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3.2.5. Tasarım İlkeleri

3.2.6.6. Biçim

O ser humano é constituído de uma pensante e sentiente manifestação num corpo. Para compreendê-lo, um segmento de humanistas renascentistas tomaram determinadas potencialidades, nomeando-as conforme a especificidade com que o indivíduo se manifesta na sua ação. Assim, nos escritos dos séculos XVI e XVII encontram-se “parte superior”: forças intelectuais explicitadas através de faculdades como razão, engenho, vontade; “parte inferior”: incluindo sentidos, corpo e a expressão de sentimentos ou paixões como alegria, tristeza, riso, choro, medo, ira. Mas essa constituição do ser humano não é um dado a priori ou uma criatura que nasce acabada para estar no mundo. O ser humano constrói-se enquanto cuida da sua constituição, ou seja, constrói-se nas suas faculdades, nos seus sentidos, no seu corpo e nas suas forças intelectuais ao estar em ação no mundo. A construção processa-se numa totalidade, no envolvimento com as atividades, nas práticas, nas intervenções, no trabalho.

Encontra-se na concepção de Vives (1974d) que o construir-se homem ou mulher se faz com o movimentar-se, com o fazer, com o operar, com o fabricar, ações essas decorrentes da intervenção que se contrapõe à passividade, ao torpor e ao ócio.

“No hay cosa que tanto debilite y gaste las fuerzas del entendimiento y del cuerpo como el deleite; porque las unas y las otras se mantienem, se educam y conservam con el ejercicio y el trabajo, y se enflaquecen y pierden con la ociosidad, con la delicadeza y molicie. La limpieza del cuerpo, sin regalos ni refinamientos, ayuda al ingenio y a la salud; la suciedad ocasiona el encogimiento y la enfermedad.” (Introducción a la sabiduría, páginas escogidas de Juan Luis Vives, apud Xirau, 1944, p.189)

Sem o fazer, sem o operar não há construção do espírito humano. Nem mesmo a preparação do alimento, o vestir-se, o brincar, o divertir-se, a remoção da sujidade e a conservação da limpeza do corpo se processam, se o indivíduo não cria uma disposição para essas práticas. Assim, tanto para a disposição da corporeidade ativa como para a construção da inteligência sentiente, o pensamento humanista no início da modernidade conclamará os indivíduos a envolverem-se com o trabalho.

Comênio (1966), na constituição da sua teoria pedagógica, incluirá essa fundamentação de considerar imprescindível para a formação do ser humano industrioso o envolvimento com as ações.

“O homem, enquanto tem um corpo, é feito para trabalhar; vemos todavia, de que de inato ele não tem senão a simples aptidão; pouco a pouco, é necessário ensinar-lhe a estar sentado e a estar de pé, a caminhar e a mover as mãos, a fim de que aprenda a fazer qualquer coisa. Como pode, portanto, a nossa mente, sem uma preparação prévia, ter a prerrogativa de se mostrar perfeita em si e por si? Não é possível, porque é lei de todas as coisas criadas o começar do nada e elevar-se gradualmente, tanto no que diz respeito à essência como no que diz respeito as acções. (Comênio, 1966, p. 121)

Contudo, esse envolvimento com o fazer, com o trabalho, com as ações requer períodos de descanso. O indivíduo industrioso reclama repouso. Nesse sentido, Comênio vai traçar para a sua proposta de formação do ser humano, regularidades para atividades de repouso e lazer. “Não é necessário que faças violência a ti mesmo, pois deve proceder-se pouco a pouco, gradualmente: a gota cava a rocha; não se sobe uma torre voando, mas subindo degrau por degrau”. (Comênio, 1971, p. 260)

165 Observando a regularidade da natureza em que, de tempos em tempos, a árvore tem a necessidade do repouso enquanto trabalha o seu interior, digerindo os sucos para renovar as forças a fim de produzir rebentos, flores e frutos, Comênio (1966) a toma como metáfora para a sua proposta de formação da integridade do indivíduo. Esses precisam do repouso, do sono para que as forças necessárias às atividades humanas sejam repostas. Mas não só o repouso e o sono. Nesse sentido,

“...é necessário, por meio de interválos, dar certo alívio, tanto ao corpo como à mente, com qualquer recreação menor, de uma hora, para evitar o perigo de que trabalhem constrangidos pela violência, a qual é inimiga da natureza. É, portanto, prudente, interromper também os trabalhos diurnos para respirar um pouco e entregar-se a conversas, brincadeiras, jogos, música e outras coisas semelhantes, onde os sentidos externos e internos encontram repouso e prazer.” (Comênio, 1966, p. 201)

Vives (1974d), a respeito da regularidade entre atividade e repouso, tendo em vista a industriosidade do ser humano, coloca:

“La intensidad en los cansados se restablece ora por el descanso, ora por la mera conversión del espíritu a outro objeto, y con tanta mayor facilidad cuando se pasa de un asunto grave a otro ligero; de un objeto enojoso a otro apacible; como también por la recreación de los sentidos, como um espetáculo ameno, con el deleite de la música, con el refrigerio de comida y bebida; ora com cambiar de postura, sentándose si estuvo en pie o poniéndose en pie si se mantuvo sentado, o con un simple paseo, o mediante la excitación de un afecto nuevo, a saber: de alegría, tristeza, deseo (...), según fuere la inclinación de cada uno, finalmente, con qualquier otro recurso que devuelva al espíritu su frescura.” (Vives, 1974a, v. 2, p. 1184 - 1185)

Viver em conformidade com a natureza, colocar-se em situações de trabalho opondo- se à ociosidade, aliar ao trabalho tempos de repouso e de lazer ainda não é o bastante para o cuidado e a constituição de corpo para um indivíduo industrioso. Para a expressão do espírito humano na sua integridade “o corpo humano tem absoluta necessidade de movimento, de ginástica, de exercícios sérios ou de jogos”. (Comênio, 1966, p. 201)

Os alimentos e os hábitos alimentares constituem outro requisito para a obtenção de “um coração alegre” e de um “corpo vigoroso”:

“... o corpo tem necessidade de alimento, pois sem ele, torna-se seco, e morre de fome e de sede; mas o alimento não deve ser excessivo, a fim de que as funções digestivas não fiquem sobrecarregadas e oprimidas. Com quanto mais moderação se ministrar os alimentos, tanto mais fácil e perfeita será a digestão. Como, em geral, não se toma isto em consideração, numerosos são aqueles que arruinam as forças e a vida por excesso de alimento. Ecfetivamente, a morte vem das doenças; as doenças, dos maus humores; os maus humores, da má digestão; a má digestão, do excesso de alimentação, porque o estômago fica tão cheio que não é capaz de digerir, e, por consequência, vê-se obrigado a espalhar pelos órgãos humores pouco ou nada digeridos, dos quais é impossível que não provenham de doenças ...” (Comênio, 1966, p. 199)

Manter um “coração alegre” aliado a um “corpo cultivado” com o trabalho, com os exercícios físicos, com o repouso, com o lazer e com a ingestão de alimentos em proporção adequada, com qualidade selecionada, é o rumo sugerido por Comênio para que o cuidado do corpo seja mantido. Mas, por que todo esse cuidado com o corpo? Porque ele é parte constitutiva da integridade do ser humano. E o ser humano para agir, enquanto homem ou mulher em construção, deve ter como base de sustentação um corpo com saúde, com “humores” saudáveis para que a sensibilidade se manifeste, assim como para que as forças intelectuais exerçam suas atividades.

Dada essa referência dirigida ao cultivo do espírito humano na sua constituição em corpo, sentidos e forças intelectuais sentientes, através da exercitação em atividades e na inserção com o trabalho, Vives e Comênio estão olhando para o espaço da época e dizendo para as pessoas daquele tempo que o envolver-se com as coisas do mundo nas suas construções era imprescindível para os homens e mulheres constituírem-se em pessoas industriosas. Mas não só envolvimento com as coisas do mundo, o cuidado com o instrumento que as pessoas utilizam – o corpo – é que possibilita a constituição do espírito humano.

167 Na teoria pedagógica comeniana, o prolongamento da vida é de importância fundamental para que os homens e as mulheres se construam a sí próprios e o mundo. Portanto, “defender o corpo das doenças e da morte” é tarefa de cada pessoa. Comênio (1966) sintetiza sua defesa sobre o cuidado com o corpo dois argumentos. Primeiramente, argumenta que o corpo é a morada da alma. Esta terá condição de aperfeiçoar-se, se o corpo for cuidado como uma morada.

“... é a habitação, e a única habitação da alma; por isso, se o corpo se arruína, a alma é obrigada a emigrar imediatamente deste mundo; e mesmo que se arruine, pouco a pouco, por meio de rupturas que se abrem, ora de um lado, ora do outro, o seu hóspede, a alma, sente a habitação incómoda. Se, portanto, se quer estar o mais tempo possível e o melhor possível, no palácio do mundo, onde fomos colocados pela benignidade de Deus, é necessário ter atentos cuidados com este tabernáculo que é o corpo.” (Coménio, 1966, p. 198)

O segundo argumento que justifica o cuidado do corpo, apresentado pelo autor tcheco, refere-se à preservação das condições adequadas dos órgãos em que se manifestam as faculdades dos sentidos e das forças intelectuais do processo do pensamento:

“... o corpo foi feito, não só para a habitação da alma racional, mas também para seu órgão, e, sem ele, ela nada pode ouvir, nem ver, nem agir, nem sequer pensar. (...) danificando o cérebro, danifica-se a faculdade imaginativa, e se os membros do corpo estão doentes, é afectada também a mente.” (Coménio, 1966, p. 198)

Portanto, “a vida corpórea é uma realidade inteiramente orgânica, apta a conservar-se ou a corromper-se, consoante os órgãos são conservados ou corrompidos. E “a saúde do corpo consiste num sólido equilíbrio das partes e na manutenção do vigor da cada uma delas; é possível, portanto, conservá-la, evitando todas as influências corruptas”, Cabe, nesse sentido, aos indivíduos a decisão da escolha em que morada desejam viver. (Comênio, 1971, p. 264)

8 – Da necessidade de uma prática de formação dos indivíduos em sua