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3.3. Görsel Okuryazarlık ve İlgili Kuramlar

3.3.1. Görsel Algı Görsel Okuma-Görsel Düşünme

A experiência humanista de Vives e de Comênio os distancia da visão idealista do universo celestial construída pelo pensamento medieval, colocando-os na terrenalidade de seres humanos, com suas individualidades e singularidades construídas nas sociabilidades. Para esses autores, situados no contexto do início da modernidade, Deus só é compreendido se for situado na temporalidade histórica do mundo terreno e da sociedade de pessoas. Portanto, Deus ainda é uma inspiração para as ações humanas, mas essas ações só se tornam reais quando situadas no fazer, no agir, no intervir dos indivíduos na concreticidade da vida terrena. Assim, a relação do indivíduo com Deus torna-se possível porque o divino passa a ser entendido através das relações humanas constituídas de indivíduos com corpo, sentidos e forças intelectuais sentientes.

Nessa condição humana entram em cena todas as sensibilidades promovidas pelos sentidos e outras faculdades como, por exemplo, a razão, o engenho, a memória, para a constituição das pessoas, enquanto construtoras de seus espíritos. Como existe a possibilidade de o indivíduo constituir-se em suas faculdades por meio das relações com as coisas e com as sociabilidades, expressando paixões elevadas como o amor, os desejos, o respeito, a caridade, a alegria, o gozo, o riso, a esperança, existe a possibilidade da manifestação de situações de desgosto, do desprezo, da ira, do ódio, da inveja, da vingança, da crueldade, do medo, do orgulho. (Vives, 1974a; 1974c; 1974d; Comênio, 1966; 1971)

Assim, tanto para Vives como para Comênio, o indivíduo não é só constituído de sensibilidades “elevadas” ou de sensibilidades “baixas”. O espírito humano situado no mundo das coisas está em construção e nesse processo manifestam-se tanto umas quanto outras sensibilidades, embora esses autores tenham como horizonte a formação do homem “virtuoso”.

169 “... todas las cosas humanas andan entremezcladas de bienes y males, no sólo de parte de nosotros mismos, que constamos de elementos tan distintos, sino también por la multiplicidad de circunstancias referente al alma, al cuerpo y al exterior, que no podemos dejar de tener en cuenta. En una tan grande variedad de objetos, ninguno de ellos se ofrecerá a la deliberación, en el que la faculdade de la razón no halle cosas buenas y malas que aconsejar o desaconsejar según los diversos sitios, épocas, personas, cualidades y restantes circunstancias.” (Vives, 1974a, v. 2, p. 1215)

Diante dessa evidência, ou seja, assim como o indivíduo se constitui com sensibilidades e paixões “elevadas” e/ou “baixas”, o mundo exterior, com suas relações entre as pessoas e com a construção da materialidade, constitui-se de “bondades” e/ou “maldades”, de concordâncias e/ou discordâncias enquanto circunstâncias que dão suporte à formação humana.

Nessa trama de relações entre os indivíduos, as coisas e as circunstâncias, a teoria pedagógica comeniana coloca como proposta para a formação do indivíduo a constituição deste, voltada para as sensibilidades e paixões “elevadas”. Para tanto, Comênio apóia-se no pensamento humanista renascentista que prioriza uma outra faculdade da pessoa. A pessoa construída no desejo de tornar-se constituída para ações, obras e intervenções que visem o “bem” ou as sensibilidades e “paixões” construtivas requer a intervenção dessa faculdade. Qual é a faculdade que encaminha o desejo de constituir-se indivíduo “virtuoso”?

“La facultad que ejecuta este fin (el deseo del bien), es en los brutos el apetito sensual, y en el hombre es la voluntad. Es, pues, la voluntad aquella facultad o energía del alma por la cual deseamos lo

bueno y aborrecemos lo malo, guiados por lá razón.” (Vives, 1974a, v.

2, p. 1214)

No início da modernidade, os estudos relativos ao entendimento do ser humano encaminham para a compreensão de que se constitui sujeito de sua própria formação. O desejo de constituir-se para o “bem” (ou para o “mal") tem a faculdade da vontade, uma “energia da alma” que o coloca em ação. Para isso, um esforço individual é necessário na ativação da “energia da alma”, isto é, o indivíduo enquanto sujeito da vontade constrói-se a partir de seu próprio esforço.

Comênio (1966), para a constituição de sua teoria pedagógica, assume a vontade como uma faculdade de importância singular para a formação do indivíduo enquanto sujeito de sensibilidade e ações. A vontade expressa-se aliada a outras faculdades constitutivas da pessoa.

“... nos movimentos da alma, a principal roda é a vontade; os pesos que a fazem mover são os desejos e as paixões que inclinam a vontade para esta ou para aquela parte. A válvula, que abre e fecha o movimento, é a razão, a qual mede e determina que coisa, onde e até que ponto se deve abraçar ou afastar. Os outros movimentos da alma são como as rodas menores, que seguem a principal. Por isso, se aos desejos e às paixões se não atribui um peso demasiado grande, e a válvula, ou seja, a razão, abre e fecha convenientemente, é impossível não seguir uma ordem e um acordo perfeito de virtudes, isto é, um perfeito equilíbrio das acções e das paixões.” (Coménio, 1966, p. 112)

O indivíduo, ao abstrair-se dos rumos traçados por um poder divino, passa a ser o sujeito responsável de sua formação, tanto para as ações exteriores como para a constituição de sua própria individualidade. A educabilidade é própria de cada pessoa, entretanto, os pedagogos fazendo a leitura das práticas sociais em que estão inseridos, traçam um projeto de educação, de formação do indivíduo.

Esses pedagogos vão perceber que esse indivíduo, mesmo sendo responsável por sua própria constituição enquanto ser humano, tem a necessidade de um rumo de formação. Daí, a necessidade da constituição de um projeto educativo. A teoria pedagógica comeniana insere-se nesse projeto traçando para a formação do indivíduo a constituição corpo, sentidos e espírito humano sentiente em acordo com as práticas socioculturais de seu tempo. Para tanto, alguns elementos serão constituidores imprescindíveis de sua teoria pedagógica: a educação, a escola e o mestre.

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IV

– ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DA TEORIA PEDAGÓGICA

COMENIANA

a educação como arte, a escola como oficina