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Tarama Şekli

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11. AVG Tarama

11.5. Tarama Programlama

11.5.2. Tarama Şekli

De acordo com o folder do SPE intitulado Resultados Sobre Saúde e Educação

Preventiva no Censo Escolar/2005 (BRASIL, 200-?), a parceria entre educação e saúde no

Brasil já possui um histórico. Cita-se que os Ministérios da Educação e da Saúde publicaram, em 1992, a portaria interministerial que passou a assegurar proteção à dignidade e aos direitos humanos das pessoas com HIV/aids. Logo após, em 1995, o Programa Nacional de DST e Aids, junto com as secretarias estaduais de educação, lançou o Programa Salto para o Futuro e o Projeto Escolas, que, segundo o folder do SPE, capacitou mais de duzentos e cinqüenta mil professores e alcançou mais de dez milhões de alunos. Afirma que, entre outras ações, pode- se citar que, desde 2003, a Saúde em conjunto com a Educação tem distribuído preservativos em mais de nove mil escolas da Educação Básica.

No HQ SPE: um guia para utilização em sala de aula, indica-se que o projeto busca “Constituir uma rede integrada saúde-educação para colaborar na redução dos agravos à saúde da população jovem.” (BRASIL, 2010a, p.8). Afirma-se que a criação do Programa Saúde na Escola em 2007, que acoplou a si o SPE, significou maior investimento financeiro no projeto e maiores articulações entre saúde e educação. Explica-se que a escola e a unidade

básica de saúde são os pilares do SPE e que a parceria entre educação e saúde é fundamental para que as ações de promoção da saúde e prevenção aconteçam de forma eficaz. Indica-se que, para que essa parceria aconteça, é preciso que se trabalhe a intersetorialidade, que aconteça a inclusão da proposta no projeto pedagógico da escola e a que haja participação ativa das famílias.

Em Brasil (2006b), uma das oficinas possui o objetivo de “Compreender a necessidade e as possibilidades de estabelecer parcerias entre famílias, escola, serviços de saúde e demais instituições para prevenir as DST/aids entre adolescentes e jovens.” (BRASIL, 2006b, p. 122). Interessante perceber que a saúde e a própria sexualidade não são aqui uma questão apenas individual. Não é apenas o próprio aluno que é responsável pelo seu cuidado, mas sim toda a sociedade, tornando-se uma questão coletiva, de cidadania. Como afirma Louro (2000), a sexualidade não é apenas uma questão pessoal e íntima. É também uma questão social e política.

No Guia para a formação de profissionais de saúde e educação (BRASIL, 2006b), afirma-se que o SPE é um marco na articulação entre saúde e educação. Aponta-se que, com a constituição de 1988, passou-se a visar à descentralização das políticas e da gestão públicas, expandindo-se para os níveis estaduais e municipais. Para garantir a eficácia da gestão de tais políticas, é necessário o exercício da intersetorialidade, por exemplo, entre a saúde e a educação. Indica-se que tal parceria não deve resumir-se à partilha de afazeres e gastos, mas sim basear-se em um planejamento de novas possibilidades de projetar, realizar e avaliar os serviços, levando em consideração as contribuições e responsabilidades dos setores envolvidos e sempre tendo como foco a população à qual as ações destinam-se. Tudo isso “[...] leva a uma construção conjunta de conhecimentos e práticas que serão novos para todos os setores e profissionais envolvidos.” (BRASIL, 2006b, p. 121).

O SPE (BRASIL, 2006b) aponta que, na história da saúde escolar, convencionou- se que as ações voltadas às faixas etárias às quais pertencem os estudantes devem acontecer na escola. Segundo o documento, como resultado dessa responsabilização, uma avalanche de demandas sociais recaiu sobre a escola e o professor, o que aumentou a expectativa e o desapontamento da sociedade em relação a esta instituição.

Uma “chuva” de novas demandas - prevenção do uso indevido de drogas, aprendizagem de procedimentos de higiene bucal, informação das regras de trânsito, prevenção das DST/aids - atinge a escola. Isso gerou uma ampliação constante de expectativas em relação à escola e ao professor e, ao mesmo tempo, levou a um aumento do desapontamento e descrédito em relação aos professores e à instituição escolar, de quem tudo se espera. (BRASIL, 2006b, p. 132).

De acordo com o SPE, a escola é criticada a partir da alegação de que esta não procura trabalhar temas que fujam ao conteúdo escolar formal. O material do SPE indica que professores vêm tentando incorporar esses temas no dia a dia da sala de aula, mas normalmente isso ocorre de forma desarticulada com o currículo e projeto cultural- pedagógico da escola. “[...] muitos professores e professoras estão incorporando sistematicamente novas dimensões ao seu papel tradicional [...] O problema é que isso ocorre, frequentemente, na forma de uma incorporação desorganizada ao currículo [...]” (BRASIL, 2006b, p. 133). Dessa forma, muitas vezes o professor tem que desempenhar uma função que diz respeito ao saber e à prática da saúde, o que gera uma diversidade de críticas por parte dos profissionais da saúde direcionadas aos profissionais da educação, gerando um descrédito mútuo entre esses profissionais e a centralização do problema no aluno ou em sua família.

O SPE (BRASIL, 2006b) afirma então que é preciso uma parceria entre saúde e educação que supere esses antigos modelos e onde haja apoio mútuo no enfrentamento de problemas e conflitos, pois tanto a saúde e educação são essenciais na vida de cada pessoa. É possível perceber que em todo momento o projeto busca articular a saúde e a educação através de suas atividades propostas e seus materiais. “Esse Projeto tem como eixo estruturante de suas ações a integração dos setores saúde educação, respeitando os princípios e diretrizes que os fundamentam.” (BRASIL, 2006a, p. 16).

Assim, é possível afirmar que a saúde entra na escola para que se realize o projeto SPE. Importante destacar que a escola é ela mesma um dos espaços onde, desde por volta do século XVII, as disciplinas estão mais fortemente presentes, como é citado por Foucault (2010a). As técnicas disciplinares fazem parte do dia a dia da escolar e é função da equipe pedagógica, assim como do professor, fazer valer o cumprimento dessas técnicas. Quando a educação sexual entra na escola, por mais que seja uma política pública e seja uma forte estratégia de governamentalidade biopolítica, ela não deixa de encontrar um espaço que ainda funciona fortemente sob a égide do poder disciplinar. Encontrará também professores que estão acostumados a fazer valer a disciplina, sendo eles próprios os personagens que mais comumente irão desenvolver o projeto SPE na escola.

No Guia para a formação de profissionais de saúde e educação (BRASIL, 2006b), consta uma seqüência de oficinas que compõem um curso para estes dois tipos de profissionais. As oficinas devem ser conduzidas por uma dupla de facilitadores, um trabalhador da saúde e outro da educação. Sugere-se ainda que, no grupo de profissionais a serem treinados, exista técnicos da rede local de saúde, para que se fortaleçam as articulações

entre a escola e os serviços de referência locais. Sugere-se ainda a participação de membros do Conselho Local de Saúde, participantes de Organizações não Governamentais e representantes de Universidades, tudo isso visando uma aprendizagem compartilhada e busca conjunta de estratégias para desenvolvimento de ações intersetoriais.

No material do SPE sobre o Censo Escolar 2005 (BRASIL, 2007), aponta-se que as sociedades modernas geraram diversas metodologias educacionais aplicadas no campo da saúde. Foi possível aos governos, organizações, universidades, criar diversas abordagens de temas como sexualidade, direitos reprodutivos e prevenção de DST, HIV e Aids, que estimulam comportamentos de prevenção e promoção de saúde ao mesmo tempo em que são ferramentas de transformação social.

Neste mesmo material do SPE, indica-se que educação e saúde caminham juntas na construção dos sujeitos e que os processos educativos não devem ser vistos apenas como produção e transmissão de conhecimento, mas também como forma de melhorar a qualidade de vida. Assim, as escolas são espaços de desenvolvimento da promoção de saúde.

Por isso, os processos educativos precisam ser vistos não apenas na perspectiva da possibilidade de gerar e disseminar conhecimentos, mas, sobretudo, na dimensão humana e de melhoria da qualidade de vida que o saber possibilita. É por isso, também, que a promoção da saúde é um potencial a ser desenvolvido nos espaços escolares, locais privilegiados para o diálogo, para o intercâmbio de saberes e para a expressão da diversidade cultural. (BRASIL, 2007, p. 7).

Cabe aqui perguntar: se a articulação entre saúde e educação permite a mudança de comportamentos e transformação social, que comportamentos e que transformação social são esses que o SPE quer alcançar? A resposta a essa pergunta certamente é complexa e heterogênea, mas parece apontar para questões próprias do biopoder: quer-se a prevenção de doenças que enfraquecem as forças dos corpos e quer-se a promoção da saúde, que potencializa essas mesmas forças. Quer-se uma sociedade prevenida, saudável e com qualidade de vida. Quer-se uma população sob controle. As ações não acontecem no nível da repressão, pois não buscam eliminar o sexo. Elas acontecem no nível da regulação, buscando o controle dos riscos.

O SPE (BRASIL, 2007) fala que Saúde e Educação possuem grande poder de mudança social, pois neles realizam-se processos de socialização que formam as diversas dimensões da subjetividade humana. Ambas são essenciais no processo de formação humana. Afirma-se que a relação entre as duas, que é natural à primeira vista, requer trabalho estratégico para que se estabeleça uma boa articulação. Os temas que se vinculam a esses dois campos não são constituídos apenas de conhecimentos, mas também de valores e pontos de

vista diversos. “Via de regra esses temas propiciam o confronto com diferenças de cunho político, moral, religioso e outras experiências da subjetividade humana.” (BRASIL, 2007, p. 12). Indica-se que, devido a essa complexidade, a presença da saúde na escola envolve também a formação continuada dos professores.

O material do SPE sobre o Censo Escolar 2005 (BRASIL, 2007) afirma que os resultados do Censo apontaram que há muita desigualdade nas regiões brasileiras em termos de desenvolvimento de ações de promoção de saúde nas escolas. Contudo, a cobertura dessas ações em território nacional tem aumentado, mas ainda é necessário grande esforço para que tais ações tenham cada vez mais alcance. O Censo Escolar 2005 mostrou que, em 2005, as escolas já haviam avançado na abrangência e na freqüência nas experiências educativas de promoção e prevenção à saúde, mas era ainda notável a visão unidisciplinar.

A partir de tudo o que foi discutido acima, talvez seja possível afirmar que o projeto Saúde e Prevenção nas Escolas é um importante momento desse forte diálogo entre saúde e educação que vem se formando e se reformulando no Brasil desde o final do século XX. É fundamental a importância de ter explorado a aliança entre a educação e a saúde. Contudo, é preciso realizar uma discussão mais específica ao contexto desta pesquisa: a educação sexual nas escolas. É importante investigar sobre como as discussões e práticas acerca da sexualidade passam a ocupar as escolas, e como essa entrada é fortemente marcada pelo domínio da saúde sobre a sexualidade. Assim, faz-se necessário também explorar como a educação sexual nas escolas foi sendo desenvolvida no contexto brasileiro, até que se chegasse ao projeto Saúde e Prevenção nas Escolas.

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