3. MATERYAL ve YÖNTEM
3.1. Materyal
3.2.2. Tanımlayıcı istatistikler
Registra o documento que dona Zélia contava 45 anos por ocasião do relato. Costureira, informa que parou de estudar quando completou a quarta série do ensino fundamental, aos dezesseis anos, época em que ainda morava em uma fazenda. Casou-se aos dezesseis anos, teve três filhos. Separou-se do primeiro marido e, contraiu nova relação. Encontrava-se naquele momento residindo com um dos filhos e o companheiro. Dois filhos morreram, um faleceu ainda bebê, e o outro fora assassinado no interior de sua residência por policiais, que, em 2004, cercaram a casa.
35 Acerca da emotividade presente pensamento que denomina realista-visionário Vigotski (2001) declara que, tomando-se o pensamento orientado para a resolução de uma tarefa importante, vital para o indivíduo, veremos que as emoções relacionadas a um tipo de pensamento realista, são, com muita frequência incomensuravelmente mais fortes, mais profundas, mais móvel, mais significativas
Ao descrever o filho assassinado, destaca alguns de seus atributos: humilde, nunca agressivo dentro de casa, estudioso, desenhava, grafitava, gostava de rap, tanto o rap religioso quanto o rap doidão, o funk. Não gostava de festas, não dançava, não bebia, fumava às vezes por esporte, mas não tinha vício de fumar. Seu problema, afirma ela, foi envolver-se com amizades incovenientes jovens da mesma idade dele, adolescentes do colégio, o que afirma, deu início à tragédia.
Dona Zélia destaca que era mãe rigorosa, que “puxava” da sua forma, ao passo que aqueles que define como falsos amigos queriam “puxar” da forma deles. Argumenta que houve perseguição dos policiais que o assassinaram seu filho, uma marcação que teria iniciado no colégio, e que resultaram na prisão do filho, por duas vezes, e nos acontecimentos que descreve em sua narrativa36.
Como já foi destacado, o pensamento verbal, constituído por palavras que remete a um conjunto de objetos subtendidos nos significados. Trata-se de generalizações que se convertem em estruturas de comunalidades, ou seja, formas de pensamento não necessariamente conceituais. Agrupamento de objetos em torno de uma palavra. Desse processo, no psiquismo social adulto, participa um sistema psicológico formado por nexos estabelecidos entre diferentes funções básicas (sensação, percepção, memória, pensamento, etc). Esses nexos entre funções são estabelecidos sob a primazia da linguagem. Se na tenra infância, conforme destaca Vigotski (2001), a função dominante no psiquismo é, inicialmente, a percepção e, posteriormente a memória, na vida adulta, os signos e a linguagem em particular assumem essa função preponderante, fazendo que se reorganizem os nexos e interconexões entre as diferentes funções anteriormente indicadas, resultantes da aquisição da linguagem. A formação de estruturas de comunalidades, com base no uso de determinadas palavras, manifestam-se como resultado da configuração específica do psiquismo, no processo de individualização do social. Nesse sentido, o processo de comunicação constitui uma das formas fundamentais da atividade consciente que se vincula a sistemas funcionais complexos, ou seja, a que forma estruturas nexos e conexões entre diferentes funções psicológicas, estruturadas com base na aquisição da linguagem. A palavra, nesse sentido, constitui, conforme destaca Luria (1984), uma matriz multidimensional complexa, de diferentes pistas e conexões (acústicas, morfológicas, léxicas e semânticas. Luria (1984) 36 A narrativa, registrada em 2008, como resultado de uma entrevista, constitui uma longa descrição realizada de forma praticamente ininterrupta, que se converteu em um documento de 622 linhas, dispostas em 21 folhas, em formato de tipo horizontal.Trata-se de uma síntese dos grandes temas indicadores de sentido, de estruturas semânticas, de linhas correspondentes no texto, nomeação de sentimentos e expressões corporais. Foram mapeados os temas que acompanham as expressões corporais, adotados como indicadores de sofrimentos – os prantos – ou de contentamento – os risos – no decorrer do relato (ver apêndice A).
declara que a fala constitui uma forma complexa e especificamente organizada de atividade consciente que envolve a participação do indivíduo que formula a expressão falada e a do indivíduo que a recebe. Luria (1984) distingue duas formas e dois mecanismos de atividade de fala.
Em primeiro lugar, existe a fala expressiva, que começa com o motivo ou ideia geral da expressão, que é decodificada em um esquema de fala e posta em operação com o auxílio da fala interna [ou interior]; finalmente, estes esquemas são convertidos em fala narrativa, baseado em uma gramática “generativa”. Em segundo lugar, há a fala impressiva, que segue o curso oposto, começando pela percepção de um fluxo de fala recebida de outra fonte. Processo esse seguido por tentativas de decodificar o referido fluxo; isto é feito por análise da expressão falada percebida, identificação de seus elementos significativos, e redução desses elementos a um determinado esquema de fala; este, por meio da mesma fala interna, é convertido na ideia geral, do esquema que permeia a expressão e, finalmente, o motivo subjacente à expressão é decodificado (LURIA, 1984, p. 269).
O processo comunicativo, especialmente na modalidade narrativa, revela a comunalidade de memórias, imagens, pessoas, instituições, acontecimentos, que emergem na consciência do narrador, como totalidade, e sua expressão segue um curso dos temas e motivos presentes na consciência da narradora. As estruturas de comunalidade expressam-se na narração, por meio dos temas que se sucedem, indicadores do processo de associação de imagens, atores, e que formam uma constelação em torno do tema central do diálogo pelas múltiplas vozes que ressuscitam-se na psique da narradora, como consciências contidas em sua consciência, a consciência das consciências (BAKHTIN, 2008).
Por meio da narrativa as falas de muitas outras consciências são enunciadas, sobretudo em forma de diálogos, que se atualizam nos relatos de forma dramática, pela voz de dona Zélia, talvez uma das características que tornam muito intensa essa narração de uma experiência. As consciências que se expressam por meio da consciência de dona Zélia, como uma citação textual dramatizada, reconstituem todo um conjunto de instituições e pessoas, que configuram efetivamente um quadro social envolvendo séries de instituições, evidenciando práticas de atores nelas envolvidas, permitindo assim, que se estabeleça uma reflexão com base na análise da dinâmica de personagens que se destacam no documento.
No quadro 3 é possível é possível identificar alguns personagens, apenas aqueles cujas falas são reproduzidas em forma de diálogo, inserindo-os nas respectivas instituições a que estão vinculados. Trata-se de uma relação de instituições que ressaltam dos registros, tais como família, amigos, vizinhos, Ministério Público, polícia, advogados, psicólogos.