D. İlgili Şartlar Çerçevesinde Dikkate Alınan Konular
4. Tabii Kaynaklar
É possível encontrar quadros diversos e complexos da agricultura no espaço geográfico brasileiro, que resultam em uma multiplicidade de relações sociais. Como bem destacaram Lamarche (1993), Wanderley (1996), Paulino (2006), Paulino e Almeida (2010) entre outros já estudados aqui, é intrínseco ao conceito de agricultor familiar uma grande variedade de personagens ativos do campo que carregam um modo de ser e produzir diferente do modo típico capitalista. Como destacam Kageyama et al. (apud GALLETA, 1995):
Embora os movimentos de modernização e industrialização da agricultura tenham sido intensos e dominantes nas últimas décadas, isto não significa a homogeneização das formas de produzir na agricultura e nem a integração intersetorial completa em todos os tipos de atividades. Ao contrário, a agricultura ainda comporta amplos segmentos tecnicamente atrasados e dominados pelo capital comercial (KAGEYAMA et al. apud GALLETA, 1995, p. 15 e 16)
Para o entendimento concreto da agricultura familiar, diversas tipologias foram desenvolvidas levando em consideração realidades socioeconômicas específicas.
Kageyama e Bergamasco (1989/90) propuseram uma tipologia de unidades produtivas da agricultura brasileira a partir dos dados do Censo Agropecuário de 1980. Procurando avançar nas classificações costumeiras, que diferenciam as unidades produtivas prioritariamente segundo o tamanho, os autores realizam tabulações especiais para realizar uma classificação inicial segundo a composição da força de trabalho e, depois, baseada na área total e na utilização de tratores. As quatro categorias resultantes desse processo foram: estabelecimentos puramente familiares; estabelecimentos familiares com temporários; empresas familiares; e estabelecimentos capitalizados.
Diante da realidade de pobreza rural e proletarização de amplas camadas da produção familiar em algumas regiões, enquanto que em outras existem camadas ricas de produção familiar vinculadas às cooperativas e agroindústria, Payes (1993) procurou elucidar os fatores que explicam o sucesso e o insucesso dos produtores familiares no mercado a partir da análise de uma realidade específica: os diferentes produtores familiares existentes no município de Rio Azul, no Paraná. A partir de uma amostra de agricultores coletada em 1985 e 1992, foi possível chegar a conclusões em relação aos resultados concretos para o agricultor familiar quando ele se integra. Este estudo permitiu distinguir três grupos: aqueles que não se integraram, mas conseguiram preservar o patrimônio; aqueles que se integraram, mas com
restrições ao acesso à terra e à mão de obra; e aqueles integrados com incremento de patrimônio.
Galleta (1995) procurou analisar o futuro da agricultura familiar e o papel do Estado em relação a eles através do aprofundamento do conhecimento em torno das novas demandas trazidas à assistência técnica e extensão rural pela agricultura familiar, o que significa estudar a integração da agricultura familiar à indústria. Para tanto, foi caracterizada a agricultura familiar de três regiões distintas: a citricultura em Limeira; a produção de feijão em Itararé; e as lavouras tradicionais pouco integradas ao mercado do bairro rural Sapatu, situado no Eldorado Paulista. Realizou-se a tipificação de grupos homogêneos correlacionados à espécie e à qualidade de assistência técnica recebida em todo o processo produtivo. Deste estudo, evidenciaram-se claramente níveis diferenciados de integração entre a agricultura e a indústria, com graus variados de participação no mercado e de dependência em relação às instituições financeiras.
Zaroni (2004) desenvolveu, em sua tese de doutoramento, um instrumento de avaliação do estágio de modernização de um estabelecimento agrícola através de amostras aleatórias de estabelecimentos familiares dos municípios do Leme e Itaipava do Estado de São Paulo. Para tanto, a autora levou em consideração os modelos teóricos de exploração agrícola estabelecidos por Lamarche (1998), chegando à tipificação de quatro tipos distintos de estabelecimentos familiares conceituados sobre as respectivas classes da escala de modernização: os familiares de subsistência; os familiares/camponeses; as empresas familiares; e as empresas familiares mais capitalizadas.
Fontoura et al. (2005) estabeleceram a tipologia dos diferentes atores sociais do meio rural do município de Paraíso do Sul, na região de Corede – Centro/RS. A partir do acesso aos cadastros socioeconômicos desenvolvidos pela UFSM, os autores avaliaram e classificaram a situação geral dos estabelecimentos em relação à utilização do espaço agrário e à propriedade dos meios de produção. A partir da tipologia, foi possível evidenciar a grande representatividade dos agricultores familiares e estabelecimentos dependentes de outros tipos de renda, como a aposentadoria de seus responsáveis; assim como a presença inexpressiva de estabelecimentos patronais e de assalariados rurais.
Silva (2008) desenvolveu uma pesquisa para identificar os tipos de agricultores familiares existentes no Polo Citrícola de Sergipe. A partir da constatação de sete tipos diferentes de agricultores familiares, o autor concluiu que as diferenças entre os tipos de produtores são determinantes para o acesso aos programas disponíveis naquela região, como o
Programa de Revitalização da Citricultura Sergipana, que é visto com resistência pelos pequenos proprietários.
Para evidenciar os diferentes níveis de capitalização dos produtores rurais do município de Machadinho d’Oeste – RO, assim como o papel dos serviços ambientais para eles, Mangabeiro (2010) traçou uma tipologia que possibilitou a definição de cinco tipos de produtores: capitalizados; razoavelmente capitalizados; medianamente capitalizados; pouco capitalizados; e descapitalizados. O autor pode constatar que os agricultores se capitalizam de modo diferenciado ao longo do tempo e que vários fatores contribuem para esse processo, como: o acesso ao crédito e à assistência técnica; o nível educacional; e os serviços ambientais prestados pelas reservas florestais.
Diante do desenvolvimento de várias tipologias em diversas regiões do Brasil, coloca- se em evidência a maior necessidade de tipificação nas regiões onde predomina a agricultura familiar, como o Agreste do Estado da Paraíba.