A concepção de qualidade em educação, cada vez mais, tem um papel específico no setor educacional, diversos autores têm elaborado propostas de qualidade e modelos de avaliações institucionais, com o objetivo de aprimorar a qualidade da educação no Brasil. No entanto, a visão instrumental faz da educação um negócio comparável a qualquer empresa, uma vez que a visão crítica é que poderia levar a uma compreensão ideal da qualidade, segundo a qual, definiria a sua função social, a ser cumprida pelas IES privadas.
Para Gola (2003, apud SANYAL; MARTIN, 2006), a definição de qualidade, assim como aplica a Organização Internacional para Normalização (ISO) ao Ensino Superior, poderia ser a especificação de objetivos de aprendizagem que valham a pena e dispor de estratégias e estrutura para que os estudantes os alcancem.
No entanto, para que os objetivos de aprendizagem sejam válidos, é preciso que sejam estabelecidos critérios acadêmicos e que os mesmos atinjam:
a) as expectativas da sociedade; b) as aspirações dos estudantes;
c) as demandas do governo, das empresas e das indústrias; e d) as necessidades das instituições profissionais.
Para tanto, é necessário um bom desenho dos cursos, estratégias docentes adequadas e eficazes, professores competentes e um ambiente que propicie a formação.
Para Sanyal e Martin (2006), a qualidade de uma instituição ou de um programa de curso pode ser medida pelo cumprimento de critérios mínimos estabelecidos para os insumos, processos e resultados, na qual é denominado de enfoque de qualidade baseado em padrões. Como os objetivos dos atores envolvidos no processo variam, é preciso que sejam estabelecidos critérios mínimos de qualidade, buscando um denominador comum.
Juliatto (2005) observa que embora os procedimentos de avaliação formal constituam um fenômeno recente, sempre existiram tentativas de avaliação informal, orientadas pelo senso comum. Há duas abordagens metodológicas empregadas na avaliação da qualidade da Educação Superior (p.75):
1) Categoria Quantitativa: As avaliações quantitativas são paradigmas métricos e contam com índices e medidas operacionalmente definidas e objetivas.
2) Categoria Qualitativa: As avaliações qualitativas, comportam alguma variedade de critérios mais subjetivos, embasadas em métodos de investigação naturalistas e etnográficos.
Métodos quantitativos têm sido usados no trato de matérias em que os dados já existem ou facilmente podem ser reunidos, como nos seguintes exemplos: teste de aptidão, registros estudantis, despesas registradas, coleções de biblioteca, dependências educativas, proporção de doutores no corpo docente e outros.
De acordo com Juliatto (2005), os métodos qualitativos não enfatizam a objetividade no mesmo grau. Em vez disso, eles tentam capturar outras manifestações subjetivas da qualidade, mais infensas de serem traduzidas por medições numéricas, como a satisfação do estudante, o envolvimento pessoal do estudante e a interação do discente com o corpo docente. (p.75)
Tanto a abordagem qualitativa como a quantitativa, são utilizadas na avaliação da qualidade da Educação Superior. No entanto, os métodos quantitativos têm sido predominantes ao longo do tempo. Para Juliatto (2005), a utilização de medidas objetivas e padronizadas apresentam algumas vantagens. Pelo fato de carregarem dados numéricos, tornaram-se fáceis de usar e muito adequadas aos
procedimentos de análise computacional, facilitando as comparações em séries históricas dentro da instituição e com outras instituições.
Já a vantagem de utilização da abordagem qualitativa está na possibilidade de capturar alguns aspectos subjetivos da qualidade que são menos quantificáveis e por permitirem incorporar na aferição apreciações pessoais dos sujeitos envolvidos no processo educativo.
Na avaliação da qualidade, conforme apontam Sanyal e Martin (2006), existem dois tipos de garantia de qualidade:
1) Interna: A garantia interna da qualidade assegura que uma instituição tenha em funcionamento políticas e mecanismos que garantam que seus próprios objetivos e padrões sejam cumpridos.
2) Externa: A garantia externa é realizada por uma organização que avalia o funcionamento do programa da instituição, a fim de determinar se os critérios pré- determinados são cumpridos.
A garantia da qualidade se dá em três níveis: instituição, programa e curso, implicam numa série de práticas entre as quais é possível distinguir dois instrumentos de controle:
1) Auditoria de qualidade: verifica se uma instituição ou uma das suas unidades dispõem de um sistema de procedimentos de garantia de qualidade e determina sua adequação. As auditorias de qualidade são realizadas por pessoas que não têm vínculo com o objeto de análise e podem ser consideradas o primeiro passo do processo de garantia de qualidade. Noruega, Austrália, Nova Zelândia e África do Sul são países que utilizam esse enfoque.
2) Avaliação da qualidade: implica em análises (estudo, planejamento e avaliação) da qualidade dos processos, práticas, programas e serviços da Educação Superior mediante técnicas, mecanismos e atividades apropriadas. O processo de avaliação da qualidade leva em conta o contexto (internacional, nacional, regional ou institucional).
De acordo com o (MEC/SEED, 2007) Ministério da Educação - Secretaria de Educação a Distância - trata os referenciais de qualidade para a Educação
Superior a distância, considerando o contexto da política permanente de expansão da educação superior no País, implementada pelo MEC, a EaD coloca-se como uma modalidade importante no seu desenvolvimento. Nesse sentido, é fundamental a definição de princípios, diretrizes e critérios que sejam Referenciais de Qualidade para as instituições que ofereçam cursos nessa modalidade (MEC/SEED, 2007).
Por esta razão, o MEC/SEED apresenta, para propiciar debates e reflexões, um documento com a definição desses Referenciais de Qualidade para a modalidade de educação superior a distância no País. Esses Referenciais de Qualidade circunscrevem-se no ordenamento legal vigente em complemento às determinações específicas da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, do Decreto 5.622, de 20 de dezembro de 2005, do Decreto 5.773 de junho de 2006 e das Portarias Normativas 1 e 2, de 11 de janeiro de 2007 (MEC/SEED, 2007).
Embora seja um documento que não tem força de lei, ele será um referencial norteador para subsidiar atos legais do poder público no que se referem aos processos específicos de regulação, supervisão e avaliação da modalidade citada.
Por outro lado, as orientações contidas neste documento devem ter função indutora, não só em termos da própria concepção teórico-metodológica da educação a distância, mas também da organização de sistemas de EaD. Elaborado a partir de discussão com especialistas do setor, com as universidades e com a sociedade, ele tem como preocupação central apresentar um conjunto de definições e conceitos de modo a, de um lado, garantir qualidade nos processos de educação a distância e, de outro, coibir tanto a precarização da educação superior, verificada em alguns modelos de oferta de EaD, quanto a sua oferta indiscriminada e sem garantias das condições básicas para o desenvolvimento de cursos com qualidade.
Muito embora o texto apresente orientações especificamente à educação superior, ele será importante instrumento para a cooperação e integração entre os sistemas de ensino, nos termos dos artigos. 8º, 9º, 10º e 11º da Lei nº 9.394, de 1996, nos quais se preceitua a padronização de normas e procedimentos nacionais para os ritos regulatórios, além de servir de base de reflexão para a elaboração de referenciais específicos para os demais níveis educacionais que podem ser ofertados a distância.
A proposta de Referenciais de Qualidade para a modalidade de educação superior a distância, apresentada no ano de 2007, atualiza o primeiro texto oficial do
MEC, de 2003. As mudanças implementadas são justificadas em razão das alterações provocadas pelo amadurecimento dos processos, principalmente no que diz respeito às diferentes possibilidades pedagógicas, notadamente quanto à utilização de tecnologias de informação e comunicação, em função das discussões teórico-metodológicas que tem permeado os debates acadêmicos (MEC, 2007).
Os debates a respeito da EaD, que acontecem no País, sobretudo, na última década, têm criado reflexões importantes a respeito da necessidade de repensar alguns paradigmas que norteiam as compreensões relativas à educação, escola, currículo, estudante, professor, avaliação, gestão escolar, dentre outros.
Outro fator importante para o delineamento desses referenciais é o debate a respeito da conformação e consolidação de diferentes modelos de oferta de cursos a distância em nosso País. Neste ponto, é importante destacar a inclusão de referências específicas aos polos de apoio presencial, que foram contemplados com as regras dos Decretos supracitados e pela Portaria Normativa nº 2, de janeiro de 2007. Desta maneira, o polo passa a integrar, com especial ênfase, o conjunto de instalações que receberá avaliação externa, quando do credenciamento institucional para a modalidade de educação a distância (MEC/SEED, 2007).
Finalmente, cumpre observar que essa proposta de atualização dos Referenciais de Qualidade para a educação superior a distância surge também norteada pelos resultados dos procedimentos avaliativos realizados pelo MEC em múltiplos programas de educação a distância em andamento no País.