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Kwiatkowski-Phillips-Schmidt-Shin (KPSS) birim kök testi

3. MATERYAL ve YÖNTEM

3.2. Yöntem

3.2.5. Kwiatkowski-Phillips-Schmidt-Shin (KPSS) birim kök testi

Da mesma forma que a violência policial arrasta-se no tempo, a resistência das famílias das vítimas à essas práticas, também, atravessa décadas e, em cada momento histórico, assume os contornos possíveis na realidade e diferentes formas de manifestar-se, em Goiás.

No início da organização, as famílias participaram do Encontro de Pastorais, organizado pela Arquidiocese de Goiânia no Centro Pastoral D. Fernando, na Igreja Evangélica de Cristo, em Aparecida de Goiânia, em audiências públicas. Nessas oportunidades, as famílias relatavam as situações de violência sofridas. A ocupação de espaços diversificados para publicizar os fatos e discutir a violência de policiais militares constituiu-se, também em uma estratégia para atingir os diversos segmentos da sociedade vinculados às igrejas e ao poder constituído.

Nos anos 2000, uma articulação de diversas organizações de defesa dos direitos humanos, vinculadas à sociedade civil, como a Casa da Juventude Pe. Burnier (Caju), o Cerrado Assessoria Jurídica Popular, o Instituto Brasil Central (Ibrace), a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás e o Ministério Público,

contribuíram para a criação do Comitê Goiano pelo Fim da Violência Policial, no dia 28 de abril de 2006 com o lema, Quando a dor vira resistência lançado na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás12. Essa articulação procurou reunir as famílias das vitimas de

violência de policial militar, intelectuais e parlamentares sensibilizados com tal violência e acreditando ser possível alterar esse quadro. Nas reuniões, buscavam-se formas de luta e se destacavam expressões, como justiça, força, amor, coragem, proteção, esperança, ânimo,

fé, alegria, dor e solidariedade, e as famílias que tiveram seus filhos ou entes queridos

assassinados ou que desconhecem os seus paradeiros, faziam relatos das situações vivenciadas.

Nessa oportunidade, uma das integrantes do grupo, ao dizer que seu filho fora assassinado dentro de casa, informou que “a casa até hoje está cheia de balas nos móveis e paredes. Se meu filho fez alguma coisa errada, ele tinha o direito de ser julgado e não executado. O pior é que os policiais falam que meu filho cometeu suicídio. Sei que isso não é verdade”.

Outra mãe relatou:

meu filho era trabalhador e amigo. O sonho dele era ajudar seu pai. Só que ele não pôde concretizar seu sonho porque a polícia o assassinou dentro de casa. Eu liguei para meu filho um pouco antes de acontecer a tragédia e ele me contou que tinha fugido da polícia porque estava de moto e sem capacete. A polícia nunca deveria ter feito isso. Inventaram que meu filho subiu em cima da casa, mas ele estava com problema nas duas pernas, não teria condições de escalar um muro. Eu ficava gritando para não fazerem isso e eles me falaram que meu filho era marginal e que, se eu atrapalhasse, iriam me matar. Eles fizeram isso porque quiseram (GOIÁS/Comitê, s. d.)

Essas reuniões constituíram-se em espaço de encontro das famílias, que foram violentadas no direito à vida de seus filhos, ao mesmo tempo, espaço de acúmulo de forças e tomada de decisões.

Os encontros e os relatos dos acontecimentos contribuíam para que as famílias das vítimas fortalecessem suas ações. Segundo Oliveira (1987, p. 51), “ a consolidação do movimento se revela não só pelo crescimento de sua capacidade de luta, organização e incorporação, sob uma mesma bandeira de luta, de parcela crescentes [de outros protagonistas], mas também pelas condições a que teve que fazer frente para avançar nesse processo”. Assim, as reuniões tinham o objetivo de ampliar a discussão sobre a violência praticada por policiais militares.

No aspecto administrativo e político, após encaminhamentos imediatos, o grupo de famílias e a assessoria decidiram fazer a documentação dos casos, a organização de dossiês com o relato das situações de violência ocorrida até aquela data, 2006, a elaboração de uma carta a ser apresentada no lançamento oficial do Comitê, bem como promover a mobilização das famílias das vítimas para depoimentos que ocorreram naquela oportunidade. Essas atividades compuseram a fase preparatória de criação do Comitê Goiano pelo Fim da Violência Policial. Ressalte-se a participação e o apoio da Casa da Juventude Pe. Burnier, que disponibilizou além da assessoria, espaço para as reuniões, confecção de camisetas, cartazes e equipamentos necessários a essas famílias para a sua organização. Também foi fundamental a participação e apoio da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado na promoção de uma audiência pública13, realizada no dia 2 de fevereiro de 2006, sob a

presidência do deputado Mauro Rubem14 (PT), e que contou com a participação de entidades

e/ou organizações não governamentais no apoio e/ou composição do referido Comitê, de autoridades representantes de direitos humanos em âmbito nacional e local, da Secretaria Nacional e Estadual de Segurança Pública, da Policia Militar do Estado, de representantes dos movimentos sociais e das famílias das vítimas que depuseram sobre as violências sofridas. Antes de dar a palavra aos presentes, o deputado Mauro Rubem apresentou a dinâmica da audiência e os seus objetivos.

Assim, ele se expressou:

os nossos objetivos aqui [é] contribuir para resolver um dos problemas que eu reputo como sendo um dos mais presentes de preocupação da vida do povo brasileiro. Nós, hoje, damos conta de dar algumas respostas satisfatórias na política de educação, saúde, de assistência social, mas ainda estamos a dever para a sociedade uma resposta como ela precisa. E não quero aqui deixar de reconhecer que uma das situações que mais agrava a insegurança do País é a própria situação de concentração de renda, de desigualdade, de situações que subordinam a sociedade a situações que nos deixam extremamente fragilizados. (GOIÁS/CDH/ALEGO, 2006, p. 3).

13 A audiência pública contou com a participação das seguintes autoridades que foram convidadas para compor a mesa: Ivana Farina, que foi designada pelo Comissão de Defesa de Direito da Pessoa Humana (CDDPH) e também a Secretaria Especial de Direitos Humanos, e para investigar esses casos de violência; o Major Eraldo Marques Viegas, Coordenador do Departamento de Políticas e Projetos, representando a Secretaria Nacional de Segurança Pública; o Delegado Eurípedes da Silva, Corregedor Geral da Secretaria de Segurança Pública e Justiça, representando a Secretária de Segurança Pública do Estado de Goiás; o Coronel Edson Costa Araújo, Subcomandante Geral da Polícia Militar do Estado de Goiás. Compuseram a mesa ainda o OrtonRodrigues, pai do menino de doze anos assassinado, representando as famílias das vítimas; Frei Marcos Sassatelli, na condição de defensor dos direitos humanos, em Goiás. Foram também convidados para compor a mesa sem, no entanto, ocuparem lugar por falta de espaço físico, o Carlos Alberto Fonseca, Coordenador do Centro de Apoio Operacional do Controle Externo da Atividade Policial do Ministério Público do Estado de Goiás, Gueth Abreu, Procurador da Justiça de Defesa do Cidadão do Ministério Público Federal. Foi anunciada a presença do deputado federal Capitão Wayne (GOIÁS/CDH/ALEGO, 2006, p. 1).

14 O deputado estadual Mauro Rubens (PT; mandatos 2003-2006; 2007-2010; 2011-2014) é o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás.

Em seguida ao pronunciamento do deputado, as famílias foram convidadas a apresentar os seus depoimentos. Orton Rodrigues foi o primeiro a falar:

há várias autoridades aqui, aos Desembargadores, que olhem o caso de Murilo Soares, para não ficar impune. Quero pedir também ao Major, com carinho, olhar a ficha dos policiais que mataram meu filho Murilo Soares, que estão nas ruas de novo, estou sendo ameaçado de morte, há policias na sala à paisana, 24 horas onde eu estou, estão me olhando, não sei para quê. (...) esses policiais não foram julgados ainda pelo corporativismo que existe em todos os órgãos do Governo. E ninguém está tendo coragem de colocá-los na cadeia, porque, simplesmente, qualquer advogado que olhar o que aconteceu com meu filho, as testemunhas que existem, colocaria todos eles na cadeia. Assim, peço que olhem com carinho. Olhem o caso do Murilo, gente. Ele não é um adolescente, ele é uma criança. Ele tinha doze anos e cursava a sétima série, e ele tinha o sonho de ser um jogador de futebol, e isso foi destruído por policiais militares. Quero lhes dizer novamente que estou sendo ameaçado de morte 24 horas, e não vou parar de tomar as iniciativas à procura do meu filho, porque é o mínimo que posso fazer, e peço a compreensão de todos e lhes agradeço pela oportunidade. (GOIÁS/CDH/ALEGO, 2006, p. 4)

Outro pai de um jovem assassinado, destaca que estava ali com sua esposa para pedir justiça e nada mais que isso.

Sei que isso não irá trazer meu filho de volta, mas, simplesmente, é para que não aconteça com os filhos de outras pessoas. Minha esposa presenciou todo o problema, a morte de meu filho. Não só ela, mas, mais ou menos, umas cem pessoas estavam na porta da minha casa. Estou falando em mais de cem testemunhas que pediram para eles que não matassem meu filho, porque ele não era bandido, era um trabalhador, estava de licença médica. Esse negócio de que era sobre um assalto, tudo é mentira. (...) na verdade, quem atirou foi a Polícia Militar, mais de cem pessoas que presenciaram o fato, porque lá da grade da minha cozinha dá para ver lá no fundo, onde ele foi assassinado. Aquela história de que ele subiu na casa, ele estava com uma perna quebrada (...) ele não tinha como subir em casa, como foi dito por aí, ele não dava conta nem de andar, nem de correr, quanto mais subir numa casa. (GOIÁS/CDH/ALEGO, 2006, p. 4)

O movimento de luta contra a violência de policiais militares, em Goiás, estabeleceu, ainda como estratégia denunciar e tornar público os acontecimentos, a entrega de um relatório, contendo os casos de violência de policiais militares, no estado, aos representantes da Comissão de Direitos Humanos, em outra Audiência Pública, a do Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, realizada em Goiânia no primeiro semestre de 2006. Essa era uma das audiências públicas que estavam em curso, naquele momento no Brasil, e tinha o objetivo a elaboração de um dossiê sobre violações de direitos humanos a ser encaminhado à Organização das Nações Unidas (ONU).

Assim, o combate à violência de policiais militares, no estado de Goiás, no período indicado para o estudo, concretizou-se, sobretudo, em várias ações da sociedade civil apresentou várias ações, tanto das famílias cujos entes queridos foram mortos, encaminhando denúncias ao poder público e participando de outras formas de intervenções definidas pelo Comitê Goiano pelo Fim da Violência Policial, quanto das comissões de defesa dos direitos da pessoa humana e Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa e do Ministério Público, na articulação nacional/internacional. Essas ações contribuíram para exigir providências do poder estatal no sentido de punir os culpados pelos crimes cometidos e conter a violência policial militar em Goiás. A Operação Sexto Mandamento15. da Polícia Federal

resultou em prisões de policiais militares e foi acompanhada de reação da corporação, por meio de seus representantes, que buscaram interferir no processo para impedir ou invalidar suas ações.