6. AVG Bileşenleri
6.1. Virüslerden Koruma
6.1.5. Resident Shield Tespitleri
Em consonância com a primeira etapa de geração de dados, as perguntas para os docentes eram perguntas abertas, com a preocupação de não direcionar suas respostas. A primeira delas (O que significa ser um/uma professor(a) de francês no contexto global contemporâneo?) desencadeou a abordagem de temas distintos, que contemplaram a questão das novas tecnologias, com seus usos positivos e suas limitações; a competição acirrada por vagas no mercado de trabalho; e a ascensão da língua inglesa. As respostas dos/das docentes apontam características de seus estilos particulares, bem como de suas representações sobre a globalização e seus efeitos. Uma parte do grupo destaca a compressão do tempo-espaço na esfera dos meios de comunicação e do fluxo de informações (HARVEY, 2010), representado, principalmente, pela Internet. Vejamos a resposta de João Paulo.
Cláudia: A primeira questão que eu gostaria que você refletisse é: o que
significa pra você ser um professor de francês no contexto global contemporâneo?
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João Paulo: Bem, como o próprio nome diz, está tudo relacionado. Hoje as fronteiras praticamente não existem, não é? E um professor de francês,
como um professor de língua estrangeira, de uma maneira geral, se vê envolvido a todo instante em questões relacionadas a idiomas diferentes né? Então, essa questão de fronteiras não só no aspecto pessoal, mas também em termos da mídia, de uma maneira geral, na internet, que você tá sempre
em contato com muitas línguas [...] Essa questão é também presente por
que as fronteiras estão abertas. Hoje, o que acontece num país é on line, já
acontece em todo o mundo, não é? Por exemplo, eu tenho TV a cabo.
Então, eu assisto TV5, por exemplo, eu assisto notícias em francês, diárias e reais. Não são gravações. Eu posso assistir um programa real. Isso é
globalização.
Na resposta de João Paulo, podemos perceber uma das representações sobre globalização mais comuns, aquela de um mundo sem fronteiras, uma “aldeia global” (MCLUHAN, 1972) interligada pelas mídias 28. Para o docente, a globalização representa uma teia de relações (como o próprio nome diz, está tudo relacionado) que aproxima as pessoas, que proporciona o contato entre diferentes línguas (de uma maneira geral, na internet, que você tá sempre em contato com muitas línguas) e que permite o fluxo de informações em tempo real (Hoje, o que acontece num país é on line). Esses aspectos são apresentados, embora sutilmente, como positivos, de modo que na totalidade da fala fica implícito que globalização é algo benéfico.
A resposta da professora Cristina, como veremos, tem uma certa aproximação com as ideias de João Paulo, no que diz respeito ao aspecto benéfico do fluxo de informações proporcionado pelos meios eletrônicos. Além dessa questão, a docente sugere o tópico inclusão digital.
Cláudia: O que significa pra você, Cristina, ser uma professora de francês
dentro desse contexto contemporâneo global?
Cristina: Eu nunca pensei sobre isso antes. Ou talvez, já tenha me passado
pela cabeça, mas eu acho que o mundo globalizado faz com que as coisas
estejam mais à disposição de todo mundo. Então, o material que tá, assim,
à disposição dos alunos, à disposição pra você também na Internet. Muitas vezes eles trazem um material que eles acabaram de encontrar na Internet, notícias que você nem mesmo viu. Então, a rapidez de informações, que
permite a globalização é interessante.
Examinando o primeiro enunciado destacado para análise (eu acho que o mundo globalizado faz com que as coisas estejam mais à disposição de todo mundo), vemos que a globalização é considerada como algo positivo, de caráter democrático,
28 Apoiado por alguns, criticado por muitos, o conceito de aldeia global foi criado pelo estudioso das comunicações Marshall MacLuhan, em 1962. À sua época, a televisão era o meio de comunicação em evidência, mas o autor canadense previa, em seu livro A galáxia de Gutenberg, uma crescente interdependência do mundo, uma interligação social impulsionada pelas mídias eletrônicas.
178 que está ao alcance de todos. Ela também destaca a rapidez de informações como algo bom, desejável, apreciação manifestada por meio do processo relacional seguido do atributo (Então, a rapidez de informações, que permite a globalização é interessante).
Pode-se dizer que a representação de globalização de Cristina está fundamentada no discurso globalista (ou neoliberal), que a representa como algo benéfico e estendido à coletividade, como tratado na Seção 4.1.2 desta tese. É inegável que as mudanças nas TICs e o surgimento de novas mídias operaram uma mutação sem precedentes para todas as categorias profissionais. Na esfera do ensino de LE, e particularmente no ensino de língua francesa, poder dispor de documentos autênticos (como videoclipes, filmes, todo tipo de texto jornalístico, letras de música, exercícios de gramática, entre outros), foi um grande avanço, principalmente, porque como ressaltado no Capítulo 4, os produtos culturais de maior circulação mundial são aqueles em língua inglesa.
A Internet, sem dúvida, expandiu o leque de ferramentas facilitadoras para o ensino e o aprendizado de LE. É correto dizer, que há certas facilidades para a aquisição de tablets, notebooks, telefones celulares e outras ferramentas com interconectividade, no sentido de que atualmente esses produtos são mais baratos que há dez anos, por exemplo. No entanto, o modalizador “mais”, empregado no primeiro enunciado de Cristina, indica que ainda existe uma parcela da população que não dispõe desses meios. Isto é, apesar de reproduzir o discurso globalista, a docente tem consciência da existência de desigualdades de acesso às mídias, como destaca Fairclough (2006), entre diferentes regiões do mundo, entre as áreas urbanas e rurais, entre os ricos e os pobres.
Do ponto de vista da professora Geórgia, os meios eletrônicos, notadamente a Internet, constituem uma ferramenta que pode, por um lado, auxiliar o aprendizado, mas, por outro, pode induzir os estudantes ao “imediatismo”, ou ao plágio.
Cláudia: Eu gostaria que você refletisse em relação ao significado de ser
uma professora de francês nesse contexto global contemporâneo.
Geórgia: Eu acho muito interessante ser professor de francês hoje e poder
eh... Interpretar o mundo hoje [...] Eh... E é muito interessante o que o
computador, agora falando na Internet, o que eles poderiam ajudar a gente. Poderia ajudar numa... numa pesquisa? Poderia. Se a pesquisa for bem feita e se o aluno não se contentar de apertar um botão e copiar uma biografia e querer entregar a gente. Isso aí a gente tem que... que...
separar o joio do trigo. Eles têm que saber pesquisar. Ajuda? Ajuda. É essa oportunidade deles terem de se informar sobre o país. E em querer que... se informando sobre o país, eles tão tendo a noção de civilização francesa.
Ajuda? Ajuda. Mas o imediatismo, a pressa, porque, eu me pergunto, nos dias de hoje, qual o... o aluno que vai se interessar em ler as
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quinhentas e tantas páginas de Madame Bovary? [...] Então é... É faca de
dois gumes, a midiatização, ela ajuda, mas ao mesmo tempo, se o aluno quiser ser preguiçoso, ele faz de qualquer jeito e... pronto!
Geórgia questiona a eficácia de recursos como a Internet para a pesquisa acadêmica. As escolhas lexicais que efetua (verbo no futuro do pretérito; conjunção “se”) constroem uma afirmação hipotética (Poderia ajudar numa... numa pesquisa? Poderia.), sugerindo que, na verdade, a Internet, ou o uso que os alunos fazem dela, não tem eficácia real para o aprendizado, pois a maioria dos usuários se contenta em compilar informações sem realizar um trabalho autoral. Mesmo quando a falante passa a usar o verbo no presente do indicativo, emprega o modalizador “mas” para enumerar os aspectos negativos da midiatização, operando um redirecionamento da argumentação (Ajuda? Ajuda. Mas o imediatismo, a pressa, porque, eu me pergunto, nos dias de hoje, qual o... o aluno que vai se interessar em ler as quinhentas e tantas páginas de Madame Bovary?). Na fala da professora está implícita uma grande dicotomia advinda com as novas tecnologias, que, por um lado, possibilitam um grande intercâmbio de informações, bastante benéfico para a educação, e, por outro, demandam uma preparação para o seu uso (Eles têm que saber pesquisar). Podemos relacionar a opinião de Geórgia sobre o mau uso dos meios digitais com a crítica de Hagège (2012), citado no Capítulo 4. O autor critica especificamente programas como Power Point, mas sua crítica pode ser estendida também a outros recursos digitais, na medida em que podem favorecer uma “esterilidade criativa”.
Margarida relaciona o contexto contemporâneo global com o mercado de trabalho, ressaltando a competição acirrada. Muito embora reconheça que o campo de atuação para professores de francês é restrito, a docente nega-se a ver isso como uma realidade particular da categoria, fazendo questão de dizer que as dificuldades atingem a todos.
Cláudia: A primeira pergunta, que eu gostaria que você refletisse é “o que significa ser uma professora de francês no contexto global contemporâneo”.
Margarida: Bom, nesse quadro atual de globalização, ser professor de FRANCÊS nesse contexto atual é TÃO difícil quanto qualquer outra profissão. A gente vê hoje... Eu tenho filhos, um filho formado em Direito,
tenho um filho formado em Engenharia de Computação, tenho sobrinhos na odontologia, administração. Eu vejo que a dificuldade é realmente grande.
Muito grande pra os jovens de hoje numa diferença brutal da minha geração, né? Claro que já foi difícil pra mim me colocar, conseguir me
profissionalizar como professora de francês, não é? Mas, então, hoje é tão
difícil e mais difícil do que outras profissões. Mas hoje, qualquer profissão,
você se colocar nesse contexto de globalização, que esse contexto eu acho
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espaço para os excelentes. Os profissionais ou as pessoas médias, que tem
que trabalhar, que tem que sobreviver, que querem exercer uma profissão, mas que não são excelentes, o espaço é quase NULO pra essas pessoas, né? O significado representacional da globalização construído na fala de Margarida pode ser associado ao discurso que Santos (2001a) denomina “globalização como perversidade”, o qual caracteriza a faceta nociva da globalização no que diz respeito ao crescimento desenfreado dos índices de desemprego no mundo29. Os sentidos negativos construídos pelos atributos que seguem os processos relacionais (é TÃO difícil quanto qualquer outra profissão/ a dificuldade é realmente grande. Muito grande pra os jovens de hoje numa diferença brutal/ é uma competição acirradíssima) e o processo mental “achar” (esse contexto eu acho muito DURO) são ainda intensificados, quer seja pelo emprego dos circunstanciais de grau que os acompanham, do superlativo absoluto, ou pelo destaque dado pela ênfase na voz, representado graficamente pelas letras em caixa alta.
Relativamente ao significado identificacional, podemos perceber, por meio dos enunciados da professora, que ela reluta em considerar que docentes de francês estejam enfrentando maiores obstáculos que os/as demais profissionais. Oscilações em seus enunciados indicam essa relutância. A falante corrobora a ideia de dificuldade atingindo todos os domínios profissionais, citando exemplos retirados de suas práticas, em que atores sociais de áreas consideradas privilegiadas (direito, engenharia, odontologia, administração), têm igualmente dificuldades em encontrar postos de trabalho. Posteriormente, ela declara já ter enfrentado esse tipo de problema no começo de sua carreira, e que no decorrer dos anos as dificuldades aumentaram (Mas, então, hoje é tão difícil e mais difícil do que outras profissões) de modo a admitir uma dificuldade maior dos/das docentes de francês em encontrar trabalho. Essa posição de Margarida confirma um estilo particular, salientado no capítulo anterior, de resistência. O professor Alberto apresenta em sua longa resposta, duas abordagens. Ele começa, como alguns de seus/suas colegas, relacionando o significado de ser um professor de francês no contexto global com o fluxo de informações e os recursos da Internet como ferramenta de ensino de FLE. Na sequência, redireciona sua resposta relacionando globalização ao crescimento do espaço da língua inglesa. Esses dados
29 Em conformidade com o Capítulo 4, Santos (2001a, p. 18) distingue ainda um discurso idealizado pelas elites dominantes, a “globalização como fábula”, o qual veicula a ideia de que o mundo contemporâneo é uma espécie de mundo sem diferenças.
181 podem ser analisados tanto no nível da significação explícita quanto implícita. Por essa razão, estou usando dois tipos de marcação na transcrição que se segue. O negrito para os enunciados que levantam tópicos de discussão, e o sublinhado para destacar pausas, hesitações e ou reformulações do discurso.
Alberto: Pra mim, significa ter de estar mais antenado, né, com com tudo que esse contexto nos traz [...] Mas os estudantes são muito
conectados com a internet. E eu também usufruo disso, evidentemente, uso isso, especialmente, por exemplo, o site da TV5, uso muitas apresentações desse site com todos os recursos pedagógicos que ele que ele traz, eh... então eh... eu acho que a gente tem que tá aberto pra esses... pra esses recursos,
tem de estar consciente que os estudantes estão conectados com isso [...] Eu uso muito os recursos da Internet e... e consulto jornais e consulto os sites de... voltados pra o ensino de FLE quando estou preparando as aulas. Ah, isso eu faço muito. Mas antigamente a gente preparava a aula com base na
biblioteca da gente ou consultando algum colega, né? Recursos que eu continuo usando. Mas... num sei se a minha resposta atende ao que você esperava. Mas... acho também... o fato de eu ser professor de francês eh... e de o inglês ter o espaço que tem, né? Eh... eu não me... eu não me... ocupo muito com isso, eu não me... isso não me interessa muito. Eu acho
que o francês, ele abre outras portas, pra mim foi assim, eu acho que pros estudantes com que eu... porque eu trabalho com formação de professores, né, que no curso de Letras daqui é assim também. Eu... eu costumo dizer que se você estuda português eh Francês, ou se você estuda português como língua estrangeira, se você pretende ensinar português como língua estrangeira, ou se você estuda alemão ou italiano ou japonês ou árabe são
outras as portas que se abrem. Né? Num tenho nada contra a língua inglesa, sou anglófono também. Falo, embora num fale courremment (risos), né? Mas falo espanhol, mas eu... eu acho que o... O que... O que a gente tem de... de vantagens e de desafios nesse mundo globalizado com
relação ao ensino de línguas estrangeiras, pra mim não faz muita diferença
se é em inglês ou em francês.
Para Alberto, o contexto global exige que docentes acompanhem a evolução dos meios eletrônicos, ideia construída pelo emprego de modalidade deôntica (Pra mim, significa ter de estar mais antenado/a gente tem que tá aberto/tem de estar consciente que os estudantes estão conectados com isso). A modalidade deôntica aponta para uma avaliação positiva (FAIRCLOUGH, 2003) do docente em relação aos recursos eletrônicos. Ele, aliás, declara utilizar muitos deles. No entanto, fica subentendido, por meio do modalizador “mas”, que para o docente os recursos existentes antes do advento da Internet são tão importantes quanto os recursos eletrônicos atuais (Mas antigamente a gente preparava a aula com base na biblioteca da gente ou consultando algum colega, né?Recursos que eu continuo usando), de modo que ainda fazem parte do leque de ferramentas que utiliza em sala de aula.
182 Logo em seguida, Alberto faz uma mudança de tópico (Mas... num sei se a minha resposta atende ao que você esperava), orientando sua opinião sobre o contexto contemporâneo global para a discussão em torno da hegemonia da língua inglesa. A esse respeito, o professor tem uma posição de resistência, semelhante àquela da professora Margarida. Ele não admite que a conjuntura global possa criar mais dificuldades para os docentes de francês (ou demais línguas estrangeiras) e destaca que para esses profissionais “são outras as portas que se abrem”, confirmando um estilo bastante pessoal ao longo das etapas de coleta e geração de dados, isto é, alguém que defende a igualdade de espaços para todas as línguas e todas as culturas.
O que chama atenção na resposta de Alberto é a recorrência de pausas, hesitações e repetições. Definitivamente, isso não faz parte de seu estilo, como fica evidente em suas falas analisadas no Capítulo 6. A proliferação de marcadores de reformulação30 em seu discurso parece indicar que o docente não estava muito confortável ao refletir sobre o significado de ser um/uma docente de francês no contexto global. Em um primeiro momento, que diz respeito à sua posição sobre o fluxo de informações e à criação de novos recursos, interpretei suas reformulações como uma indicação de que o docente, na verdade, não estivesse muito à vontade com as novas tecnologias.
Entretanto, elas se repetiram e foram ainda mais abundantes na segunda parte de sua resposta, quando discorre sobre o espaço do inglês. Alberto emprega modalidade epistêmica e dá uma marcação subjetiva à modalidade com o uso da primeira pessoa do singular, chamando para si a responsabilidade sobre aquilo que diz (Mas... acho também... o fato de eu ser professor de francês eh... e de o inglês ter o espaço que tem, né? Eh... eu não me... eu não me... ocupo muito com isso, eu não me... isso não me interessa muito). Esta atitude contrasta com o tom hesitante do falante e com o emprego do circunstancial “muito” nas duas orações negativas. Quando declara não se ocupar e não se interessar pelo fato de o inglês ter o espaço que tem, ele usa uma modalização, o que aponta para a diminuição da veracidade de suas informações. Esses indícios, não são conclusivos, mas podem apontar certo constrangimento do falante em abordar o tema. A hesitação se repete no final de sua fala (mas eu... eu acho que o... O que... O que a gente tem de... de vantagens e de desafios [...], pra mim não faz muita diferença se é em inglês ou em francês). Novamente, o emprego do circunstancial de
30 Estou empregando o termo marcadores de reformulação no sentido dado por Hilgert (2010) para indicar hesitações, interrupções, e repetições na construção dos enunciados.
183 grau “muito” modaliza o enunciado do professor. Embora os dados oriundos da fala de Alberto não sejam conclusivos, é possível relacioná-los com as falas de duas de suas colegas de instituição, no intuito de encontrar algum sentido recorrente. Vejamos a resposta de Simone:
Cláudia: Então, Simone, como eu te disse, a gente vai conversar mais sobre
globalização. A primeira pergunta é “o que significa pra você ser uma professora de francês nesse contexto global contemporâneo?”
Simone: Não sei se porque eu lido mais com a questão... Tenho lidado mais
com a questão... De forma mais recente, tenho lidado mais com a questão teórica dos textos e uma formação prática através dos textos. Então, o que a
gente vê muito quando os textos vinculam o momento atual à globalização, eles fazem no sentido de uma grande preocupação de política linguística. O que a globalização trouxe pras políticas linguísticas.
Ou, como as políticas linguísticas tem respondido a essa questão da globalização. Se a gente imaginar... Bom, essa não é a primeira globalização da história, não é, houve outras, mas, se a gente imaginar de cem anos pra cá, diversas ou pelo menos mais de uma língua ocupou o espaço de uma língua dominante. Enquanto a França ocupou esse espaço, a globalização, tal como a gente conhece hoje, ela não era, não era dominante, não se falava nela. Com o fim da guerra, esse lugar foi ocupado pelos Estados Unidos, pela sua língua e pela sua cultura. E coincidiu com isso, ou coincidência ou consequência, eu não sei, a partir daí o movimento de globalização foi mais intenso [...] Então, a globalização, ela trouxe uma pressão no sentido que os países se colocassem face a essa nova realidade. Qual era a nova realidade? Era que uma língua dominante não era mais o francês. A nova língua dominante era
o inglês, pra nós aqui do mundo ocidental. Então como reagir frente a isso? Os textos mostram que algumas políticas linguísticas foram... Foram e estão sendo sempre atualizadas e reatualizadas.
Simone já demonstrara na primeira etapa da coleta e geração de dados um estilo particular que se pode definir como “cerebral”. Como foi destacado no Capítulo 6, diferentemente do restante do grupo, ela não costuma empregar termos de ordem afetiva, mantendo-se um tanto reservada, adotando um tom professoral. Embora a pergunta demande uma opinião pessoal (o que significa pra você), a docente fundamenta sua fala em discursos veiculados em textos com os quais ela trabalha