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3. Yeni başlayanlara yönelik kılavuz

3.2 Günlük dosyaları

3.2.1 Tarama günlüğü

Enquanto as economias do mundo dirigiam-se a passos largos conforme as lições de Bretton Woods, focadas nas ideias de Keynes sobre um Estado forte condutor da economia, as quais seriam responsáveis pelos trinta anos gloriosos, um grupo de economistas, liderados por Friedrich Hayek, desenvolvia ideias totalmente opostas.

Reunidos em Mont Pelèrin, na Suíça, em 1947, diversos intelectuais, dentre eles, além de Hayek, Milton Friedman, Von Mises e Karl Popper, fundaram uma sociedade com o nome daquela cidade e destinada a se opor ao ideário keynesiano do Estado de Bem-Estar Social. Para eles, qualquer intervenção estatal, direta ou por meio de empresas estatais, feria a liberdade individual. O capitalismo deveria ser preservado como uma economia de mercado e o estado teria de ser mínimo. Do contrário as pessoas entrariam necessariamente em divergência com uma autoridade. Refletindo sobre o ideário liberal, Diogo Coutinho assevera:

Como é bem sabido, o pensamento liberal rejeita a suposição de que um Estado forte, operativo e voltado para finalidades distributivas seja adequado para a construção de uma sociedade livre na qual indivíduos emancipados são responsáveis por suas ações e escolhas. O objetivo da justiça social é visto com ceticismo e desconfiança, pois traduz uma busca vã e com frequência mal-intencionada por poder e benesses. A igualdade de resultados é, nesse contexto, abominada pois leva à perda completa da autonomia, além de, ao fim e ao cabo, causar a ruína de todos121.

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PAULANI, Leda Maria. A inserção da economia brasileira no cenário mundial: uma reflexão sobre a situação atual à luz da história. Boletim de Economia e Política Internacional, v. 10, 2012, p. 92.

Durante trinta anos, esse programa de ação ficou restrito aos componentes da Sociedade de Mont Pelèrin. Porém, a derrocada da economia mundial após as duas crises do petróleo fizeram com que as receitas neoliberais viessem à tona novamente.

O estado forte interventor não se sustentava mais, havia crescido em demasia, logo era preciso reduzir seu alcance. Assim, Margaret Thatcher, à frente da Inglaterra, e depois Ronald Regan, dos Estados Unidos, disseminaram a teoria de que o estado devia abrir caminho para o investimento privado, afastando-se do cenário para favorecer a dinâmica da economia.

Ora, com boa parte das economias do mundo quebradas, a situação dos seus credores ficava bastante vulnerável. Fazia-se necessário encontrar um modo de saldar essa dívida, do contrário os bancos, em especial os norte-americanos, sofreriam também o baque de toda aquela crise.

Diante dessa realidade, as receitas neoliberais apresentavam-se perfeitamente adequadas para retomar a capacidade de pagamento dos países endividados. E o foco foi apontado para as nações latino-americanas, maiores devedoras daqueles credores. Por isso a reunião em Washington chegou a um consenso:

O Consenso de Washington é o neoliberalismo para a periferia endividada e tem os seguintes pontos fundamentais: disciplina fiscal e redução dos gastos públicos, que se traduz na exigência de elevados superávits primários; aplicação de uma política monetária rígida, com metas de inflação; Estado mínimo, estimulado pelo processo de privatizações; marcha a ré no desenvolvimentismo; desregulamentação das leis trabalhistas e de outras leis relativas a direitos sociais; abertura de mercado, com menos protecionismo: e livre trânsito de capitais122.

Nesse momento, embora a história brasileira demonstre com clareza que o desenvolvimento aqui sempre esteve a reboque da atuação estatal, a situação econômica no começo dos anos 1990 estava tão perdida, com seguidos anos de inflação elevadíssima, além da dívida externa estratosférica e pendente de solução desde a moratória de 1987, que o governo terminou abraçando com rigor os dogmas neoliberais a partir de 1992.

Assim, para resolver o problema da dívida externa, os credores e as agências multilaterais internacionais exigiam a autorização para securitização dos débitos, a abertura do mercado brasileiro de títulos privados e públicos e a abertura financeira da economia,

122 PAULANI, Leda Maria. A hegemonia neoliberal. In: LACERDA, Antonio Correa de; PAULANI, Leda;

PRADO, Luiz Carlos Thadeu Delorme; POCHMANN, Márcio; BIELSCHOWSKY, Ricardo; BACELAR, Tania. O desenvolvimento econômico brasileiro e a Caixa: palestras. Rio de Janeiro: Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento; Caixa Econômica Federal, 2011, p. 40.

através da retirada de determinados controles considerados obstáculos para o fluxo internacional de capitais123. E tudo isso foi atendido.

Solvida a moratória, tem-se um quase imediato retorno de capitais ao país, o que permitiu a implantação do Plano Real, o qual gerou estabilização monetária. Em seguida, houve concessão de isenções tributárias a lucros de não residentes e uma reforma previdenciária com corte de gastos públicos e abertura ao capital privado. A política fiscal operava com juros elevados e controle rígido e, por fim, o processo de privatizações se acentuou.

Entre 1997 e 1999 houve outra crise de âmbito internacional, decorrente da desvalorização de moedas de nações menos desenvolvidas, como o México, os chamados tigres asiáticos e a Rússia. O impacto na economia brasileira foi sentido, de modo que o regime cambial foi alterado, tornando-se flutuante, além de ter havido recrudescimento das políticas monetária e fiscal. Ou seja, o Brasil continuou muito dependente dos influxos externos: a diferença dos juros internos e externos dificulta o voo livre da economia nacional.

O início dos anos 2000 viu a chegada de novas ideias ao poder, no entanto não houve alterações significativas na política econômica. O governo Lula mantém juros altos e elevam- se os superávits primários. Há uma extensão da reforma da previdência ao funcionalismo público, altera-se a lei de falências para priorizar os interesses dos credores financeiros e novas medidas visando a abertura financeira são implementadas124.

Somente no segundo mandato do governo Lula, em resposta à crise de 2008, é que o neoliberalismo perde um pouco de sua força. Quiçá seja possível apresentar uma nova fase, de cunho desenvolvimentista, e na qual o país assume um certo protagonismo internacional, ao lado de outras nações em desenvolvimento.