Anne-Babaların Çocuk Edebiyatı Kavramına İlişkin Görüşleri (Çanakkale Örneği)
3. Tartışma ve Öneriler
Este estudo será elaborado tendo por base uma questão que surgiu ao longo do meu percurso académico, especificamente durante os estágios por mim realizados, ou seja, quais são as conceções de encarregados de educação relativamente ao que é brincar, no caso em particular de encarregados de educação de crianças com cinco/seis anos de idade.
Esta é uma questão que, desde o início da minha licenciatura me suscitou enorme interesse, isto porque, na nossa sociedade, e devido à sobrecarga de atividades extracurriculares é notório que as crianças brincam cada vez menos (Ferland, 2006). Assim, torna-se importante compreender as conceções que o adulto, nomeadamente os pais e encarregados de educação, têm acerca do brincar porque dessas conceções dependerá a valorização dada a esta atividade, o respeito pela mesma e a eventual necessidade, por parte do educador, de sensibilizar os pais/encarregados de educação para este tema.
Ferland (2006) salienta que nos dias de hoje, tanto as famílias como a sociedade, se esquecem que a criança tem direito a brincar e que se deveria refletir mais acerca do
seu impacto no desenvolvimento da criança. Havendo ainda “razões para crer que o brincar será asfixiado pela educação” (p. 63), mas esta é uma atividade natural para as crianças, logo temos de estar mais atentos para que esta atividade volte a tornar-se primordial no seu quotidiano.
3.2. Objeto de estudo
O presente estudo terá como objetivo principal:
- Conhecer as representações sociais dos encarregados de educação de crianças em idade Pré-Escolar (cinco/seis anos de idade), relativamente ao que é brincar.
3.3. Metodologia
Uma investigação pode ser encarada como um processo que pretende estruturar o conhecimento e cujos objetivos passam por gerar novos conhecimentos ou confirmar teorias já existentes. Trata-se portanto de um processo de aprendizagem para quem a realiza e, também, para a sociedade (Sousa & Batista, 2011).
Tuckman (2005) defende que uma educação de qualidade passa pela investigação, porque cria, em todo o processo de aprendizagem, uma atitude investigativa iniciada com a consciência de um problema, que se reinicia permanentemente pela identificação de possíveis respostas.
Para este projeto de investigação recorremos a uma investigação de natureza qualitativa. Assim sendo, antes de serem apresentados os participantes, a técnica e os procedimentos utilizados, considera-se necessário explicitar as características de uma investigação qualitativa, de modo a que se processe um enquadramento lógico de ideias.
A investigação qualitativa é um método que se concentra na “compreensão dos problemas, analisando os comportamentos, as atitudes ou os valores” (Sousa & Batista,
2011, p. 56). Neste sentido, e de acordo com Bogdan e Biklen (1994) esta é uma abordagem que permite descrever um fenómeno em profundidade através da apreensão de significados e estados subjetivos dos participantes, sendo que nestes estudos há sempre a tentativa de compreender pormenorizadamente as perspetivas e pontos de vista dos indivíduos sobre um assunto específico.
É um tipo de investigação indutiva e descritiva, o que significa que o investigador
“desenvolve conceitos e chega à compreensão dos fenómenos a partir de padrões
resultantes da recolha de dados” (Sousa & Batista, 2011, p. 56), caracterizando-se assim por apresentar maior interesse no processo de investigação e não apenas nos resultados.
Para Almeida e Freire (2008) um dos princípios da investigação qualitativa baseia-se no interesse em conhecer a forma como os indivíduos experienciam e interpretam o mundo social que construíram em interação uns com os outros. A
metodologia qualitativa procura a “globalidade” e “compreensão dos fenómenos” (p.
111), sem segmentar e descontextualizar a realidade, partindo dos próprios dados para os compreender ou explicar, ao invés de teorias prévias.
Em educação tem-se recorrido cada vez mais a abordagens de natureza qualitativa e segundo Bogdan e Biklen (1994) o ambiente natural é a fonte direta dos dados e o investigador é o principal agente desta recolha, sendo que os dados que recolhe são essencialmente de carácter descritivo. Na verdade, a investigação quantitativa utiliza dados de natureza numérica, permitindo que se provem relações entre variáveis, mas, no caso das investigações qualitativas, estas utilizam metodologias que possam criar dados descritivos que lhes permitam observar o modo de pensar dos participantes numa investigação.
Segundo Stake (citado por Pardal & Lopes, 2011) “os investigadores quantitativos privilegiam a explicação e o controlo; [enquanto] os investigadores qualitativos privilegiam a compreensão das complexas inter-relações entre tudo o que
existe” (p. 23).
No presente estudo, os dados foram recolhidos através da utilização de um questionário constituído por uma única questão aberta e posterior análise de conteúdo, recorrendo a um sistema de categorização. Seguidamente, e de acordo com diversos autores, pretende-se esclarecer estes conceitos.
Segundo Quivy e Campenhoudt (2003) a análise das informações recolhidas abrange determinadas operações, entre as quais a descrição e preparação (agregada ou não) dos dados necessários para testar as hipóteses; e a análise das relações entre as variáveis.
A análise de conteúdo é uma técnica flexível, que aposta na possibilidade de fazer induções interpretativas, partindo dos conteúdos que seguidamente darão origem a categorias. Krippendorff (citado por Amado, 2013) diz ainda que esta técnica de
investigação “permite fazer inferências, válidas e replicáveis, dos dados para o seu
contexto” (p. 303). Esta é uma técnica que permite uma rigorosa e objetiva representação dos conteúdos ou elementos das mensagens, através da codificação e classificação por categorias (Amado, 2013).
De acordo com Freitas, Cunha e Moscarola (citados por Silva & Fossá, 2015) a
análise de conteúdo “é uma técnica refinada, que exige do pesquisador, disciplina, dedicação, paciência e tempo” (p. 3), sendo ainda necessária intuição, imaginação e
criatividade, sobretudo na definição das categorias que irão ser analisadas.
manipuláveis, procurando padrões, para no final descobrir aquilo que deve ser apreendido, bem como decidir o que vai ser transmitido aos outros (Bogdan & Biklen, 1994).
Relativamente ao tratamento dos dados recolhidos deve-se ter em conta a unidade de registo, que significa a unidade de significação a codificar. Esta pode ser de natureza e dimensões variáveis, sendo que as mais utilizadas são o tema e a palavra.
Bardin (1995) refere que o tema “é geralmente utilizado como unidade de registo para
estudar motivações de opiniões, de atitudes, de valores, de crenças, de tendências, etc.”
(p.106).
O mesmo autor refere que “fazer uma análise temática consiste em descobrir ‘núcleos de sentido’ que compõem a comunicação e cuja presença, ou frequência de
aparição podem significar alguma coisa para o objetivo analítico escolhido” (p. 105). Seguindo a mesma linha de pensamento, Quivy e Campenhoudt (2003) indicam que a análise temática tenta sobretudo revelar as representações sociais ou os juízos dos participantes, partindo da observação e análise das suas respostas, sendo esse o objetivo da nossa investigação.
Ainda dentro da análise temática distinguimos a análise categorial que consiste no cálculo e comparação das frequências de determinadas características – os temas invocados – agrupadas em categorias significativas. Esta “baseia-se na hipótese segundo a qual uma característica é tanto mais frequentemente citada quanto mais
importante é para o locutor” (Quivy & Campenhoudt, 2003, p. 228).
Para Bogdan e Biklen (1994) o desenvolvimento de um sistema de codificação envolve percorrer os dados procurando padrões e seguidamente escrever palavras/frases que representem estes mesmos padrões, nascendo assim as chamadas categorias de codificação.
Categorização é definida por Bardin (1995) como uma operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto, por diferenciação e reagrupamento segundo o género, com critérios definidos antecipadamente. Assim, classificar elementos em categorias implica verificar o que estes têm em comum, pois é este fator que permitirá o seu agrupamento, contudo, podem existir outros critérios modificando o que foi referido anteriormente. Este processo de categorização é estruturalista e admite duas etapas: isolar os elementos e reparti-los, procurando impor organização às mensagens.
Após efetivar a classificação e definir as categorias relacionadas com o estudo,
o investigador “propõe inferências e realiza interpretações, inter-relacionando-as com o quadro teórico inicial ou abre outras pistas em torno de novas dimensões teóricas e
interpretativas, sugerida pela leitura do material” (Minayo, citada por Cavalcante, Calixto
& Pinheiro, 2014, p. 16).
Assim sendo, as respostas obtidas neste estudo foram analisadas através de análise de conteúdo e o sistema de categorias utilizado para codificação dos dados foi desenvolvido com base numa técnica designada por codificação emergente, porque usa os dados a serem codificados para criar o esquema de codificação. Por fim, importa referir que a unidade de análise deste estudo foi o tema.
Visto que esta investigação está assente no objetivo de conhecer as conceções de um determinado grupo de participantes, de seguida explicitarei alguns conceitos importantes que fundamentam o que significa a representação social de um grupo.
Serge Moscovici (citado por Neto, 1998) inspirou-se no conceito de Durkheim de representações coletivas, fazendo ligação com as origens sociais das atitudes, para elaborar uma teoria que teve um profundo impacto na psicologia social europeia. Os trabalhos inscritos nesta teoria estabelecem uma visão diferenciadora na abordagem da psicologia social europeia, consistindo numa das suas manifestações mais importantes. O psicólogo social Moscovici chegou a caracterizar a nossa época como a era das representações sociais (Neto, 1998). Este é um conceito que chama a atenção para os modos de pensamento que nos relaciona com o mundo e com os outros.
O conceito de representação social, segundo Lalande (citado por Neto, 1998) advém do uso do verbo “representar-se”, como sinónimo de “imaginar”. Pode ainda definir-se como “aquilo que está presente no espírito; o que em nós “se representa”; aquilo que forma o conteúdo de um acto do pensamento, em particular, reprodução de
uma percepção anterior” (p. 429).
Para Abric (citado por Nascimento-Schulze, 2010) as representações sociais guiam e orientam as práticas dos indivíduos de três formas: “intervindo na definição do
objetivo da situação”; “refletindo na natureza das regras sociais e dos laços entre os membros do grupo” e, por fim, “permitindo uma justificação a posteriori em relação a
certas práticas” (p. 30).
indivíduos não se limitam a receber e processar informação, sendo também construtores de significados, conjeturando acerca da realidade social (Vala, 2000).
De acordo com Gilly (citado por Neto, 1998), o campo educativo é um espaço privilegiado para observação da construção, evolução e transformação das representações sociais entre os grupos sociais, de modo a compreendermos “o papel
destas construções nas relações destes grupos com o objecto da sua representação”
(p. 469).
Segundo Moscovici (citado por Vala, 2000, p. 458),
As representações sociais são um conjunto de conceitos, proposições e explicações criado na vida quotidiana no decurso da comunicação interindividual. São o equivalente, na nossa sociedade, dos mitos e sistemas de crenças das sociedades tradicionais; podem ainda ser vistas como a versão contemporânea do senso comum.
Já Jodelet (citado por Vala, 1993) define representação social como “uma modalidade de conhecimento, socialmente elaborada e partilhada, com um objetivo
prático e contribuindo para a construção de uma realidade comum a um conjunto social”
(p. 354).
O projeto de Moscovici (citado por Vala, 1993) propõe “a análise dos processos através dos quais os indivíduos em interação social constroem teorias sobre os objetos
sociais” (p. 353). Assim, a tarefa de associação livre de palavras direciona-se sobretudo no campo da psicologia social, estando relacionada especificamente com a teoria das representações sociais e apresentando-se como uma técnica adequada a utilizar neste estudo. Importa, portanto, compreender o seu significado e objetivo.
A associação livre de palavras que Reis e Bellini (2009) também denominam por evocação livre, parte de palavras-estímulo para obter associações livres, portanto consiste em apresentar uma palavra indutora que solicita a produção de expressões representativas dessa mesma palavra.
Segundo Tavares, Brito, Córdula, Silva e Neves (2014), a tarefa de associação livre de palavras é uma técnica projetiva, na medida em que atua diretamente sobre a estrutura psicológica dos indivíduos através de estímulos indutores, podendo ser verbais ou não verbais, que respondem às induções e, deste modo, irão demonstrar aspetos da sua personalidade ou as suas representações acerca do objeto indutor.
3.3.1. Participantes
Os questionários destinaram-se aos encarregados de educação do grupo onde foi realizado o estágio da unidade curricular de PES II. Assim, participaram neste estudo 22 encarregados de educação.
Dos 22 participantes, 15 são do género feminino e 7 do género masculino, com idades compreendidas entre os 34 e os 47 anos de idade. Relativamente ao nível de escolaridade, 20 participantes concluíram o ensino superior e dois concluíram o ensino secundário (verificar Quadro 1).
Quanto ao número de filhos e observando o Quadro 2 podemos concluir que a maioria dos participantes tem dois filhos, com idades compreendidas entre os dois e os nove anos de idade; sendo que em menor número estão os encarregados de educação com três e quatro filhos.
Os dados dos participantes – idade, género e número de filhos – estão ainda
N.º de participantes
Idades (Faixa etária)
Género Nível de escolaridade
Masculino Feminino Ensino Superior Ensino Secundário 22 Entre 30 – 35 anos 4 7 15 20 2 Entre 36 – 41 anos 12 Entre 42 – 47 anos 6 N.º de participantes N.º de filhos Idades 12 2 Entre 2 – 9 anos 4 1 Entre 5 - 6 anos 3 3 Entre 1 – 13 anos 3 4 Entre 1 – 11 anos
Quadro 2 – Caracterização dos participantes quanto ao número de filhos e respetiva idade Quadro 1 – Caracterização dos participantes quanto à faixa etária, género e nível de escolaridade
3.3.2. Técnica
Como referido anteriormente, este é um estudo qualitativo, baseado na teoria das representações sociais, que consistiu numa recolha de palavras associadas ao
conceito “brincar”. Importa ainda referir que, antes da realização do estudo com os participantes, a mesma questão foi colocada a um grupo, de menor dimensão, de modo a perceber a adequação da técnica escolhida.
Relativamente à estrutura do questionário (verificar Apêndice B), este contém uma nota introdutória, onde está exposto o seu objetivo, garantindo ainda a total confidencialidade dos dados recolhidos. Seguidamente encontra-se a questão: “Quando
pensa em “brincar” o que lhe vem à ideia?”, sendo pretendido que os participantes
escrevam palavras ou expressões que representem as suas ideias e opiniões.
Para fins de caracterização dos participantes foi ainda solicitado que respondessem às seguintes informações: género; idade; escolaridade; número de filhos e respetiva idade.
3.3.3. Procedimentos
Na última semana de estágio os encarregados de educação tiveram conhecimento, pela autora deste relatório, que se pretendia realizar um estudo para fins de investigação científica. Foi ainda esclarecido que, posteriormente, seriam dadas informações mais concretas, porém, desde logo, os participantes mostraram-se recetivos e interessados em colaborar.
A educadora cooperante, que, primeiramente, já havia sido informada acerca do estudo que se pretendia realizar, disponibilizou-se a entregar os questionários aos encarregados de educação.
Foram entregues 22 questionários à educadora cooperante para que esta procedesse à sua entrega, sendo que a taxa de devolução foi de 100%. Os questionários foram entregues, em mão, pela educadora cooperante, no dia 3 de fevereiro de 2017 e recolhidos, na sua totalidade, no dia 3 de março de 2017.