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BÖLÜM 2: DENGELø ÖLÇÜ KART (BALANCED SCORECARD) VE

2.1. Dengeli Ölçü Kart Tekni÷i

2.1.3. Dengeli Ölçü Kart Geliútirme Süreci

2.1.3.1. Takım Kurma ve E÷itim

Gostaria de salientar que considero o conceito de redizer, sobretudo, como signo de dúvida diante do real – integralmente, sente a necessidade de dizer de novo aquele que sabe que sua fala não compreendeu um peso semântico adequado; algo falta, portanto. Na saturação, assim, há a repetição de termos nominais, de sentidos, de alguma forma vizinhos; na sobreposição, vê-se o encavalamento de sentidos, a justaposição; e por fim, na disjunção, o sentido sai do lugar em que é esperado, literalmente ou em chave irônica. Isto posto, não posso me furtar a apontar um dado de relevo; todos estes eventos estão ligados de alguma forma à repetição, seja ao pé da letra, ou como um procedimento que nasce numa poética que “gira inquieta ao redor de possibilidades não fixáveis372”. Repetição esta que, como termo, é cara à teoria estruturalista, ávida por encontrar recorrências e paralelismos, em rimas, ecos, assonâncias, aliterações, etc373. É claro que, ao apenas pontuar esta questão, acriticamente, corro o risco do anacronismo – tais procedimentos de escritura sempre foram usados, e revezaram-se na preferência dos poetas de acordo com o terreno histórico em que estes estavam com os pés fincados. Em vista disso, é preciso, sempre, expandir os conceitos, discutindo-os em suas condições de existência, para lá do estrutural, ainda que sem esquecê-lo. Assim, para Bosi, a repetição:

372 IBIDEM, p. 178.

373 Para bom exemplo desta postura, ler JAKOBSON, Roman: Uma microscopia do último “Spleen”, em

Fleurs du Mal. In: Poética em ação. Perspectiva, São Paulo, 1990, p. 239-254. Neste estudo, Jakobson

baseia quase todo seu raciocínio numa oposição entre as estrofes pares e ímpares do poema; a partir desta oposição primária, elementos fonéticos seriam repetidos, diversamente, em cada tipo de estrofe; repetição e oposições alternadas. Isto posto, ressalto, porém, que aqui não se trata de fazer pouco caso da teoria estruturalista; em meu próprio estudo e análise, vez ou outra, faço uso de dualismos e recorrências como matéria fundadora da percepção crítica. O que aponto, simplesmente, é uma certa ausência de diálogo criativo entre as duplicidades percebidas, diálogo este que tentei construir, por exemplo, entre as categorias poesia e prosa. Meschonnic, a quem mais recorro, chamará este diálogo, em muitas oportunidades, de tensão, ou relação tensiva. Em outra linha, igualmente fértil – no entanto, a meu ver, mais hermética – temos a crítica do semioticista francês Claude Zilberberg, que procura fundar seus estudos um passo fora da teoria tradicional de Ferdinand Saussure, para olhar com mais atenção a proposta de L. Hjelmslev; língua não como oposição, mas fluxo de sentido, tensão, palavra também usada por ele:

– ZILBERBERG, Claude: Greimas e o paradigma semiótico. In: Razão e poética do sentido. EDUSP, São Paulo, 2007, p. 91-126. Tradução: Ivã Carlos Lopes.

“Numa palavra, é o triunfo do paradigma, da matriz, a deleitação em um universo curvo que se fecha e se basta no seu círculo de ressonâncias. É a imitação do Paraíso ainda não machucado pela dor da ruptura e do contraste374”.

Ou seja, a repetição, em poesia, é uma imitação de um ideal, em si, ou desejado. Trata-se do bibelô sonoro de que falei em outra oportunidade, criado pelo deleite, ainda que breve. No caso da poesia clássica, por sua vez, nem se trata de esforço pela criação de um bibelô, mas antes da utilização da língua em todo seu potencial. Cabe, a mim, demandar, no entanto, se tal procedimento é o visto/realizado nos textos estudados, ao que, de pronto, digo que não. A aventura baudelairiana no poema em prosa, pelo menos a considerar a visada crítica proposta, está longe de tentar recuperar um paraíso perdido. Ainda com Bosi, porém, lembro que repetir não significa, apenas, “fazer de novo”. Muito frequentemente repetir é também reiterar375, palavra que também comporta o sentido de renovar. Algo que se renova é algo posto no lugar do antigo, do velho, ou do em desuso, está além do loop informacional, e aponta para a progressão do discurso. Reiteração como elemento essencial à coerência e coesão de um texto. É na intensa busca do “novo de novo” que vejo, assim, a idiossincrasia dos eventos estudados. Os poemas em prosa re- clamam um lugar376, clamam com mais força, clamam com mais intensidade em busca de um sentido; qualquer um, às vezes. Esse “novo de novo”, porém, está sempre a um passo de destruir suas relações com o passado, com a palavra que passou, que serviu por algum tempo de molde ao mundo, mas que agora já é outra – talvez nunca antes a palavra tenha sido tão sentida como ausência:

374 BOSI, Alfredo: O ser e o tempo da poesia. Companhia das Letras, São Paulo, 2000, p. 34. A partir de

agora, para diferenciar do texto de Viviana Bosi, o livro de Alfredo Bosi será assim referido: BOSI, O ser e o

tempo da poesia, p. XX.

375 BOSI, O ser e o tempo da poesia, p. 41. 376 IBIDEM, p. 42.

“Suprir a ausência de pessoas, coisas e ações, chamando-as, exprimindo o sentimento que elas provocam, articulando um ponto de vista sobre elas – esta a direção da nossa linguagem377”.

Se na repetição de alguma forma a palavra anterior não volta, e a seguinte não dá conta do sentido, temos que a linguagem é sempre um tipo particular de agonia, no que este sentimento comporta desejo veemente, ansiedade, ânsia. Onde o signo que não volta encontra o futuro incerto; ansiedade é uma forma de agrura diante do futuro, visto como muito estreito, e saudosa do passado, o suposto lugar de conforto. Creio ser esta agonia de dizer a que comanda, em pano de fundo, cada um dos fenômenos até então estudados – para não desistir de nomear o mundo, o sujeito recorre a estratégias de explicação e retomada. No entanto, creio haver um fenômeno no qual estas retomadas ficam ainda mais claras, com o adicional de que elas podem sugerir uma mirada rítmica para a análise, as construções em sequência:

“...elles pensent, dis-je, mais musicalement et pittoresquement, sans arguties, sans syllogismes, sans déductions378”.

“Les fondateurs de colonies, les pasteurs de peuples, les prêtres missionnaires exilés au bout du monde, connaissent sans doute379...”.

No começo desta análise, apontei que uma das denominações adotadas pelos gramáticos antigos para o conceito de aposto era sequentia, muito provavelmente pelo fato de o elemento apositivo vir na sequência do elemento a que se refere, complementando-o. Não seria esse o caso dos exemplos elencados? Nos abundantes exemplos de construções

377 IBIDEM, p. 75.

378 PPP, Le confiteor de l´artiste, p. 162. 379 PPP, Les foules, p. 170.

em sequência, observo, agora de maneira mais localizada, a mesma vontade de reformar/redizer o mundo, que, com a força da pausa proposta pelas vírgulas, varre o passado, a palavra anterior. Linguagem e agonia, espelho da poesia moderna:

“Desaparecido o mundo de valores cristãos [...] nada resta ao homem, exceto a associação fortuita e casual de pensamentos e imagens. O mundo moderno perdeu o sentido e o testemunho mais cru desta ausência de direção é o

automatismo da associação de ideias, que não está regido por ritmo cósmico

ou espiritual, mas pelo acaso380”.

Entendo automatismo, aqui, como ação tomada às beiras do inconsciente; quando o exterior supera a palavra, recorremos ao tiroteio de conceitos como forma de definição e defesa. O mundo só linguagem, no qual se pode alegorizar a “volta à unidade do espírito381”, torna-se cada vez mais difícil de ser realizado, pois a agonia volta sempre que se termina o poema. Entre o automatismo e a repetição como procedimentos gêmeos, temos, então, as construções em sequência, os signos talvez mais claros do redizer da poética do poema em prosa.

380 PAZ, Octavio: Verso e prosa. In: Signos em rotação. Perspectiva, São Paulo, 2003, p. 20. Grifos meus. 381 RAYMOND, Marcel: De Baudelaire ao surrealismo. EDUSP, São Paulo, 1997, p. 20.