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TARIMSAL SANAYİ VE KONYA OVALARI SULAMA PROJESİ (KOP) Konya tarıma dayalı sanayi, bitkisel ve hayvansal üretim merkezidir. Tarım ve

Belgede KONYA EKONOMİ RAPORU 2008 (sayfa 90-95)

III . EKONOMİK SEKTÖRLERDE MEVCUT DURUM VE SEKTÖREL DEĞERLENDİRMELER

AĞAÇ SAYISI

VI. KONYA İLİNİN TAMAMLANMASI GEREKEN ÖNCELİKLİ PROJELERİ

4. TARIMSAL SANAYİ VE KONYA OVALARI SULAMA PROJESİ (KOP) Konya tarıma dayalı sanayi, bitkisel ve hayvansal üretim merkezidir. Tarım ve

Presidente Lula: obrigado por ter tentado nos ajudar, mas fomos maltratados e agora perseguidos pelo ACNUR. Amamos o Brasil, mas agora preferimos voltar para os campos de concentração. Nos ajude, resistiremos, refugiados palestinos. (Mensagem na faixa de protesto dos refugiados palestinos em Brasília, 2008).

Em 2004, durante o governo Lula, houve a reabertura do escritório do ACNUR no Brasil e o início do programa de reassentamento solidário, onde a recepção de reassentados se deu primeiramente em torno dos colombianos, através do programa regional. Posteriormente, em 2007, foram recepcionados os palestinos que vieram a marcar o segundo protesto de refugiados reassentados no país, ocorrendo entre

140 Após a queda do Talibã, o Afeganistão se marcava pela insegurança e por sérios problemas de infraestrutura, decorrentes

da guerra no país. Ainda assim, em 2002, começaram os movimentos de repatriamento de afegãos, que ocorreram também por meio de operações do ACNUR (ACNUR, 2002).

2008 e 2009, em frente ao escritório do ACNUR em Brasília e também no gramado do Itamaraty.

Durante o período do protesto a maior reivindicação foi por regresso ao campo e/ou reassentamento em outra nação. Eles acamparam por mais de um mês, chamando a atenção da mídia141 e da diplomacia brasileira. Como não era possível mandá-los de volta ao campo e também reassentá-los em outro país (nenhum país se dispôs a recebê-los), o jeito foi começar uma intensa negociação. As soluções: 1) foi suspensa a ajuda financeira; 2) o protesto acabou sendo encerrado por uma decisão judicial; 3) alguns refugiados permaneceram acampados, outros retornam para a cidade de reassentamento no Brasil e ainda, alguns, foram para outras cidades; e 4) o escritório do ACNUR mudou-se para um shopping da cidade.

Figura 8: Protesto de reassentados palestinos em Brasília

Fonte: CMI Brasil (2008).

Três considerações são importantes para entender o protesto palestino: Primeiro, eles já conhecem o mecanismo de refúgio. Moulin (2011) comprova esse argumento quando afirma que os refugiados palestinos conhecem as regras do jogo dos direitos humanos internacionais. De fato, eles sabem quais são os países que tem

condições melhores e se comunicam com outros palestinos reassentados em demais localidades. Então, se eles pudessem escolher, iriam para o Canadá, EUA ou Europa. Notou-se nas entrevistas que alguns palestinos vieram marcados com uma expectativa temporal de curto prazo, achando que viriam para o Brasil e depois poderiam migrar novamente para um país que pudessem escolher. Esse projeto migratório de curto prazo apontou para um distanciamento cultural, fortalecido pela barreira do idioma português e que afastou ainda mais o refugiado palestino de se integrar na sociedade brasileira. Entretanto, outros parecem ter a expectativa de permanência no Brasil, já que se casaram e tiveram filhos nascidos no país. Roberts (1995) considera a nupcialidade e nascimento de filhos no local de destino um dos fortes fatores que alteram a expectativa temporal, podendo essa imigração passar a ter um caráter de permanência.

Segundo, quando chegaram ao Brasil não encontraram as condições que esperavam – ou melhor, a que eles imaginavam – há uma frustração; uma decepção, uma quebra da expectativa positiva. Para os refugiados palestinos, as condições de vida não eram consideradas satisfatórias. O auxílio recebido pelos refugiados era tido como insuficiente para cobrir suas despesas no país. Assim, as tensões nas relações dos refugiados com as instituições também se fizeram notar no processo de integração local. De uma maneira geral, isso os tornou mais reivindicativos e a exigir os seus legítimos direitos de cidadania. Há problemas como a disparidade de procedimentos institucionais e de formas de atendimento para com os refugiados no contexto da administração pública, não só de serviço para serviço, mas por vezes dentro do mesmo serviço. Na verdade, nem sempre é evidente o modo como os serviços de relacionam, designadamente ao nível de entendimento

das informações requeridas pelos refugiados. Assim, as relações entre refugiados e instituições foram permeadas por momentos de tensão e conflitos e os refugiados recorreram a protestos como um instrumento que permitisse o atendimento de suas reivindicações.

Em terceiro e último, os refugiados foram usados como instrumento político, corroborando para essa afirmação a análise de Moulin (2011):

E a história de esperança converte-se em alguns poucos meses numa batalha política conspícua entre eles e as diversas agências governamentais nacionais e internacionais responsáveis pela sua proteção. Também é interessante observar as posturas adotadas pela Cáritas, ACNUR e CONARE, organizações da estrutura tripartite brasileira que lidaram diretamente com esse caso.

Houve uma significativa tensão entre os palestinos e as condições existentes para a sua integração provida pela Cáritas. Grande parte do problema decorreu da expectativa dos refugiados, mas também de uma carência generalizada para a integração em todas as suas dimensões. Sobretudo porque os refugiados palestinos representam um grupo diferenciado em diversos aspectos– língua, etnia, cultura, hábitos, vida em família e o fato de muitos serem adeptos e praticantes da religião islâmica. Relatos das entrevistas realizadas na mesquita deixam entrever as características e a importância das tradições.

Por sua vez, a Cáritas enquanto organização também enfrentou vários problemas. Com recursos limitados e a intermitência de apoios locais, novas estratégias precisavam ser pensadas e redefinidas em função das prioridades e das condições específicas de cada refugiado. Era comum o relato da equipe, de que ficavam 24

horas a disposição para atender aos refugiados palestinos, que demandavam ajuda para diversas tarefas do dia a dia. Da mesma forma, observou-se uma postura paternalista. Era comum também os refugiados queixando-se da atitude autoritária da Cáritas. Em algumas ocasiões, não hesitaram em chamar a polícia para intimidar os refugiados palestinos. Chegaram a fazer declarações criticando-os como um grupo não adaptável à realidade brasileira.

Concordando com Moreira (2012) os empecilhos à participação dos refugiados fizeram com que muitos programas de assistência a refugiados fossem percebidos como ultrapaternalistas. Para Barnett (2010), ser rotulado como vítima também tem suas vantagens. Ele explora a dualidade marcante que se faz presente no paternalismo, entendendo que há um divisor de águas entre controle e cuidado, entre prover bens e serviços que os refugiados querem e decidir que tipo de bens e serviços eles devem querer e quais intervenções efetivam seu melhor interesse. Para Harrell-Bond (1999), a questão então, não é que os refugiados não precisem de ajuda, eles realmente precisam, mas o problema é o tipo de ajuda que eles recebem, a forma como é fornecida e o papel que eles assumem nesse processo. Dessa maneira merecem ser pensadas as relações entre refugiados, Estados, ONGs locais e organizações internacionais. Os refugiados podem se colocar, portanto, nesse lugar de totalmente dependentes das agências que assumiram responsabilidade sobre eles.

O próprio ACNUR no Brasil enfrentou tensões que podem ser sintetizados na declaração, dada a época, do Alto Comissário do ACNUR no Brasil Sr. Javier López Cifuentes, onde foi publicado por SAFA (2008), a seguinte declaração: “Esse é um

grupo problemático”.142 Assim, o programa de reassentamento encontrava limitações

não apenas em termos operacionais (que pode ser observada no pequeno número de funcionários), mas também institucionais (que pode ser notado por uma representação interina do ACNUR Brasil durante esse período).Essas limitações tornaram os refugiados ainda mais reivindicativos. Tomo como exemplo, a aprendizagem da língua portuguesa, que não era considerada suficiente por eles. Isso fez com que o ACNUR variasse os recursos de aprendizagem de todos os modos, permitindo inclusive o pagamento de aulas particulares para aqueles que quisessem.

O CONARE chegou a afirmar que as reclamações dos palestinos não passam de “ingratidão” 143, já que o Brasil foi o único país que se dispôs a acolher os cidadãos

palestinos que se encontravam no campo de Ruweished, ademais, reafirma seu total compromisso de outorgar proteção jurídica aos refugiados, decisão que se mostra acertada, principalmente em momento de conflito internacional envolvendo palestinos e israelenses.

O coordenador-geral do CONARE na ocasião, Renato Zerbini Ribeiro Leão, em entrevista a Moreira (2012) atribuiu as dificuldades verificadas no processo de integração local e a consequente manifestação do grupo de palestinos à:

[...] vulnerabilidade do grupo. Eram, na maioria, anciãos, pessoas com problemas psicológicos [...]. Mas o protesto marcou-se por essas características particulares desse grupo e também tem raiz no povo palestino, que desde que nasce até morrer quer defender a sua terra, o seu pedaço e, por isso, é especialista em manifestação.

142 http://somostodospalestinos.blogspot.com.br/2008/12/solidariedade-com-os-refugiados.html

143 Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/geral,frustrado-grupo-de-palestinos-quer-ir-embora-do-brasil,307076 capturado

Segundo Moreira (2012) a respeito das demandas postas pelos palestinos, o mesmo coordenador-geral replicava que:

[...] eles tinham casa em Mogi das Cruzes, mas queriam em Brasília144; eles recebiam bolsa em Mogi das Cruzes, mas queriam em Brasília. Então, o que ia fazer o governo do Brasil? O ACNUR é quem gere o programa de integração, existe o acordo com a sociedade civil local em Mogi das Cruzes. Eles tinham casa, tinham aula de português. Abandonaram, quer dizer, eles estavam abandonando o programa. O Brasil não vai tirá-los de um programa e trazer para o meio da rua em Brasília. Quer dizer, é preciso ficar claro que a integração local não é um direito dos refugiados reassentados, não existe um tratado internacional que obrigue. Muita gente diz ‘ah, mas o Brasil traz essas pessoas e deixa eles passarem fome, frio, e ainda nas ruas de Brasília’. Eles estão aqui porque querem, eles tinham toda uma estrutura em Mogi das Cruzes, eles deixaram e vieram aqui, para as ruas. Enfim, uma escolha pessoal, o direito de ir e vir.

Com diálogo, os protestos poderiam ter sido atenuados. Uma vez dando voz aos refugiados, sua participação no modelo tripartite poderia resolver algumas demandas. Entretanto, pode-se afirmar que um maior protagonismo dos refugiados teria impedido o protesto dos refugiados palestinos. Chegamos a essa conclusão, pois as razões políticas do protesto não teriam sido satisfeitas com um grupo de refugiados reassentados que não exerce sequer o direito a voto no país e não tem poder algum de barganha no cenário nacional. Além do mais, também não se pode chamar o grupo de palestinos de organizado. Não há, por exemplo, uma associação formalizada dos refugiados reassentados palestinos145, mas existe sim, um Comitê Autônomo de Solidariedade ao Povo Palestino de Mogi146. Ainda de acordo com as entrevistas, o modelo tripartite brasileiro não é compreendido pelos refugiados. Não há para eles, uma clara definição do papel de cada uma das instituições que compõe o modelo brasileiro.

144 Para Hamid (2012 pg. 146), os refugiados de Mogi das Cruzes manteriam, ainda, comunicações frequentes com aqueles

que foram alocados em várias partes do Rio Grande do Sul, favorecendo a comparação entre os programas da Cáritas e da ASAV.

145 No âmbito nacional existe a Fepal- Federação Árabe Palestino-Brasileira que foi fundada em 9 de novembro de 1980. 146 O Comitê Autônomo de Solidariedade ao Povo Palestino de Mogi foi criado por mogianos. O comitê têm um blog na Internet

Moulin (2011 p.149) analisa que as demandas dos refugiados palestinos orientavam- se em dois eixos centrais, quais sejam, o da reformulação efetiva do programa de integração e o direito a voz não só sobre os termos dessa integração como também sobre o próprio direito à mobilidade internacional. O primeiro reflete uma longa e já conhecida narrativa das populações refugiadas no Brasil que acabam integradas apenas em outros espaços de exclusão socioeconômica, sobretudo nos grandes centros urbanos do país. Assim, a proteção humanitária concedida acaba tornando (quase) permanente uma situação de marginalidade jurídica, social e racial, comum a outros tantos quase-cidadãos nacionais. Por outro lado, os refugiados questionam a estrutura do marco normativo internacional de proteção à pessoa humana, em particular o do Direito Internacional dos Refugiados, que tende a vincular sua identidade, modos de existência e os próprios destinos de suas vidas individuais e familiares aos ditames das agências governamentais. E esses ditames normalmente restringem a figura do refugiado aos espaços da caridade social e/ou da criminalidade e da segurança (SOGUK, 1999; PRATT, 2005; MOULIN, 2011). Em qualquer um desses espaços, as populações refugiadas são convertidas em sítios de intervenção, seja do cuidado pastoral das diversas agências por eles responsáveis (FOUCAULT, 2007), seja do aparato penal, judicial e disciplinar que visa conter as desordens e as fontes de insegurança à comunidade internacional e hospedeira.

Para Hamid (2012) eles não apenas reivindicavam uma melhoria do programa, mas também questionavam a decisão brasileira de tê-los reassentado, demandando sua transferência para países que tradicionalmente acolhem refugiados, como a Suécia, os Estados Unidos, o Canadá, a Nova Zelândia ou a Austrália. Além disso, a autora

constata que havia um repertório comum de insatisfações, seja no que toca a sua divisão espacial em Mogi das Cruzes, à distribuição das casas e dos recursos, ao tratamento de saúde ou às aulas de português.

Os protestos tiveram um encerramento trágico, pois a vinda de mais refugiados palestinos foi suspensa devido às manifestações. Tal suspensão foi anunciada pelo presidente do CONARE, Luiz Carlos Telles Barreto a revista Caros Amigos de 2009147 “A vinda de Palestinos está vetada. Era isso que esses refugiados queriam, que nenhum palestino mais viesse? Conseguiram”. Entretanto, cabe ressaltar que se trata de uma suspensão que pode ser revogada a qualquer momento. Hamid (2012) compara os problemas que envolveram afegãos e palestinos, e diz que o reassentamento de mais pessoas de ambas as nacionalidades deixou de ocorrer, levando o país a centrar-se quase que exclusivamente no reassentamento de colombianos. Para Moulin (2011) o encerramento do protesto, e as muitas vezes trágicas consequências para seus participantes, atesta para a resiliência das dificuldades em transformar as regras do discurso de proteção.

A guisa de conclusão, um ponto interessante a refletir é que muitos acham que os refugiados deviam se conformar com sua situação, e que deveriam receber o reassentamento como uma dádiva (Mauss, 2003), sem ter o direito à reivindicação, quando, em realidade, o seu direito a voz deveria ser garantido num país democrático. O fato de se ter vetado a entrada de refugiados, bem como a forma como tais eventos transcorreram, deveras abrupto, denotam uma reação e comportamento rancorosos e, em contrapartida, uma ausência de gerência de situações-problema típicas de um trabalho como este. Com tal decisão acabando

por soar mais como uma punição do que como um ponto de reflexão e hiato visando à melhoria do modelo para reassentamentos futuros. O que fica evidente em tudo isso é a necessidade de se reverem, reorganizarem e incluírem os palestinos e outros grupos no planejamento quanto ao modelo tripartite, os projetos de assistência, implantação, monitoramento e avaliação dos programas destinados aos mesmos, medida mais humanitária e condizente com um programa de reassentamento, ainda mais se levarmos em consideração que muitos destes refugiados nunca foram ouvidos quanto as suas demandas, algo que, conceitualmente, ficaria complicado até para considerá-los excluídos de um processo, sendo que nunca foram incluídos devidamente em algo, seja na diáspora palestina e sua entrada no Iraque, seja na ida para o acampamento jordaniano e agora na vinda para o Brasil. Ao menos, como princípio de revisão atitudinal, o ACNUR e o CONARE vem reconhecendo, mesmo que discursivamente, a importância da participação dos refugiados. O protesto palestino, está associado à ideia de proteção internacional para toda a vida e de algum modo, isso abrange todos os aspectos sociais da vida do refugiado. Em síntese, os refugiados palestinos fizeram duras críticas ao ACNUR, atribuindo-lhes responsabilidade no que se refere ao insucesso do seu processo de integração, o que em certa medida ocorreu, mas, simultaneamente, surge a ideia de que há certa desresponsabilização, por parte dos refugiados palestinos em relação ao seu próprio processo de integração.

CAPÍTULO 6

ANÁLISE DAS ENTREVISTAS REALIZADAS AS INSTITUIÇÕES

A imigração de qualquer cor e sabor é uma injeção de vida, energia e cultura e os países deveriam recebê-la como uma bênção. (Mario Vargas Llosa in Folha de S. Paulo, 1/9/96, p. 2)

Nesse tópico entrevistamos sete instituições que lidam diretamente com a questão do refúgio no Brasil, quais sejam: Cáritas Regional São Paulo; ACNUR- Alto Comissariado das Nações Unidas; CONARE- Comitê Nacional para Refugiados; MEC- Ministério da Educação; DPU/RS- Defensoria Pública da União do Estado do Rio Grande do Sul; ASAV- Associação Padre Antônio Vieira e Departamento de Estrangeiros.

Foram realizadas sete perguntas no total, sendo uma aberta e as demais fechadas. As entrevistas tiveram dois objetivos, o primeiro auferir a importância do programa de reassentamento brasileiro e o segundo examinar se as instituições envolvidas confirmavam as da hipótese desse trabalho: se os refugiados palestinos reassentados foram ou não integrados à sociedade brasileira.

Nesse capítulo nos interessa saber como as instituições que assistem os refugiados avaliam o trabalho realizado. Como explicado no modelo de análise, considerou-se importante realizar entrevistas a alguns dos dirigentes das instituições públicas e não governamentais que intervêm na área do refúgio, e em particular, ao reassentamento. Tendo recolhido as percepções dos próprios refugiados reassentados no capítulo anterior, queremos neste obter um panorama mais geral

sobre o programa brasileiro de reassentamento, não centrado apenas nas experiências mais individualizadas de cada refugiado reassentado. Optou-se por um roteiro de entrevista comum para todos os entrevistados. Tendo em conta a missão, atribuições e competências de cada uma das instituições, percebe-se que o ACNUR é a organização que melhor “domina” a problemática do reassentamento no seu conjunto.

O roteiro de entrevistas continha os seguintes temas/perguntas:

1. O que é que pode ser melhorado ao nível do programa de reassentamento brasileiro?

2. De maneira geral, como é que avalia a participação do governo neste programa (desde a seleção à integração no Brasil)?

3. Os refugiados apresentam como principais dificuldades após a sua chegada ao Brasil:

4. Como avalia a participação interministerial no programa de reassentamento?

5. Porque o Brasil não deveria continuar a receber refugiados reassentados?

6. O Brasil deve dar continuidade ao programa de reassentamento por:

7. Os palestinos que vieram para o programa de reassentamento em 2007, hoje podem ser considerados integrados a sociedade brasileira?

As entrevistas foram realizadas presencialmente em dois eventos nos quais participei representando o NUARES – Núcleo de apoio aos Refugiados no Espírito Santo148, a saber: a COMIGRAR – I Conferência de Migrações e Refúgio realizada

em São Paulo e o V Seminário da Cátedra Sérgio Vieira de Mello realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ambos os eventos realizados em 2014.

Sob o título “Balanço do programa de reassentamento de refugiados no Brasil”, obtivemos os seguintes resultados do que pode ser melhorado ao nível do programa de reassentamento brasileiro de acordo com as sete instituições entrevistadas, dando destaque ao CONARE, por representar a principal instituição brasileira sobre o tema.

Politicamente, três questões são colocadas como essenciais para melhorar o programa de reassentamento brasileiro. São elas: 1)a ampliação da quantidade de refugiados reassentados no Brasil; 2) a ampliação da questão regional; e 3) o financiamento do governo brasileiro. Ou seja, essas questões políticas externam o desejo humanitário de ampliar o acolhimento de refugiados no Brasil, mas também, cobra que o governo brasileiro aporte recursos financeiros para isso. Outra questão latente está na lei. Há necessidade urgente de uma melhor lei de estrangeiros no Brasil, bem como de algumas adequações na Lei dos Refugiados. Uma sugestão apresentada é a criação de um plano nacional de integração, ou seja, como mencionamos no capítulo das soluções duradouras, a Lei brasileira para o refugiado não explica como deve ser a integração local.

Ainda falta melhorar a preparação para a vinda, falta preparação cultural. Falta assistência psicológica e linguística. Após a assistência financeira do ACNUR, há

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