III . EKONOMİK SEKTÖRLERDE MEVCUT DURUM VE SEKTÖREL DEĞERLENDİRMELER
2. 2008 YILI TÜRKİYE İLERLEME RAPORU
Quando um solicitante de refúgio chega ao Brasil (ainda que não documentado) ele precisa ir à Polícia Federal (ou à Cáritas) preencher um “Termo de Declaração”115 e um “Questionário para Solicitação de Refúgio”116 e obter os
documentos provisórios117 até a decisão final do processo. Uma entrevista será feita por um representante do Ministério da Justiça, o caso será encaminhado ao CONARE. O fluxo da solicitação de refúgio está descrito no Gráfico 8.
Ocorre que, depois desses procedimentos o solicitante de refúgio, pode precisar de assistência, que serão fornecidas através de um convênio com a ONG/ACNUR118.
114Jubilut (2013) descreve que os fluxos mistos de migrações mesclam migrantes econômicos ou por causas ambientais e
refugiados, por exemplo; ou seja movimentos de cunho econômico, social e de violação dos direitos humanos de primeira dimensão; ou ainda se verificam situações em que a pessoa é vítima de perseguição em seu país de origem (e, portanto, pode ser refugiada) mas que se utiliza de intermediadores para cruzar fronteiras (podendo ser vista como parte do tráfico de pessoas).
115 O CONARE expede resoluções normativas para regulamentar questões práticas relativas aos refugiados. 116 O Questionário para Solicitação é a resolução normativa número 2 do CONARE.
117 Sobre os procedimentos para solicitação e concessão do refúgio, ver informações detalhadas e comentadas em
JUBILUT, 2007, p. 197 e p. 198. A partir de 2014, A Resolução Normativa 18/2014 do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) apresenta novas tratativas para os pedidos de refúgio no Brasil. Ver mais em: http://www.justica.gov.br/seus-direitos/estrangeiros/refugio/anexos/resolucao-18-dou-pdf.pdf
118 Como exemplo, foi estabelecido um convênio entre o ACNUR e a Cáritas ainda antes da promulgação da lei 9474/1997
(sobre os termos do convênio ver JUBILUT, 2007, p.196). As Cáritas Arquidiocesanas do Rio e de São Paulo colocam em prática as diretrizes da agência, exercendo por “competência delegada” as funções das linhas básicas de atuação do ACNUR (proteção, assistência e integração local), desde o momento em que o solicitante chega ao Brasil, durante o processo de avaliação do pedido e após o seu reconhecimento como refugiado; é o ACNUR que estabelece as regras e os critérios de atuação no campo da assistência e proteção jurídica e fornece as verbas para a ajuda no campo social (habitação, alimentação, transporte, curso de português, medicamentos, óculos, exames simples e outras necessidades); as diretrizes estabelecidas e as verbas destinadas pela agência ao Programa de Assistência também norteiam e permitem parcerias e acordos com associações e organizações da sociedade civil brasileira. Com o apoio do ACNUR e, mais recentemente, com a participação do governo brasileiro, inclusive com uma dotação orçamentária para certos projetos, busca-se ampliar e fortalecer um trabalho com maior participação da sociedade. Desde 2007, uma parte do programa de atendimento aos refugiados passou a receber financiamento do governo brasileiro.
Gráfico 8: Fluxo da Solicitação de Refúgio
O funcionário elabora um relatório e o encaminha ao Grupo de Estudos Prévios119
do Comitê, em que se debate o caso apresentado e, ao final, formula-se outro parecer recomendando ou não o reconhecimento do estatuto de refugiado (JUBILUT, 2007). Em seguida, é preciso que o Secretário do colegiado inclua o caso na pauta de sua próxima reunião em plenário. Para que esta seja realizada, é necessário que haja quórum de quatro membros do CONARE com direito a voto. Nela, discutem-se os pontos principais sobre o caso do solicitante, bem como se delibera sobre a concessão ou denegação do pedido de refúgio. Em caso de empate, o voto decisivo será do representante do MJ, que exerce a presidência do colegiado. A decisão é notificada ao solicitante e ao DPF (BRASIL, 2010; MOREIRA, 2004 e 2012).
Em se tratando de decisão positiva, o refugiado é registrado no DPF, onde assina termo de responsabilidade, e tem direito a documentos permanentes de identidade, carteira de trabalho e de viagem. Decorridos seis anos após o reconhecimento do estatuto de refugiado, pode requerer permanência no país (BRASIL, 2010; CNIg, 2010; MOREIRA, 2012).
Por fim o CONARE delibera se será aceito ou não o refúgio, numa indefinição que pode durar de 3 a 12 meses. Se a decisão for negativa, o solicitante pode interpor recurso, no prazo de quinze dias, contados da notificação da decisão, dirigido ao Ministro da Justiça. A decisão administrativa final, é irrecorrível. Se for mantida a decisão negativa ao refúgio, o solicitante ainda poderá permanecer no país, não devendo ser transferido ao seu país de origem, no caso em que sua vida,
119 O Grupo de Estudos Prévios é composto por representantes do MRE, MJ, ACNUR e, após 2004, passou a abarcar
também um membro de ONG que represente a sociedade civil (papel desempenhado pelo IMDH). Embora o ACNUR participe das reuniões do CONARE apenas com direito a voz, sua atuação no Grupo de Estudos Prévios é bastante ativa, o que pode ser visto como uma compensação, segundo Jubilut (2006). Recentemente a DPU – Defensoria Pública da União também é parte do comitê apenas com direito a voz – assim como o ACNUR.
liberdade e integridade física estejam em perigo, em respeito ao princípio de não devolução (non-refoulement)120. Se o risco inexistir, o indivíduo pode ser deportado, todavia, o país não possui de recursos suficientes para esse procedimento e na prática eles vivem no Brasil como um enorme exército de migrantes indocumentados.
Os números recentes (2010-2014*) indicam que o número de novas solicitações de refúgio aumentou exponencialmente. No Gráfico 9 apresentamos esse crescimento:
Gráfico 9: Novas solicitações de refúgio no Brasil (2010-2014*)
Fonte : Refúgio no Brasil: Uma análise estatística. ACNUR (2014) *até o mês de outubro.
120 O conceito do non-refoulement, base de todo o direito de refugiados, significa que o indivíduo perseguido não pode ser
devolvido ao país de onde saiu, a partir do momento em que solicita o refúgio a uma autoridade migratória de um país signatário da Convenção de 1951. Jubilut (2006) realça que pode ocorrer, na prática, uma situação contraditória, em que o indivíduo não pode ser deportado ao seu país de origem ou de residência habitual, em respeito ao princípio de non-
refoulement, mas também não obteve o estatuto de refugiado reconhecido e, por isso, não pode permanecer legalmente
no Brasil. A autora concebe esse aspecto da lei como um de seus principais pontos fracos. A solução encontrada pelo CONARE se deu com a resolução normativa n. 13 de 2007, em que o comitê para refugiados pode encaminhar situações especiais ao CNIg, para que o conselho de imigração aprecie a possibilidade de permanência do estrangeiro no país por questões humanitárias (CONARE, 2010m; CNIG, 2010). Um dos casos consistiu no fluxo de haitianos iniciado em 2010. O Haiti havia sido devastado por um terremoto naquele ano e o país se marcava por situação de extrema pobreza. Segundo o CONARE, os haitianos não poderiam ser reconhecidos como refugiados, contudo, em função da ausência de ameaça ou efetiva perseguição política, mas também não podiam ser devolvidos ao país de origem, já que suas vidas estavam em perigo. Os haitianos chegados ao Brasil receberam, então, visto de permanência por razões humanitárias, concedido pelo CNIg (GODOY, 2011)
566 1138 2008 5882 8302 0 1000 2000 3000 4000 5000 6000 7000 8000 9000 2010 2011 2012 2013 Até outubro de 2014
De acordo com o ACNUR (2014) até outubro de 2014, o CONARE reconheceu solicitações de refúgio de 18 países diferentes, como Síria, Líbano, República Democrática do Congo e Mali. Desde 2013, praticamente 100% das solicitações apresentadas por nacionais da Síria foram reconhecidas. Entre os refugiados reconhecidos pelo Brasil, os sírios representam o maior grupo, com 20% do total.
O Estado do Rio Grande do Sul tem o maior número de reassentados, em 2014, as solicitações de refúgio vieram dos estados d: São Paulo (26%), Acre (22%), Rio Grande do Sul (17%) e Paraná (12%). Em termos regionais, as solicitações podem ser observadas geograficamente no Gráfico 10.
Gráfico 10: Distribuição geográfica das solicitações de refúgio
Fonte: Refúgio no Brasil: Uma análise estatística. ACNUR (2014) *até o mês de outubro de 2014.
E regionalmente, estão concentradas nas regiões Sul (35%), Sudeste (31%) e Norte (25%). Ou seja, a região Sul do país tem concentrado o maior número de solicitantes de refúgio (superando a polarização da região sudeste, especificamente São Paulo e Rio de Janeiro) e de refugiados reassentados.
25%
9%
31% 35%
Distribuição geográfica das
solicitações de refúgio
Região Norte Outros
Região Sudeste Região Sul