e transcorrência simultâneas.
O termo transpressão tem diferentes significados na literatura geológica. Seguindo Robin & Cruden (1994), pode-se dizer que existem dois modos em que transpressâo pode ser entendida.
Um sentido mais geral, que se pode chamar de “tectônico”, no qual transpressão refere-se aos processos de deformação ocorrentes com a convergência oblíqua de duas placas ou terrenos tectônicos. Esta convergência oblíqua poderia ser acomodada, por exemplo, com a partição da deformação em transcorrências paralelas às bordas da zona de convergência, e em empurrões em sentido perpendicular a ela (e.g., Richard & Cobbold, 1990).
Outro sentido, mais restrito, que se pode chamar de “estrutural”, inaugurado por Sanderson & Marchini (1984), refere-se à modelagem matemática de uma zona de deformação tabular, freqüentemente tomada como vertical, com suas paredes sendo simultaneamente aproximadas (achatando a zona de deformação) e deslocadas lateralmente (cisalhadas). Se a zona de cisalhamento for confinada lateralmente e na sua base, surge um problema de espaço, que só pode ser resolvido por perda de volume (o que reduziria ao modelo de Ramsay & Graham) ou por extrusão vertical de material ao longo da zona.
Pode-se ainda adicionar um terceiro sentido, mais particular e localizado, desenvolvido inicialmente no estudo das zonas de cisalhamento mais superficiais (e.g. Sylvester & Smith, 1976) onde zonas alternadamente compressivas ou distensivas poderiam ser geradas ao longo de cinturões de cisalhamento transcorrentes, conforme o sentido de suas curvaturas, escalonamentos ou terminações. Situações particulares também ocorreriam nas junções e terminações de zonas de cisalhamento.
A modelagem matemática, em geral tida como originalmente proposta por Sanderson & Marchini (1984), mas já apresentada por Coward (1976) e Sanderson (1982), embora não sob a denominação de “transpressão”, adotada e desenvolvida posteriormente por diversos autores, prescreve a ocorrência de cisalhamento simples (CS) e cisalhamento puro (CP), o que pode ser modelado pela multiplicação de suas respectivas matrizes de deformação:
CS 1 0 0 γ 1 0 0 0 1 CP 1 0 0 0 α 1 0 0 0 α (2.27) T = CS.CP T 1 0 0 α 1 γ. α 1 0 0 0 α (2.28)
As condições de contorno do modelo original prescrevem deformação homogênea, superfície superior livre, paredes delimitadas por descontinuidades (falhas), superfície inferior fixada e ausência de variação de volume.
Figura 2.4 - Transpressão, segundo Sanderson & Marchini (modificado de Hudleston, 1999) As conseqüências do modelo são que as deformações na transpressão produzem strains oblatos (pizzas, com K < 1), a volume constante, com foliações (plano XY do elipsóide de deformação finita) verticais e a um ângulo com as paredes menor do que 45º. Já as lineações de
estiramento (eixo X do elipsóide de deformação finita) poderiam ser horizontais (no caso de domínio da transcorrência) ou verticais (no caso de domínio do cisalhamento puro), mas não oblíquas.
A questão das lineações pode ser compreendida da seguinte maneira. Considere-se inicialmente uma “transpressão” com transcorrência “pura” (α = 1); o eixo X é horizontal e K=1. Justapondo-se um cisalhamento puro (com S1 vertical e S3 horizontal perpendicular às paredes da
zona), com valores de α progressivamente maiores, o elipsóide vai se tornando oblato (K < 1), até virar uma “pizza” perfeita (K = 0), quando então a lineação desvanece (torna-se um tectonito S). Prosseguindo como aumento de α, S1 torna-se vertical, e K torna a aumentar.
Outra conseqüência interessante do modelo é que o eixo de vorticidade permanece vertical, seja a lineação horizontal ou vertical, e portanto os indicadores cinemáticos deveriam ser observados sempre no plano horizontal (XZ ou YZ do elipsóide de deformação, conforme o caso).
No caso da transtensão (α < 1), a lineação é sempre horizontal. Porém, em determinado ponto a foliação passa de empinada a horizontal, conforme se passa de um regime dominado pela transcorrência para um dominado pelo cisalhamento puro. Notar que nesse ponto intermediário a foliação deveria desvanecer, com um elipsóide do tipo charuto (tectonito L, com K = ∞). A figura abaixo mostra essas relações em função de α e da razão de strain (Rs).
Figura 2.5 - Diagrama com o ângulo de convergência / divergência plotado contra a razão axial da elipse de deformação horizontal, mostrando as orientações da foliação e lineação esperados nos vários campos de transpressão e transtração (Teyssier & Tikoff, 1999).
Este modelo vem sendo aperfeiçoado e modificado por diversos autores. Assim passou-se a modelar utilizando-se os tensores de deformação incremental (infinitesimal) e de velocidade de deformação, de modo a considerar-se os efeitos da deformação progressiva sobre os fabrics e os estados de deformação finita; extrusões laterais e oblíquas, fluxos não estáveis (non steady), etc. (e.g. Fossen & Tikoff, 1993, 1997, 1994, Tikoff & Fossen, 1993, Tikoff & Teyssier, 1994, Tessier & Tikoff, 1999, Jiang & Williams, 1998, Dias & Ribeiro, 1994).
O modelo no entanto tem recebido duas críticas básicas.
Um a primeira refere-se à questão da compatibilidade de strain. A proposição de um componente de cisalhamento puro, sem a prescrição de um componente de rotação associada, não permite a ocorrência de deformação heterogênea, sem violar a questão da compatibilidade de strain (Ramsay & Huber,1987, Hudleston, 1999). Considerando a zona de transpressão como uma célula de deformação homogênea, este problema limita-se aos contatos da zona de deformação com as paredes dos blocos adjacentes, onde deve ocorrer um descontinuidade e deslizamento ao seu longo.
Outra crítica, de certa forma relacionada à primeira, é de que os movimentos seriam totalmente livres e sem atrito ao longo das paredes na direção vertical, permitindo a extrusão vertical do material, mas são absolutamente impedidos ao longo das mesmas paredes na direção horizontal, permitindo a transmissão do esforço cisalhante. Uma analogia mecânica seria de que as paredes comportam-se como tendo caneluras verticais, permitindo o movimento nessa direção, mas bloqueando-o na horizontal. Porém tal situação não parece ser geologicamente plausível.
Robin & Cruden(1994) e Dutton (1997) procuraram resolver a questão da compatibilidade de strain nas zonas transpressivas adotando a modelagem clássica de um fluido espremido entre duas placas rígidas e paralelas que se aproximam entre si (e.g. Jaeger, 1969) sobreposta por um componente de cisalhamento simples homogêneo paralelo às paredes.
Figura 2.6 - No bloco superior, transpressão mostrando as descontinuidades com a parede, segundo o modelo de Sanderson & Marchini (1984), e no bloco abaixo, com compatibilidade de strain com as paredes, segundo o modelo de Robin & Cruden (1994) (modificado de Hudleston, 1999).
Possíveis campos de distribuição de foliação (suposta paralela ao plano XY do elipsóide de deformação finita) e de lineação (suposta paralela ao eixo X do elipsóide de deformação finita) são mostrados na figura abaixo. Estes porém não parecem corresponder aos padrões em leque abertos para cima ("flores positivas") em geral observados e interpretados como devidos à "transpressão".
Figura 2.7 - Exemplo de distribuição da foliação prevista no modelo de transpressão de Robin & Cruden (1994).