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Türkiye’de Reform:

Belgede TESEV YAYINLARI (sayfa 51-54)

A ideia da garantia de acesso às tecnologia de saúde para melhorar e prolongar a vida está presente em vários autores, entre os quais se destaca Bradshaw, com sua clássica taxonomia, que tenta mostrar as diferentes perspectivas segundo as quais podem ser definidas as necessidades de saúde: do ponto de vista do planejador, do técnico ou instituição que oferece os serviços, assim como, do indivíduo e coletividade quem vêm à procura de acesso às tecnologias (Bradshaw apud Matsumoto, 1999, p. 90).

A necessidade possui vários conceitos: necessidade normativa; sentida; expressa e comparativa. A primeira é aquela em que o técnico de saúde, profissional ou administrador compreende que deve ter relação a uma determinada norma. Quando os indivíduos não respondem a esta norma, são considerados estados de necessidade. A necessidade sentida refere-se à

percepção que as pessoas têm sobre seus problemas de saúde e que buscam os serviços para resolvê-los. A necessidade expressa é aquela em que os indivíduos expressam quando buscam o serviço, ou não, e a necessidade comparativa, é quando se comparam as necessidades individuais entre grupos com as mesmas características (Bradshaw apud Matsumoto, 1999, p. 90).

Pineault elabora também uma taxonomia na qual o estado de saúde pode ser descrito por diferentes códigos de morbidade, nos quais o usuário ou a coletividade vêm à procura de acesso tecnológico, qual seja: morbidade sentida, diagnosticável; diagnosticada e real. A morbidade sentida corresponde à necessidade sentida pelo indivíduo a partir da percepção de sintomas ou de moléstias. A diagnosticável é quando a morbidade é objeto de um diagnóstico, a morbidade diagnosticada representa a visão de que tem o profissional sobre o problema ou estado de saúde do indivíduo e a real, corresponde ao verdadeiro estado de morbidade do indivíduo ao buscar a tecnologia (Pineault apud Matsumoto, 1999, p. 90).

A NS é uma deficiência do indivíduo diante de um problema. Neste sentido, a necessidade representa o que se quer para solucionar o problema identificado, é o desvio ou a diferença entre o estado ótimo, definido de modo normativo. A necessidade se mede estimando o desvio em relação à norma: quanto maior é o desvio, mais importante é a NS (Pineault apud Matsumoto, 1999, p. 90).

Em cada uma dessas taxonomias, pode-se reconhecer que, implicitamente, fala-se de necessidades identificadas pelos técnicos ou pessoas potenciais, indivíduos do sistema, traduzidas em demanda, da mesma forma em que se está tentando qualificar como os serviços de saúde estão dando conta de lidar com estas demandas.

Partindo da taxonomia, pode-se ver que para fazer frente aos diferentes tipos de NS deve-se lançar mão tanto das ações de caráter mais coletivo como do atendimento à demanda espontânea por atendimento clínico; ou ainda, que para se garantir acesso a todas as tecnologias para

melhorar e prolongar a vida pode-se trabalhar a partir de uma abordagem mais coletiva ou individual (Cecílio, Matsumoto, 2006).

As ações de caráter coletivo podem se compreendidas a partir da ação programática. Segundo os autores:

“A base tecnológica da ação programática implica na utilização de diagnósticos coletivos na definição dos produtos do trabalho, a rigor, portanto, o conhecimento epidemiológico dirige a escolha dos objetos de trabalho”. Quer dizer que há uma priorização, uma supremacia de alguns objetos sobre outros (Nemes, Schraiber apud Cecílio, Matsumoto, 2006). Falar em necessidade de acesso a todas as tecnologias disponíveis inclui, para além das necessidades captadas no plano coletivo, através da Epidemiologia, a concepção da necessidade individual tal qual apresentada por Sousa Campos (1994). O autor defende a ideia de que não há oposição entre a Clínica e a Epidemiologia, ao afirmar que “não há sentido em opor radicalmente estas duas disciplinas, nem atribuir à clínica uma base exclusivamente médica, e a Saúde Pública uma Epidemiologia” (Sousa Campos, 1994, Cecílio, Matsumoto, 2006).

Para Sousa Campos (1994) as necessidades e demandas individuais são expressas pela procura espontânea por serviços de saúde e,

[...] esta demanda também traduz as aspirações da sociedade por novos padrões de direitos sociais: o direito à vida saudável, ao alívio da dor, a uma velhice ativa e prazerosa. E que o desenvolvimento desta nova consciência tem uma dinâmica que nenhum diagnóstico epidemiológico é capaz de conter: que nenhum Conselho Popular é capaz de representar completamente, a não ser quando a instituição pública for capaz de criar mecanismos para captar reinvidicações e desejos, expressão do movimento de milhões de pessoas que procuram conforto e ajuda, e que o mercado tão bem aprendeu a respeitar e a manipular (Sousa Campos apud Cecílio, Matsumoto, 2006).

Segundo o relatório da “VIII Conferência Nacional de Saúde”, em sua primeira parte sobre o tema “Saúde como direito”, tem início com a defesa de um conceito bastante amplo de saúde. Nele se afirma:

Direito à saúde significa garantia, pelo Estado, de condições dignas de vida e acesso universal e igualitário às ações e serviços de promoção, proteção e recuperação de saúde, em

todos os seus níveis, a todos os habitantes do território nacional, levando ao desenvolvimento pleno do ser humano em sua individualidade (Conferência Nacional de Saúde, 1986, p.4).

Nota-se que entre as condições dignas de vida, inclui-se o acesso aos serviços de saúde. Essa articulação se torna mais evidente quando, naquele mesmo relatório, pouco adiante, discriminam-se as consequencias para o Estado da visão ampliada da saúde e da noção de direito defendidas. Deste conceito ampliado de saúde e desta noção de direito como conquista social, emerge a ideia de que o pleno exercício do direito à saúde implica garantir:

• Trabalho em condição digna, com amplo conhecimento e controle dos trabalhadores sobre o processo e o ambiente de trabalho;

• Alimentação para todos; • Moradia higiênica e digna; • Educação e informação plenas;

• Qualidade adequada do meio ambiente, transporte seguro e acessível;

• Repouso, lazer e segurança;

• Participação da população na organização, gestão e controle dos serviços;

• Acesso universal e igualitário aos serviços setoriais em todos os níveis (Mattos, 2005).

Desses itens, apenas dois se referem às ações e serviços de saúde, que aparecem como ações setoriais. Os demais envolvem políticas diversas que contribuem para promover condições dignas de vida. O pleno exercício do direito à saúde implica a garantia de ambas as dimensões. De fato, nessa concepção, o direito de acesso aos serviços de saúde constitui uma das dimensões das condições de vida digna (Mattos, 2005).

Neste contexto, a luta pela conquista social do direito à saúde precisa se dar um duplo movimento: de um lado, há que se resgatar a luta pelas

políticas públicas que, para além do setor saúde, se voltem para a melhoria das condições de vida de nossa gente; de outro, há que se aprofundar a luta pela conquista do direito ao acesso universal e igualitário às ações e serviços de saúde, pautado pela perspectiva da participação popular e da integralidade das ações (Mattos, 2005).

Entretanto, são ainda grandes os desafios para garantia efetiva do direito ao acesso universal e igualitário aos serviços e ações de saúde. Para a discussão, são indicadas três questões de grande relevância no debate atual do SUS:

1. Há problemas no financiamento do SUS: relativos à insuficiência relativa de recursos. Tanto no Legislativo quanto no Executivo há defensores da redução de recursos que deveriam ser destinados ao SUS, na tentativa de deslocá-los para outros programas capazes de melhorar as condições de vida das pessoas;

2. Diante da dificuldade de financiamento, e no contexto de uma expansão do acesso aos serviços de saúde, alguns gestores adotam práticas de racionamento da oferta de serviços e de insumos, sobretudo aqueles de maior custo: criando protocolos e critérios para acesso/utilização dos mesmos;

3. Como o reconhecimento do direito ao acesso às ações e aos serviços de saúde que são necessários ainda não se concretiza para todos, os movimentos que se organizam em torno da defesa de certos grupos ou causas específicas (pessoas que vivem com certas doenças, ou o próprio movimento feminista) vêm lutando para o reconhecimento e a garantia de direitos específicos: a importância crescente destes movimentos aparece no interior dos conselhos e das conferências de saúde, em articulação com os Técnicos do executivo, pelos projetos de leis e pelas leis aprovadas no Legislativo (Mattos, 2005).

4. Como construção e prática social, a integralidade ganha riqueza e expressão, porque reúne os valores que as pessoas defendem, todo mundo quer minimamente ser bem tratado, ter acesso aos serviços de saúde com qualidade.

2.3 NECESSIDADES DE AUTONOMIA E AUTOCUIDADO NA

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