İNTERMODAL DEMİRYOLU TAŞIMACILIĞI: TÜRKİYE İÇİN FIRSATLAR VE TEHDİTLER
D. Ali DEVECİ 1 Didem ÇAVUŞOĞLU 2
3. İNTERMODAL TAŞIMACILIK VE İNTERMODAL DEMİRYOLU TAŞIMACILIĞI
3.2. Türkiye’de İntermodal Demiryolu Taşımacılığı
Para os críticos das políticas de RH - Recursos Humanos, implementadas pelas modernas empresas, é visível a crescente degradação das relações de trabalho atravessadas por imposições e conflitos velados, ambigüidades e dissonâncias entre a prática e o discurso com o conseqüente desgaste na saúde mental dos trabalhadores.
É cada vez mais forte a presença de pesquisas sérias que reconhecem os poderosos e sutis mecanismos de sedução e de oferta-distribuição de privilégios, que os aprisionam numa rede de necessidades totalmente dispensáveis, às quais são induzidos a ansiar, gerando um vínculo de forte dependência destes em relação à empresa-mãe que dirige e dirigiu suas vidas. Não só dirigiu e orientou como se apoderou do seu tempo, pensamento, modo de ser e de pensar, levando-os a uma condição de fragilidade, submissão e apego excessivos, que não ousam ou nem querem questionar.
Uma forte presença de processos alienantes, a insistência em “dobrar” a visão e a força da vontade do trabalhador, alinhando-as com a ideologia da empresa, rouba-lhes a capacidade de elaborar mecanismos de defesas psíquicas à altura das absurdas exigências que lhes estão sendo impostas: aceitar ter sua vida privada invadida e vasculhada, aceitar a idéia de investir seu “tempo livre” em atividades pré-programadas e estruturadas pelas próprias empresas (o que equivale a exercer mais trabalho ainda sem a contraparte de remuneração compatível), conviver com o medo natural de perder o emprego, sem se dar conta de já haverem aberto mão de algo ainda mais precioso, que é a sua autonomia. E mais: perderam sua própria identidade e, igualmente importante, desviam para o ambiente de trabalho as relações de segurança, afeto, pertença, lealdade e erotismo que fariam melhor por existir no âmbito da família e em meio à sociedade.
O mundo da fábrica é o universo das relações sociais. É o espaço dos discursos e das promessas, das seduções e dos conflitos, da competição e das exigências. É uma relação que comporta sentimentos de identificação e adesão muito fortes, sustentados pela preleção colaboracionista. Como que enfeitiçados, grande parte dos trabalhadores vê as empresas como a mãe que os acolheu: com o status internalizado da empresa-mãe, hospitaleira e aconchegante, eles tudo fazem pelo bem-estar da genitora simbólica que habita o centro do seu imaginário. Vida pessoal e sonhos se confundirão com a vida da organização, sendo tênue a fronteira que os separam.
Na contramão do paradigma de valorização do humano, a tecnocracia foi construindo e reafirmando no cotidiano uma racionalidade prática que elimina a autonomia e o domínio do saber-criar-fazer pelos trabalhadores; a tecnocracia, à medida que decompõe mina e torna ilusória essa autonomia, aprisiona as iniciativas que restam esquecidas e subsumidas nas exigências da produção, resultando em uma nova configuração das relações sociais e laborais.
Dá-se uma verdadeira tentativa de alfabetizar as emoções, blindando-as e procurando-se mantê-las fora do espaço fabril. Cursos e treinamentos intensivos e exaustivos proliferam em ritmo acelerado, com promessas de melhorar a performance, estimular as emoções positivas e expulsar as negativas, colocando a inteligência emocional a serviço das relações nas organizações. Acima de tudo, os empregados devem internalizar os desejos e ideais corporativos como se fossem seus. Aqueles que não seguem a prescrição são vistos como incapazes de se adaptar às novas práticas, sendo classificados como divergentes e resistentes.
A investida das empresas em tais políticas de afetividade traz por conseqüência ‘o fomento à indiferença em relação à própria dor, à dor do outro, à insensibilidade, à passividade e à apatia em relação aos fatos que testemunham ou vivenciam em seu entorno social’. (BARRETO: 2008, PP. 61-62)
Neste cenário, o abuso é tomado por natural e a violência deixa de ser ato pontual para se tornar processo, produzido e reproduzido como estilo gerencial, do qual os altos escalões só tomam conhecimento caso haja repercussão nos resultados, sendo que a própria omissão, a não intervenção das altas esferas que são naturalmente tidas por desiguais, na condição de superiores formais, por si só já criam condições de perpetuar abusos e dão novas roupagens para as antigas formas de exercer a violência através do poder do cargo. E muitas vezes por determinações que vêm de uma matriz de fora, cujos interesses são estranhos e indiferentes aos nossos, nacionais e cujas políticas e procedimentos de RH ferem até mesmo nosso código civil.
E como é possível? O que sustenta o fato de que nossa própria soberania esteja sendo vilipendiada? O que vai embutido na expressão de total indiferença para com a dispensa de um colega: Lamento, mas são ordens da matriz? Ou somos colegas de equipe e nos importamos uns com os outros ou formamos uma equipe somente quando temos metas a alcançar e deixamos de sê-lo na hora de dispensar? Que política de afetividade é essa? Por quais regras nos pautamos?
Que o poder, por meios do castigo físico ou ameaça de sua aplicação, através de promessas de recompensas pecuniárias diretas ou indiretas, vantagens e benefícios, por persuasão, validação e manipulação dos afetos, leva pessoas a ela sujeitas a abandonar suas próprias preferências e a aceitar as preferências alheias, isto é fato sabido. Mas o que leva à confusão entre os instrumentos do exercício do poder e as fontes do direito de exercê-lo? Mais ainda, a confundir exercício com abuso desse mesmo poder?
Há que se pensar num certo conteúdo secreto desse exercício: a submissão não pode ser evidente para aqueles que se submetem. Eles devem desejar fazê-lo. É aqui que se insere o culto à personalidade do trabalhador, a captura de sua mente para que ele se perceba e se sinta “especial e único”, como aquele que “faz a diferença”, um valor - capital humano - alçado ao status de grande colaborador, credor de todos os méritos, que a organização – empresa - não faz mais do que cultivar, manter e preservar. Até quando não mais lhe interesse. Aplica-se, então, uma dispensa sumária.
Nessa hora, os egos inflados de todos os empregados seduzidos pela mística do culto ao personalismo, aliada convicta da gestão pela afetividade, implodem pela súbita queda do paraíso em direção à grande e cruel realidade: nos tempos atuais, a personalidade está associada, antes de mais nada, ao poder condicionado, que melhor se traduz pelo talento pessoal em gerar confiança. A hora da dispensa súbita e sumária, sem qualquer cuidado ou preparação, é, por excelência e essência, a hora da queda de confiança e da auto-confiança.
O empregado, ao se aposentar sem ter-se preparado, tem uma revelação dolorosa: a propriedade, que inclui rendimento à altura e disponível, ele não tem; a
organização, que garantia um ambiente funcional, confiável e estável de aceitação e
utilidade, decreta sua morte social; a personalidade, habituada a se submeter e aceitar como legítimas, compensações tangíveis na forma de cargo, emprego com carteira assinada e apreço social, se desestrutura. O trabalhador não dá conta de
liderar a si mesmo, posto que liderança é uma qualidade de relacionamento em
grupo e não uma atitude ou competência que se auto-aplique.
A perda de sua importância, que no início de sua vida laboral foi o atributo que lhe garantiu tornar-se alguém de respeito, agora rapidamente o remete ao nada,
ao vazio de si mesmo, à dolorosa síndrome da inutilidade, não ocupacional, mas
Para melhor compreender questões de tal magnitude e complexidade, busquei saberes de várias áreas do conhecimento e elegi a abordagem transdiciplinar, especialmente a partir da antropologia, em meio às ciências sociais, sem, contudo, dispensar aqueles conhecimentos advindos da minha primeira formação acadêmica, a psicologia.
Para justificar a escolha da temática desta tese procuraremos elucidar tanto a origem como as causas deste trabalho que, em razão de sua complexidade, exige- nos realizar um esforço de buscar e compreender saberes em múltiplas áreas do conhecimento: antropologia, sociologia, política, história, economia, administração pública e privada, direito, filosofia, gerontologia social e psicologia, além de educação.
Mais à frente, serão apresentados os autores, seus conceitos e reflexões, bem como minhas próprias idéias e questionamentos, de cada uma das áreas pesquisadas.