TÜRKİYE’DE SİVİL TOPLUM ÖRGÜTLERİNİN SOSYAL POLİTİKA FAALİYETLERİ ÜZERİNE BİR ARAŞTIRMA
3.2. Sivil Toplum Örgütlerinin Sosyo-Politik Faaliyetleri 1 Gelir Dağılımı ve Yoksulluk
3.2.4.2. Türkiye’de Faaliyet Gösteren Bazı Çevre Örgütler
A partir da década de 1990, as perspectivas teóricas relacionadas à temática do professor-pesquisador, prático-reflexivo e professor reflexivo começaram a fazer parte de projetos de formação de docentes, tendo a pesquisa como aspecto importante na vida desses profissionais (SOUZA, 2006a), seja para progredir em seu trabalho, refletir sobre suas ações ou pensar o que acontece na sua sala de aula, pois como afirma Zeichner (2002), “o processo de compreender e aperfeiçoar seu próprio ensino deve começar a partir da reflexão sobre sua própria experiência” (p. 34). Dessa forma, a experiência prática do docente passa a ser tomada como objeto de estudo e pesquisa por ele mesmo, a fim de tornar seu trabalho mais significativo. Significado este que reside em pensar e questionar a si próprio enquanto professor, considerando as falas dos alunos, um acontecimento, a vida cotidiana da sala de aula e da escola em que está inserido.
Alguns docentes aprofundam a reflexão registrando sua prática em textos carregados de sentidos e inquietações. Utilizam a escrita de registros como diários
de aula, que “são documentos em que professores e professoras anotam suas impressões sobre o que vai acontecendo em suas aulas” (ZABALZA, 2004, p. 13).
Para Côco (2005), as práticas de linguagem apropriadas pelos professores são compreendidas como “atividades formadoras”, se vistas a partir da perspectiva do professor pesquisador.
A escrita do professor sobre sua prática, o registro escrito das vivências para que fiquem materializadas no papel e assim possam ser enxergadas como objeto de estudo à medida que o próprio autor percebe a necessidade de repensar seu lugar na sala de aula, as relações que lá ocorrem, os sentidos que são produzidos, as concepções de mundo implícitas em atitudes ou gestos, se faz muito importante uma vez que “reler essa prática, rever autobiograficamente a experiência passada, a situação presente e as perspectivas futuras significa — ou implica — reescrever essa história; dar-lhe outro sentido; ressignificá-la” (KRAMER, 1998, p. 21).
A prática da escrita vem sendo investigada por estudiosos da área de formação docente, porém no âmbito da formação continuada, ou seja, como se dá a produção de escritas autobiográficas ao longo da carreira do professor que já exerce sua função na escola.
Entretanto, tal temática não tem tido a mesma atenção no âmbito da formação inicial de professores, o que quer dizer que poucas pesquisas foram realizadas até o presente momento dando enfoque para a relação entre os estudantes dos cursos de licenciatura – futuros docentes – e as práticas de escrita. Isto pôde ser constatado a partir do levantamento bibliográfico realizado em bases de dados relevantes para divulgação do conhecimento científico e que já foi explicitado anteriormente.
Além disso, a prática da escrita vem, desde a escola regular, envolta por uma ideia de que sua função é apontar os erros do aluno e, como afirmam Silva e Muniz (2010), “a essa ideia somam-se outras: proibição, didática e avaliação equivocadas que geram bloqueios, entraves gramaticais que sempre se interpuseram entre professor, aluno e escrita, no contexto escolar” (p.3-4). No contexto universitário a prática da escrita ainda não é foco de muitas reflexões, no entanto, concordamos com as autoras ao argumentarem que
escrever, no espaço acadêmico, em cada disciplina e/ou componente curricular, só faz sentido se o sujeito puder relacionar texto e mundo, tecendo e destecendo a vida no texto; se as atividades propostas permitirem que o graduando se movimente em sua própria escrita, transitando do papel para o mundo e do mundo para o papel outra vez (SILVA; MUNIZ, 2010, p. 8).
Compreendo, então, que a escrita no espaço de formação inicial docente precisa permitir que as experiências dos sujeitos que escrevem dialoguem com os conhecimentos científicos, que a subjetividade de cada autor possa permear a construção do conhecimento da profissão.
É de se questionar como o professor em exercício de sua função assumirá uma preocupação com a escrita de sua própria experiência sem ter tido uma relação significativa com a produção de textos em sua formação acadêmica, afinal, como aponta Kramer (1998), “é escrevendo que alguém se torna constituído de escrita” (p. 25).
É preciso pensar na concepção de gênero discursivo – aqui dando enfoque aos escritos –, que, de acordo com Bakhtin (2003), são os tipos de enunciados que empregamos em cada situação de comunicação em que nos encontramos. O texto escrito por alguém sempre atende às questões: o que se escrever? Para que se escreve? Para quem se escreve? Isto evidencia que os textos que escrevemos têm sempre um interlocutor, uma estrutura que o compõe e uma finalidade de comunicação. Neste trabalho de pesquisa, investigo as práticas da escrita que circulam na universidade. No contexto da formação inicial docente é necessário pensar como esses gêneros têm sido desenvolvidos e empregados: de modo “engessado” ou de modo a permitir que o sujeito da escrita se coloque, se exponha.
Cabe lembrar aqui, também, das contribuições de Benjamin (1987) discutindo sobre a arte de narrar, que se encontra em extinção. Ainda que o referido autor não direcione sua reflexão à formação de professores ou ao trabalho docente, é possível pensar que o fim da experiência nos tempos atuais está comprometendo também a escrita e as narrativas dos professores em formação, dado o distanciamento dos grupos humanos e o ritmo acelerado da vida, não possibilitando o intercâmbio de experiências.
a identificação pelo próprio sujeito das experiências significativas e formadoras leva-o a interpretar aprendizagens construídas ao longo da vida, buscando uma compreensão sobre si, e remete a narrativa para uma incompletude, exatamente porque a entrada da escrita não tenciona abraçar a totalidade das vivências e aprendizagens formadoras do sujeito, mas sim, aquilo que cada um elegeu como conhecimento de si e como formador na sua vivência pessoal e social (p. 144).
Dessa forma, faz-se importante pensar a contribuição das escritas para a formação do futuro docente, não apenas no âmbito profissional, mas também na dimensão pessoal do sujeito, pois o aprendizado torna-se muito mais significativo se tem como ponto de partida as próprias experiências e histórias de vida de cada sujeito.
Dentre as questões que foram colocadas aos entrevistados durante a coleta dos dados necessários para a realização da pesquisa, estavam a relação entre os futuros professores e a escrita antes mesmo de ingressarem na universidade, as possibilidades e oportunidades de escrita no contexto do curso de licenciatura, possíveis dificuldades com a prática da escrita e de que maneira esse professor em formação enxerga as contribuições dessa prática para sua formação docente.
3.3 Diálogos com trabalhos produzidos recentemente na área da formação